{"id":4840,"date":"2009-03-06T09:43:42","date_gmt":"2009-03-06T09:43:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4840"},"modified":"2009-03-06T09:43:42","modified_gmt":"2009-03-06T09:43:42","slug":"cultura-nigeria-filme-premiado-leva-realizador-a-prisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/03\/africa\/cultura-nigeria-filme-premiado-leva-realizador-a-prisao\/","title":{"rendered":"CULTURA-NIG\u00c9RIA: Filme Premiado Leva Realizador \u00e0 Pris\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>KANO, 06\/03\/2009 &ndash; Iyan-Tama \u2013 perseguido por falar sobre problemas sociais. Cr\u00e9dito: IPS A primeira vez que visitei o premiado cineasta nigeriano Hamisu Lamido Iyan-Tama na pris\u00e3o, uma semana depois do seu encarceramento, o antigo candidato ao posto de Governador no Estado de Kano parecia estar bem disposto. <!--more--> Impecavelmente vestido com o traje tradicional \u201cdogon riga\u201d, o \u00fanico sinal fis\u00edco que indicava o facto de estar preso era o par de sand\u00e1lias de borracha. Brincava com os amistosos guardas, cumprimentava todos os visitantes pelo nome, descrevendo como, em Dezembro de 2008, um juiz do tribunal m\u00f3vel o tinha condenado a tr\u00eas meses de pris\u00e3o e a uma multa de 2.500 d\u00f3lares por alegadamente n\u00e3o ter registado a sua companhia, a Iyan-Tama Multi Media, junto do Conselho de Censura do Estado de Kano. <\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m condenado a mais um ano de pris\u00e3o, com op\u00e7\u00e3o de pagamento de multa, por supostamente ter vendido o seu filme, \u2018Tsintsiya\u2019, sem passar pela censura controlada pelas autoridades estaduais. <\/p>\n<p>\u201cO juiz pegou no \u2018Tsintsiya\u2019 e perguntou se o filme era meu\u201d contou-nos Iyan-Tama. \u201cDisse-lhe que sim mas que n\u00e3o estava \u00e0 venda em Kano. O juiz respondeu que eu s\u00f3 podia dizer sim ou n\u00e3o, sim ou n\u00e3o\u201d. <\/p>\n<p>O comportamento melodram\u00e1tico do Juiz Mukhtar Ahmed, que insistiu em julgar o pol\u00edticamente activo cineasta, mesmo depois de uma testemunha que tinha sido intimada pela pol\u00edcia para comparecer em tribunal n\u00e3o ter aparecido, foi o culminar de um caso que se tem desenrolado como uma cena de um filme de \u201cKannywood\u201d.<\/p>\n<p>Iyan-Tama foi inicialmente preso e acusado em 8 de Maio de 2008 num tribunal m\u00f3vel, tribunal ad hoc criado pelo Juiz-Presidente do Estado de Kano visando a r\u00e1pida administra\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a para delitos relacionados com a censura. Iyan-Tama tinha regressado a Kano depois de ter participado no Festival de Filmes Zuma em Abuja, capital da Nig\u00e9ria, onde o seu filme \u2018Tsintsiya\u2019, uma vers\u00e3o do filme Westside Story patrocinada pela embaixada dos Estados Unidos, foi galardoado com o pr\u00e9mio de \u201cMelhor Filme Sobre Assuntos Sociais\u201d. <\/p>\n<p>O Director-Geral do Conselho de Censura disse \u00e0 IPS que as partes interessadas da ind\u00fastria de filmes s\u00e3o obrigadas a manter uma certid\u00e3o de registo no Conselho de Censura, que tem de estar sempre em sua posse. Se apresentarem a certid\u00e3o quando requerida pelo tribunal m\u00f3vel, n\u00e3o incorrem em nenhuma pena; caso contr\u00e1rio, ser\u00e3o constituidos arguidos. <\/p>\n<p>Segundo o seu irm\u00e3o, Dr. Ahmad Sarari, Iyan-Tama tinha posto an\u00fancios na r\u00e1dio e nos principais jornais afirmando que o filme n\u00e3o estava \u00e0 venda em Kano. Por\u00e9m, depois de uma rusga da pol\u00edcia na loja de outro realizador, v\u00e1rias c\u00f3pias do filme \u2013 que pertenciam \u00e0 estrela principal, Baballe Hayatu -, foram confiscadas de uma gaveta e usadas como prova contra Iyan-Tama. <\/p>\n<p>A ind\u00fastria de filmes no norte da Nig\u00e9ria, que emprega milhares de pessoas, valia 35% da crescente ind\u00fastria \u201cNollywood\u201d at\u00e9 2007. Crit\u00edcos t\u00eam acusado esta ind\u00fastria de \u201cadulterar\u201d a cultura Hausa. Por\u00e9m, realizadores, m\u00fasicos e escritores alegam frequentemente que est\u00e3o a ser transformados em bodes expiat\u00f3rios quando exp\u00f5em casos de corrup\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O Presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Profissionais da Ind\u00fastria de Filmes da Nig\u00e9ria (MOPPAN), Sani Mu\u2019azu, acredita que a deten\u00e7\u00e3o de Iyan-Tema \u00e9 pol\u00edtica: \u201cIyan-Tama \u00e9 uma vitima das suas actividades pol\u00edticas. Concorreu ao cargo de governador do Estado de Kano juntamente com (o Governador do Estado de Kano), Shekarau, tendo tamb\u00e9m desafiado verbalmente o n\u00edvel de transpar\u00eancia do governador. O Conselho de Censura de Kano j\u00e1 est\u00e1 habituado a receber ordens explic\u00edtas do Pal\u00e1cio do Governo. <\/p>\n<p>\u00c9 significativo que no seu filme, que foi banido, Iyan-Tama actua como governador do Estado de Kano, presidindo a uma investiga\u00e7\u00e3o sobre as causas que provocam a viol\u00eancia sect\u00e1ria. <\/p>\n<p>Abubakar Rabo Abdulkarim, Director-Geral do Conselho de Censura do Estado de Kano \u2013 uma entidade local que nada tem a ver com o Conselho de Censura Nacional de Filmes e Videos da Nig\u00e9ria \u2013, rejeitou alega\u00e7\u00f5es que a deten\u00e7\u00e3o de Iyan-Tama \u00e9 pol\u00edtica. Numa entrevista que teve lugar no dia 27 de Janeiro, Abdulkarim disse \u00e0 IPS que Iyan-Tama devia ter mantido contacto oficial com o Conselho acerca da sua inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o vender o filme no Estado de Kano. <\/p>\n<p>\u201cQuer o filme tenha sido contrabandeado ou trazido oficialmente para este Estado, isso \u00e9 problema dele. A lei diz que qualquer (filme) que vai ser vendido em Kano tem de passar pela censura deste Conselho. Para se se conseguir estar isento, \u00e9 necess\u00e1rio apresentar o respectivo pedido. Nada foi formalizado com este Conselho. Como resultado, \u00e9 necess\u00e1rio haver uma san\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O Dr. Sarari, que tamb\u00e9m \u00e9 Vice-Presidente da MOPPAN, respondeu \u00e0s declarac\u00f5es feitas por Abdulkarim, referindo que o Conselho n\u00e3o conseguira provar em tribunal que Iyan-Tama tinha distribuido o filme no Estado de Kano. \u201cN\u00e3o apareceu nenhum comerciante no tribunal a afirmar que o Iyan-Tama lhe vendera o filme. Nenhum\u201d. <\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao contacto oficial com o Conselho de Censura, Sarari disse \u201cProduziu o seu filme fora do Estado de Kano (e) as vendas do mesmo foram feitas fora de Kano. Tinha autoriza\u00e7\u00e3o do Conselho de Censura Nacional de Filmes e Videos da Nig\u00e9ria. Porque \u00e9 que ele tinha de informar o Conselho de Censura do Estado de Kano se queria divulgar o seu filme em Kaduna?\u201d. <\/p>\n<p>O castigo de Iyan-Tama \u00e9 o mais severo num conjunto de deten\u00e7\u00f5es e julgamentos r\u00e1pidos feitos pelo tribunal m\u00f3vel que est\u00e1 ligado ao Conselho de Censura e que \u00e9 presidido pelo Juiz Mukhtar Ahmed. Depois the um esc\u00e2ndalo sexual que envolveu uma actriz Hausa em Agosto de 2007, come\u00e7ou a haver uma interpreta\u00e7\u00e3o mais severa da lei de censura existente, incluindo a exig\u00eancia de que qualquer pessoa envolvida na ind\u00fastria de filmes, desde os actores aos editores aos vendedores de videos, se tenham de registar individualmente junto do Conselho de Censura. Tamb\u00e9m se pediu aos m\u00fasicos e escritores que se registassem.<\/p>\n<p>Sarari calcula que, na sequ\u00eancia das medidas repressivas feitas pelo Conselho de Censura, o Estado de Kano ter\u00e1 perdido bili\u00f5es de naira em receitas.<\/p>\n<p>Em Novembro de 2008, ap\u00f3s um protesto massivo organizado por actores de filmes que mudarem publicamente a sua filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Partido do Povo de Toda a Nig\u00e9ria, ao qual pertence o governador do Estado de Kano, para o Partido Democr\u00e1tico do Povo no poder a n\u00edvel nacional e na maioria dos 36 Estados que constituem a Nig\u00e9ria, a pol\u00edcia fez diversas rusgas e fechou est\u00fadios de filmes, depois de prender uma d\u00fazia de gestores e trabalhadores de est\u00fadios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da pris\u00e3o de proeminentes artistas, tamb\u00e9m tem havido centenas de pris\u00f5es e julgamentos r\u00e1pidos de pessoas que trabalham na ind\u00fastria de entretenimento, incluindo trabalhadores de \u201ctransfer\u00eancia e descarregamento\u201d, que t\u00eam sido condenados por usarem telem\u00f3veis para transferirem m\u00fasica, som e v\u00eddeos Hausa. Isto tamb\u00e9m se aplica a vendedores de \u201cmedicamentos tradicionais\u201d que usam ilustra\u00e7\u00f5es \u201cobscenas\u201d nas suas curas, assim como trabalhadores que operam em centros que apresentam jogos de futebol e jogos de video. V\u00e1rios detidos afirmaram ter sido presos por pol\u00edcias \u00e0 paisana que n\u00e3o apresentaram identifica\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A minha segunda visita \u00e0 pris\u00e3o onde Iyan-Tama est\u00e1 detido teve lugar no dia 22 de Janeiro, depois do seu segundo apelo, adiado \u00e0 \u00faltima hora pelo Juiz-Presidente, nomeado devido \u00e0s suas credenciais pol\u00edticas. Apesar de Iyan-Tema ainda dizer piadas aos guardas, estava muito mais s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Foi como se se tivesse apercebido das not\u00edcias que nenhum de n\u00f3s tinha ouvido ainda. Naquela manh\u00e3, por volta das 2.15, a mulher e os filhos tinham sido amea\u00e7ados por bandidos desconhecidos que invadiram a sua casa e afirmaram que \u201ctinham sido enviados para os aterrorizar\u201d. <\/p>\n<p> \u201cS\u00f3 quero sair e continuar com a minha vida\u201d, disse-nos Iyan-Tama. No dia 13 de Fevereiro ele ainda estava na pris\u00e3o \u00e0 espera do resultado do seu apelo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KANO, 06\/03\/2009 &ndash; Iyan-Tama \u2013 perseguido por falar sobre problemas sociais. 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