{"id":4831,"date":"2009-03-04T15:40:07","date_gmt":"2009-03-04T15:40:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4831"},"modified":"2009-03-04T15:40:07","modified_gmt":"2009-03-04T15:40:07","slug":"energia-india-os-contraditorios-biocombustiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/03\/energia\/energia-india-os-contraditorios-biocombustiveis\/","title":{"rendered":"ENERG\u00cdA-\u00cdNDIA: Os contradit\u00f3rios biocombust\u00edveis"},"content":{"rendered":"<p>Zaheerabad,\u00cdndia, 04\/03\/2009 &ndash; Um arbusto que cobre hectares de solos \u00e1ridos do sul da \u00cdndia, tingidos de vermelho pelo oxido de ferro, est\u00e3o no centro de uma intensa pol\u00eamica em torno do ambicioso programa nacional de biocombust\u00edveis. <!--more--> Pode ser encontrado no estabelecimento rural de Tr\u00eas \u00d3leos, na localidade indiana de Zaheerabad. Alguns especialistas em biocombust\u00edveis prometem que a jatrofa, ou pinha botija, cujas sementes cont\u00eam entre 10% e 35% de \u00f3leo, dar\u00e1 \u00e0 \u00cdndia e ao mundo uma fonte alternativa de energia vi\u00e1vel. Mas, outros apontam restri\u00e7\u00f5es no uso da terra e o fato de a jatrofa exigir muita irriga\u00e7\u00e3o e adubo.<\/p>\n<p>Com crescimento econ\u00f4mico de 8% a 10% previsto para os pr\u00f3ximos 20 anos, a \u00cdndia precisar\u00e1 cada vez mais de petr\u00f3leo, e mais do que pode extrair. A queda nos pre\u00e7os internacionais do \u00f3leo n\u00e3o melhora a situa\u00e7\u00e3o, dizem especialistas. O consumo de petr\u00f3leo e derivados aumentou de 203,51 milh\u00f5es de toneladas em 2000\/01 para 275,84 milh\u00f5es em 2007\/08, per\u00edodo em que a \u00cdndia produziu apenas 178,21 milh\u00f5es. Prev\u00ea-se que a \u00cdndia importar\u00e1 94% do que consumir\u00e1 em 2030. \u201cDevido \u00e0 limita\u00e7\u00e3o de nossas reservas e com o atual ritmo de consumo, nossas exist\u00eancias atuais n\u00e3o podem durar nem 10 anos\u201d, disse o Minist\u00e9rio do Petr\u00f3leo e G\u00e1s Natural.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, os Estados que cultivam cana-de-a\u00e7\u00facar n\u00e3o conseguiram nem mesmo cumprir a determina\u00e7\u00e3o das autoridades de produzir combust\u00edvel com 10% de etanol. As planta\u00e7\u00f5es de jatrofa s\u00e3o vistas como um grande passo na solu\u00e7\u00e3o do problema energ\u00e9tico indiano, mas alguns temem que os biocombust\u00edveis ameacem a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Prevalece a confus\u00e3o. A pol\u00eamica sobre a jatrofa tem origem em um informe da governamental Comiss\u00e3o de Planejamento da \u00cdndia divulgado em 2003, que, sem estudos de factibilidade, prop\u00f4s incentivar sua produ\u00e7\u00e3o com ofertas de terra, incentivos fiscais e est\u00edmulos aos governos estaduais.<\/p>\n<p>O estudo considerava que o cultivo em grande escala promoveria a seguran\u00e7a energ\u00e9tica, a gera\u00e7\u00e3o de empregos e o desenvolvimento sustent\u00e1vel, e previa que as planta\u00e7\u00f5es garantiriam 127,6 milh\u00f5es de jornadas aos trabalhadores rurais. A previs\u00e3o n\u00e3o se cumpriu. O governo esperava ter plantados 11 milh\u00f5es de hectares de terras degradada at\u00e9 2008 e que o diesel contivesse em 2010 um quinto de seu volume em biocombust\u00edvel. De todo modo, em pelo menos 10 Estados foram desenvolvidos cultivos de grande escala, objeto de avalia\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias. Ao mesmo tempo, surgem informa\u00e7\u00f5es sobre refinarias cujos donos aproveitam a isen\u00e7\u00e3o de impostos apesar de n\u00e3o estarem operando.<\/p>\n<p>Em 2005 e 2006, o governo e ind\u00fastrias do Estado de Chhattisgarh se associaram para plantar 290 milh\u00f5es de jatrofas jovens em 1,6 milh\u00e3o de hectares. Menos da metade sobreviveu. As refinarias agora necessitam de sementes do arbusto e n\u00e3o podem contar com elas. Grandes \u00e1reas foram plantadas, com programas semelhantes, nos Estados de Rajasthan, Uttarakhand, Gujarat, Madhya Paradesh e Tamil Nadu, com sucesso variado. No distrito de Udaipur, em Rajasthan, os produtores rejeitam a jatrofa, ap\u00f3s a morte de animais de cria\u00e7\u00e3o que ingeriram suas folhas t\u00f3xicas.<\/p>\n<p>\u201cAgentes que nos venderam plantas jovens a 10 r\u00fapias (cinco centavos de d\u00f3lar) cada nos incentivaram a cultivar jatrofa, exaltando suas virtudes\u201d, disse \u00e0 IPS o produtor Sukh Ram. \u201cNos disseram que, por seu gosto desagrad\u00e1vel, o gado n\u00e3o as comeria. No final, n\u00e3o s\u00f3 perdemos o que pagamos pelas plantas mas tamb\u00e9m o lucro de tr\u00eas hectares de terra, durante tr\u00eas anos consecutivos. N\u00e3o estamos preparados para assumir esses riscos novamente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, entre elas a A\u00e7\u00e3o Internacional em Recursos Gen\u00e9ticos, alertaram para o perigo de as comunidades ficarem marginalizadas pela pol\u00edtica dos governos estaduais de repassar \u00e0 ind\u00fastria grandes extens\u00f5es de terra para produzir jatrofa. Ativistas temem as consequ\u00eancias financeiras e o impacto de longo prazo sobre o solo do programa de biocombust\u00edveis da \u00cdndia. Ainda n\u00e3o foi estudada a distribui\u00e7\u00e3o de fundos para os programas de jatrofa.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o de Planejamento calculou uma destina\u00e7\u00e3o aproximada de US$ 303 milh\u00f5es para a planta\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o, cerca de US$ 9,7 milh\u00f5es em subs\u00eddios e US$ 19,38 milh\u00f5es em empr\u00e9stimos \u00e0 ind\u00fastria at\u00e9 2007. Mas produtividade do arbusto e as consequ\u00eancias de seu cultivo ainda s\u00e3o desconhecidas, apesar do apoio financeiro e da publicidade que cerca esses problemas. Uma aposta melhor na produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel surge de uma mistura de esp\u00e9cies oleaginosas nativas como o nim (Azadirachta indica) e o pongam, ( Pongamia pinnata), cujo \u00f3leo \u00e9 usado desde \u00e9pocas ancestrais para ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEconomicamente estamos melhor plantando pongam\u201d, disse Y. B. Ramakrisna, presidente da equipe de trabalho sobre biocombust\u00edveis instalado pelo governo do Estado de Karnataka. Segundo Ramakrishna, Karnataca \u00e9 o \u00fanico Estado do pa\u00eds onde as comunidades obt\u00eam 20% de direitos de usufruto por cultivar estas esp\u00e9cies em terras fiscais \u00e1ridas. Em Zaheerabad, a fazenda de Tr\u00eas Aceites tem 16 hectares de jatrofa, 24 de pongam e oito de nim, oliva (Simaruba glauca), r\u00edcino (Ricinus communis) e outras esp\u00e9cies oleaginosas. No centro da propriedade h\u00e1 tr\u00eas tipos de po\u00e7os de adubo org\u00e2nico.<\/p>\n<p>\u201cNossas experi\u00eancias com jatrofa mostram que \u00e9 inadequada para os pequenos produtores indianos pela necessidade de irriga\u00e7\u00e3o e adubo e por sua longa gesta\u00e7\u00e3o\u201d, disse Srinivas Ghatty, da Tr\u00eas Aceites. \u201cDemonstramos que o adubo org\u00e2nico, a irriga\u00e7\u00e3o m\u00e9dia e intercalar jatrofa com cultivos que fixam o nitrog\u00eanio na terra d\u00e3o os melhores resultados, tanto para o arbusto como para os solos\u201d, acrescentou. O Instituto de Pesquisas sobre energia, com sede em Nova D\u00e9lhi, promove a integra\u00e7\u00e3o da jatrofa com outros cultivos e trabalha em associa\u00e7\u00e3o com a companhia British Petroleum em oito mil hectares no Estado de Andhra Pradesh.<\/p>\n<p>\u201cAtuamos de acordo com a ci\u00eancia, com um bom manejo dos recursos naturais e um sistema de garantias de recompra para os agricultores locais\u201d, disse Alok Adholeya, diretor de biotecnologia e manejo de biorrecursos no insituto. Viren Lobo, diretor da governamental Sociedade para a Promo\u00e7\u00e3o, do Departamento de Terras Degradadas, tamb\u00e9m de Nova D\u00e9lhi. Afirmou que o debate sobre a jatrofa deve incorporar \u201cquest\u00f5es de sustento, alimento, forragem, energia e biodiversidade\u201d. Adholeya disse que ind\u00fastrias irrespons\u00e1veis se aproveitam das isen\u00e7\u00f5es de impostos e das possibilidades de ganhar dinheiro atrav\u00e9s do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Protocolo de Kyoto.<\/p>\n<p>Mas essa \u00e1rea tamb\u00e9m est\u00e1 meio nebulosa, e n\u00e3o apenas na \u00cdndia. O espa\u00e7o, a altura e a poda necess\u00e1rios para comercializar os arbustos de jatrofa impedem a forma\u00e7\u00e3o de uma biomassa suficiente para uma efetiva captura de carbono. Com Ramakrisha, Adholeyeya acredita na necessidade de considerar v\u00e1rios cultivos em lugar de se concentrar na jatrofa. \u201cH\u00e1 vegetais nativos como o mahua (Madhuca longif\u00f3lia) e o nim, ou o \u00f3leo de salvado de arroz, a palma africana (Elaeis guineensis) e uma dezena de outras esp\u00e9cies com uma adaptabilidade provada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es agroclim\u00e1ticas deste pa\u00eds\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, foram registrados alguns \u00eaxitos no campo petroleiro. O sistema de transporte p\u00fablico do governo de Karnataka \u00e9 a primeira aplica\u00e7\u00e3o de sucesso na \u00cdndia do MDL. Cerca de 2.500 \u00f4nibus locais utilizam biocombust\u00edveis elaborados a partir do \u00f3leo de pongam. \u201cSe os cidad\u00e3os comuns v\u00e3o usar biocombust\u00edveis, precisaremos do apoio dos fabricantes\u201d de ve\u00edculos, disse Anand Rao, diretor de Meio Ambiente da estatal Corpora\u00e7\u00e3o de Transporte Rodovi\u00e1rio do Estado de Karnataka. Mas, o uso generalizado de biocombust\u00edvel tamb\u00e9m depende do \u201clobby petroleiro\u201d mundial. Um alto funcion\u00e1rio do setor do petr\u00f3leo indiano, que falou sob a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser identificado, concordou que \u00e9 comum haver uma forte resist\u00eancia a qualquer substituto. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (http:\/\/www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Zaheerabad,\u00cdndia, 04\/03\/2009 &ndash; Um arbusto que cobre hectares de solos \u00e1ridos do sul da \u00cdndia, tingidos de vermelho pelo oxido de ferro, est\u00e3o no centro de uma intensa pol\u00eamica em torno do ambicioso programa nacional de biocombust\u00edveis. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/03\/energia\/energia-india-os-contraditorios-biocombustiveis\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":115,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,10,11],"tags":[17,21],"class_list":["post-4831","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-energia","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/115"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4831\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}