{"id":4790,"date":"2009-02-17T12:28:32","date_gmt":"2009-02-17T12:28:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4790"},"modified":"2009-02-17T12:28:32","modified_gmt":"2009-02-17T12:28:32","slug":"destaques-salamandra-em-retirada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/america-latina\/destaques-salamandra-em-retirada\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Salamandra em retirada"},"content":{"rendered":"<p>SAN DIEGO, Estados Unidos, 17\/02\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- J\u00e1 quase n\u00e3o s\u00e3o encontradas salamandras em algumas regi\u00f5es do M\u00e9xico e da Guatemala, onde h\u00e1 apenas uma d\u00e9cada eram abundantes, afirma um novo estudo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4790\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/409_22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4790\" class=\"size-medium wp-image-4790\" title=\"At\u00e9 janeiro deste ano, a Bradytrion silus parecia estar extinta das florestas nubladas da Guatemala - Sean Michael Rovito\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/409_22.jpg\" alt=\"At\u00e9 janeiro deste ano, a Bradytrion silus parecia estar extinta das florestas nubladas da Guatemala - Sean Michael Rovito\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4790\" class=\"wp-caption-text\">At\u00e9 janeiro deste ano, a Bradytrion silus parecia estar extinta das florestas nubladas da Guatemala - Sean Michael Rovito<\/p><\/div>  As salamandras da Mesoam\u00e9rica tamb\u00e9m parecem v\u00edtimas da declina\u00e7\u00e3o mundial de esp\u00e9cies anf\u00edbias, somando evid\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cO que acontece com as salamandras e outros anf\u00edbios pode ser uma importante li\u00e7\u00e3o para os humanos\u201d, disse o pesquisador David Wake, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley. H\u00e1 mudan\u00e7as globais que est\u00e3o alterando ecossistemas e padr\u00f5es de enfermidades, criando, assim, novos elementos de press\u00e3o biol\u00f3gica, acrescentou.<\/p>\n<p>Wake e seus colegas descobriram que v\u00e1rias esp\u00e9cies de salamandra desapareceram ou se tornaram muito raras desde a d\u00e9cada de 70 em \u00e1reas muito estudadas do ocidente da Guatemala e do Estado mexicano de Chiapas. Essas descobertas foram publicadas na semana passada na revista cientifica Proceedings of the National Academy of Sciences. \u00c9 poss\u00edvel que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e as doen\u00e7as tenham causado esta baixa, mas os cientistas n\u00e3o sabem o motivo, disse ao Terram\u00e9rica Wake, um dos especialistas mundiais em salamandras. \u201cIgnoramos quais s\u00e3o os impactos sobre os ecossistemas locais, mas podem ser significativos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Duas das esp\u00e9cies mais comuns de salamandras sem pulm\u00f5es (fam\u00edlia Plethodontidae), estudadas nos anos 70 por Wake e outros no departamento guatemalteco de San Marcos, a Pseudoeurycea brunnata e a Pseudoeurycea goebeli, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o encontradas. \u201cSimplesmente, acabaram\u201d, resumiu Sean Rovito, herpet\u00f3logo da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley que, entre 2005 e 2007, fez a pesquisa de campo com especialistas locais. Parece que se extinguiram pouco depois de 1978, disse. \u201cOs guatemaltecos do lugar, que ajudaram a fazer os estudos nos anos 70, nos levaram aos mesmos locais, aos mesmos restos de \u00e1rvores, e simplesmente n\u00e3o estavam ali\u201d, disse Rovito ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>Os pesquisadores rastrearam os flancos do vulc\u00e3o Tajumulco, na costa oeste da Guatemala, e puderam encontrar sinais de duas das tr\u00eas esp\u00e9cies mais comuns h\u00e1 40 anos, enquanto foi imposs\u00edvel encontrar at\u00e9 mesmo rastros da terceira. Esta foi uma revela\u00e7\u00e3o completamente inesperada. \u201cPes\u00e1vamos que as salamandras estavam bem\u201d, disse Rovito. Al\u00e9m disso, outras esp\u00e9cies apresentam muitos menos exemplares do que no passado.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, a redu\u00e7\u00e3o foi mais evidente no cerro San Felipe, uma reserva no Estado de Oaxaca, entre as esp\u00e9cies que viviam a 2.800\/3.000 metros ao redor. A mais comum, Pseudoeurycea smithi, praticamente desapareceu. Onde antes se podia encontrar centenas em uma \u00fanica manh\u00e3, os pesquisadores encontraram apenas um ou duas nos \u00faltimos dez anos. O problema se estende at\u00e9 a cidade do M\u00e9xico. Ao norte da capital, no Parque Nacional El Chico, ex-para\u00edso das salamandras, as popula\u00e7\u00f5es diminu\u00edram radicalmente. Wake observou que as esp\u00e9cies que dependem das salamandras, como a serpente que se alimenta delas, tamb\u00e9m diminu\u00edram de modo significativo.<\/p>\n<p>Em algumas regi\u00f5es, o h\u00e1bitat foi muito alterado nos \u00faltimos 30 anos pelo desmatamento ou pela expans\u00e3o agr\u00edcola. Como a redu\u00e7\u00e3o de exemplares foi t\u00e3o ampla, mesmo em \u00e1reas protegidas como o guatemalteco vulc\u00e3o Chicabal, os cientistas suspeitam que a mortandade de anf\u00edbios se deve ao fungo Chytrid, \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica ou a uma combina\u00e7\u00e3o de ambos. Desde a d\u00e9cada de 80, culpa-se o Chytrid pelas abruptas redu\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o anf\u00edbia na Am\u00e9rica. Trata-se de um fungo que mata rapidamente e que se expande em ondas.<\/p>\n<p>Mas as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas tamb\u00e9m afetam os anf\u00edbios, que n\u00e3o podem adaptar-se ou trasladar-se rapidamente para \u00e1reas mais adequadas. A maioria das salamandras afetadas vive em eleva\u00e7\u00f5es m\u00e9dias ou altas, o que sugere que o clima mais quente as empurra para essas \u00e1reas mais frescas, que tamb\u00e9m s\u00e3o mais in\u00f3spitas. Se a esta\u00e7\u00e3o da seca dura mais que o normal nas florestas nubladas, \u00e9 suficiente para que esses animais sejam mais suscet\u00edveis ao fungo, especulou Rovito.<\/p>\n<p>As salamandras passam despercebidas, menos para as crian\u00e7as curiosas. E ainda assim h\u00e1, na maioria das florestas, um tapete oculto de salamandras que constituem a maior parte da biomassa, mais que os p\u00e1ssaros e os mam\u00edferos juntos, disse Wake. \u201cN\u00e3o se pode elimin\u00e1-las sem causar um profundo efeito no ecossistema\u201d, disse o cientista, que fez pesquisas, entre 1969 e 1978, sobre o principal h\u00e1bitat da salamandra no M\u00e9xico e na Guatemala. Wake recordou que nos anos 70 encontrou muitos milhares delas por hectare em San Marcos e outros lugares. O agravamento da guerra civil guatemalteca (1960-1996) o obrigou a por fim \u00e0s suas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O cientista guatemalteco Carlos R. Vasquez Almaz\u00e1n, do Museu de Hist\u00f3ria Natural da Universidade de San Carlos, convidou Wake e seus colegas para voltarem aos locais que haviam estudado. Gabriela Parra Olea, do Instituto de Biologia da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico, liderou a equipe que voltou a estudar os s\u00edtios mexicanos. As salamandras pulm\u00f5es respiram atrav\u00e9s de sua pele, como as r\u00e3s, e podem ser encontradas desde o Canad\u00e1 at\u00e9 a Am\u00e9rica do Sul. Embora n\u00e3o t\u00e3o estudadas nos tr\u00f3picos, \u201cs\u00e3o enormemente importantes nos ecossistemas florestais\u201d, disse Wake.<\/p>\n<p>Por exemplo, comem muitos insetos. Em \u00e1reas onde as r\u00e3s \u2013 outras grandes comedoras de insetos \u2013 desapareceram, os riachos acabaram cobertos de algas, segundo mostram outros estudos, acrescentou. As salamandras constituem um grupo de esp\u00e9cies de grande diversidade, que existiu durante 150 milh\u00f5es de anos. \u201cE aqui parece que est\u00e3o se extinguindo apenas no curso da minha vida\u201d, afirmou Wake. \u201cSem d\u00favida h\u00e1 algo que vai muito mal\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SAN DIEGO, Estados Unidos, 17\/02\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- J\u00e1 quase n\u00e3o s\u00e3o encontradas salamandras em algumas regi\u00f5es do M\u00e9xico e da Guatemala, onde h\u00e1 apenas uma d\u00e9cada eram abundantes, afirma um novo estudo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/america-latina\/destaques-salamandra-em-retirada\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[14,21],"class_list":["post-4790","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4790\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}