{"id":49,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=49"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"metano-estados-unidos-retornam-ao-dilogo-sobre-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/metano-estados-unidos-retornam-ao-dilogo-sobre-clima\/","title":{"rendered":"Metano: Estados Unidos retornam ao di&aacute;logo sobre clima"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 20\/01\/2005 &ndash; Os Estados Unidos, principal emissor global de gases causadores do efeito estufa, voltar&aacute; ao di&aacute;logo internacional sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, que havia abandonado de maneira intempestiva h&aacute; tr&ecirc;s anos. Entretanto, far&aacute; isso em um semin&aacute;rio de car&aacute;ter consultivo, que n&atilde;o abre a porta a novas negocia&ccedil;&otilde;es. A 10&ordf; Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (COP-10) terminou no dia 18 de dezembro, em Buenos Aires, com a aprova&ccedil;&atilde;o da iniciativa argentina de realizar em 2005 um semin&aacute;rio de especialistas governamentais para &quot;troca de informa&ccedil;&otilde;es&quot; sobre o combate ao aquecimento global.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;As atas do semin&aacute;rio estar&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o das partes para sua considera&ccedil;&atilde;o, tendo em conta que este &quot;n&atilde;o abre nenhuma negocia&ccedil;&atilde;o que leve a novos compromissos&quot;, diz o texto aprovado ap&oacute;s 13 dias de delibera&ccedil;&otilde;es entre delegados de mais de 180 pa&iacute;ses e de organismos observadores. &quot;Os Estados Unidos t&ecirc;m uma posi&ccedil;&atilde;o muito clara&quot;, afirmou no encerramento da confer&ecirc;ncia o delegado argentino, Ra&uacute;l Estrada Oyuela, mentor da proposta do semin&aacute;rio. &quot;Eles n&atilde;o acreditam no Protocolo de Kyoto, mas aceitaram participar de um exerc&iacute;cio de interc&acirc;mbio de informa&ccedil;&atilde;o e creio que isso &eacute; um bom passo&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p> Em 2001, o governo de George W. Bush retirou a assinatura de seu pa&iacute;s do Protocolo de Kyoto, estabelecido em 1997 para obrigar os pa&iacute;ses industrializados a reduzir suas emiss&otilde;es de gases que causam o efeito estufa, respons&aacute;veis pelo aquecimento da Terra, em um per&iacute;odo entre 2008 e 2012. A id&eacute;ia do semin&aacute;rio, apoiada fortemente pela Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e a maioria dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, previa dois encontros em 2005, mas a resolu&ccedil;&atilde;o a limitou a apenas um, que acontecer&aacute; em maio na cidade alem&atilde; de Bonn. A proposta encontrava resist&ecirc;ncia por parte de Washington e de alguns pa&iacute;ses do Grupo dos 77 mais a China, em particular &Iacute;ndia e os pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o de Pa&iacute;ses Exportadores de Petr&oacute;leo (Opep), que se negavam a acelerar o debate sobre um segundo per&iacute;odo de compromissos que deveria come&ccedil;ar em 2012.<\/p>\n<p> A &Iacute;ndia prop&ocirc;s que fosse inclu&iacute;do no texto do acordo um par&aacute;grafo estabelecendo explicitamente que o semin&aacute;rio n&atilde;o derivaria em futuros compromissos de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es em pa&iacute;ses em desenvolvimento. A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e a Argentina consideraram que esse adendo era redundante, mas a proposta indiana foi aprovada por numerosos pa&iacute;ses em desenvolvimento e provocou um prolongado debate, at&eacute; que se chegou a um acordo que satisfez todas as partes. A posi&ccedil;&atilde;o funcional &agrave; de Washington dos pa&iacute;ses da Opep, sobretudo Ar&aacute;bia Saudita, foi criticada em Buenos Aires por um grupo de organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas reunidas na Rede de A&ccedil;&atilde;o Clim&aacute;tica.<\/p>\n<p> A Rede concedia o pr&ecirc;mio de &quot;F&oacute;ssil do dia&quot;, a cada dia de confer&ecirc;ncia, ao pa&iacute;s que menos contribu&iacute;sse para o processo. Estados Unidos e Ar&aacute;bia obtiveram o pr&ecirc;mio maior. Os dois pa&iacute;ses &quot;trabalharam lado a lado nas duas semanas da reuni&atilde;o para evitar qualquer progresso no combate &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;, afirmou a organiza&ccedil;&atilde;o. Os ativistas tamb&eacute;m consideraram &quot;imoral&quot; a postura das duas na&ccedil;&otilde;es em criar obst&aacute;culos &agrave; agenda de adapta&ccedil;&atilde;o ao aquecimento global, apresentando como argumento o impacto que teria sobre as economias dos pa&iacute;ses exportadores de petr&oacute;leo a eventual queda nas compras de energia proveniente de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, cuja queima libera gases causadores do efeito estufa.<\/p>\n<p> Essa posi&ccedil;&atilde;o impediu os pa&iacute;ses do Grupo dos 77 mais a China de apresentar uma proposta unificada &agrave;s na&ccedil;&otilde;es industrializadas para conseguir um aumento mais substancial dos recursos financeiros para a adapta&ccedil;&atilde;o. A confer&ecirc;ncia terminou adotando o &quot;Programa de Buenos Aires de A&ccedil;&atilde;o em Adapta&ccedil;&atilde;o&quot;, uma longa lista de a&ccedil;&otilde;es para que os pa&iacute;ses em desenvolvimento possam se preparar para enfrentar as varia&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, mas n&atilde;o garantiram fundos suficientes para sua implementa&ccedil;&atilde;o. No in&iacute;cio das delibera&ccedil;&otilde;es, no dia 6 de dezembro, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia anunciou sua promessa de aumentar de US$ 100 milh&otilde;es para US$ 420 milh&otilde;es os fundos anuais para adapta&ccedil;&atilde;o, mas ao t&eacute;rmino da confer&ecirc;ncia n&atilde;o houve novos compromissos.<\/p>\n<p> Tampouco houve avan&ccedil;os rumo &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um fundo especial para adapta&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses menos adiantados. O volume prometido &eacute; &quot;muito inadequado&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Jennifer Morgan, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Em sua opini&atilde;o, h&aacute; pa&iacute;ses que j&aacute; sofreram graves impactos de inunda&ccedil;&otilde;es, secas e furac&otilde;es que custaram muito mais do que esses US$ 420 milh&otilde;es. Os desastres naturais custaram &agrave; ind&uacute;stria do seguro internacional mais de US$ 35 bilh&otilde;es em 2004, o dobro do valor desembolsado durante 2003, de acordo com dados da seguradora Munich Re, divulgados durante a confer&ecirc;ncia pelo Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).<\/p>\n<p> &quot;Os pa&iacute;ses desenvolvidos, principais produtores dos gases que causam o efeito estufa, t&ecirc;m a m&aacute;xima responsabilidade na redu&ccedil;&atilde;o da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e tamb&eacute;m na transfer&ecirc;ncia de recursos e tecnologias aos pa&iacute;ses em desenvolvimento para que se adaptem a ele&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Ricardo S&aacute;nchez, diretor do Pnuma para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe. O furac&atilde;o Mitch, que causou preju&iacute;zos no valor de US$ 8,5 milh&otilde;es na Am&eacute;rica Central, a destrui&ccedil;&atilde;o de 75% das florestas de Belize devido &agrave; praga do escaravelho da casca do pinus, e o derretimento de geleiras na Patag&ocirc;nia e nos Andes s&atilde;o alguns dos fen&ocirc;menos relacionados com a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica que a regi&atilde;o enfrenta, segundo o Pnuma. &quot;Nossa regi&atilde;o tem um alto grau de vulnerabilidade. Se tivermos de dedicar os poucos recursos de nossos pa&iacute;ses para atender esses impactos (da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica), ser&aacute; bem dif&iacute;cil alcan&ccedil;ar um desenvolvimento sustent&aacute;vel&quot;, disse S&aacute;nchez.<\/p>\n<p> * A autora &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 20\/01\/2005 &ndash; Os Estados Unidos, principal emissor global de gases causadores do efeito estufa, voltar&aacute; ao di&aacute;logo internacional sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, que havia abandonado de maneira intempestiva h&aacute; tr&ecirc;s anos. Entretanto, far&aacute; isso em um semin&aacute;rio de car&aacute;ter consultivo, que n&atilde;o abre a porta a novas negocia&ccedil;&otilde;es. A 10&ordf; Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (COP-10) terminou no dia 18 de dezembro, em Buenos Aires, com a aprova&ccedil;&atilde;o da iniciativa argentina de realizar em 2005 um semin&aacute;rio de especialistas governamentais para &quot;troca de informa&ccedil;&otilde;es&quot; sobre o combate ao aquecimento global.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/metano-estados-unidos-retornam-ao-dilogo-sobre-clima\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-49","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}