{"id":489,"date":"2005-04-11T00:00:00","date_gmt":"2005-04-11T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=489"},"modified":"2005-04-11T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-11T00:00:00","slug":"estados-unidos-uma-democracia-venda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/estados-unidos-uma-democracia-venda\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: Uma democracia &agrave; venda"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 11\/04\/2005 &ndash; Os grupos de press&atilde;o dos Estados Unidos gastaram, desde 1998, US$ 13 bilh&otilde;es para influenciarem na tomada de decis&otilde;es por parte da Casa Branca, do Congresso e de outras autoridades. O Centro para a Integridade P&uacute;blica, instituto de estudos com sede em Washington, calculou que o dinheiro gasto pelos lobbies levando legisladores a restaurantes caros e a festas luxuosas excedeu o financiamento de todas as campanhas pol&iacute;ticas. &quot;Anualmente, desde 1998, o dinheiro gasto para influir sobre os legisladores duplica o que foi gasto para eleg&ecirc;-los. Hoje, o lobby federal &eacute; uma ind&uacute;stria pro si s&oacute;&quot;, disse a diretora-executiva do Centro para a Integridade P&uacute;blica, Roberta Baskin.<br \/> <!--more--> <br \/> O termo lobby, que segundo a Real Academia Espanhola designa um &quot;grupo de pessoas influentes, organizado para pressionar em favor de determinados interesses&quot;, se refere no mundinho de Washington a empresas criadas para exercer tais press&otilde;es em nome de terceiros. Muitas das empresas especializadas em lobby trabalham para organiza&ccedil;&otilde;es que lutam por melhor fatia do or&ccedil;amento federal, que chega a US$ 2,5 trilh&otilde;es anuais. Estas empresas contrataram em 1000 ex-funcion&aacute;rios &#8211; incluindo ex-legisladores e ex-chefes de organismos governamentais &#8211; para pressionar as autoridades em uma ampla gama de assuntos, desde aborto, impostos e constru&ccedil;&atilde;o de rodovias at&eacute; a pol&iacute;tica externa e o com&eacute;rcio.<\/p>\n<p> As leis eleitorais norte-americanas pro&iacute;bem companhias, sindicatos e organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos, entre outras institui&ccedil;&otilde;es, que financiem abertamente candidatos pol&iacute;ticos individualmente. Em contraste, estas mesmas entidades podem contratar lobbies, cuja maioria tem escrit&oacute;rios na famosa avenida K Street, de Washington. O Centro para a Integridade P&uacute;blica calculou que os lobbies faturaram US$ 2,4 bilh&otilde;es em 2003, o &uacute;ltimo ano com dados dispon&iacute;veis. Segundo o relat&oacute;rio, seguramente esse n&uacute;mero saltar&aacute; para mais de US$ 3 bilh&otilde;es em 2004.<\/p>\n<p> No ciclo eleitoral de 2002, o mais recente para do qual se conseguiu informa&ccedil;&atilde;o completa, a Comiss&atilde;o Federal de Elei&ccedil;&otilde;es indicou que os partidos pol&iacute;ticos arrecadaram US$ 1,6 milh&atilde;o. Nesse mesmo per&iacute;odo, os &quot;traficantes de influ&ecirc;ncia&quot; ganharam US$ 4 bilh&otilde;es para exercer press&atilde;o sobre as autoridades. Em 2000, &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais sobre as quais existem dados completos, foram arrecadados US$ 2,3 bilh&otilde;es para as campanhas, enquanto os lobbies gastaram US$ 3,5 bilh&otilde;es. &quot;A li&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel &eacute; que influir se converteu em um grande investimento. E a &uacute;nica raz&atilde;o pela qual as empresas investem &eacute; porque t&ecirc;m evid&ecirc;ncia de que em troca obter&atilde;o lucro, disse Alex Knott, autor do relat&oacute;rio.<\/p>\n<p> O estudo do Centro para a Integridade P&uacute;blica indica que, nos &uacute;ltimos seis anos e meio, 300 universidades gastaram em atividades de lobby quase US$ 132 milh&otilde;es, e os governos locais outros US$ 357 milh&otilde;es. Com essa press&atilde;o, procuravam obter diversos benef&iacute;cios, de rodovias a viaturas de bombeiro. A Altria Group Inc, companhia matriz da fabricante de cigarros Phlip Morris USA, destinou US$ 125 milh&otilde;es aos lobbies desde 1998. Mas, a institui&ccedil;&atilde;o que mais gastou nessa atividade foi a C&acirc;mara de Com&eacute;rcio dos Estados Unidos, com US$ 193 milh&otilde;es.<\/p>\n<p> Por outro lado, US$ 1,5 milh&atilde;o foram empregados em lobbie pela Prison Fellowship Ministries, uma organiza&ccedil;&atilde;o crist&atilde; dedicada a ajudar presos, ex-presos e suas fam&iacute;lias, dirigida por Chuck Colson, antigo assessor do falecido presidente Richard Nixon, que em 1976 se declarou culpado de obstruir a justi&ccedil;a no esc&acirc;ndalo Watergate. Mas, n&atilde;o somente organiza&ccedil;&otilde;es norte-americanas recorrem aos lobbies. Setenta e sete governos estrangeiros gastaram um total de US$ 619 milh&otilde;es. Gr&atilde;-Bretanha, Alemanha e Su&iacute;&ccedil;a lideram a lista, e Israel supera todos os seis pa&iacute;ses &aacute;rabes que a integram.<\/p>\n<p> O Centro para a Integridade P&uacute;blica lamentou a falta de normas de controle sobre os lobbies e a escassa transpar&ecirc;ncia de suas opera&ccedil;&otilde;es. &quot;Parece que sabemos mais sobre os sal&aacute;rios dos jogadores de beisebol do que sobre os milh&otilde;es ganhos pelos lobbies&quot;, afirmou Baskin. O Escrit&oacute;rio de Registros P&uacute;blicos do Senado, por exemplo, conta com apenas 11 funcion&aacute;rios, e a C&acirc;mara de Representantes com menos de 35. Por outro lado, a Comiss&atilde;o Federal de Elei&ccedil;&otilde;es tem 391 empregados e or&ccedil;amento de US$ 52 milh&otilde;es. &quot;Isso explica porque uma em cada cinco companhias de lobbies do governo federal omite a presen&ccedil;a de um ou mais dos informes que est&atilde;o obrigadas por lei a apresentar&quot;, diz o relat&oacute;rio do Centro.<\/p>\n<p> &quot;Dada sua capacidade de influir sobre os legisladores e a pr&oacute;pria legisla&ccedil;&atilde;o, os lobbies s&atilde;o qualificados de &quot;quarto ramo&quot; do governo, mas recebem pouca aten&ccedil;&atilde;o da imprensa e, menos ainda, por parte do p&uacute;blico&quot;, acrescenta o documento. A oposi&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias empresas do ramo freiam as tentativas de reformar as leis que regulam essa atividade, informou o Centro. Entre os projetos apresentados nesse sentido, figura um que limita a car&ecirc;ncia que um funcion&aacute;rio federal deve esperar ap&oacute;s sua sa&iacute;da do governo para poder fazer lobby sobre seus antigos chefes, e outro que qualifica de ilegal o envio de &quot;comunicados&quot; fraudulentos ao Congresso.<\/p>\n<p> O relat&oacute;rio tamb&eacute;m menciona casos de duplo discurso entre os pol&iacute;ticos norte-americanos em rela&ccedil;&atilde;o aos lobbies. Entre eles, figura o ex-senador Robert Dole, que prop&ocirc;s proibir por toda a vida que os funcion&aacute;rios do governo da &aacute;rea comercial exer&ccedil;am press&atilde;o em nome de governos estrangeiros. Depois de perder as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 1996 para Bill Clinton, Dole se retirou da vida p&uacute;blica e foi contratado por empresas de lobby. Nesse trabalho, representa, por exemplo, o governo da Indon&eacute;sia. &quot;Queremos que a cidadania entenda como os interesses especiais de alto custo afetam a democracia&quot;, disse Knot &agrave; IPS. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 11\/04\/2005 &ndash; Os grupos de press&atilde;o dos Estados Unidos gastaram, desde 1998, US$ 13 bilh&otilde;es para influenciarem na tomada de decis&otilde;es por parte da Casa Branca, do Congresso e de outras autoridades. O Centro para a Integridade P&uacute;blica, instituto de estudos com sede em Washington, calculou que o dinheiro gasto pelos lobbies levando legisladores a restaurantes caros e a festas luxuosas excedeu o financiamento de todas as campanhas pol&iacute;ticas. &quot;Anualmente, desde 1998, o dinheiro gasto para influir sobre os legisladores duplica o que foi gasto para eleg&ecirc;-los. Hoje, o lobby federal &eacute; uma ind&uacute;stria pro si s&oacute;&quot;, disse a diretora-executiva do Centro para a Integridade P&uacute;blica, Roberta Baskin.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/estados-unidos-uma-democracia-venda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":64,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-489","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/64"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/489\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}