{"id":4908,"date":"2009-03-27T14:59:30","date_gmt":"2009-03-27T14:59:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4908"},"modified":"2009-03-27T14:59:30","modified_gmt":"2009-03-27T14:59:30","slug":"brasil-argentina-polemica-represa-perto-das-cataratas-do-iguacu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/03\/america-latina\/brasil-argentina-polemica-represa-perto-das-cataratas-do-iguacu\/","title":{"rendered":"BRASIL-ARGENTINA: Pol\u00eamica represa perto das Cataratas do Igua\u00e7u"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 27\/03\/2009 &ndash; Com a contenda entre Argentina e o vizinho Uruguai ainda aberta pela instala\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de celulose em uma \u00e1rea lim\u00edtrofe, abre-se outra frente internacional de conflito ambiental diante do projeto brasileiro de construir uma represe no rio Igua\u00e7u, \u00e1guas acima das famosas cataratas. <!--more--> \u201cTomara possamos criar um movimento para impedir esta nova represa\u201d, disse \u00e0 IPS o deputado argentino Timoteo Llera, ex-prefeito da cidade de Puerto Iguaz\u00fa e autor do pedido de informa\u00e7\u00f5es \u00e0 chancelaria sobre essa obra brasileira que seria erguida 90 quil\u00f4metros ao norte dos majestosos saldos, compartilhados pelos dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil manipula o rio Igua\u00e7u como quer, alterando bruscamente o fluxo de \u00e1gua em quest\u00e3o de horas, mas as Cataratas s\u00e3o patrim\u00f4nio da humanidade desde 1984 e se ficarem sem \u00e1gua pode ocorrer um conflito internacional delicado\u201d, disse Llera que convocou empres\u00e1rios tur\u00edsticos dos dois pa\u00edses. A represa, que se somaria \u00e0s j\u00e1 existentes no mesmo rio, \u201cter\u00e1 impacto no volume de \u00e1gua nos saltos e na biodiversidade. Precisamos de um acordo de uso rec\u00edproco dos recursos compartilhados porque esta regi\u00e3o vive do turismo relacionado \u00e0s cataratas na Argentina e no Brasil\u201d, acrescentou o parlamentar.<\/p>\n<p>A gigantesca cascata, com saltos de 80 metros, \u00e9 a estrela do Parque Nacional Iguaz\u00fa, na prov\u00edncia de Misiones. Com quase um milh\u00e3o de turistas ao ano, \u00e9 o mais visitado dos 28 parques protegidos da Argentina. Tem 67 mil hectares e uma diversidade biol\u00f3gica pr\u00f3pria da selva subtropical. Os saltos se formam no curso do rio, que nasce no Estado do Paran\u00e1, 1.300 metros acima do n\u00edvel do mar, na Serra do Mar, e desemboca no rio Paran\u00e1, ap\u00f3s um trajeto de 1.320 quil\u00f4metros. Em seu \u00faltimo trecho de cem quil\u00f4metros as \u00e1guas do Igua\u00e7u tra\u00e7am o limite entre Argentina e Brasil e caem nas gargantas rochosas das cataratas.<\/p>\n<p>A altura dos saltos \u00e9 de 2.700 metros, 600 deles do lado brasileiro, onde fica o Parque Nacional do Igua\u00e7u, mais extenso que o argentino e tamb\u00e9m declarado, em 1986, Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade ela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura. A constru\u00e7\u00e3o da represa, que se chamaria Baixo Igua\u00e7u ou Capanema, foi outorgada em outubro passado pela Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) \u00e0 companhia Neoenergia. Dever\u00e1 gerar 350 megawatts de eletricidade e ser\u00e1 a sexta no rio Igua\u00e7u, depois de Foz do Areia, Salto Segredo, Salto Santiago, Salto Os\u00f3rio e Salto Caxias.<\/p>\n<p>\u201cCada vez que no Brasil abrem ou fecham as comportas, sobe ou baixa o n\u00edvel da \u00e1gua nas cataratas, e isso afeta a biodiversidade nas costas que requerem um ambiente \u00famido constante\u201d, disse \u00e0 IPS o respons\u00e1vel pelo Parque Nacional Iguaz\u00fa, Daniel Costras. Segundo Costras, a abund\u00e2ncia ou baixa de \u00e1gua nos saltos esteve historicamente relacionada com o regime de chuvas. Mas ent\u00e3o os per\u00edodos estavam bem delimitados. Em outubro caiam 2.500 metros c\u00fabicos de \u00e1gua por segundo e em abril cerca de 1.320 metros c\u00fabicos\/segundo. Agora as mudan\u00e7as s\u00e3o bruscas, acrescentou. \u201cEm um dia a \u00e1gua pode subir ou baixar meio metro\u201d, afirmou. Costras transmitiu sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o de Parques Nacionais, que a encaminhou ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, que j\u00e1 havia recebido um pedido de informa\u00e7\u00e3o do Congresso.<\/p>\n<p>Este m\u00eas, o subsecret\u00e1rio de Pol\u00edtica Latino-americana da chancelaria, Agust\u00edn Colombo, explicou aos legisladores de Misiones que o projeto est\u00e1 em fase preliminar. Segundo o funcion\u00e1rio, o Itamaraty informou que a represa ainda n\u00e3o est\u00e1 definida. Colombo afirmou que n\u00e3o existe um tratado que regule a constru\u00e7\u00e3o de obras no rio e que n\u00e3o se pode impedir o Brasil de construir uma nova em seu territ\u00f3rio. Para os ambientalistas este caso deixa clara, uma vez mais, a necessidade de existir coordena\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses quando se aborda a constru\u00e7\u00e3o de infra-estrutura com respectivo impacto na subregi\u00e3o.<\/p>\n<p>Argentina e Uruguai levaram ao Tribunal Internacional de Justi\u00e7a sua contenda pela instala\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de celulose no rio Uruguai, que divide os dois pa\u00edses. A f\u00e1brica fica pr\u00f3xima da cidade Uruguai de Fray Bentos. Mas, moradores da cidade argentina de Gualeguaych\u00fa temem que contamine as \u00e1guas do rio. Nesse caso, o tratado que os dois pa\u00edses assinaram e uma comiss\u00e3o administradora do rio Uruguai n\u00e3o impediram a crise, entre outros motivos, por falta de coordena\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, segundo diplomatas da chancelaria argentina.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Proteger, com sede na prov\u00edncia de Santa F\u00e9, h\u00e1 tempos alerta para a necessidade de um \u201cenfoque eco-sist\u00eamico\u201d das bacias, que necessita de consenso dos pa\u00edses. \u201cO manejo da \u00e1gua em bacias compartilhadas \u00e9 um dos grandes desafios do nosso s\u00e9culo\u201d, disse \u00e0 IPS o ativista Jorge Cappato, da Funda\u00e7\u00e3o. Cappato recordou que em junho de 2006 as Cataratas do Igua\u00e7u ficaram \u201cquase secas\u201d pelo fechamento das comportas das cinco represas brasileiras para acumular \u00e1gua e gerar energia em um per\u00edodo de seca. \u201cHavia escassez de chuva, mas o decisivo foi o fechamento das comportas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, deveria existir um plano de manejo regional para evitar impactos econ\u00f4micos e sociais, tanto no Igua\u00e7u como nos rios Paran\u00e1 e Uruguai, que formam a vasta Bacia do Rio da Prata. A Funda\u00e7\u00e3o enviou este m\u00eas uma carta \u00e0 chancelaria argentina alertando sobre a acentuada redu\u00e7\u00e3o do caudaloso Paran\u00e1, devido \u00e0 atividades das represas das hidrel\u00e9tricas Yacyret\u00e1, argentino-paraguaia, e Itaipu, brasileiro-paraguaia. Segundo a carta, \u00e0 qual a IPS teve acesso, a altura m\u00e9dia do Paran\u00e1 na prov\u00edncia de Corrientes, que em 2007 era de 4,05 metros, baixou para 3,38 metros em 2008 e 2,54 metros em janeiro deste ano. A escassez de chuvas \u00e9 o fator desencadeante, mas as represas agravam o problema ao represarem \u00e1gua para gerar eletricidade, afirma o texto.<\/p>\n<p>Igualmente delicado \u00e9 o equil\u00edbrio do rio Uruguai que, com quase 25 represas em seu curso, v\u00e1rias delas binacionais, caminha para se transformar em uma cadeia de represas isolados, com impactos na pesca, nos mangues, na qualidade e quantidade da \u00e1gua e na biodiversidade regional, disse Cappato. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 27\/03\/2009 &ndash; Com a contenda entre Argentina e o vizinho Uruguai ainda aberta pela instala\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de celulose em uma \u00e1rea lim\u00edtrofe, abre-se outra frente internacional de conflito ambiental diante do projeto brasileiro de construir uma represe no rio Igua\u00e7u, \u00e1guas acima das famosas cataratas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/03\/america-latina\/brasil-argentina-polemica-represa-perto-das-cataratas-do-iguacu\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,10],"tags":[],"class_list":["post-4908","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-energia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4908"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4908\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}