{"id":5001,"date":"2009-04-22T16:55:01","date_gmt":"2009-04-22T16:55:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5001"},"modified":"2009-04-22T16:55:01","modified_gmt":"2009-04-22T16:55:01","slug":"racismo-a-onu-supera-trago-amargo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/mundo\/racismo-a-onu-supera-trago-amargo\/","title":{"rendered":"RACISMO: A ONU supera trago amargo"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 22\/04\/2009 &ndash; A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas recuperou o alento ontem com a aprova\u00e7\u00e3o do documento final de sua confer\u00eancia sobre racismo, e dessa maneira deixou de lado os dissabores da acidentada jornada de abertura do encontro. <!--more--> O texto adotado fortalece os mecanismos para enfrentar o racismo, a discrimina\u00e7\u00e3o, a xenofobia e as formas de intoler\u00e2ncia relacionadas, mas omite referencias aos aspectos controvertidos que teriam debilitado a declara\u00e7\u00e3o e o plano de a\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia anterior, realizada em Durban, na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Igualmente, 10 pa\u00edses n\u00e3o aderiram ao consenso porque desertaram da Confer\u00eancia de Exame de Durban, que come\u00e7ou segunda-feira na sede da ONU em genebra. As na\u00e7\u00f5es ausentes s\u00e3o Alemanha, Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 Rep\u00fablica Checa, Estados Unidos, Holanda, Israel, It\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e Pol\u00f4nia. Embora os respons\u00e1veis pela confer\u00eancia neguem ter trabalhado sobre press\u00e3o, a ado\u00e7\u00e3o do documento final tr\u00eas dias antes do encerramento das sess\u00f5es, fato incomum neste tipo de encontro internacional, descartou uma possibilidade de revis\u00e3o do rascunho.<\/p>\n<p>A alta comiss\u00e1ria das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, a sul-africana Navi Pillay, realizou a aprova\u00e7\u00e3o e disse que o documento ressalta os sofrimentos crescentes sofrimentos crescentes sofridos pelas v\u00edtimas do racismo desde 2001, o ano de Durban I, mas tamb\u00e9m dos atentados terroristas de 11 de setembro desse mesmo ano em Washington e Nova York. Desde ent\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o da declara\u00e7\u00e3o e do programa de Durban foi impedido por desafios como aumento de complexos movimentos migrat\u00f3rios, da pobreza, das a\u00e7\u00f5es do terrorismo e por algumas das medidas empregadas contra ele.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o do documento foi recebida com comedida satisfa\u00e7\u00e3o por especialistas em direitos humanos e representantes de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais. Antoine Madelin, da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Direitos Humanos, com sede em Paris, considerou que o documento representa uma contribui\u00e7\u00e3o importante para as v\u00edtimas que se beneficiar\u00e3o de suas disposi\u00e7\u00f5es. Isso ocorrer\u00e1 na Europa, onde os imigrantes e as pessoas pertencentes a minorias mu\u00e7ulmanas sofre o estigma em suas sociedades, e tamb\u00e9m em outras partes do mundo, onde minorias religiosas e \u00e9tnicas e outras v\u00edtimas de m\u00faltiplas formas de discrimina\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser amparadas, disse Madelin \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O especialista su\u00ed\u00e7o Jean Ziegler disse que a confer\u00eancia j\u00e1 produziu \u00eaxitos muito positivos apenas pelo fato de acontecer. Dessa forma a ONU coloca no alto dos interesses do mundo a quest\u00e3o do racismo, disse \u00e0 IPS. Com desta decis\u00e3o, a ONU proclama e evidencia que o antissemitismo, a xenobofia e a islamofobia s\u00e3o um c\u00e2ncer que corr\u00f3i nossas sociedades, acrescentou.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia havia come\u00e7ado na v\u00e9spera com uma jornada acidentada. Primeiro, uma dezena de pa\u00edses, alguns chaves no cen\u00e1rio internacional, desistiu de participar por diferen\u00e7as com certos aspectos do projeto de declara\u00e7\u00e3o ou para se afastar da presen\u00e7a do presidente do Ir\u00e3, Mahmoud Ahmadinejad, o primeiro orador convidado do encontro. A presen\u00e7a e o discurso de Ahmadinejad causaram protestos e incidentes, embora tamb\u00e9m recebesse demonstra\u00e7\u00f5es de aprova\u00e7\u00e3o entre delegados governamentais e p\u00fablico. Os duros ataques que fez a Israel e ao sionismo fez com que todos os representantes de pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia se retirasse do recinto enquanto durou sua interven\u00e7\u00e3o uma retifica\u00e7\u00e3o que a ONU lan\u00e7ou uma luz ontem sobre os verdadeiros termos usados pelo presidente iraniano ao se referir ao Holocausto judeu.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o escrita distribu\u00edda pela representa\u00e7\u00e3o de Teer\u00e3 indicava que Ahmadinejad mencionara \u201ca amb\u00edgua e duvidosa quest\u00e3o do Holocausto\u201d. Por\u00e9m, um esclarecimento da ONU estabeleceu que o orador disse \u201co abuso da quest\u00e3o do Holocausto\u201d. A ONU tamb\u00e9m informou que na mesma segunda-feira, antes do discurso, o presidente iraniano manteve um encontro com o secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon, que lhe sugeriu modera\u00e7\u00e3o na linguagem em seu discurso horas mais tarde. De todo modo, Ban e Pillay questionaram e tomaram dist\u00e2ncia das express\u00f5es de Ahmadinejad sobre Israel, sionismo e Holocausto.<\/p>\n<p>Ziegler disse \u00e0 IPS que o presidente iraniano esteve mais moderado nas segunda-feira do que nas interven\u00e7\u00f5es sobre esses temas feitas em Teer\u00e3, \u201conde negou o Holocausto, o que \u00e9 escandaloso\u201d. Nessas ocasi\u00f5es, Ahamdinejad tamb\u00e9m falava da \u201cdestrui\u00e7\u00e3o de Israel, que \u00e9 uma loucura absoluta\u201d, ressaltou. O discurso do mandat\u00e1rio em genebra tamb\u00e9m apresentou cr\u00edticas \u00e0s pol\u00edticas de Israel e do Ocidente \u201csobre certos pontos com os quais n\u00e3o estou em absoluto de acordo\u201d, acrescentou Ziegler. Mas, o mais escandaloso foi a atitude dos pa\u00edses ocidentais de se retirar do recinto durante o discurso de Ahmadinejad, \u201cem lugar de ir \u00e0 tribunal, pegar o microfone e responder. Porque o Ir\u00e3 \u00e9 um Estado que assassina, tortura e viola os direitos humanos. E \u00e9 preciso responder\u201d, afirmou. Madelin tamb\u00e9m se disse comovido pelas express\u00f5es do presidente iraniano e estimou que o documento aprovado pela confer\u00eancia \u201c\u00e9 a melhor resposta que a comunidade internacional pode lhe dar\u201d. O documento da ONU \u00e9 a ant\u00edtese do discurso de Ahmadinejad, acrescentou.<\/p>\n<p>No plano especifico dos direitos humanos, o documento desperta menos entusiasmo entre os especialistas, como disse Ziegler, para quem se trata de \u201cum texto ruim\u201d. N\u00e3o se ocupa dos conflitos reais, dos palestinos, dos dalit indianos, dos tamis no Sri Lanka nem com Darfur, onde as pessoas morrem por causa de \u00f3dio racial, afirmou. Nesta localidade do Sud\u00e3o morrem os que t\u00eam pele negra, os mesmos que sofrem fome e s\u00e3o destru\u00eddos. Em Gaza, os palestinos s\u00e3o bombardeados pela avia\u00e7\u00e3o israelense, que os massacra apenas por serem palestinos, afirmou. \u201cO documento da ONU n\u00e3o menciona claramente os conflitos, e \u00e9 nesse ponto que se deve trabalhar. \u00c9 evidente que para conseguir este texto se chegou a um consenso, mas isso enfraquece terrivelmente o programa de a\u00e7\u00e3o que se deve por em pr\u00e1tica quando se pensa nas v\u00edtimas\u201d, reclamou o acad\u00eamico su\u00ed\u00e7o.<\/p>\n<p>Madelin tamb\u00e9m considerou que o documento deveria ter avan\u00e7ado muito mais na descri\u00e7\u00e3o de formas de discrimina\u00e7\u00e3o que a pr\u00f3pria ONU j\u00e1 reconheceu em sua jurisprud\u00eancia. Em particular, o representante daFIDH se referia a discrimina\u00e7\u00f5es por raz\u00f5es de castas, como no caso dos dalit, e de orienta\u00e7\u00e3o sexual, duas formas que n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas politicamente, afirmou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 22\/04\/2009 &ndash; A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas recuperou o alento ontem com a aprova\u00e7\u00e3o do documento final de sua confer\u00eancia sobre racismo, e dessa maneira deixou de lado os dissabores da acidentada jornada de abertura do encontro. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/mundo\/racismo-a-onu-supera-trago-amargo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,4,11],"tags":[],"class_list":["post-5001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5001"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5001\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}