{"id":481,"date":"2005-04-08T00:00:00","date_gmt":"2005-04-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=481"},"modified":"2005-04-08T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-08T00:00:00","slug":"economia-banco-mundial-quer-que-pases-pobres-gastem-suas-reservas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/economia-banco-mundial-quer-que-pases-pobres-gastem-suas-reservas\/","title":{"rendered":"Economia: Banco Mundial quer que pa&iacute;ses pobres gastem suas reservas"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 08\/04\/2005 &ndash; Os pa&iacute;ses em desenvolvimento devem se preparar para &quot;repentinos&quot; ajustes econ&ocirc;micos e reduzir suas reservas em divisas internacionais, diante do risco de despertarem os apetites financeiros e fiscais do Norte industrial, advertiu o Banco Mundial. O crescimento econ&ocirc;mico mundial cair&aacute; este ano para 3,1%, devido ao aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do euro e &agrave; queda na demanda de produtos do Sul, informou o Banco nesta quarta-feira, dois meses antes da posse de seu pr&oacute;ximo presidente, o norte-americano Paul Wolfowitz. A institui&ccedil;&atilde;o indicou em seu informe anual sobre &quot;fluxos mundiais de financiamento para o desenvolvimento 2005&quot; que o crescimento m&eacute;dio das na&ccedil;&otilde;es do Sul cair&aacute; dos 6,6% de 2004 para 5,7% esse ano. Mas, estes n&uacute;meros ainda estar&atilde;o acima das tend&ecirc;ncias recentes.<br \/> <!--more--> <br \/> Esta perspectiva ser&aacute; alvo de intensa discuss&atilde;o na pr&oacute;xima semana, quando se reunirem em conjunto as diretorias do Banco Mundial e do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), na presen&ccedil;a de dezenas de ministros de economia e finan&ccedil;as. A previs&atilde;o sobre a economia mundial adiar&aacute; o exame de outros assuntos pr&oacute;prios dessas ag&ecirc;ncias, como a assist&ecirc;ncia, os empr&eacute;stimos para estimular o desenvolvimento e a situa&ccedil;&atilde;o das reservas internacionais dos pa&iacute;ses pobres. O crescimento da &Aacute;sia oriental ficar&aacute; lento este ano e no seguinte, segundo o Banco Mundial, mas, se manter&aacute; em n&iacute;veis elevados, de 7,4% e 6,9% para cada um desses anos.<\/p>\n<p> O aumento dos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo incentivar&aacute; o crescimento econ&ocirc;mico da R&uacute;ssia e de outras economias da Europa oriental e &Aacute;sia central que, em conjunto, ser&aacute; de 5,5% para este ano e de 4,9% para 2006. O freio do crescimento da Am&eacute;rica Latina e do Caribe ser&aacute; moderado, de 4,3% em 2005 e 3,7% no pr&oacute;ximo ano, contra 5,7% de 2004, indica o estudo. Trata-se, de todo modo, de uma importante recupera&ccedil;&atilde;o desde o 1,7% de 2003, impulsionada pelo avan&ccedil;o da produ&ccedil;&atilde;o no Brasil, Chile e M&eacute;xico, bem como pela melhoria da Argentina depois da desvaloriza&ccedil;&atilde;o em 39% de sua moeda em janeiro de 2002.<\/p>\n<p> A economia da &Aacute;sia meridional crescer&aacute; 6,2% neste ano e 6,4% no pr&oacute;ximo, enquanto Oriente M&eacute;dio e &Aacute;frica setentrional manter&atilde;o sua tend&ecirc;ncia &agrave; desacelera&ccedil;&atilde;o com 4,9% e 4,3% em 2006. Estas duas regi&otilde;es foram as &uacute;nicas do mundo em desenvolvimento onde no ano passado se registrou uma queda do crescimento econ&ocirc;mico. Ainda assim, o avan&ccedil;o da &Aacute;sia meridional em 2004 foi de impressionantes 6,6%, mas, menor do que os 7,5% do ano anterior. O crescimento do Oriente M&eacute;dio e da &Aacute;frica setentrional caiu de 5,5% em 2003 para 5,1% no ano seguinte. O Banco Mundial prev&ecirc; que o crescimento da &Aacute;frica subsaariana se acelerar&aacute; &#8211; de 3,8% em 2004 para 4,1% este ano e 4,0% em 2006 &#8211; mas, o rendimento dessa regi&atilde;o ainda assim ficar&aacute; abaixo do resto do mundo em desenvolvimento.<\/p>\n<p> O Banco considerou que o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e a valoriza&ccedil;&atilde;o de 25% do euro em rela&ccedil;&atilde;o ao d&oacute;lar desde fevereiro de 2002 continuar&atilde;o determinando uma retra&ccedil;&atilde;o no crescimento econ&ocirc;mico do mundo em desenvolvimento. Por outro lado, o produto interno bruto dos pa&iacute;ses industriais ser&aacute; de apenas 2,4% em 2005, acrescenta o estudo. Entre os riscos que a economia mundial enfrenta, de acordo com o Banco Mundial, figuram um poss&iacute;vel aumento abrupto das taxas de juros norte-americanas, uma maior desvaloriza&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar e um aumento maior do que o previsto no pre&ccedil;o do petr&oacute;leo. Estes fatores n&atilde;o s&oacute; amea&ccedil;am com um esfriamento da economia como, tamb&eacute;m, com uma recess&atilde;o mundial, adverte o estudo do Banco.<\/p>\n<p> &quot;O atual desequil&iacute;brio financeiro mundial sup&otilde;e o risco de movimentos desordenados de divisas ou de aumentos de taxas de juros que amea&ccedil;ariam estes avan&ccedil;os&quot;, disse o economista-chefe do Banco Mundial, Fran&ccedil;ois Bourguignon. &quot;Os pa&iacute;ses em desenvolvimento devem se preparar para ajustes, alguns dos quais podem ser repentinos&quot;, acrescentou. A maior amea&ccedil;a para o crescimento econ&ocirc;mico mundial &eacute; o d&eacute;ficit de seu produto interno bruto. Al&eacute;m disso, as melhores vendas de produtos b&aacute;sicos &#8211; entre eles o petr&oacute;leo &#8211; leva muitos pa&iacute;ses em desenvolvimento a adquirir reservas estrangeiras, um ac&uacute;mulo que, segundo o Banco, os deixa desguarnecidos diante do risco de futuros movimentos cambi&aacute;rios.<\/p>\n<p> &quot;Como conseq&uuml;&ecirc;ncia, os pa&iacute;ses com reservas elevadas deveriam reavaliar a sustentabilidade desse ac&uacute;mulo&quot;, afirmou a institui&ccedil;&atilde;o. As reservas em divisas dos pa&iacute;ses em desenvolvimento cresceram US$ 378 bilh&otilde;es, at&eacute; atingir o recorde hist&oacute;rico de US$ 1,6 trilh&atilde;o. Os maiores desses fundos s&atilde;o os da China (US$ 610 bilh&otilde;es), &Iacute;ndia (US$ 125 bilh&otilde;es) e R&uacute;ssia (US$ 114 bilh&otilde;es). &quot;J&aacute; n&atilde;o &eacute; novidade que a economia mundial se comportou muito bem em 2005, com a maior expans&atilde;o em quase 30 anos&quot;, disse o diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato. O crescimento do produto mundial no ano passado foi de 3,8%. Essa propor&ccedil;&atilde;o chegou, no caso dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, a 6,6%, impulsionada pela expans&atilde;o exportadora da China.<\/p>\n<p> O Banco Mundial atribuiu aos altos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo e &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do euro a debilidade sofrida por v&aacute;rios pa&iacute;ses ricos no segundo semestre de 2004, entre eles Alemanha, It&aacute;lia e Jap&atilde;o. Por outro lado, todas as regi&otilde;es do Sul cresceram nesse mesmo ano num ritmo maior do que em toda a d&eacute;cada passada. Em contraste com experi&ecirc;ncias anteriores de aumento de pre&ccedil;os de produtos b&aacute;sicos, pa&iacute;ses em desenvolvimento como a China foram o motor da maior demanda nos &uacute;ltimos anos, indicou o Banco Mundial. Por outro lado, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos desde os pa&iacute;ses em desenvolvimento aumentou de US$ 16 bilh&otilde;es em 2002 para US$ 40 bilh&otilde;es no ano passado. O grosso desse fluxo procede dos mesmos pa&iacute;ses que recebem a maior parte do investimento privados de capitais, como Brasil, China, M&eacute;xico e R&uacute;ssia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 08\/04\/2005 &ndash; Os pa&iacute;ses em desenvolvimento devem se preparar para &quot;repentinos&quot; ajustes econ&ocirc;micos e reduzir suas reservas em divisas internacionais, diante do risco de despertarem os apetites financeiros e fiscais do Norte industrial, advertiu o Banco Mundial. O crescimento econ&ocirc;mico mundial cair&aacute; este ano para 3,1%, devido ao aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do euro e &agrave; queda na demanda de produtos do Sul, informou o Banco nesta quarta-feira, dois meses antes da posse de seu pr&oacute;ximo presidente, o norte-americano Paul Wolfowitz. A institui&ccedil;&atilde;o indicou em seu informe anual sobre &quot;fluxos mundiais de financiamento para o desenvolvimento 2005&quot; que o crescimento m&eacute;dio das na&ccedil;&otilde;es do Sul cair&aacute; dos 6,6% de 2004 para 5,7% esse ano. 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