{"id":483,"date":"2005-04-08T00:00:00","date_gmt":"2005-04-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=483"},"modified":"2005-04-08T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-08T00:00:00","slug":"china-vaticano-degelo-diplomtico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/china-vaticano-degelo-diplomtico\/","title":{"rendered":"China-Vaticano: Degelo diplom&aacute;tico?"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 08\/04\/2005 &ndash; A morte de Jo&atilde;o Paulo II, que dedicou longos anos de seu pontificado a combater o comunismo, poderia provocar um degelo diplom&aacute;tico entre o Vaticano e a China, mais de 50 anos depois de Pequim ter expulso todos os sacerdotes estrangeiros e cortado os v&iacute;nculos com a sede da Igreja Cat&oacute;lica. Mas, as esperan&ccedil;as de restaura&ccedil;&atilde;o desses v&iacute;nculos s&atilde;o limitadas devido &agrave; r&iacute;gida insist&ecirc;ncia chinesa para que seja o governante Partido Comunista, e n&atilde;o o Vaticano, o respons&aacute;vel pela designa&ccedil;&atilde;o de todos os bispos cat&oacute;licos no pa&iacute;s. A not&iacute;cia de que o presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, participar&aacute; dos funerais do papa nesta sexta-feira complicaria a j&aacute; tensa situa&ccedil;&atilde;o. O Vaticano &eacute; o &uacute;nico aliado diplom&aacute;tico na Europa de Taiwan, a quem Pequim considera uma prov&iacute;ncia rebelde.<br \/> <!--more--> <br \/> As expectativas de que o sucessor de Jo&atilde;o Paulo II normalize os v&iacute;nculos com a China aumentaram esta semana quando o chefe da Igreja em Hong Kong anunciou &agrave; sua congrega&ccedil;&atilde;o e &agrave; imprensa local que o Vaticano est&aacute; disposto a sacrificar as rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com o pa&iacute;s para poder se aproximar de Pequim. &quot;A Santa S&eacute; pensa em cortar rela&ccedil;&otilde;es com Taiwan. &Eacute; uma decis&atilde;o dif&iacute;cil, mas est&aacute; decidida a faz&ecirc;-lo&quot;, teria dito o bispo Joseph Zen Ze-kiun em uma missa em mem&oacute;ria do papa realizada em Hong Kong. Por outro lado, o Vaticano obteria maior liberdade religiosa para os cat&oacute;licos dentro da China, sugeriu Zen, acrescentando que &quot;o bispo de Taiwan entende isto, porque se a Santa S&eacute; n&atilde;o estabelecer v&iacute;nculos diplom&aacute;ticos com a China, os cat&oacute;licos desse pa&iacute;s n&atilde;o ter&atilde;o liberdade&quot;.<\/p>\n<p> Por sua vez, o escrit&oacute;rio de imprensa do Vaticano informou que todas suas atividades e iniciativas diplom&aacute;ticas estar&atilde;o suspensas at&eacute; que o conclave, que se reunir&aacute; a partir do dia 18, escolha o novo papa. Por&eacute;m, dois dias depois da morte de Jo&atilde;o Paulo II, o cardeal belga Godfried Daneels viajou a Pequim para se reunir com Ye Xiaowen, diretor-geral da Administra&ccedil;&atilde;o Estatal de Assuntos Religiosos, e depois foi recebido pelo vice-primeiro-nministr, Hui Liangyu. Considerado um dos principais candidatos a suceder Jo&atilde;o Paulo II, o cardeal provocou especula&ccedil;&otilde;es sobre uma poss&iacute;vel aproxima&ccedil;&atilde;o entre Pequim e o Vaticano. Sua reuni&atilde;o com Hui foi uma das de mais alto n&iacute;vel realizadas na China continental entre um religioso cat&oacute;lico e um funcion&aacute;rio do governo chin&ecirc;s.<\/p>\n<p> Por v&aacute;rias vezes o Vaticano esteve prestes a retirar o reconhecimento de Taiwan, a &uacute;ltima vez foi em 2001, quando o papa se desculpou em nome da Igreja Cat&oacute;lica pelos erros cometidos e pela dor causada aos chineses durante seu passado colonial. O ato de contri&ccedil;&atilde;o papal foi inclu&iacute;do em uma mensagem a uma confer&ecirc;ncia sobre Matteo Ricci, o sacerdote jesu&iacute;ta que introduziu o catolicismo na corte imperial chinesa h&aacute; mais de 500 anos. Jo&atilde;o Paulo II disse que a prote&ccedil;&atilde;o de poderes pol&iacute;ticos europeus havia limitado a liberdade de a&ccedil;&atilde;o dos mission&aacute;rios crist&atilde;os e os impedira de cumprir sua miss&atilde;o de servi&ccedil;o ao povo chin&ecirc;s. Apesar disso, as delicadas negocia&ccedil;&otilde;es desmoronaram quando Pequim minimizou o chamado do pont&iacute;fice &agrave; reconcilia&ccedil;&atilde;o, declarando que n&atilde;o era suficiente porque o papa n&atilde;o havia se desculpado pela canoniza&ccedil;&atilde;o de m&aacute;rtires cat&oacute;licos em 2000. O Vaticano canonizou 120 m&aacute;rtires no dia 1&ordm; de outubro daquele ano, feriado nacional chin&ecirc;s, afirmando que foram assassinados durante a Rebeli&atilde;o dos Boxer de 1900 por lealdade &agrave; sua f&eacute;.<\/p>\n<p> Por outro lado, Pequim afirma que se tratava de &quot;traidores&quot; que foram executados por quebrarem a lei quando for&ccedil;as estrangeiras invadiram a China, depois do levante. Cerca de cinco milh&otilde;es de cat&oacute;licos chineses est&atilde;o registrados como membros da Igreja Patri&oacute;tica Chinesa, controlada pelo governo, e calcula-se que outros oito milh&otilde;es pertencem a uma igreja clandestina que reconhece o papa. A China prendeu numerosos sacerdotes cat&oacute;licos que se negaram a renunciar a lealdade ao pont&iacute;fice, perseguindo seus seguidores e demolindo igrejas. O governo tamb&eacute;m imp&otilde;e severos limites ao n&uacute;mero de semin&aacute;rios de forma&ccedil;&atilde;o sacerdotal. Al&eacute;m disso, Pequim insiste em afirmar que tem o direito exclusivo de designar sacerdotes e bispos dentro da China.<\/p>\n<p> Enquanto o cardeal Daneels se encontrava em visita a Pequim, o Vaticano denunciou que dois bispos cat&oacute;licos idosos, um sacerdote e um laico cat&oacute;lico haviam sido presos na China. Este pa&iacute;s insiste em duas condi&ccedil;&otilde;es para normalizar os v&iacute;nculos com o Vaticano: que este retire seu reconhecimento a Taiwan e que prometa n&atilde;o interferir nos assuntos internos chineses, inclusive os religiosos. &quot;Estamos dispostos a melhorar nossas rela&ccedil;&otilde;es com o Vaticano desde que corte seus v&iacute;nculos diplom&aacute;ticos com Taiwan e n&atilde;o interfira em nossas quest&otilde;es internas em nome da religi&atilde;o&quot;, confirmou na ter&ccedil;a-feira Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 08\/04\/2005 &ndash; A morte de Jo&atilde;o Paulo II, que dedicou longos anos de seu pontificado a combater o comunismo, poderia provocar um degelo diplom&aacute;tico entre o Vaticano e a China, mais de 50 anos depois de Pequim ter expulso todos os sacerdotes estrangeiros e cortado os v&iacute;nculos com a sede da Igreja Cat&oacute;lica. Mas, as esperan&ccedil;as de restaura&ccedil;&atilde;o desses v&iacute;nculos s&atilde;o limitadas devido &agrave; r&iacute;gida insist&ecirc;ncia chinesa para que seja o governante Partido Comunista, e n&atilde;o o Vaticano, o respons&aacute;vel pela designa&ccedil;&atilde;o de todos os bispos cat&oacute;licos no pa&iacute;s. A not&iacute;cia de que o presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, participar&aacute; dos funerais do papa nesta sexta-feira complicaria a j&aacute; tensa situa&ccedil;&atilde;o. 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