{"id":4803,"date":"2009-02-20T14:42:16","date_gmt":"2009-02-20T14:42:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4803"},"modified":"2009-02-20T14:42:16","modified_gmt":"2009-02-20T14:42:16","slug":"mulheres-camponesas-se-unem-e-se-fazem-ouvir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/mundo\/mulheres-camponesas-se-unem-e-se-fazem-ouvir\/","title":{"rendered":"MULHERES: Camponesas se unem e se fazem ouvir"},"content":{"rendered":"<p>Roma, 20\/02\/2009 &ndash; O nigeriano Kanayo F. Nwanze foi eleito ontem presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agr\u00edcola (Fida). <!--more--> Seu mandato se desenvolver\u00e1 em tempos de crescente incid\u00eancia das mulheres camponesas. Representantes de 165 pa\u00edses presentes na reuni\u00e3o desta ag\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Roma elegeram Nwanze \u00e0 frente de outros candidatos de Israel, Paquist\u00e3o, Alemanha, N\u00edger e \u00cdndia. Os problemas das mulheres agricultoras est\u00e3o, junto com os pre\u00e7os e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, entre as prioridades do Fida.<\/p>\n<p>A for\u00e7a de trabalho feminina agr\u00edcola aumentou um ter\u00e7o na d\u00e9cada passada, segundo a ag\u00eancia. N\u00e3o se sabe quantas camponesas h\u00e1 no mundo, mas sabe-se que 30% das pequenas fazendas da \u00c1frica, por exemplo, s\u00e3o dirigidas por mulheres. Com frequ\u00eancia, o trabalho das agricultoras n\u00e3o \u00e9 reconhecido. \u201cNos pa\u00edses em desenvolvimento as mulheres fazem a maior parte do trabalho nas fazendas, mas seu papel permanece invis\u00edvel, sem reconhecimento e sem registro de estat\u00edsticas\u201d, disse Annina Lubbock, da Divis\u00e3o de Assessoramento T\u00e9cnico sobre G\u00eanero, do Fida. \u201cNa \u00c1frica, por exemplo, as agricultoras produzem entre 60% e 80% de todos os alimentos\u201d, calculou.<\/p>\n<p>As mulheres sofrem as restri\u00e7\u00f5es que afetam todos os pequenos produtores: dificuldades no acesso ao credito e aos servi\u00e7os, falta de dinheiro para insumos, infra-estrutura deficiente e mercados pobres, explicou Lubbock. Por\u00e9m \u2013 acrescentou \u2013 tamb\u00e9m enfrentam outras restri\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de g\u00eanero. \u201cElas t\u00eam uma enorme carga de trabalho porque combinam a tarefa produtiva com a dom\u00e9stica e com o cuidado com a fam\u00edlia. N\u00e3o t\u00eam acesso aos t\u00edtulos de propriedade nem a servi\u00e7os\u201d, como informa\u00e7\u00e3o sobre pre\u00e7os, novas variedades de sementes ou novas tecnologias, disse Lubbock. A escassa representa\u00e7\u00e3o feminina nas organiza\u00e7\u00f5es camponesas cala a voz das mulheres, acrescentou, afirmando que \u201cs\u00e3o ouvidas nas bases, nas n\u00e3o nos n\u00edveis mais altos\u201d.<\/p>\n<p>Alguns grupos, como a Associa\u00e7\u00e3o de Fazendeiros Asi\u00e1ticos para o Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel, com sede nas Filipinas, procuram mudar essa situa\u00e7\u00e3o. \u201cNossos membros nos d\u00e3o a\u00e7\u00e3o afirmativa\u201d, disse a secret\u00e1ria-geral da entidade, Estrella Penunia. \u201cIsto se traduz em pelo menos 30% dos lugares na junta de capacita\u00e7\u00e3o e nas estruturas de governo institucional\u201d, disse. Da associa\u00e7\u00e3o participam nove organiza\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas de oitos pa\u00edses asi\u00e1ticos, que representam cerca de 10 milh\u00f5es de camponeses. Nas Filipinas e na Cor\u00e9ia do Sul atuam organiza\u00e7\u00f5es independentes femininas que trabalham em paralelo com outras entidades de agricultores, afirmou Penunia.<\/p>\n<p>\u201cTrabalham muito para que o governo atenda as demandas por credito, capital e acesso aos recursos, atuando lado a lado com dirigentes rurais masculinos para pressionar os funcion\u00e1rios\u201d, explicou a dirigente. Cinco por cento dos or\u00e7amentos nacional e locais das Filipinas devem ser reservados para quest\u00f5es de desenvolvimento relacionadas com o g\u00eanero. \u201cMas, \u00e9 algo pelo qual devemos lutar\u201d, disse Penunia \u00e0 IPS. \u201cSe fic\u00e1ssemos de bra\u00e7os cruzados o dinheiro pagaria despesas de clubes noturnos e festas ou qualquer coisa em nome do g\u00eanero e do desenvolvimento. Por isso as mulheres est\u00e3o ali para falar ao governo, pedir dinheiro para a agricultura, para capacita\u00e7\u00e3o. Nos organizamos para pressionar, dialogar e negociar\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Nas Filipinas as mulheres tamb\u00e9m lutam pelo direito \u00e0 terra. \u201cQuando o governo d\u00e1 t\u00edtulos de propriedade, apenas h\u00e1 nomes de homens nos papeis. As organiza\u00e7\u00f5es de camponesas reclamaram que constasse o nome dos dois membros do casal, e tiveram \u00eaxito\u201d, recordou a ativista. Por outro lado, na \u00cdndia \u201co sistema descentralizado de governo fortalece as autoridades locais, que agora podem decidir sobre os recursos\u201d, disse \u00e0 IPS a finlandesa Eija Pehu, do Departamento de Desenvolvimento Agr\u00edcola e Rural do Banco Mundial. \u201cO sistema de cota permitir\u00e1 \u00e0s mulheres participar do processo descentralizado de tomada de decis\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os US$ 200 milh\u00f5es destinados pelo Banco Mundial para um programa de apoio \u00e0s pequenas fazendas no Estado indiano de Andhra Pradesh n\u00e3o serviam, no in\u00edcio, para favorecer as camponesas. Mas, \u201cquando as autoridades estaduais perceberam que havia muitos grupos autogestionados dirigidos por mulheres, incentivaram a cria\u00e7\u00e3o de centros comunit\u00e1rios de compra de gr\u00e3os, verduras e frutas. Agora, o programa contempla as mulheres\u201d, Pehu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma, 20\/02\/2009 &ndash; O nigeriano Kanayo F. 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