{"id":4983,"date":"2009-04-17T17:10:06","date_gmt":"2009-04-17T17:10:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4983"},"modified":"2009-04-17T17:10:06","modified_gmt":"2009-04-17T17:10:06","slug":"ambiente-africa-do-sul-as-aparencias-biodegradaveis-enganam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/africa\/ambiente-africa-do-sul-as-aparencias-biodegradaveis-enganam\/","title":{"rendered":"AMBIENTE-\u00c1FRICA DO SUL: As apar\u00eancias biodegrad\u00e1veis enganam"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, 17\/04\/2009 &ndash; Os sul-africanos que compram produtos com embalagem de pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel costumam ser enganados por empresas que, na verdade, buscam se beneficiar economicamente da consci\u00eancia ambiental. <!--more--> Embora os pl\u00e1sticos se desintegrem em pequenos fragmentos, continuam sendo t\u00f3xicos e potencialmente perigosos para a sa\u00fade humana. Em uma tentativa de reduzir a contamina\u00e7\u00e3o e a quantidade de dejetos que v\u00e3o parar nos lix\u00f5es, na \u00c1frica do Sul come\u00e7ou a ser usada uma nova forma de pl\u00e1stico que se degrada rapidamente, conhecida como oxo-biodegrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mas, a falta de regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais permite que o r\u00f3tulo engane, e os consumidores n\u00e3o necessariamente obtenham o que lhes \u00e9 prometido. A \u00c1frica do Sul n\u00e3o tem um sistema de certifica\u00e7\u00e3o em pr\u00e1ticas que diferenciem entre pl\u00e1sticos degrad\u00e1veis e biodegrad\u00e1veis. Como outros pl\u00e1sticos, o oxo-biodegrad\u00e1vel \u00e9 fabricado a partir do petr\u00f3leo, com um aditivo qu\u00edmico que desintegra o produto em diminutos fragmentos. Assim, estes pl\u00e1sticos n\u00e3o ocupam lugar nos lix\u00f5es, mas produzem dejetos t\u00f3xicos que contaminam o meio ambiente e prejudicam a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>O governo \u201cse apressou muito em permitir \u00e0s empresas divulgar produtos sem nenhum tipo de controle\u201d, lamentou Muna Lakhani, coordenador nacional do Instituto de Zero Dejeto, com sede em Durban. \u201cA quantidade de novos produtos qu\u00edmicos postos \u00e0 venda a cada ano, com zero de requisitos de avalia\u00e7\u00e3o de impacto ambiental, social e sanit\u00e1rio, \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou. Na \u00c1frica do Sul n\u00e3o existe um contexto regulat\u00f3rio que obrigue as empresas realizarem avalia\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias independentes, por exemplo. \u201cA legisla\u00e7\u00e3o tende a intervir apenas quando h\u00e1 dano, por isso n\u00e3o se aplica o princ\u00edpio precaut\u00f3rio\u201d, disse Lakhani.<\/p>\n<p>No ano passado, a fabricante brit\u00e2nica Symphony Environmental Technologies obteve um acordo para fornecer embalagens pl\u00e1sticas \u00e0s Padarias Albany, subsidiaria do gigante sul-africano dos alimentos Tiger Brands. A empresa brit\u00e2nica disse que sua embalagem cont\u00e9m um composto qu\u00edmico que faz o pl\u00e1stico se degradar em menos de seis meses, sem deixar nenhum fragmento ou res\u00edduo prejudicial. Por\u00e9m, especialistas ambientais dizem que isto n\u00e3o \u00e9 suficiente para que o produto seja considerado biodegrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cPara ser ben\u00e9fico ao meio ambiente, um pol\u00edmero (pl\u00e1stico) deve desaparecer completamente. Em termos de biodegrada\u00e7\u00e3o, isto significa uma convers\u00e3o natural a di\u00f3xido de carbono e \u00e1gua\u201d, explicou Bruno de Wilde, gerente de laborat\u00f3rio na Organic Waste Systems (OWS), firma consultora belga que analisa e certifica a qualidade de biodegrad\u00e1vel dos produtos e suas embalagens.<\/p>\n<p>Sem certifica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Outro problema com os pl\u00e1sticos oxo-biodegrad\u00e1veis \u00e9 que s\u00f3 podem ser reciclados de modo seguro se forem capturados na corrente de reciclagem com poucos dias de uso. \u201cNa coleta de lixo n\u00e3o se sabem qual a idade dos pl\u00e1sticos, por isso \u00e9 prov\u00e1vel que no processo de classifica\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica os oxo-biodegrad\u00e1veis possam terminar ma fabrica\u00e7\u00e3o de outros produtos e continuar se degradando\u201d, disse David Hughes, diretor-executivo da Federa\u00e7\u00e3o do Pl\u00e1stico da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Hughes convenceu pesos pesados da ind\u00fastria, como Coca-Cola e Woolworths, a evitarem o pl\u00e1stico oxo-biodegrad\u00e1vel. \u201cAs empresas de reciclagem n\u00e3o querem produtos feitos como esse material. Isto alterar\u00e1 a ind\u00fastria da reciclagem, que cria postos de trabalho na \u00c1frica do Sul\u201d, acrescentou. Padarias Albany n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica empresa do pa\u00eds que tenta apelar aos consumidores com consci\u00eancia ambiental vendendo suas embalagens como biodegrad\u00e1veis. Astrapak, um dos maiores produtores de envolt\u00f3rios de pl\u00e1stico da \u00c1frica do Sul, f\u00e1brica sacos de lixo biodegrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mas especialistas em meio ambiente como De Wilde alertam que os min\u00fasculos fragmentos de pl\u00e1stico em que o saco se desfaz podem entrar na cadeia alimentar e representar risco para a sa\u00fade. A maioria dos pl\u00e1sticos cont\u00e9m produtos qu\u00edmicos prejudiciais, como \u00f3xidos de sulfuro e de etileno, que podem causar problemas respirat\u00f3rios e reprodutivos. At\u00e9 agora, os pl\u00e1sticos oxo-biodegrad\u00e1veis cumpriram todos os padr\u00f5es internacionalmente aceitos para embalagens biodegrad\u00e1veis e \u201ccompost\u00e1veis\u201d \u2013 isto \u00e9 que se converte em composto, ou abono org\u00e2nico \u2013 se desintegrando completamente nos lix\u00f5es comunit\u00e1rios ou industriais.<\/p>\n<p>Para ser certificado como biodegrad\u00e1vel, um produto deve ser plenamente analisado e aprovado por organismos internacionalmente reconhecidos, como a Organiza\u00e7\u00e3o para a Padroniza\u00e7\u00e3o. Como na \u00c1frica do Sul n\u00e3o h\u00e1 um sistema de certifica\u00e7\u00e3o, as empresas podem livremente promover suas embalagens como biodegrad\u00e1veis sem precisar provar que realmente o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Poderosos grupos de press\u00e3o<\/p>\n<p>\u201cNa \u00c1frica do Sul, o lobby da ind\u00fastria \u00e9 poderoso, o nosso governo aceita cegamente qualquer coisa que, por exemplo, \u00e9 aprovado pela Administra\u00e7\u00e3o de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos\u201d, disse Lakhani. Tamb\u00e9m exigiu dos ambientalistas que pressionaram o Departamento de Assuntos Ambientais e de Turismo, bem como o de Sa\u00fade, para garantir que as regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais nacionais se ajustem aos padr\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>\u201cGostaria que fosse criado um \u00f3rg\u00e3o para erradicar produtos e processos insustent\u00e1veis e inseguros, inclu\u00eddos muitos pl\u00e1sticos, e que se encarregasse de substitu\u00ed-los por alternativas seguras, locais, renov\u00e1veis e que criassem postos de trabalho\u201d, acrescentou Lakhani. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, 17\/04\/2009 &ndash; Os sul-africanos que compram produtos com embalagem de pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel costumam ser enganados por empresas que, na verdade, buscam se beneficiar economicamente da consci\u00eancia ambiental. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/africa\/ambiente-africa-do-sul-as-aparencias-biodegradaveis-enganam\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":845,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8],"tags":[],"class_list":["post-4983","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/845"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4983\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}