{"id":4919,"date":"2009-03-31T18:23:26","date_gmt":"2009-03-31T18:23:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4919"},"modified":"2009-03-31T18:23:26","modified_gmt":"2009-03-31T18:23:26","slug":"economia-apostas-muito-altas-para-o-g-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/03\/mundo\/economia-apostas-muito-altas-para-o-g-20\/","title":{"rendered":"ECONOMIA: Apostas muito altas para o G-20"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 31\/03\/2009 &ndash; As conversa\u00e7\u00f5es sobre a crise econ\u00f4mica mundial, que acontecer\u00e3o na pr\u00f3xima quinta-feira em Londres, podem acabar sendo uma oportuna recorda\u00e7\u00e3o do perigo que significa gerar excessivas expectativas sobre um encontro internacional. <!--more--> Gordon Brown, primeiro-ministro da Gr\u00e3-Bretanha e anfitri\u00e3o da c\u00fapula do Grupo dos 20 pa\u00edses industrializados e emergentes prevista para o pr\u00f3ximo dia 2, havia prometido que a reuni\u00e3o produziria um \u201cnovo acordo global\u201d para resgatar o mundo de sua atual queda livre.<\/p>\n<p>Espera-se o an\u00fancio de compromissos potencialmente significativos para lubrificar a engrenagem do com\u00e9rcio mundial e aumentar os recursos do Fundo Monet\u00e1rio Internacional. Mas, os l\u00edderes provavelmente passem por alto sobre suas fundamentais e persistentes diferen\u00e7as, deixando-as para seus ministros das Finan\u00e7as e presidentes dos bancos centrais. Brown e companhia tentar\u00e3o apresentar uma frente unida, em um exerc\u00edcio pol\u00edtico destinado a garantir os mercados e tranq\u00fcilizar os consumidores.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, porta-vozes governamentais j\u00e1 come\u00e7am uma aparente tentativa de alinhar as expectativas do p\u00fablico com as possibilidades da c\u00fapula. \u201cN\u00e3o veremos a economia mundial dando um giro no dia 3 de abril\u201d, disse o secret\u00e1rio de Estado da chancelaria brit\u00e2nica, Mark Malloch-Brown. \u201cTalvez possa ser visto como o come\u00e7o do fim da crise e o momento em que os l\u00edderes conseguir\u00e3o impulsionar uma nova dire\u00e7\u00e3o e uma nova autoridade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os integrantes do G-20 (Brasil, Alemanha, Ar\u00e1bia Saudita, Argentina, Austr\u00e1lia, Canad\u00e1, China, Cor\u00e9ia do Sul, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, M\u00e9xico, R\u00fassia, \u00c1frica do Sul, Turquia e Uni\u00e3o Europ\u00e9ia) representam mais de 80% da economia mundial e cerca de dois ter\u00e7os de sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta c\u00fapula do G-20 haver\u00e1 mais em jogo do que na anterior, realizada em novembro. Milh\u00f5es de empregos se perderam, mais de cem milh\u00f5es de pessoas ca\u00edram abaixo da linha de pobreza e dezenas de milh\u00f5es est\u00e3o \u00e0 beira do precip\u00edcio. \u201cN\u00e3o h\u00e1 muito tempo para os l\u00edderes mundiais agirem em conjunto\u201d, disse Katinka Barysch, vice-diretora do Centro para a Reforma Europ\u00e9ia, com sede em Londres. \u201cOs chefes de Estado e de governo do G-20 devem agora se concentrar em duas coisas: qual \u00e9 a melhor forma de trabalhar em conjunto para prevenir uma recess\u00e3o ainda mais profunda e como impedir futuras crises dessa magnitude\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, Mike Froman, subconselheiro nacional de seguran\u00e7a para assuntos econ\u00f4micos internacionais dos Estados Unidos, disse quais deveriam ser as prioridades da c\u00fapula. \u201cAdotar est\u00edmulos significativos para recuperar o crescimento. Em segundo lugar, reparar cada um de nossos sistemas financeiros para permitir que os empr\u00e9stimos fluam. Em terceiro, evitar o protecionismo e, por fim, dar passos no sentido de minimizar a propaga\u00e7\u00e3o da crise aos mercados emergentes e aos pa\u00edses em desenvolvimento\u201d. Mas, em cada um destes temas h\u00e1 grandes divis\u00f5es.<\/p>\n<p>Estados Unidos e Gr\u00e3-Bretanha tentavam convencer Europa e Jap\u00e3o de que aumentar\u00e3o seus pacotes de est\u00edmulo interno para impulsionar a demanda mundial de bens e servi\u00e7os. Os governos japon\u00eas e europeus aprovaram fundos de est\u00edmulo menores em compara\u00e7\u00e3o com Washington, Londres e Pequim, e n\u00e3o gostaram da press\u00e3o norte-americana e brit\u00e2nica. Alemanha, Fran\u00e7a e outros respondem que preferem ver se as quantias j\u00e1 destinadas t\u00eam efeito antes de condenar ainda mais as futuras gera\u00e7\u00f5es \u00e0 d\u00edvida. Funcion\u00e1rios norte-americanos e brit\u00e2nicos dizem continuar convencidos de que \u00e9 preciso gastar muito mais para reverter a recess\u00e3o, mas decidiram n\u00e3o insistir mais.<\/p>\n<p>O ministro de Assuntos Exteriores da Gr\u00e3-Bretanha, David Miliband, assegurou que Washington e Londres n\u00e3o for\u00e7ar\u00e3o os demais membros do grupo a anunciarem compromissos espec\u00edficos sobre gastos, na reuni\u00e3o desta semana. Este freio na press\u00e3o se deve em grande parte a imperativos diplom\u00e1ticos. Tamb\u00e9m acontece quando muitas d\u00favidas sobre a capacidade de Gr\u00e3-Bretanha e Estados Unidos para sustentarem mais gastos: o Banco da Inglaterra alertou Brown de que seu or\u00e7amento j\u00e1 \u00e9 muito alto, e Pequim come\u00e7ou a questionar a solv\u00eancia norte-americana. Mas o G-20 tamb\u00e9m patina em outros temas-chave.<\/p>\n<p>Os europeus destacam a necessidade de rever as regulamenta\u00e7\u00f5es financeiras em todo o mundo para impedir as fraudes que desataram a crise e os fracassos sistem\u00e1ticos que permitiram sua propaga\u00e7\u00e3o. Envergonhados pela conduta das empresas beneficiadas pelo pacote de resgate e diante da indigna\u00e7\u00e3o p\u00fablica pela opul\u00eancia corporativa, seus colegas norte-americanos agora pregam melhor coordena\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses e responsabilizar os atores. Os europeus, por\u00e9m, buscam mudan\u00e7as de alcance maior na natureza e nas regras do jogo financeiro global.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes do G-20 se comprometeram de forma un\u00e2nime manter o com\u00e9rcio aberto e combater o protecionismo. Em Londres tamb\u00e9m poderia ser anunciado um acordo para fornecer fundos ao com\u00e9rcio mundial, bem como assist\u00eancia \u00e0s economias em desenvolvimento e dependentes das exporta\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, segundo o Banco Mundial, 17 dos 20 pa\u00edses colocam tarifas e outras barreiras no caminho dos produtos e servi\u00e7os estrangeiros desde que come\u00e7ou a crise.<\/p>\n<p>Autoridades da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, do Banco Mundial e do FMI tamb\u00e9m estar\u00e3o em Londres para falar em nome das economias fr\u00e1geis e dos povos pobres, mas, tamb\u00e9m por suas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es. O FMI poderia duplicar seus fundos. Nos \u00faltimos seis meses, os empr\u00e9stimos multiplicaram, bem como os chamados \u00e0 institui\u00e7\u00e3o para que aumente a supervis\u00e3o das economias-membro. Brasil, China, \u00cdndia e outros atores anunciaram que apoiariam um aumento de recursos para o FMI desde que os paises pobres tenham influ\u00eancia dentro desse organismo.<\/p>\n<p>Se isto ocorrer, o FMI poderia emergir da crise n\u00e3o apenas com uma segunda oportunidade, mas tamb\u00e9m com certo grau de legitimidade pol\u00edtica, da qual muitos de seus acionistas h\u00e1 muito tempo diziam que carecia e precisava para triunfar em seu papel expandido como vigilante financeiro internacional. Nisto tamb\u00e9m falta ver se haver\u00e1 um caminho significativo.<\/p>\n<p>Apesar das promessas, as pot\u00eancias ocidentais \u201cse mostram menos dispostas a rever sua pr\u00f3pria excessiva representa\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais\u201d, disse Baryshc, do Centro para a Reforma Europ\u00e9ia. A China tamb\u00e9m questiona a estabilidade e sustentabilidade do d\u00f3lar como divisa de reservas dominantes no planeta, dizendo que favoreceria a cria\u00e7\u00e3o de uma cesta de moedas. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 31\/03\/2009 &ndash; As conversa\u00e7\u00f5es sobre a crise econ\u00f4mica mundial, que acontecer\u00e3o na pr\u00f3xima quinta-feira em Londres, podem acabar sendo uma oportuna recorda\u00e7\u00e3o do perigo que significa gerar excessivas expectativas sobre um encontro internacional. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/03\/mundo\/economia-apostas-muito-altas-para-o-g-20\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":448,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-4919","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/448"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4919"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4919\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}