{"id":4928,"date":"2009-04-01T15:41:25","date_gmt":"2009-04-01T15:41:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4928"},"modified":"2009-04-01T15:41:25","modified_gmt":"2009-04-01T15:41:25","slug":"jornalismo-peru-as-mulheres-dominam-mas-nao-mandam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/america-latina\/jornalismo-peru-as-mulheres-dominam-mas-nao-mandam\/","title":{"rendered":"JORNALISMO-PERU: As mulheres dominam, mas n\u00e3o mandam"},"content":{"rendered":"<p>Lima, 01\/04\/2009 &ndash; Quando come\u00e7aram neste m\u00eas os cursos nas universidades do Peru, as mulheres ocuparam entre 65% e 72% as salas dos primeiros anos das faculdades de Comunica\u00e7\u00e3o, um fen\u00f4meno da feminiza\u00e7\u00e3o do jornalismo vis\u00edvel nas reda\u00e7\u00f5es de todo o pa\u00eds.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4928\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Peruenith_fasanando_achicada.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4928\" class=\"size-medium wp-image-4928\" title=\" - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Peruenith_fasanando_achicada.jpg\" alt=\" - \" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4928\" class=\"wp-caption-text\"> - <\/p><\/div>  Mas nos postos de dire\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o peruano, impressos, audiovisuais e digitais, os homens continuam sendo ampla maioria. \u201c\u00c9 preciso reconhecer os fatos: as mulheres dominam as reda\u00e7\u00f5es em quantidade, mas, n\u00e3o mandam\u201d, disse \u00e0 IPS Zuliana La\u00ednez, dirigente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornalistas, no III Encontro Nacional da Mulher Jornalista, realizado este m\u00eas em lima. \u201cComo acontece em pa\u00edses t\u00e3o diferentes quanto R\u00fassia ou Su\u00e9cia, as mulheres no Peru s\u00e3o a m\u00e3o de obra do jornalismo, mas n\u00e3o chegam a capataz\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Nenhum jornal comercial tem \u00e0 frente uma mulher e estas apenas aparecem nesses cargos em algumas revistas dirigidas a quest\u00f5es femininas ou de espet\u00e1culos. As mulheres dirigem apenas tr\u00eas das 49 integrantes da Coordenadora Nacional de R\u00e1dio, que re\u00fane emissoras comunit\u00e1rias regionais, e encabe\u00e7am um punhado de programas de r\u00e1dio em n\u00edvel nacional. Na televis\u00e3o, as profissionais est\u00e3o \u00e0 frente apenas de dois programas jornal\u00edsticos de alcance nacional, um deles dominical. Por\u00e9m, s\u00e3o quase sempre as escolhidas para apresentar os notici\u00e1rios e ler as not\u00edcias nas r\u00e1dios, em geral acompanhadas por um homem.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados detalhados atuais sobre a porcentagem de homens e mulheres que exercem o jornalismo no Peru. Mas a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Calandria indica que a mudan\u00e7a \u00e9 dram\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o a 1997, quando foi feito um grande informe sobre g\u00eanero no mercado profissional das comunica\u00e7\u00f5es neste pa\u00eds. O estudo \u201cComunicadoras: competi\u00e7\u00e3o pela igualdade\u201d estabeleceu que h\u00e1 12 anos 31% dos peri\u00f3dicos eram femininos, enquanto na televis\u00e3o ca\u00eda para 26,8%. Calandria \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o de redes sociais que desde 1984 promove no Peru a igualdade de g\u00eanero na comunica\u00e7\u00e3o, como forma de impulsionar a lideran\u00e7a feminina e assim melhorar o gerenciamento.<\/p>\n<p>Rosa Maria Alfaro, autora do estudo, afirmou que a presen\u00e7a cada vez mais numerosa das mulheres nas reda\u00e7\u00f5es e nos cursos de comunica\u00e7\u00e3o existentes a cada ano nas 34 faculdades de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o do Peru se contradiz de forma chocante com a baixa presen\u00e7a de profissionais femininas nos cargos de produtoras, executivas, chefes de reda\u00e7\u00e3o, editoras ou diretoras. Tanto em 1997 quanto agora \u201cexiste uma descompensa\u00e7\u00e3o entre uma imagem p\u00fablica de participa\u00e7\u00e3o das mulheres na m\u00eddia e em seu lugar de protagonista real nos mesmos\u201d, disse \u00e0 IPS Rosa Maria, que agora coordena um novo estudo latino-americano sobre G\u00eanero e M\u00eddia, que est\u00e1 em sua fase inicial.<\/p>\n<p>Teto de vidro universal<\/p>\n<p>O Projeto Global de Observa\u00e7\u00e3o da M\u00eddia revelou no \u00faltimo de seus estudos quinquenais, de 2005, que 57% dos apresentadores de televis\u00e3o eram mulheres, mas apenas 29% das not\u00edcias eram redigidas por mulheres. Ao mesmo tempo, somente 23% das chamadas \u201cnot\u00edcias s\u00e9rias\u201d foram cobertas ou redigidas por mulheres, as quais podem ser encontradas com maior frequ\u00eancia no que \u00e9 definido como informa\u00e7\u00e3o \u201cleve, como assuntos sociais, fam\u00edlia, arte e vida\u201d. Nessa \u00e1rea, mais de 40% dos profissionais s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p>Em 2002, o informe da Associa\u00e7\u00e3o Canadense de Jornais afirmava que as mulheres ocupavam apenas 8% dos postos de redatora-chefe e 12% eram editoras. A Associa\u00e7\u00e3o de Jornalista do Leste da \u00c1frica assegurava em 2008 que menos de 20% dos cargos de edi\u00e7\u00e3o eram ocupados por profissionais femininas na regi\u00e3o. La\u00ednez integrou estes dados \u00e0 realidade da Am\u00e9rica Latina, onde, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas (FIP), 27,3% dos profissionais s\u00e3o mulheres. Dessa porcentagem, um n\u00famero \u00ednfimo conseguir\u00e1 atingir um posto de dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que falta para romper este sortil\u00e9gio que parece campear nas reda\u00e7\u00f5es? A essa preocupa\u00e7\u00e3o expressada no encontro peruana da Mulher Jornalista, a FIP respondeu que os sindicatos e as associa\u00e7\u00f5es devem impulsionar decididamente o aumento do n\u00famero de mulheres nos \u00f3rg\u00e3os de dire\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. No manual da FIP Instalara o Equil\u00edbrio se destaca a necessidade de abordar a rela\u00e7\u00e3o mulher-mulher dentro dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, e para isso \u00e9 preciso promover a solidariedade de g\u00eanero. O documento assegura que somente assim se poder\u00e1 construir uma lideran\u00e7a feminina dentro da m\u00eddia, que abra caminho e oportunidades para mulheres cada vez mais capacitadas.<\/p>\n<p>Lutar com os preconceitos<\/p>\n<p>Enith Fasanando, diretora de um programa de r\u00e1dio em Tarapoto, cidade da selva peruana, contou \u00e0 IPS uma situa\u00e7\u00e3o que muitas profissionais podem sentir de perto. \u2018Era dif\u00edcil estar nomeio de cinco homens e poder dirigi-los porque n\u00e3o deixavam. Por exemplo, estava apresentando o notici\u00e1rio com meu companheiro e ele fazia com que eu ficasse mal ou tentava minimizar minhas opini\u00f5es\u201d, disse. \u201c\u00c9 bastante doloroso algu\u00e9m de sua mesma profiss\u00e3o tente te discriminar e n\u00e3o te d\u00ea o valor que merece e que conquistou com seu esfor\u00e7o apenas por ser mulher\u201d, acrescentou. Fasanando teve de levar o problema ao propriet\u00e1rio da r\u00e1dio para solucion\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Zenaida Sol\u00edz, uma das jornalistas mais populares do pa\u00eds e que durante tr\u00eas d\u00e9cadas acompanhou cotidianamente os peruanos e as peruanas atrav\u00e9s da televis\u00e3o e do r\u00e1dio, contou \u00e0 IPS que teve de se rebelar para n\u00e3o ser enquadrada no papel de \u201cgarota bonita\u201d. Quando chegou \u00e0 televis\u00e3o, os homens estavam a cargo das not\u00edcias e das entrevistas mais importantes, mas, pouco a pouco, conseguiu introduzir coment\u00e1rios e opini\u00f5es, at\u00e9 que criou um estilo ao qual se manteve fiel \u201csem hipotecar minha consci\u00eancia\u201d, amparada em uma voz muito pessoal e grande recorda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sol\u00eds, finalmente, conseguiu apresentar por 15 anos um programa di\u00e1rio de r\u00e1dio, do qual afastou-se apenas curtos per\u00edodos para criar seus filhos, j\u00e1 que suas jornadas de trabalho habituais eram extremamente longas. Por seu programa passaram pol\u00edticos, empres\u00e1rios e l\u00edderes de opini\u00e3o de cada momento, que deviam enfrentar um microfone aberto aos ouvintes. \u201cTive problemas com os donos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o onde trabalhei\u201d, disse Sol\u00eds, convencida de que n\u00e3o h\u00e1 outra forma de encarar a profiss\u00e3o. Os empres\u00e1rios tentavam evit\u00e1-la mais do que os pol\u00edticos. \u201cMas nenhum conseguiu uma entrevista am\u00e1vel\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Sol\u00eds disse que \u00e9, no fim, o grande poder econ\u00f4mico que decide a continuidade ou n\u00e3o de um projeto jornal\u00edstico e de sua equipe. Os propriet\u00e1rios tradicionais sempre pretendem manter com os jornalistas uma rela\u00e7\u00e3o funcional de acordo com seus interesses, \u201ce \u00e0s vezes n\u00e3o conseguem, sobretudo com os mais jovens\u201d, assegurou. \u201cPor isso, se age com honestidade e ainda por cima \u00e9 mulher, chega o momento em que tem de ir embora\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Trabalho igual, sal\u00e1rio desigual<\/p>\n<p>Existem condi\u00e7\u00f5es eq\u00fcitativas para as mulheres no exerc\u00edcio do jornalismo? Fasanando n\u00e3o duvidou em responder: \u201cN\u00e3o. O fazemos por amor \u00e0 camisa, \u00e0 profiss\u00e3o, mas as barreiras s\u00e3o de todo tipo, a primeira e principal e o sal\u00e1rio. Meu colega, que tinha as mesmas responsabilidades, ganhava o triplo; e era eu que assumia toda a responsabilidade diante da audi\u00eancia\u201d, contou. Por sua vez Sol\u00edz lembrou uma anedota do propriet\u00e1rio de um meio de comunica\u00e7\u00e3o impresso. Ele pagava mais aos homens porque, afirmava, \u201cestes s\u00e3o os que param a onda (levam a comida)\u201d e n\u00e3o contratava muitas mulheres porque \u201cs\u00f3 trabalham bem at\u00e9 se apaixonarem\u201d.<\/p>\n<p>Diante de responsabilidade igual, as mulheres continuam ganhando menos que os homens. Ao mesmo tempo, s\u00e3o mais vulner\u00e1veis em termos de seguran\u00e7a trabalhista, promo\u00e7\u00f5es e status legal, afrimou-se no encontro da Mulher Jornalista. Um aparente o\u00e1sis de igualdade de g\u00eanero ocorre nas associa\u00e7\u00f5es de defesa dos trabalhadores. \u201cNos sindicatos h\u00e1 duas mulheres dirigentes e o restante \u00e9 de homens, mas trabalhamos lado a lado, promovemos os mesmos objetivos e vamos adiante com nossas reivindica\u00e7\u00f5es\u201d, disse Fasanando.<\/p>\n<p>V\u00edtima mant\u00e9m estere\u00f3tipos<\/p>\n<p>No encontro de Lima tamb\u00e9m foi abordado o problema da \u201cv\u00edtima-vitim\u00e1ria\u201d, como \u00e9 o caso de mulheres que sofrem nas reda\u00e7\u00f5es com preconceitos e estere\u00f3tipos sexistas e tendem a repeti-los em seu trabalho de comunicadoras. \u201ca mulher, v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o em sua vida e na profiss\u00e3o, aprofunda, repete e imp\u00f5e percep\u00e7\u00f5es machistas da mulher, sua coisifica\u00e7\u00e3o e objeto, nas reda\u00e7\u00f5es\u201d, diz Calandria em um estudo de 1997, que para as jornalistas costuma inscrever-se em muitos casos atualmente \u201ccom ponto e virgula\u201d. \u00c9 como se parte das comunicadoras aceitasse \u201cseguir em seu papel de lavar os pratos, mas agora em p\u00fablico\u201d, disse uma participante do encontro.<\/p>\n<p>Destacou-se como os meios qualificados de femininos que s\u00e3o as em maior dirigidas por mulheres s\u00e3o, precisamente, onde mais persiste o retrato da mulher como objeto, que replica as vis\u00f5es mais anacr\u00f4nicas e machistas de seu papel: \u201ca sofisticada gatinha sexy, a m\u00e3e modelo, a bruxa, a inflex\u00edvel ambiciosa na empresa ou na pol\u00edtica\u201d. O fenomeno dos estere\u00f3tipos foi denunciado na Declara\u00e7\u00e3o adotada pela Quarta Confer\u00eancia Mundial sobre a Mulher, das Na\u00e7\u00f5es Unidas, realizada em Pequim em 1995, que fez um chamado aos propriet\u00e1rios de meios de comunica\u00e7\u00e3o e aos profissionais para que desenvolvessem e adotassem c\u00f3digos ou pautas para promover uma melhor e mais correta apresenta\u00e7\u00e3o das mulheres na m\u00eddia. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima, 01\/04\/2009 &ndash; Quando come\u00e7aram neste m\u00eas os cursos nas universidades do Peru, as mulheres ocuparam entre 65% e 72% as salas dos primeiros anos das faculdades de Comunica\u00e7\u00e3o, um fen\u00f4meno da feminiza\u00e7\u00e3o do jornalismo vis\u00edvel nas reda\u00e7\u00f5es de todo o pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/america-latina\/jornalismo-peru-as-mulheres-dominam-mas-nao-mandam\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":575,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[20,21,24],"class_list":["post-4928","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-educacion","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/575"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4928"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4928\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}