{"id":4817,"date":"2009-02-27T12:23:43","date_gmt":"2009-02-27T12:23:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4817"},"modified":"2009-02-27T12:23:43","modified_gmt":"2009-02-27T12:23:43","slug":"mudanca-climatica-pesca-diminui-no-litoral-africano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/africa\/mudanca-climatica-pesca-diminui-no-litoral-africano\/","title":{"rendered":"MUDAN\u00c7A CLIM\u00c1TICA: Pesca diminui no litoral africano"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, 27\/02\/2009 &ndash; A mudan\u00e7a clim\u00e1tica vai tornar mais \u00e1cidos os oceanos e aumentar a temperatura de suas \u00e1guas superficiais, especialmente ao redor da \u00c1frica, prejudicando a pesca e o sustento dos que dela vivem, afirmam especialistas. <!--more--> \u201cA acidez dos oceanos afeta predominantemente as larvas de peixes, que dependem do carbonato de c\u00e1lcio da \u00e1gua do mar para consolidarem suas escamas, esqueletos e cobertas celulares\u201d, explicou o professor Geoff Brundritt, presidente do Sistema Mundial de Observa\u00e7\u00e3o de Oceanos na \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cUma acidez mais alta dificulta o processo, porque as larvas de peixes t\u00eam menos possibilidades de chegar \u00e0 fase adulta\u201d, acrescentou Brundritt. \u201cIsto \u00e9 um obst\u00e1culo para a reprodu\u00e7\u00e3o e para a manuten\u00e7\u00e3o das reservas. Isto n\u00e3o amea\u00e7a apenas o futuro das exist\u00eancias pesqueiras, mas tamb\u00e9m as comunidades que dependem da pesca para sobreviver\u201d, disse o especialista.<\/p>\n<p>As comunidades pesqueiras no mundo em desenvolvimento, inclu\u00eddas as da \u00c1frica austral, est\u00e3o entre as mais vulner\u00e1veis. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), sofrem superpopula\u00e7\u00e3o, baixo n\u00edvel educacional e falta de acesso a escolas, centros de sa\u00fade e obras de infra-estrutura como estradas ou mercado onde vender seus produtos. Ao funcionar como enormes \u201caspiradores\u201d, os oceanos absorvem naturalmente o di\u00f3xido de carbono da atmosfera, disse Brundritt. Mas, como a concentra\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica deste g\u00e1s acido aumentou por causa da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, os oceanos o absorvem mais do que antes, o que contribui para a acidifica\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica.<\/p>\n<p>O Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC), vinculado \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, informou em 2007 que o pH (grau de alcalinidade) dos oceanos \u2013 atualmente entre 7,9 e 8,2 \u2013 cair\u00e1 outras 0,14 e 0,25 unidades ainda neste s\u00e9culo. Quanto mais baixo o pH, mais \u00e1cida \u00e9 a \u00e1gua, o n\u00edvel ideal do pH em sistemas de \u00e1gua salgada deve ficar entre 7,6 e 8,4.<\/p>\n<p>Temperaturas em eleva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, as temperaturas em alta da superf\u00edcie marinha tamb\u00e9m prejudicam as reservas pesqueiras. \u201cAs temperaturas mais altas da superf\u00edcie domar n\u00e3o matam os peixes, mas parece afast\u00e1-los de seus territ\u00f3rios, o que tem um impacto sobre as comunidades que dependem deles\u201d, disse Larry Hutchings, pesquisador de manejo marinho e costeiro na Cidade do Cabo. Assim, os pescadores de pequena escala dever\u00e3o ir cada vez mais para alto mar para jogar a rede, mas a maioria deles n\u00e3o pode se dar ao luxo de investir em barcos e tecnologia necess\u00e1rios para isso.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2007, Monde Mayekiso, do Departamento Sul-africano de Assuntos Ambientais e Turismo, alertava publicamente sobre os efeitos adversos que provavelmente ter\u00e1 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica sobre o sustento dos pescadores. \u201cOs cientistas n\u00e3o atribuem categoricamente a migra\u00e7\u00e3o de sardinhas, por exemplo, \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas a redu\u00e7\u00e3o de peixes ao longo da costa oeste est\u00e1 associada com a temperatura da \u00e1gua. Isto sugere rela\u00e7\u00e3o com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, disse ao jornal The Citizen.<\/p>\n<p>\u201cSuspeitamos que a migra\u00e7\u00e3o de sardinhas para a costa sul, na \u00e1rea da ba\u00eda de Mossel, se deve ao aumento das temperaturas da superf\u00edcie marinha\u201d, concordou Mafaniso Hara, pesquisador do Instituto Sul-africano de Estudos sobre Pobreza, Terra e Agricultura (Plaas). \u201cAs capturas diminu\u00edram de 300 mil toneladas\/ano h\u00e1 algum tempo para 100 mil toneladas\/ano\u201d, afirmou. As comunidades pesqueiras ao longo da costa oeste da \u00c1frica do Sul sentem a escassez, embora os bancos de outras esp\u00e9cies, como a cavala, tenham se aproximado da costa. Mas estes peixes s\u00e3o menos valiosos no mercado e mais dif\u00edceis de se pescar do que as sardinhas.<\/p>\n<p>\u201cA cavala vive em maiores profundidades, onde a \u00e1gua \u00e9 mais fria. Por isso s\u00f3 pode ser capturada com grandes barcos e atrav\u00e9s da pesca de arrast\u00e3o. Isso est\u00e1 fora do alcance dos pescadores de pequena escala\u201d, disse Hutchings. A migra\u00e7\u00e3o de sardinhas j\u00e1 teve um impacto negativo sobre o emprego ao longo da costa oeste, disse Hara. \u201cN\u00e3o h\u00e1 peixes suficientes para processar, por isso diminu\u00edram os postos de trabalho e as pessoas fazem economia. Isto tem um grande impacto sobre as comunidades ao longo da costa oeste, que j\u00e1 lutam contra a pobreza\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Redu\u00e7\u00f5es de postos de trabalho<\/p>\n<p>Segundo o Plaas, muitas comunidades pesqueiras ao longo da costa oeste dependem plenamente da ind\u00fastria e de subs\u00eddios do governo, como os de apoio \u00e0 inf\u00e2ncia, para sua sobreviv\u00eancia. Com a redu\u00e7\u00e3o da pesca, as comunidades depender\u00e3o cada vez mais do apoio que possam receber em forma de subs\u00eddios. \u201cEm Hondeklipbaai, pequena comunidade pesqueira na costa oeste, as pessoas dependem quase totalmente do subsidio do governo para sobreviver, pois a ind\u00fastria pesqueira local quase desapareceu\u201d, disse Moeniba Isaacs, pesquisadora do Plaas. \u201cSe por algum motivo forem retirados os subs\u00eddios, esta comunidade estar\u00e1 condenada\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Pior, a lagosta de rocha, outra importante fonte de renda, come\u00e7ou a emigrar para o sul. O Departamento de Assuntos Ambientais e Turismo da \u00c1frica do Sul calcula que h\u00e1 30 anos 70% dessa esp\u00e9cie eram capturados ao longo da costa oeste. Atualmente, pesca-se 90% cerca de 300 quil\u00f4metros mais ao sul. Mas, segundo Hutchings, tanto a migra\u00e7\u00e3o de sardinhas como de lagosta de rocha s\u00e3o uma espada de duplo fio. \u201cEnquanto os pescadores da costa oeste enfrentam a migra\u00e7\u00e3o das duas esp\u00e9cies, as comunidades da costa sul e ao redor da ba\u00eda de Mossel conseguem empregos e est\u00e3o melhores economicamente\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Teoricamente, se poderia sugerir que as comunidades pesqueiras ao longo da costa oeste deveriam se trasladar com os peixes, mas isto \u00e9 mais f\u00e1cil de dizer do que de fazer j\u00e1 que, por exemplo, a dist\u00e2ncia entre Hondeklipbaai e a ba\u00eda de Mossel \u00e9 de aproximadamente 800 quil\u00f4metros, explicou Hutchings. \u201cA maioria dos pescadores da costa oeste \u00e9 muito pobre. N\u00e3o podem embalar suas coisas e ir embora porque n\u00e3o t\u00eam dinheiro para fazer isso\u201d, disse Isaacs. Os meios de vida de mais de 30 mil membros de comunidades pesqueiras da costa sul-africana tamb\u00e9m est\u00e3o limitados por cotas, que destinam a maior parte das capturas permitidas \u00e0 ind\u00fastria pesqueira comercial. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, 27\/02\/2009 &ndash; A mudan\u00e7a clim\u00e1tica vai tornar mais \u00e1cidos os oceanos e aumentar a temperatura de suas \u00e1guas superficiais, especialmente ao redor da \u00c1frica, prejudicando a pesca e o sustento dos que dela vivem, afirmam especialistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/africa\/mudanca-climatica-pesca-diminui-no-litoral-africano\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":143,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12],"tags":[21],"class_list":["post-4817","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4817\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}