{"id":4818,"date":"2009-03-02T12:41:16","date_gmt":"2009-03-02T12:41:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4818"},"modified":"2009-03-02T12:41:16","modified_gmt":"2009-03-02T12:41:16","slug":"japao-por-um-quilo-de-carne-de-baleia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/03\/ambiente\/japao-por-um-quilo-de-carne-de-baleia\/","title":{"rendered":"JAP\u00c3O: Por um quilo de carne de baleia"},"content":{"rendered":"<p>T\u00f3quio, 02\/03\/2009 &ndash; Dois ativistas japoneses do Greenpeace Internacional se arriscam a passar 10 anos na pris\u00e3o, ap\u00f3s denunciarem um mercado negro de carne de baleia por parte de tripulantes de navios cient\u00edficos. <!--more--> Os ambientalistas Juichi Sato e Toru Suzuki compareceram a um tribunal este m\u00eas, acusados de h\u00e1 10 meses invadirem uma propriedade alheia e roubar uma caixa de carne de baleia, em um julgamento com claras conota\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A Conven\u00e7\u00e3o Baleeira Internacional autoriza o Jap\u00e3o a capturar uma quantidade limitada destes mam\u00edferos marinhos para pesquisas cient\u00edficas. Entretanto, ambientalistas afirmam h\u00e1 muito tempo que a carne de baleias mortas sob a fachada de pesquisa \u00e9 vendida a clientes japoneses. Tudo come\u00e7ou h\u00e1 um ano, quando um ex-tripulante de uma frota baleeira contatou o Greenpeace para informar que tripulantes de navios baleeiros japoneses vendiam a carne dos animais em benef\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s investigar o caso, o Greenpeace concluiu que cerca de 93 caixas de \u201cobjetos pessoais\u201d, etiquetadas como \u201celementos salados\u201d, foram introduzidas no barco Nisshin Maru no porto de T\u00f3quio, ap\u00f3s uma travessia de cinco meses pelo oceano Ant\u00e1rtico. As caixas tinham o endere\u00e7o das casas de membros da tripula\u00e7\u00e3o do Nisshin Maru. Um dos embarques foi dirigido para a localidade de Aomori, onde Sato e Suzuki entraram no caminh\u00e3o e pegaram uma das caixas, que continha cortes de carne de baleia de primeira qualidade.<\/p>\n<p>Em maio de 2008, os \u201cdois de T\u00f3quio\u201d, como agora s\u00e3o conhecidos os ativistas, entregaram a carne \u00e0 promotoria de T\u00f3quio, junto com um informe com detalhes sobre a investiga\u00e7\u00e3o. Segundo o Greenpeace, se tratava de evid\u00eancia contundente sobre uma opera\u00e7\u00e3o de contrabando de carne de baleia e de corrup\u00e7\u00e3o em grande escala no santu\u00e1rio baleeiro do oceano Ant\u00e1rtico. Por sua vez, a empresa de transporte Seino informou \u00e0 policia a falta de uma caixa em seu caminh\u00e3o de entregas, o que levou \u00e0 pris\u00e3o de Sato e Suzuki. Estas pris\u00f5es causaram uma pol\u00eamica p\u00fablica. Foi a primeira vez que o p\u00fablico japon\u00eas soube de fontes fidedignas a liga\u00e7\u00e3o entre o contrabando de carne de baleia e a pesquisa cient\u00edfica.<\/p>\n<p>O caso apresenta perguntas legais que normalmente n\u00e3o s\u00e3o encontradas em um julgamento por invas\u00e3o e roubo, segundo o principal advogado da defesa, Yuichi Kaido. Os acusados, que foram ao tribunal no dia 13 passado, nunca negaram ter entrado em um estacionamento e dali retirado uma caixa de carne de baleia que n\u00e3o lhes pertencia. Nisso se ap\u00f3ia a tese da promotoria. \u201cNenhum ativista tinha a inten\u00e7\u00e3o de se apropriar do que n\u00e3o lhes pertencia, e esse prop\u00f3sito constitui um dos elementos do crime de roubo, tal como define a lei japonesa\u201d, disse Kaido. \u201cSegundo os tribunais internacionais, o respeito pela liberdade de express\u00e3o \u00e9 essencial, e isso ocorre para as organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias e n\u00e3o-governamentais que desempenham seu papel de controle p\u00fablico em uma democracia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do direito internacional, o que Sato e Suzuki fizeram foi um exerc\u00edcio de liberdade de express\u00e3o garantida pelo Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol\u00edticos, disseram os advogados. O Greenpeace afirmou que, em lugar de acusar seus integrantes, os promotores deveriam se concentrar nos burocratas que dirigem o programa baleeiro financiado por dinheiro do contribuinte japon\u00eas. Mas, o escrit\u00f3rio do promotor distrital de T\u00f3quio afirmou em maio que n\u00e3o havia nenhuma evid\u00eancia de contrabando e que n\u00e3o investigaria a tripula\u00e7\u00e3o do Nisshin Maru nem os funcion\u00e1rios baleeiros.<\/p>\n<p>Takashi Akamatsu, porta-voz da chancelaria, disse \u00e0 IPS que o governo n\u00e3o faria declara\u00e7\u00f5es sobre o caso porque este encontra-se nas m\u00e3os da justi\u00e7a. O governo japon\u00eas alega que as baleias ca\u00e7adas s\u00e3o usadas em estudos cient\u00edficos, e que a venda de carne tem a finalidade de cobrir o custo da pesquisa. H\u00e1 \u00e1reas espec\u00edficas em que os japoneses t\u00eam legalmente permitido ca\u00e7ar e vender a carne desses mam\u00edferos. O site da chancelaria diz que \u201ccertas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e meios de comunica\u00e7\u00e3o divulgam para o p\u00fablico informa\u00e7\u00e3o errada sobre este assunto para causar uma rea\u00e7\u00e3o emocional contra nossas atividades e dificultar o di\u00e1logo\u201d.<\/p>\n<p>A chancelaria considera que a ca\u00e7a de baleias j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um problema de conserva\u00e7\u00e3o, como ocorria nos anos 60 e 70, quando v\u00e1rias esp\u00e9cies eram alvo de capturas excessivas e foram exigidas medidas efetivas e urgentes para proteg\u00ea-las. \u201c\u00c9 outra pe\u00e7a de propaganda. Milhares de baleias continuam morrendo por dia devido a v\u00e1rias interfer\u00eancias de humanos, incluindo a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, disse Jun Hoshikawa, diretor-executivo da filial japonesa do Greenpeace e autor de 60 livros. O ativista acusou o governo japon\u00eas de evitar a fundo o assunto ao continuar avivando os sentimentos nacionalistas. A Ag\u00eancia de Pesca alegou que ao matar baleias no oceano Ant\u00e1rtico est\u00e1 defendendo a cultura japonesa com o apoio de seu povo.<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o ca\u00e7a e come baleias h\u00e1 100 anos. O nome tradicional da baleia \u00e9 \u201cpeixe valente\u201d. \u00c9 servida como um manjar em ocasi\u00f5es especiais e festivais. Atualmente, est\u00e1 dispon\u00edvel nos supermercados e inclusive figura nos almo\u00e7os escolares. Mas desde que surgiu o esc\u00e2ndalo aumentou a consci\u00eancia de que matar baleias no santu\u00e1rio do oceano Ant\u00e1rtico n\u00e3o \u00e9 \u00e9tico. De fato, o sentimento do p\u00fablico japon\u00eas contra a ca\u00e7a de baleias nesse ponto cresceu para 60%, um leve aumento em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, segundo estudo do privado Centro de Pesquisas Niponas.<\/p>\n<p>O Greenpeace se op\u00f5e \u00e0 \u201cpesquisa baleeira\u201d em \u00e1guas ant\u00e1rticas porque a regi\u00e3o foi designada como santu\u00e1rio destes cet\u00e1ceos pela Comiss\u00e3o Baleeira Internacional, \u00e0 qual o governo japon\u00eas n\u00e3o aderiu, segundo Hoshikawa. \u201cO programa japon\u00eas de pesquisa mata cerca de mil baleias por ano no santu\u00e1rio do oceano Ant\u00e1rtico\u201d, disse. \u201c\u00c9 uma clara viola\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito do santu\u00e1rio e da Conven\u00e7\u00e3o Internacional para a Regulamenta\u00e7\u00e3o da Ca\u00e7a das Baleias. N\u00e3o se deveria abusar do dinheiro dos contribuintes japoneses na ca\u00e7a comercial de baleias financiada pelo Estado\u201d, acrescentou. Enquanto isso, Sato e Suzuki est\u00e3o livres sob fian\u00e7a e muitas condi\u00e7\u00f5es, entre elas n\u00e3o trabalhar para o Greenpeace e permanecerem pr\u00f3ximos de suas casas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00f3quio, 02\/03\/2009 &ndash; Dois ativistas japoneses do Greenpeace Internacional se arriscam a passar 10 anos na pris\u00e3o, ap\u00f3s denunciarem um mercado negro de carne de baleia por parte de tripulantes de navios cient\u00edficos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/03\/ambiente\/japao-por-um-quilo-de-carne-de-baleia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,11],"tags":[17,21],"class_list":["post-4818","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4818"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4818\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}