{"id":4999,"date":"2009-04-22T16:50:27","date_gmt":"2009-04-22T16:50:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4999"},"modified":"2009-04-22T16:50:27","modified_gmt":"2009-04-22T16:50:27","slug":"ue-energia-africa-pagara-demanda-artificial-de-biocombustiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/africa\/ue-energia-africa-pagara-demanda-artificial-de-biocombustiveis\/","title":{"rendered":"UE-ENERG\u00cdA: \u00c1frica pagar\u00e1 demanda artificial de biocombust\u00edveis"},"content":{"rendered":"<p>Paris, 22\/04\/2009 &ndash; A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia imp\u00f4s o uso de combust\u00edveis de origem vegetal, apesar de ativistas e especialistas questionarem seus benef\u00edcios, como minimizar a escassez de petr\u00f3leo e proteger o meio ambiente.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4999\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/campesinachina_UNDPI.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4999\" class=\"size-medium wp-image-4999\" title=\" - UN DPI Photo\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/campesinachina_UNDPI.jpg\" alt=\" - UN DPI Photo\" width=\"200\" height=\"129\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4999\" class=\"wp-caption-text\"> - UN DPI Photo<\/p><\/div>  Os biocombust\u00edveis foram considerados no in\u00edcio desta d\u00e9cada a panac\u00e9ia em mat\u00e9ria energ\u00e9tica porque n\u00e3o prejudicam o meio ambiente e permitem reduzir a depend\u00eancia do petr\u00f3leo. Mas, quando se considera o ciclo completo de produ\u00e7\u00e3o e consumo a quantidade de energia necess\u00e1ria para transformar a biomassa em combust\u00edveis \u201cverdes\u201d l\u00edquidos ou gasosos, equipara a economia de energia f\u00f3ssil que o uso de agrocombust\u00edveis representaria.<\/p>\n<p>Primeiro se deve fertilizar o solo. Depois, o milho e a soja norte-americanos, a beterraba a\u00e7ucareira francesa, a cana-de-a\u00e7\u00facar brasileira ou o amendoim de Benin devem ser submetidos a um processo industrial que consome muita \u00e1gua. Finalmente, \u00e9 preciso transportar o produto elaborado, geralmente em caminh\u00f5es, esses processos podem aumentar de forma dr\u00e1stica as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e s\u00e3o preocupantes pelo novo impulso que tomou o desmatamento em muitas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento. Mas, essa n\u00e3o \u00e9 a raz\u00e3o pela qual a coaliz\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es francesas se op\u00f5e aos combust\u00edveis de origem vegetal.<\/p>\n<p>Os cap\u00edtulos nacionais das organiza\u00e7\u00f5es Amigos da Terra, Oxfam, Comit\u00ea Cat\u00f3lico Contra a Fome e Pelo Desenvolvimento (CCHD), entre outras organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, uniram-se sob o lema \u201cOs biocombust\u00edveis n\u00e3o alimentar\u00e3o o planeta\u201d. A Amigos da Terra \u00e9 uma rede de organiza\u00e7\u00f5es de todo o mundo que trabalham por um desenvolvimento sustent\u00e1vel. A Oxfam Francesa \u00e9 parte de um movimento global a favor de um mundo mais eq\u00fcitativo em mat\u00e9ria de com\u00e9rcio e desenvolvimento. Os n\u00fameros falam por si, segundo a coaliz\u00e3o de ativistas. S\u00e3o necess\u00e1rios 232 quilos de milho para produzir 50 litros de etanol, suficientes apenas para encher o tanque de um autom\u00f3vel, mas, suficientes para uma crian\u00e7a receber a calorias necess\u00e1rias durante um ano.<\/p>\n<p>Mas os 27 membros da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia acordaram em dezembro as \u201cDiretrizes de biocombust\u00edveis\u201d e fizeram com que fosse mais econ\u00f4mico encher os tanques dos autom\u00f3veis do que saciar a fome. As diretrizes fazem parte do \u201cPacote sobre clima e energia\u201d da UE, que pretende reduzir a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa e o consumo energ\u00e9tico. As pautas dispostas prev\u00eaem que at\u00e9 2020 10% do combust\u00edvel usado nos pa\u00edses-membros do bloco sejam de origem vegetal.<\/p>\n<p>\u201cGanhamos a batalha ideol\u00f3gica, mas perdemos a batalha legal\u201d, disse \u00e0 IPS Ambroise Mazal, diretor da CCHD para a campanha contra os biocombust\u00edveis. \u201cMuitos funcion\u00e1rios europeus est\u00e3o conscientes de seus efeitos adversos, mas ningu\u00e9m se dignou a corrigir o pacote acordado pelos 27 membros do bloco\u201d. Seria \u201ccomo abrir a caixa de Pandora no transcurso do que foi qualificado de negocia\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo, por sua complexidade\u201d, explicou Mazal. \u201cO problema \u00e9 que a UE n\u00e3o pode produzir mais do que 2% do total de biocombust\u00edvel necess\u00e1rio. Agricultores europeus poderiam assumir a metade dos 10% total, mas o restante ser\u00e1 preciso importar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Existe um consenso bastante generalizado de que a infla\u00e7\u00e3o artificial da demanda foi respons\u00e1vel pela alta de pre\u00e7os dos alimentos em 2008, inclusive muito mais do que os especuladores, contra os quais se voltaram os pol\u00edticos, acusando-os de tirar a comida da mesa para encher os tanques de combust\u00edveis. Os subs\u00eddios e incentivos fiscais tornaram irresistivelmente rent\u00e1vel para os agricultores europeus se dedicar a cultivos para produ\u00e7\u00e3o de etanol ou outro combust\u00edvel de origem vegetal.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 voracidade europ\u00e9ia pelos biocombust\u00edveis, muitas na\u00e7\u00f5es africanas ampliaram as \u00e1reas dedicadas a monoculturas. Mas, somente os grandes empres\u00e1rios t\u00eam recursos e capital para cobrir as necessidades das economias de escala, que tornam o empreendimento lucrativo. Por\u00e9m, os pequenos produtores, que em pa\u00edses como Benin s\u00e3o os principais propriet\u00e1rios da terra e que respondem por 80% dos empregos no setor, n\u00e3o se beneficiam do \u00edmpeto dos biocombust\u00edveis. Al\u00e9m disso, terra, \u00e1gua e outros recursos limitados s\u00e3o destinados a esse fim em preju\u00edzo da escassa produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>Inclusive, v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) reconheceram nos \u00faltimos anos que o aumento da demanda por biocombust\u00edveis tem consequ\u00eancias sociais, econ\u00f4micas e nutricionais catastr\u00f3ficas nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, com uma situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 critica em mat\u00e9ria de alimenta\u00e7\u00e3o. Mas, v\u00e1rios pa\u00edses africanos impulsionaram os cultivos usados para produzir combust\u00edveis.<\/p>\n<p>No Senegal, onde houve dist\u00farbios pela escassez de alimentos no ano passado, poderiam ser destinados 200 mil hectares, 10% das terras cultiv\u00e1veis, para produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis. Sup\u00f5e-se que os combust\u00edveis vegetais de segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o ter\u00e3o menos impactos negativos sobre o meio ambiente e os seres humanos porque ser\u00e3o produzidos com base em vegetais n\u00e3o comest\u00edveis, com res\u00edduos florestais, algas e fungos.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 uma farsa\u201d, disse Mazal, \u201cporque os biocombust\u00edveis de segunda gera\u00e7\u00e3o derivados de cultivos n\u00e3o comest\u00edveis tamb\u00e9m usar\u00e3o terras cultiv\u00e1veis. Al\u00e9m de estar longe a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de biomassa nos laborat\u00f3rios\u201d. A \u201c\u00fanica forma de press\u00e3o que resta \u00e9 ver como se traduzir\u00e3o as diretrizes da UE em leis nacionais. A Fran\u00e7a fixou objetivos ainda mais ambiciosos, 10% do combust\u00edvel teriam de ter origem vegetal at\u00e9 2015. Mas isso foi revisto e caiu para 7% at\u00e9 2010, para salvar os investimentos existentes\u201d, acrescentou Mazal.<\/p>\n<p>\u201cMas, tamb\u00e9m h\u00e1 consequ\u00eancias. Em 2006, 65% o \u00f3leo de colza franc\u00eas foram destinados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel, e foi necess\u00e1rio importar para o consumo das fam\u00edlias, em geral dos pa\u00edses onde n\u00e3o sobram\u201d, disse Mazal. H\u00e1 uma tend\u00eancia crescente em exigir uma certifica\u00e7\u00e3o social e ambiental de que os biocombust\u00edveis t\u00eam limitadas consequ\u00eancias negativas sobre o solo e os agricultores. Mas, esse crit\u00e9rio n\u00e3o considera a alta do pre\u00e7o dos alimentos nem a quest\u00e3o estrutural de que sua produ\u00e7\u00e3o tende a se concentrar em m\u00e3os de grandes empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cO pr\u00f3ximo passo anunciado pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia \u00e9 que ser\u00e1 encomendada uma pesquisa sobre as consequ\u00eancias gerais da produ\u00e7\u00e3o de biocombustiveis nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento at\u00e9 2014\u201d, disse Mazal. \u201cMas, n\u00e3o parece que a Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia, \u00f3rg\u00e3o executivo da UE, tenha em mente medidas para corrigir os problemas\u201d, acrescentou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, 22\/04\/2009 &ndash; A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia imp\u00f4s o uso de combust\u00edveis de origem vegetal, apesar de ativistas e especialistas questionarem seus benef\u00edcios, como minimizar a escassez de petr\u00f3leo e proteger o meio ambiente. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/africa\/ue-energia-africa-pagara-demanda-artificial-de-biocombustiveis\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":89,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,10],"tags":[18],"class_list":["post-4999","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-energia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/89"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4999\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}