{"id":4964,"date":"2009-04-14T17:51:55","date_gmt":"2009-04-14T17:51:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4964"},"modified":"2009-04-14T17:51:55","modified_gmt":"2009-04-14T17:51:55","slug":"economia-uma-pausa-para-o-cafe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/mundo\/economia-uma-pausa-para-o-cafe\/","title":{"rendered":"ECONOM\u00cdA: Uma pausa para o caf\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 14\/04\/2009 &ndash; O outrora presidente costarriquenho Rodrigo Carazo (1978-1982) argumentava que, em caso de recess\u00e3o mundial, economias como a de seu pa\u00eds, apoiadas em exporta\u00e7\u00f5es que classificava como \u201csobremesas\u201d (banana e caf\u00e9), sofreriam os maiores embates, pois esses produtos s\u00e3o os primeiros a serem deixados de consumir pela popula\u00e7\u00e3o quando esta est\u00e1 com pouco dinheiro  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4964\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/caficultores_guatemaltecos_Anacafe.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4964\" class=\"size-medium wp-image-4964\" title=\"Caficultores guatemaltecos. - Gentileza Anacaf\u00e9\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/caficultores_guatemaltecos_Anacafe.jpg\" alt=\"Caficultores guatemaltecos. - Gentileza Anacaf\u00e9\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4964\" class=\"wp-caption-text\">Caficultores guatemaltecos. - Gentileza Anacaf\u00e9<\/p><\/div>  A crise econ\u00f4mica chegou e com uma intensidade que talvez o pr\u00f3prio Carazo n\u00e3o suspeitasse. Por\u00e9m, o caf\u00e9 mostra um desempenho singular e se mant\u00e9m como um dos produtos b\u00e1sicos menos afetados nos mercados internacionais.<\/p>\n<p>Este setor enfrenta a conjuntura baseado em alguns fundamentos favor\u00e1veis, disse \u00e0 IPS o diretor-executivo da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Caf\u00e9 (OIC), o colombiano Nestor Osorio. O consumo mundial tem sido muito din\u00e2mico nos \u00faltimos anos, com crescimento anual m\u00e9dio entre 2% e 2,5%, equivalente a cerca de dois milh\u00f5es de sacas extras a cada ano. Inclusive, tamb\u00e9m aumenta o consumo nos pa\u00edses produtores, uma tend\u00eancia estimulada desde a OIC, entidade intergovernamental com sede em Londres que re\u00fane Estados produtores e consumidores.<\/p>\n<p>A primeira an\u00e1lise feita pela OIC sobre o efeito da crise no setor conclui que o consumo de caf\u00e9 n\u00e3o dever\u00e1 sofrer muito, revelou Osorio. Talvez, seja um pouco sentida na \u00e1rea dos caf\u00e9s especiais, comercializados atrav\u00e9s de pontos luxuosos de grandes cidades, afirmou. Esses locais seletos estiveram supervalorizados durante muito tempo, mas aparentemente algumas dessas empresas est\u00e3o refletindo sobre suas pol\u00edticas anteriores, acrescentou. Do que Osorio n\u00e3o compartilha \u00e9 a tipifica\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica do caf\u00e9 como \u201csobremesa\u201d. A x\u00edcara de caf\u00e9 \u00e9 um consumo alimentar arraigado nas fam\u00edlias, afirma.<\/p>\n<p>A mesma vis\u00e3o tem Christian Meeus, chefe de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Efico, uma companhia internacional que comercializa caf\u00e9 de todas as proced\u00eancias desde seus escrit\u00f3rios e armaz\u00e9ns no porto belga de Antu\u00e9rpia. \u201cN\u00e3o vou dizer que o ex-presidente costarriquenho estava equivocado, mas entendo que, para mim, por sorte, o caf\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma sobremesa, disse Meeus \u00e0 IPS. \u201cFaz parte da alimenta\u00e7\u00e3o di\u00e1ria das pessoas. E \u00e9 por essa raz\u00e3o que o consumo dos produtos b\u00e1sicos alimentares, entre os quais incluo o caf\u00e9, n\u00e3o est\u00e3o sento t\u00e3o afetados pela atual crise\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A particularidade do comportamento do caf\u00e9 nos mercados internacionais come\u00e7ou a ser notada nos primeiros anos desta d\u00e9cada, quando os produtos b\u00e1sicos, tanto da agricultura quanto os derivados da atividade extrativista, tiveram valoriza\u00e7\u00e3o at\u00e9 pre\u00e7os in\u00e9ditos em mais de 40 anos. J\u00e1 o caf\u00e9, nesse mesmo per\u00edodo, ap\u00f3s uma fase de auge entre 1994 e 2000, caiu em uma deprecia\u00e7\u00e3o profunda que desanimou os produtores e os novos investimentos. Assim, diminuiu a oferta dos pa\u00edses africanos em cerca de 20%, principalmente na Costa do Marfim, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Uganda e Angola.<\/p>\n<p>Por essa \u00e9poca surgiu o Vietn\u00e3, um novo protagonista do mercado que substituiu parcialmente os africanos. Por\u00e9m, este pa\u00eds, que deslocou a Col\u00f4mbia como segundo produtor mundial, atr\u00e1s do Brasil, sofre problemas de falta de capacidade para processar todo o gr\u00e3o que colhe. Fez enormes esfor\u00e7os para superar esse d\u00e9ficit, mas ainda continuam sem resolv\u00ea-lo, disse Osorio. A situa\u00e7\u00e3o do setor foi critica com uma intensidade sem precedentes entre 2000 e 2005, quando o n\u00edvel dos pre\u00e7os internacionais apenas chegava \u00e0 metade dos custos de produ\u00e7\u00e3o, disse o diretor da OIC. O fen\u00f4meno repercutiu igualmente na Am\u00e9rica Central e no M\u00e9xico, onde cerca de 400 mil trabalhadores do caf\u00e9 abandonaram as \u00e1reas de cultivo para emigrar aos Estados Unidos ou a zonas urbanas de seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia se inverteu a partir de 2004 com a recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do caf\u00e9 que continuou at\u00e9 quase o final de 2008, quando o resto dos produtos b\u00e1sicos j\u00e1 estavam em queda acentuada devido \u00e0 crise financeira que surgiu nos Estados Unidos em agosto de 2007 e depois se espalhou pelo mundo. O efeito da recess\u00e3o foi sentido no caf\u00e9 a partir de setembro do ano passado. Desde entoa, o pre\u00e7o caiu em cerca de 20%. Mas, Meeus estima que \u00e9 muito estranho o que ocorre com o caf\u00e9 porque \u201catualmente temos uma demanda em aumento\u201d e resulta que nosso produto \u201cn\u00e3o est\u00e1 diretamente influenciado pela crise\u201d.<\/p>\n<p>A \u00fanica dificuldade que vejo nas opera\u00e7\u00f5es do setor \u00e9 a escassa disponibilidade de cr\u00e9ditos para as diferentes atividades. Isso pode afetar um pouco o caf\u00e9, disse Meeus. Por outro lado, os pre\u00e7os internacionais s\u00e3o relativamente bons, acrescentou. A libra (454 gramas) de caf\u00e9 \u00e9 cotada atualmente entre US$ 1,15 e US$ 1,20. O valor de US$ 1,20 por libra \u00e9 favor\u00e1vel a novos investimentos ou planta\u00e7\u00f5es, disse Osorio. Por\u00e9m, n\u00edveis de pre\u00e7os entre US$ 1,50 e US$ 1,70 a libra podem ser absorvidos pelo mercado sem problemas para o consumo, acrescentou.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s perspectivas do abastecimento do mercado, Osorio aceitou que com uma demanda muito din\u00e2mica, como a atual, este ano pode apresentar um d\u00e9ficit de produ\u00e7\u00e3o devido ao ciclo bianual do Brasil, que em 2009 corresponde a uma queda da colheita brasileira. A contribui\u00e7\u00e3o do Brasil varia entre 15% e 20% ao ano por causa do ciclo de \u201cestresse\u201d das \u00e1rvores. Isso \u00e9 normal no primeiro produtor mundial, \u00e9 o que o Pa\u00eds chama de \u201cuma queda\u201d, disse o diretor da OIC. A produ\u00e7\u00e3o anual mundial \u00e9 atualmente de 130 a 135 milh\u00f5es de sacas. O problema reside no consumo, que aumentou cerca de 25 milh\u00f5es de sacas nos \u00faltimos anos, e fica em torno dos 130 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O quadro se complica porque as reservas dos produtores praticamente desapareceram. H\u00e1 cerca de 30 anos o Brasil dispunha de estoques equivalentes a 75% do consumo do mundo em um ano. Hoje n\u00e3o existem reservas no Pa\u00eds. E o mesmo ocorre em todos os demais produtores. A \u00fanica alternativa s\u00e3o as reservas em poder dos importadores, que ficam nos portos livres ou nos armaz\u00e9ns dos torrefadores. Mas esse volume \u00e9 de apenas 20 milh\u00f5es de sacas, disse Osorio. O chefe da OIC estima que o valor das exporta\u00e7\u00f5es embarcadas pelos pa\u00edses produtores chega atualmente a US$ 15 bilh\u00f5es ao ano. J\u00e1 o valor que esse produto obt\u00e9m no mercado final aumenta at\u00e9 chegar em torno de US$ 90 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Parece um roubo comprar um produto bem barato e que no final chega \u00e0 x\u00edcara custando caro, disse Meeus a uma pergunta da IPS. Mas o que n\u00e3o se explica \u00e9 que o caf\u00e9 vendido na x\u00edcara n\u00e3o \u00e9 apenas processado. Seria muito simples explicar dessa forma a situa\u00e7\u00e3o, afirmou. \u00c9 preciso agregar custos de importa\u00e7\u00e3o, financiamento, transporte mar\u00edtimo, seguro, armazenagem, torrefa\u00e7\u00e3o, empacotamento, etc. Al\u00e9m disso, na Europa, por exemplo, os custos trabalhistas s\u00e3o muito altos. A isso se somam comercializa\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, todos fatores que resultam em um pre\u00e7o muito alto, explicou Meeus.<\/p>\n<p>Outro desafio no setor do caf\u00e9 \u00e9 a quest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o das terras agr\u00edcolas que podem ser destinadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos ou de bioenergia, recordou Osorio. As \u00e1reas cultiv\u00e1veis e a \u00e1gua dispon\u00edvel s\u00e3o alvo de disputa entre os que as querem para obter alimentos ou para extrair energia. As diferen\u00e7as diminu\u00edram um pouco com a redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, mas a quest\u00e3o continua latente, acrescentou. Este \u00e9 um assunto de sustentabilidade que vale tanto para o cacau quanto para o caf\u00e9 como para as terras dedicadas a esse cultivos, disse.<\/p>\n<p>Em \u00e1reas de pa\u00edses como a Col\u00f4mbia ou centro-americanos, onde o caf\u00e9 \u00e9 cultivado nas montanhas, existe uma esp\u00e9cie de prote\u00e7\u00e3o. Mas, em regi\u00f5es do Brasil ou da \u00c1frica a possibilidade de o caf\u00e9 ser menos lucrativo do que a produ\u00e7\u00e3o de alimentos ou de energia \u00e9 uma amea\u00e7a certa para o setor, disse Osorio. Esta quest\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola das terras atualmente ocupada por cafezais ser\u00e1 debatida na II Confer\u00eancia Mundial do Caf\u00e9, que a OIC realizar\u00e1 em fevereiro de 2010 na Guatemala.<\/p>\n<p>O exame da situa\u00e7\u00e3o no mercado mundial do caf\u00e9, promovido pela Conferenciadas Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad), aconteceu na segunda semana deste m\u00eas na sede dessa institui\u00e7\u00e3o na cidade su\u00ed\u00e7a de Genebra. Seu secret\u00e1rio-geral, Supachai Panitchpakdi, disse que o caf\u00e9 proporciona renda para as economias de subsist\u00eancia, fornece emprego rural a homens e mulheres e \u00e9 um instrumento de redu\u00e7\u00e3o da pobreza. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 14\/04\/2009 &ndash; O outrora presidente costarriquenho Rodrigo Carazo (1978-1982) argumentava que, em caso de recess\u00e3o mundial, economias como a de seu pa\u00eds, apoiadas em exporta\u00e7\u00f5es que classificava como \u201csobremesas\u201d (banana e caf\u00e9), sofreriam os maiores embates, pois esses produtos s\u00e3o os primeiros a serem deixados de consumir pela popula\u00e7\u00e3o quando esta est\u00e1 com pouco dinheiro <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/mundo\/economia-uma-pausa-para-o-cafe\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-4964","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4964\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}