{"id":50,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=50"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"metano-as-trilhas-dos-guaranis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/metano-as-trilhas-dos-guaranis\/","title":{"rendered":"Metano: As trilhas dos guaranis"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 20\/01\/2005 &ndash; Em 1524, por eles passaram o conquistador espanhol Alejo Garc&iacute;a. Hoje, os caminhos do Tap&eacute; Avir&uacute; s&atilde;o resgatados do esquecimento por cientistas e autoridades governamentais do Paraguai e do Brasil, que tentam recuperar a cultura guarani. Esses caminhos s&atilde;o uma antiga rede que os ind&iacute;genas foram tecendo em sua constante busca por uma &quot;Terra sem Mal&quot;, e que uniu o que hoje &eacute; o Estado de Santa Catarina com os contrafortes andinos peruanos, passando por Paraguai e Bol&iacute;via. Semin&ocirc;mades, &quot;os ind&iacute;genas guaranis organizavam constantes migra&ccedil;&otilde;es que combinavam o econ&ocirc;mico com o religioso&quot;, explicou ao Terram&eacute;rica o historiador Rub&eacute;n Dar&iacute;o Lugo.<br \/> <!--more--> <br \/> Por um lado, buscavam uma terra m&iacute;tica onde acreditavam n&atilde;o existir a maldade, &quot;uma esp&eacute;cie de c&eacute;u, segundo a concep&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, onde as pessoas viviam eternamente felizes&quot;, acrescentou Lugo, licenciado em Hist&oacute;ria pela Universidade Nacional de Assun&ccedil;&atilde;o (UNA). Por&eacute;m, as tribos tamb&eacute;m deixavam para tr&aacute;s terras que j&aacute; n&atilde;o lhes oferecia sustento, e procuravam metais preciosos como os que sabiam que possu&iacute;am os incas, embora &quot;n&atilde;o para acumular riqueza&quot;, mas porque para eles o brilho do ouro &quot;era o s&iacute;mbolo de algo divino&quot;, afirmou o pesquisador.<\/p>\n<p> Quando Alejo Garc&iacute;a naufragou, em 1516, na costa do que hoje &eacute; o Estado brasileiro de Santa Catarina, s&oacute; lhe restou ficar e viver na regi&atilde;o, e oito anos depois, ap&oacute;s aprender o idioma guarani, saiu &agrave; frente de uma expedi&ccedil;&atilde;o de dois mil ind&iacute;genas rumo ao Peru. Guiado pelos nativos, percorreu os atuais territ&oacute;rios do Paraguai e da Bol&iacute;via, e conseguiu seus desejados tesouros, mas, ao regressar, foi morto pelos pr&oacute;prios guaranis onde hoje &eacute; a cidade de San Pedro de Ycuamandiy&uacute;, capital do departamento paraguaio de San Pedro. <\/p>\n<p> Desde janeiro de 2004, a Secretaria Nacional de Turismo paraguaia (Senatur) est&aacute; envolvida em um projeto para transformar os caminhos do Tap&eacute; Avir&uacute; em uma trilha tur&iacute;stica que &quot;ajudar&aacute; a resgatar do esquecimento a cultura guarani e a valorizar a hist&oacute;ria da Terra sem Mal&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Rosana Gonz&aacute;lez, doutorada em Hist&oacute;ria pela UNA. Rosana faz parte da equipe de profissionais que assessora a Senatur e integrou uma delega&ccedil;&atilde;o paraguaia que visitou o Brasil, em meados de 2004, para inteirar-se do trabalho semelhante realizado por seus colegas brasileiros com o Projeto Peabir&uacute;. Os brasileiros &quot;levam dez anos de vantagem sobre n&oacute;s e est&atilde;o muito avan&ccedil;ados&quot;, destacou. <\/p>\n<p> A historiadora disse que os Estados de Santa Catarina e Paran&aacute; buscam atrair turistas com atividades que incluem recriar o que os pesquisadores julgam ter sido os itiner&aacute;rios do Tap&eacute; Avir&uacute;. A rota pr&eacute;-hisp&acirc;nica era sinalizada com refer&ecirc;ncias geogr&aacute;ficas muito espec&iacute;ficas, entre elas rios, cataratas e cerros, como por exemplo o Salto do Monday, na cidade Presidente Franco, e o Cerro Lambar&eacute;, em Assun&ccedil;&atilde;o. &quot;Seguindo os tra&ccedil;ados de estradas j&aacute; existentes, tamb&eacute;m prop&otilde;em atividades de ecoturismo, contato com comunidades nativas, visitas a museus e explica&ccedil;&otilde;es da cosmovis&atilde;o guarani&quot;, acrescentou Rosana, destacando a id&eacute;ia de um planet&aacute;rio ambulante para mostrar as constela&ccedil;&otilde;es astrais identificadas por esta cultura. <\/p>\n<p> Assun&ccedil;&atilde;o e os governos estaduais do Brasil estudam como integrar os dois projetos. Do lado paraguaio, pretende-se que os turistas percorram departamentos do leste do pa&iacute;s pelos quais passou Alejo Garc&iacute;a, e, ap&oacute;s uma escala em Assun&ccedil;&atilde;o, sigam para a &aacute;rida regi&atilde;o do chaque no oeste. &quot;Est&aacute; em estudo uma maneira de a Bol&iacute;via tamb&eacute;m fazer parte do percurso&quot;, explicou a historiadora. Os incentivadores do projeto Tap&eacute; Avir&uacute; solicitaram fundos &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco), segundo Juan Manuel Prieto, assessor da Senatur encarregado do acompanhamento dos trabalhos. <\/p>\n<p> O projeto foi apresentado em junho em Cidade do Leste, na fronteira de Foz do Igua&ccedil;u, e a Sociedade Geogr&aacute;fica Paraguaia organizou, nos dias 23 e 24 de outubro, uma atividade de ecoaventura a partir do Cerro Tr&ecirc;s Kand&uacute;, que &eacute; o mais alto do pa&iacute;s, at&eacute; Ita Letra, onde h&aacute; inscri&ccedil;&otilde;es r&uacute;nicas pr&eacute;-colombianas. Dos dois lados da fronteira, as autoridades consultaram representantes guaranis sobre o projeto. No Brasil, segundo Rosana, se consegue apoio &quot;sempre e quando se respeita sua cultura e suas tradi&ccedil;&otilde;es&quot;. No Paraguai se conseguiu a participa&ccedil;&atilde;o de Margarita Mbywangy, cacique da etnia ach&eacute; (do ramo tupi guarani) da localidade de Kuetuby. Ela &quot;nos proporcionou valiosas informa&ccedil;&otilde;es e deu uma not&aacute;vel palestra no encontro que tivemos em Cidade do Leste&quot;, disse Prieto. <\/p>\n<p> Contudo, &quot;Tap&eacute; Avir&uacute; requer um longo processo, pois embora j&aacute; tenhamos identificadas v&aacute;rias esta&ccedil;&otilde;es do caminho pr&eacute;-hisp&acirc;nico dos guaranis, faltam pesquisas para o tra&ccedil;ado definitivo dos trechos&quot;, ressaltou. Do lado paraguaio, enfrenta-se a falta de infra-estrutura vi&aacute;ria e hoteleira, e &eacute; necess&aacute;rio pacificar regi&otilde;es hoje afetadas por conflitos sociais, relacionados com reclama&ccedil;&otilde;es de organiza&ccedil;&otilde;es de &quot;camponeses sem terra&quot;, no departamento de San Pedro.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 20\/01\/2005 &ndash; Em 1524, por eles passaram o conquistador espanhol Alejo Garc&iacute;a. Hoje, os caminhos do Tap&eacute; Avir&uacute; s&atilde;o resgatados do esquecimento por cientistas e autoridades governamentais do Paraguai e do Brasil, que tentam recuperar a cultura guarani. Esses caminhos s&atilde;o uma antiga rede que os ind&iacute;genas foram tecendo em sua constante busca por uma &quot;Terra sem Mal&quot;, e que uniu o que hoje &eacute; o Estado de Santa Catarina com os contrafortes andinos peruanos, passando por Paraguai e Bol&iacute;via. 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