{"id":491,"date":"2005-04-12T00:00:00","date_gmt":"2005-04-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=491"},"modified":"2005-04-12T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-12T00:00:00","slug":"oea-a-amrica-dividida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/oea-a-amrica-dividida\/","title":{"rendered":"OEA: A Am&eacute;rica dividida"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 12\/04\/2005 &ndash; A elei&ccedil;&atilde;o do secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos foi frustrada nesta segunda-feira por um persistente empate entre os candidatos do Chile e do M&eacute;xico, ap&oacute;s cinco turnos de vota&ccedil;&atilde;o que evidenciaram um clima de divis&atilde;o na Am&eacute;rica. Os chanceleres e representantes dos 24 pa&iacute;ses-membros ativos da OEA concordaram em realizar nova elei&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;ximo dia 2 de maio, sendo que at&eacute; poderia surgir um terceiro candidato. Entretanto, se mant&eacute;m entre par&ecirc;nteses a recomposi&ccedil;&atilde;o desse f&oacute;rum continental, do qual somente Cuba est&aacute; fora, desde 1962, e que hoje parece golpeado por problemas de prest&iacute;gio e dinheiro. Na reuni&atilde;o desta segunda-feira, realizada na sede de Washington, o chanceler mexicano, Luis Ernesto Derbez, obteve 17 dos 34 votos em jogo, o mesmo que seu advers&aacute;rio, o ministro do Interior do Chile, Jos&eacute; Miguel Insulza.<br \/> <!--more--> <br \/> Depois de tr&ecirc;s rodadas de vota&ccedil;&atilde;o nas quais nenhum dos dois conseguiu os 18 votos necess&aacute;rios, houve um recesso para negocia&ccedil;&otilde;es. Nas duas rodadas seguintes, o resultado foi o mesmo, por isso, finalmente, se decidiu por uma nova data para a elei&ccedil;&atilde;o. Os observadores indicaram que o candidato mexicano foi favorecido pela retirada surpreendente da competi&ccedil;&atilde;o do ex-presidente salvadorenho Francisco Flores (1999-2004), que na sexta-feira anunciou que deixaria a disputa em favor da uni&atilde;o da regi&atilde;o Mesoamericana, integrada por Am&eacute;rica Central e nove estados do sudeste do M&eacute;xico. Entretanto, isso n&atilde;o foi suficiente para ganhar.<\/p>\n<p> Embora os votos tenham sido secretos, por pronunciamentos anteriores soube-se que grande parte dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul e alguns do Caribe apoiou Insulza, enquanto os da Am&eacute;rica Central, v&aacute;rios do sul do continente, tamb&eacute;m caribenhos e, ao que parece, os Estados Unidos, se inclinaram pelo mexicano. O apoio de Washington, que em princ&iacute;pio iria para Flores, &eacute; considerado decisivo, por seu peso como pot&ecirc;ncia. A sede da OEA fica em Washington e 60,1% do seu or&ccedil;amento &#8211; que este ano &eacute; de US$ 76,2 milh&otilde;es &#8211; correspondem aos Estados Unidos.<\/p>\n<p> Derbez, um economista de 58 anos e de posi&ccedil;&otilde;es conservadoras, aspirava ser o primeiro mexicano em pouco mais de meio s&eacute;culo de hist&oacute;ria da OEA a competir e chegar &agrave; sua secretaria-geral, enquanto o socialista Insulza, um advogado e p&oacute;s-graduado em ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas de 61 anos, buscava vencer sua segunda disputa. A vota&ccedil;&atilde;o aconteceu seis meses depois da ren&uacute;ncia do ex-presidente costarriquenho Miguel Angel Rodr&iacute;guez, contra que Insulza havia competido e perdido.<\/p>\n<p> Nos &uacute;ltimos meses, o prest&iacute;gio da OEA caiu devido &agrave; ren&uacute;ncia de Rodr&iacute;guez, que enfrenta em seu pa&iacute;s um processo penal por atos de corrup&ccedil;&atilde;o durante seu mandato de 1998 a 2002. Este organismo tamb&eacute;m enfrenta cr&iacute;tica pela persist&ecirc;ncia de uma sombra submiss&atilde;o a diretrizes norte-americanas e, ultimamente, por seus problemas financeiros, que se expressam na urg&ecirc;ncia em obter mais de US$ 17 milh&otilde;es para cumprir suas tarefas neste ano. Mas, n&atilde;o &eacute; s&oacute; isso. A competi&ccedil;&atilde;o para suceder o &uacute;ltimo secret&aacute;rio-geral da OEA, inclu&iacute;do o momento da vota&ccedil;&atilde;o, deixou em evid&ecirc;ncia que na Am&eacute;rica h&aacute; dois alinhamentos pol&iacute;ticos e diplom&aacute;ticos contrastantes.<\/p>\n<p> Assim, apoiou Insulza grande parte dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul identificados com posi&ccedil;&otilde;es de esquerda ou centro-esquerda e opostos a v&aacute;rias das teses de com&eacute;rcio e diplomacia dos Estados Unidos. Por sua vez, Derbez teve apoio de governos mais afins em rela&ccedil;&atilde;o a Washington. Para o acad&ecirc;mico mexicano Francisco Espino, as vota&ccedil;&otilde;es desta segunda-feira demonstraram que a regi&atilde;o est&aacute; muito longe da unidade. &quot;A Am&eacute;rica est&aacute; claramente partida em duas, por isso o objetivo de ter um secret&aacute;rio da OEA de consenso n&atilde;o passou disso, de um objetivo&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p> Segundo as ofertas de campanha de Derbez, como secret&aacute;rio-geral daria &ecirc;nfase no apoio &aacute; agenda de desenvolvimento econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico dos pa&iacute;ses co maior grau de pobreza do continente e promoveria a cria&ccedil;&atilde;o de um &quot;Fundo de Coopera&ccedil;&atilde;o Especial das Am&eacute;ricas&quot;, com contribui&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses de maiores recursos para apoiar as comunidades marginalizadas. Al&eacute;m disso, incentivaria os consensos pol&iacute;ticos e estabeleceria mecanismos para enfrentar emerg&ecirc;ncias naturais. Tamb&eacute;m apoiaria programas de cunho educativo e de fortalecimento da democracia e enfrentaria a crise financeira da OEA.<\/p>\n<p> Por sua vez, Insulza prometeu promover o multilateralismo, exercer uma combina&ccedil;&atilde;o coletiva e acentuar o trabalho da organiza&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria de democracia, governabilidade, seguran&ccedil;a e direitos humanos, civis, pol&iacute;ticos, culturais e econ&ocirc;micos. Ao analisar a vota&ccedil;&atilde;o desta segunda-feira, em meios diplom&aacute;ticos do Chile se garantia que os Estados Unidos se lan&ccedil;aram com tudo contra Insulza, for&ccedil;ando a retirada de Flores e o endosse de seus votos para Derbez. O governo de George W. Bush viu na candidatura de Insulza a articula&ccedil;&atilde;o de uma tend&ecirc;ncia estruturada atrav&eacute;s dos governos de centro-esquerda sul-americanos que, com apoio importante no Caribe de l&iacute;ngua inglesa, questionou sua tradicional hegemonia na Am&eacute;rica Latina, disseram as fontes.<\/p>\n<p> Por sua vez, analistas entendem que o fator de maior rejei&ccedil;&atilde;o de Washington &agrave; candidatura Insulza foi o apoio expresso que recebeu do presidente da Venezuela, Hugo Ch&aacute;vez, na v&eacute;spera da elei&ccedil;&atilde;o. A isso se somam os apoios dos governos progressistas de Brasil, Argentina e Uruguai. Mas, no Chile, tamb&eacute;m houve cr&iacute;ticas &agrave; gest&atilde;o o chanceler chileno, Ign&aacute;cio Walker, por ter se apressado em afirmar que a elei&ccedil;&atilde;o de Insulza estava garantida antes da elei&ccedil;&atilde;o. O deputado Jorge Tarud, do co-governante Partido Pela Democracia, disse em Santiago que &quot;a prud&ecirc;ncia sempre foi muito recomendada na diplomacia, e anunciar vit&oacute;ria quando n&atilde;o se tem confirmados os votos n&atilde;o me parece adequado. Digo isto especificamente em refer&ecirc;ncia ao nosso chanceler Walker&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Insulza confirmou que continuar&aacute; na disputa, apesar da possibilidade de o chanceler do Peru, Manuel Rodr&iacute;guez Cuadros, se constituir uma das alternativas na busca da lideran&ccedil;a regional. A elei&ccedil;&atilde;o de qualquer destes dois candidatos teria levado &agrave; secretaria-geral da OEA pela primeira vez em 11 anos um dirigente pol&iacute;tico que antes n&atilde;o passou pela presid&ecirc;ncia de seu pa&iacute;s. Dos oito secret&aacute;rios que a OEA teve desde sua funda&ccedil;&atilde;o em 1948, cinco foram ex-presidentes. O novo secret&aacute;rio ter&aacute; mandato de cinco anos com possibilidade de reelei&ccedil;&atilde;o por mais um per&iacute;odo.<\/p>\n<p> Em sua exist&ecirc;ncia, a OEA, que foi dirigida no passado por representantes do Chile, Uruguai, Equador, Argentina, Brasil, Col&ocirc;mbia e Costa Rica, viveu sob a &eacute;gide do dom&iacute;nio norte-americano, segundo ativistas sociais e especialistas. Entretanto, nos &uacute;ltimos anos os organismos da OEA ligados aos direitos humanos ganharam prest&iacute;gio e a eles recorrem cada vez mais quem se sente afetado nessa quest&atilde;o. Al&eacute;m disso, o f&oacute;rum deu maior &ecirc;nfase em apoiar a solu&ccedil;&atilde;o de crises institucionais, embora tamb&eacute;m tenha recebido duras cr&iacute;ticas por n&atilde;o defender governos eleitos nas urnas como o de Jean Bertrand Aristide no Haiti, cuja queda em 29 de fevereiro de 2005 &eacute; atribu&iacute;da a Washington. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 12\/04\/2005 &ndash; A elei&ccedil;&atilde;o do secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos foi frustrada nesta segunda-feira por um persistente empate entre os candidatos do Chile e do M&eacute;xico, ap&oacute;s cinco turnos de vota&ccedil;&atilde;o que evidenciaram um clima de divis&atilde;o na Am&eacute;rica. Os chanceleres e representantes dos 24 pa&iacute;ses-membros ativos da OEA concordaram em realizar nova elei&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;ximo dia 2 de maio, sendo que at&eacute; poderia surgir um terceiro candidato. Entretanto, se mant&eacute;m entre par&ecirc;nteses a recomposi&ccedil;&atilde;o desse f&oacute;rum continental, do qual somente Cuba est&aacute; fora, desde 1962, e que hoje parece golpeado por problemas de prest&iacute;gio e dinheiro. Na reuni&atilde;o desta segunda-feira, realizada na sede de Washington, o chanceler mexicano, Luis Ernesto Derbez, obteve 17 dos 34 votos em jogo, o mesmo que seu advers&aacute;rio, o ministro do Interior do Chile, Jos&eacute; Miguel Insulza.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/oea-a-amrica-dividida\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-491","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/491\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}