{"id":497,"date":"2005-04-13T00:00:00","date_gmt":"2005-04-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=497"},"modified":"2005-04-13T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-13T00:00:00","slug":"mundo-ndia-e-china-fazem-a-paz-depois-de-dcadas-de-conflitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/mundo-ndia-e-china-fazem-a-paz-depois-de-dcadas-de-conflitos\/","title":{"rendered":"Mundo: &Iacute;ndia e China fazem a paz depois de d&eacute;cadas de conflitos"},"content":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 13\/04\/2005 &ndash; &Iacute;ndia e China enterraram quatro d&eacute;cadas de disputas por sua fronteira comum do Himalaia ao assinarem uma s&eacute;rie de acordos que promovem uma associa&ccedil;&atilde;o baseada na paz e na prosperidade. O primeiro-ministro chin&ecirc;s Wen Jiabao, em visita &aacute; &Iacute;ndia, e seu colega indiano, Manmohan Singh, assinaram na segunda-feira uma hist&oacute;rica declara&ccedil;&atilde;o conjunta e foram testemunhas da assinatura por outros funcion&aacute;rios de 12 pactos, dos quais um promove &quot;acordos significativos e mutuamente aceit&aacute;veis&quot; em pontos disputados ao longo da fronteira comum de tr&ecirc;s mil quil&ocirc;metros. A disputa fronteiri&ccedil;a gerou uma s&eacute;rie de hostilidades e em 1962 levou a uma guerra os dois pa&iacute;ses mais populosos do mundo. A China tem 1,3 bilh&atilde;o de habitantes e a &Iacute;ndia 1,1 bilh&atilde;o. Agora &quot;construiremos uma ponte de amizade entre nossos dois pa&iacute;ses, uma ponte que nos levar&aacute; ao futuro&quot;, anunciou Wen antes da cerim&ocirc;nia de assinatura dos documentos.<br \/> <!--more--> <br \/> Os dois mandat&aacute;rios tamb&eacute;m prometeram promover o interc&acirc;mbio cultural e aumentar o n&uacute;mero de v&ocirc;os diretos entre seus pa&iacute;ses. De acordo com o novo &acirc;nimo dominante, Wen anunciou nas conversa&ccedil;&otilde;es com Singh que Pequim desistiria de sua posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; expans&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e apoiaria a candidatura da &Iacute;ndia como membro permanente desse &oacute;rg&atilde;o executivo da ONU. A China, membro permanente do conselho com poder de veto, havia anunciado na semana passada que rejeitaria qualquer mo&ccedil;&atilde;o no sentido de ampliar esse organismo dos atuais 15 integrantes para 24, como prop&ocirc;s no m&ecirc;s passado o secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan, para aumentar a representatividade.<\/p>\n<p> As rela&ccedil;&otilde;es entre os dois gigantes da &Aacute;sia ficaram congeladas depois da breve, mas sangrenta, guerra de 1962. Desde ent&atilde;o, nenhuma das partes esteve disposta a ceder em suas respectivas posi&ccedil;&otilde;es. Por esse motivo, a declara&ccedil;&atilde;o conjunta de segunda-feira foi um marco. As duas partes manifestaram seu convencimento de que &quot;um acordo r&aacute;pido na quest&atilde;o fronteiri&ccedil;a promover&aacute; os interesses b&aacute;sicos dos dois pa&iacute;ses e, portanto, deveria ser perseguido como objetivo estrat&eacute;gico&quot;. Prev&ecirc;-se que os acordos de segunda-feira por&atilde;o fim a anos de suspeitas e hostilidades que reduziram o com&eacute;rcio bilateral a menos de US$ 3 milh&otilde;es. Agora, os especialistas calculam que o interc&acirc;mbio aumentar&aacute;, no m&iacute;nimo, para US$ 30 bilh&otilde;es, j&aacute; que as duas na&ccedil;&otilde;es se perfilam como futuras pot&ecirc;ncias.<\/p>\n<p> Wen exortou os dois pa&iacute;ses a &quot;n&atilde;o permitirem que quest&otilde;es hist&oacute;ricas sejam obst&aacute;culos no desenvolvimento das rela&ccedil;&otilde;es bilaterais&quot;. Para a &Iacute;ndia, isso significaria deixar de apoiar a luta pela independ&ecirc;ncia do Tibet, que come&ccedil;ou em 1959 quando o Dali Lama e milhares de seguidores fugiram atrav&eacute;s do Himalaia para formar um governo no ex&iacute;lio no norte da &Iacute;ndia. Em 1951, o Ex&eacute;rcito Popular da China invadiu o Tibet, cunha do budismo lama&iacute;sta. Pequim reprimiu, ent&atilde;o, o sistema religioso e a cultura tradicionais, tamb&eacute;m aboliu o sistema feudal de explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e criou as primeiras comunas. Em 1959, a seita tibetana Chap&eacute;u Amarelo iniciou uma falida subleva&ccedil;&atilde;o, e nesse mesmo ano o Dalai Lama e seus seguidores fugiram para a &Iacute;ndia.<\/p>\n<p> Desde a cidade indiana de Dharmsala, o l&iacute;der espiritual travou sua luta pela independ&ecirc;ncia do Tibet, atualmente uma regi&atilde;o aut&ocirc;noma da China, e pela restaura&ccedil;&atilde;o de suas tradi&ccedil;&otilde;es. Para isso, prop&ocirc;s a realiza&ccedil;&atilde;o de um plebiscito sobre a autodetermina&ccedil;&atilde;o, iniciativa rejeitada por Pequim. Mas, no &uacute;ltimo dia 10 de mar&ccedil;o, no 46&ordm; anivers&aacute;rio da falida revolta tibetana contra a ocupa&ccedil;&atilde;o chinesa, o Dalai Lama anunciou que ele e seus seguidores estavam dispostos a &quot;permanecerem dentro da Rep&uacute;blica Popular da China&quot; e renunciar &agrave; independ&ecirc;ncia do Tibet. Em troca, a China aceitou formalmente a soberania indiana sobre o antigo reino budista de Sikkim, e se prev&ecirc; que tamb&eacute;m aceitar&aacute; o controle de Nova D&eacute;lhi sobre 35 mil quil&ocirc;metros quadrados de territ&oacute;rio himalaio, atualmente incorporados ao Estado indiano de Arunachal Pradesh.<\/p>\n<p> Alguns analistas acreditam que a nova disposi&ccedil;&atilde;o de Pequim em retomar as rela&ccedil;&otilde;es com a &Iacute;ndia se deve &agrave; aproxima&ccedil;&atilde;o entre &Iacute;ndia e os Estados Unidos, especialmente no plano militar. O embaixador chin&ecirc;s na &Iacute;ndia, Sun Yuxi, chegou a advertir que &quot;as rela&ccedil;&otilde;es indo-norte-americanas n&atilde;o deveriam se voltar contra um terceiro pa&iacute;s&quot;. Mas, o que finalmente poderia consolidar as renovadas rela&ccedil;&otilde;es entre duas das mais antigas civiliza&ccedil;&otilde;es do mundo &eacute; que ambas se convertem em protagonistas mundiais no plano da tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o, e t&ecirc;m amplas oportunidades de complementa&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua nessa lucrativa ind&uacute;stria. A China se destaca na fabrica&ccedil;&atilde;o de equipamentos de inform&aacute;tica, e a &Iacute;ndia no de projetos de programas de computadores. Juntas, poderiam reduzir drasticamente os pre&ccedil;os internacionais desses produtos e, dessa maneira, diminuir a &quot;brecha virtual&quot; entre ricos e pobres. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 13\/04\/2005 &ndash; &Iacute;ndia e China enterraram quatro d&eacute;cadas de disputas por sua fronteira comum do Himalaia ao assinarem uma s&eacute;rie de acordos que promovem uma associa&ccedil;&atilde;o baseada na paz e na prosperidade. O primeiro-ministro chin&ecirc;s Wen Jiabao, em visita &aacute; &Iacute;ndia, e seu colega indiano, Manmohan Singh, assinaram na segunda-feira uma hist&oacute;rica declara&ccedil;&atilde;o conjunta e foram testemunhas da assinatura por outros funcion&aacute;rios de 12 pactos, dos quais um promove &quot;acordos significativos e mutuamente aceit&aacute;veis&quot; em pontos disputados ao longo da fronteira comum de tr&ecirc;s mil quil&ocirc;metros. A disputa fronteiri&ccedil;a gerou uma s&eacute;rie de hostilidades e em 1962 levou a uma guerra os dois pa&iacute;ses mais populosos do mundo. A China tem 1,3 bilh&atilde;o de habitantes e a &Iacute;ndia 1,1 bilh&atilde;o. Agora &quot;construiremos uma ponte de amizade entre nossos dois pa&iacute;ses, uma ponte que nos levar&aacute; ao futuro&quot;, anunciou Wen antes da cerim&ocirc;nia de assinatura dos documentos.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/mundo-ndia-e-china-fazem-a-paz-depois-de-dcadas-de-conflitos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":178,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/178"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=497"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}