{"id":4796,"date":"2009-02-18T15:48:48","date_gmt":"2009-02-18T15:48:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4796"},"modified":"2009-02-18T15:48:48","modified_gmt":"2009-02-18T15:48:48","slug":"eua-china-ansiedade-pela-visita-de-hillary-clinton","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/direitos-humanos\/eua-china-ansiedade-pela-visita-de-hillary-clinton\/","title":{"rendered":"EUA-CHINA: Ansiedade pela visita de Hillary Clinton"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 18\/02\/2009 &ndash; A China aguarda com uma estranha mistura de apreens\u00e3o e ansiedade a primeira visita da secret\u00e1ria de Estado norte-americana, Hillary Rodham C. Clinton, que prometeu ampliar o enfoque de Washington em rela\u00e7\u00e3o a Pequim, antes concentrado na economia, para assuntos delicados como direitos humanos e mudan\u00e7a clim\u00e1tica. <!--more--> Isso reaviva a esperan\u00e7a dos ativistas, mas causa receio entre observadores pol\u00edticos. Em seu primeiro discurso no cargo, Hillary dedicou-se muito a destacar a import\u00e2ncia da estabilidade nas rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cAlguns acreditam que uma China em crescimento \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, um advers\u00e1rio. Pensamos o contr\u00e1rio, que Estados Unidos e China se beneficiam &#8211; e contribuem com \u2013 o \u00eaxito do outro\u201d, afirmou \u00e0s v\u00e9speras de sua viagem no audit\u00f3rio do centro de estudos \u00c1sia Society, em Nova York. Seu enfoque para a China, que combina preocupa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas-chave com quest\u00f5es de seguran\u00e7a, ambientais e de direitos humanos, ficou em destaque na segunda-feira logo que chegou a T\u00f3quio, primeira escala de sua viagem pela \u00c1sia. \u201cTemos uma agenda muito ampla para tratar na China. Nesta viagem buscamos um caminho para seguir em frente\u201d, afirmou a secret\u00e1ria.<\/p>\n<p>Quase imediatamente, surgiu uma constata\u00e7\u00e3o da seriedade de suas palavras quando foi anunciado em Pequim o reinicio do di\u00e1logo militar entre as duas pot\u00eancias. Um porta-voz do Minist\u00e9rio da Defesa Nacional da China disse, segundo o jornal em ingl\u00eas China Daily, que a nova fase dessas delibera\u00e7\u00f5es acontecer\u00e3o em Pequim depois da visita de Hillary, entre os dias 20 e 22. A China suspendeu estes contatos no \u00faltimo outono, depois que o governo de George W. Bush decidiu vender armas no valor de US$ 6,5 bilh\u00f5es a Taiwan, que Pequim considera como prov\u00edncia renegada.<\/p>\n<p>\u201cO governo de Obama estabeleceu um tom positivo para trabalhar com o territ\u00f3rio continental\u201d, disse o China Daily citando o contra-almirante Yang Yi, especialista militar da Universidade de Defesa Nacional. \u00c9 prov\u00e1vel que em outras \u00e1reas surjam tens\u00f5es. O governo Bush manteve sil\u00eancio a respeito da situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos na China. Hillay, por sua vez, prometeu se referir a essas quest\u00f5es quando participar de uma reuni\u00e3o na prefeitura da capital chinesa. Em seu discurso feito em Nova York, a secret\u00e1ria n\u00e3o evitou dizer que os tibetanos t\u00eam direito a praticar sua religi\u00e3o sem serem perseguidos.<\/p>\n<p>Sua iminente reuni\u00e3o com as autoridades chinesas evoca recorda\u00e7\u00f5es incomodas de sua visita anterior \u00e0 China, quando participou da quarta Confer\u00eancia Mundial sobre a Mulher,em 1995, na qualidade de mulher do ent\u00e3o presidente Bill Clinton (1993-2001). Hillary fez um inflamado discurso sobre o valor universal dos direitos humanos e criticou a China por negar-se a enfrentar os abusos em seu pr\u00f3prio solo. \u201cLiberdade significa o direito de as pessoas se reunirem, se organizarem e debater abertamente. Significa respeitar os pontos de vista de quem discorda dos pontos de vista de seus governos. Significa n\u00e3o afastar cidad\u00e3os de seus entes queridos nem prend\u00ea-los, maltrat\u00e1-los ou negar-lhes sua liberdade e dignidade por causa da express\u00e3o pac\u00edfica de suas id\u00e9ias e opini\u00f5es\u201d, disse Hillary aos seus anfitri\u00f5es naquela oportunidade.<\/p>\n<p>As autoridades chinesas censuraram seu discurso na r\u00e1dio e na televis\u00e3o oficiais naquele momento, mas uma reitera\u00e7\u00e3o de suas cr\u00edticas agora \u2013 quando praticamente tudo est\u00e1 dispon\u00edvel na Internet \u2013 pode ter uma grande repercuss\u00e3o p\u00fablica. Especialistas chineses consideram prematura o compromisso de Hillary de ampliar o di\u00e1logo bilateral aos direitos humanos. \u201cNem China nem Estados Unidos est\u00e3o preparados para iniciar conversa\u00e7\u00f5es t\u00e3o amplas\u201d, disse Sun Zhe, especialista nas rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses da Universidade Tsinghua, em Pequim. \u201cH\u00e1 muita ret\u00f3rica por parte do Partido Democrata norte-americano sobre direitos humanos, direitos das mulheres e direitos trabalhistas, mas nem um \u00fanico choque real\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cA China n\u00e3o se op\u00f5e a um di\u00e1logo exaustivo\u201d, afirmou Chu Shulong, professor de ci\u00eancia pol\u00edtica na mesma universidade. Os dois pa\u00edses t\u00eam um contexto bilateral especifico para o di\u00e1logo sobre direitos humanos e discutiram a respeito durante anos, assegurou. \u201cColocar os direitos humanos e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica na mesma onda que a economia e a seguran\u00e7a n\u00e3o ajudar\u00e1 a conseguir muito, porque as duas partes apresentam s\u00e9rias discrep\u00e2ncias\u201d, disse Shulong.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, muitos observadores est\u00e3o entusiasmados com o novo clima bilateral. Zhang Guoqing, especialista na Academia Chinesa de Ci\u00eancias Sociais, acredita que a determina\u00e7\u00e3o do governo de Barack Obama para se afastar do unilateralismo de Bush e reclamar mais responsabilidades estrat\u00e9gicas de seus aliados e s\u00f3cios representa uma oportunidade para a China. \u201cNa mesma medida em que isto \u00e9 uma viagem de escuta que busca compreender as opini\u00f5es na \u00c1sia, tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade para que os Estados Unidos reclamem compartilhar mais\u201d, escreveu Guoqing no Beijing Youth Daily.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas aplaudiram os an\u00fancios sobre a presen\u00e7a da mudan\u00e7a clim\u00e1tica entre as prioridades da agenda de Hillary em Pequim. Em sua visita, prev\u00ea visitar uma geradora de eletricidade eficiente perto da capital, constru\u00edda pela General Electric em coopera\u00e7\u00e3o com um s\u00f3cio chin\u00eas. Obama prop\u00f5e o desenvolvimento de tecnologias de energia n\u00e3o-contaminante como uma das principais ferramentas para reanimar a economia dos Estados Unidos. Por sua vez, a China espera receber dinheiro e tecnologia em troca de impor-se um limite \u00e0s suas emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa, respons\u00e1veis pelo aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>\u201cA viagem de Hillary \u00e0 China \u00e9 um marco no lan\u00e7amento de um di\u00e1logo sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica entre esse pa\u00eds e os Estados Unidos\u201d, disse Li Yan, ativista do Greenpeace. \u201cO mundo inteiro est\u00e1 esperando que os dois pa\u00edses liderem o planejamento do caminho para depois do Protocolo de Kyoto\u201d, acrescentou. Cerca de 190 pa\u00edses correm contra o tempo para elaborar um acordo que substitua o Protocolo a tempo para uma confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica programada para dezembro em Copenhague. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 18\/02\/2009 &ndash; A China aguarda com uma estranha mistura de apreens\u00e3o e ansiedade a primeira visita da secret\u00e1ria de Estado norte-americana, Hillary Rodham C. 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