{"id":5017,"date":"2009-04-27T16:25:01","date_gmt":"2009-04-27T16:25:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5017"},"modified":"2009-04-27T16:25:01","modified_gmt":"2009-04-27T16:25:01","slug":"energia-eua-propoem-geometria-variavel-para-a-america","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/america-latina\/energia-eua-propoem-geometria-variavel-para-a-america\/","title":{"rendered":"ENERG\u00cdA: EUA prop\u00f5em geometria vari\u00e1vel para a Am\u00e9rica"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 27\/04\/2009 &ndash; Os Estados Unidos trabalhar\u00e3o em mat\u00e9ria energ\u00e9tica com os demais pa\u00edses da Am\u00e9rica sob um enfoque de \u201cgeometria vari\u00e1vel\u201d, buscando colaborar com alguns em determinados temas e n\u00e3o com todos em tudo, afirmou Jeremy Martin, diretor do Programa de Energia da Universidade da Calif\u00f3rnia.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5017\" style=\"width: 146px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ObamaenCumbreAmericas_PeteSouzaCasaBLanca.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5017\" class=\"size-medium wp-image-5017\" title=\" - Pete Souza\/Casa Blanca\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ObamaenCumbreAmericas_PeteSouzaCasaBLanca.jpg\" alt=\" - Pete Souza\/Casa Blanca\" width=\"136\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5017\" class=\"wp-caption-text\"> - Pete Souza\/Casa Blanca<\/p><\/div>  Esse \u201cmenu \u00e0 la carte\u201d permitiria \u201ctrabalhar com a Venezuela sobre petr\u00f3leo pesado de sua Faixa do Orenoco e com o Brasil no caso do etanol e com Brasil e M\u00e9xico na redu\u00e7\u00e3o dos gases causadores do efeito estufa, porque com o casamento entre energia e mudan\u00e7a clim\u00e1tica agora Washington n\u00e3o pode falar de uma sem a outra\u201d, afirmou o especialista norte-americano em um f\u00f3rum realizado em Caracas.<\/p>\n<p>O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na V C\u00fapula das Am\u00e9ricas, realizada de 17 a 19 deste m\u00eas em Puerto Espa\u00f1a, exortou no sentido de se percorrer \u201cum novo caminho para uma sociedade de energia e mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d no hemisf\u00e9rio, que, segundo Martin, se baseia em promover a efici\u00eancia, melhorar a infra-estrutura e reduzir a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. O consultor canadense em assuntos de energia Roger Tissot, recordou, no mesmo f\u00f3rum, que Washington pretende reduzir a importa\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel do Oriente M\u00e9dio e da Venezuela, desenvolver ve\u00edculos h\u00edbridos e reduzir em 80% at\u00e9 2050 as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO\u00b2), um dos gases apontado pela maioria dos cientistas como respons\u00e1vel pelo aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>Mas essa inten\u00e7\u00e3o depende da seguran\u00e7a energ\u00e9tica dos Estados Unidos, pois o uso de abundante energia foi o pilar dessa economia e de seu crescimento. Os especialistas recordaram a frase do presidente George W. Bush, \u201csomos viciados em petr\u00f3leo\u201d, e que durante o governo de Richard Nixon (1969-1974) esse pa\u00eds importava 30% do petr\u00f3leo que consumia, quando atualmente importa 65%. E mais, lembrou Paulo Valad\u00e3o de Miranda, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, enquanto o mundo consegue de fontes renov\u00e1veis 13% da energia que consome, os norte-americanos obt\u00eam dessas fontes apenas 2% de seu consumo.<\/p>\n<p>Isso explicaria o que Martin chama de \u201cmodelo de altos e baixos\u201d nos Estados Unidos. \u201cDurante a campanha presidencial de 2008, com altos pre\u00e7os para a gasolina, a opini\u00e3o p\u00fablica apoiava a busca de novo petr\u00f3leo em \u00e1guas do Atl\u00e2ntico ou no Alasca, e seu lema parecia ser \u201cdrill, baby, drill\u201d (perfura, beb\u00ea, perfura). \u201cMas, agora, com a queda do pre\u00e7o do combust\u00edvel, todos aparecem como verdes e \u00e9 melhor envolver-se de verde\u201d ironizou Martin. Mas o especialista citou o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, para quem \u201cpor muitos anos o mundo continuar\u00e1 se movimentando em carros, avi\u00f5es e caminh\u00f5es\u201d e estimou que \u201cainda em 2030 at\u00e9 80% da energia mundial vir\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d.<\/p>\n<p>Diante do atual consumo mundial di\u00e1rio de 84 a 85 milh\u00f5es de barris (de 159 litros), em 20 anos a demanda chegar\u00e1 a 113 ou 115 milh\u00f5es de unidades. Por outro lado, segundo especialistas venezuelanos como Victor Poleo, professor da Universidade Central e vice-ministro de Energia no primeiro tri\u00eanio (1999-2001) de Hugo Ch\u00e1vez, \u201co mundo avan\u00e7a para uma mudan\u00e7a estrutural da matriz energ\u00e9tica do motor \u00e0 gasolina rumo a fontes diferentes, como a eletricidade\u201d. Para Poleo, a gasolina \u201c\u00e9 o maior contaminante do mundo; 50% dos passivos trabalhistas do planeta s\u00e3o provocados pelo motor\u201d que consome esse combust\u00edvel e, al\u00e9m disso, \u201c\u00e9 o maior contribuinte do capital energ\u00e9tico mundial\u201d, representado pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Oito das 15 empresas com maiores vendas no mundo, segundo a revista norte-americana Forbes, se dedicam ao negocio petroleiro. Para Tissot, a manuten\u00e7\u00e3o da demanda e alta do pre\u00e7o em anos recentes causaram um \u201cexagerado otimismo\u201d nas companhias de petr\u00f3leo, que praticamente \u201cdeixavam dinheiro sobre a mesa\u201d quando competiam por licita\u00e7\u00f5es de jazidas. O panorama, ap\u00f3s surgir a depress\u00e3o global no ano passado, agora \u00e9 diferente \u2013 diz o especialista canadense \u2013 pois \u201ca crise norte-americana \u00e9 real, grave, n\u00e3o haver\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e o ciclo econ\u00f4mico parece que n\u00e3o descrever\u00e1 um V ou um U, mas sim um L.<\/p>\n<p>Nesse contexto, as empresas petroleiras privadas, \u201cque j\u00e1 haviam abandonado h\u00e1 anos programas de pesquisa e desenvolvimento, observam que seus custos de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o ca\u00edram como os pre\u00e7os, h\u00e1 colapso na demanda e persistem a crise financeira e o risco pol\u00edtico de novas regulamenta\u00e7\u00f5es sobre os empreendimentos que fizerem\u201d. As companhias estatais, por sua vez, \u201cembora controlem 80% das reservas mundiais, n\u00e3o t\u00eam a comodidade de um prop\u00f3sito \u00fanico como as privadas (lucro para os acionistas), mas respondem a m\u00faltiplos interesses, e com frequ\u00eancia a press\u00e3o de um Estado populista que quer dinheiro, mas tem avers\u00e3o aos riscos\u201d.<\/p>\n<p>Essas circunst\u00e2ncias \u201cpodem ser o pre\u00e2mbulo de outra crise energ\u00e9tica, porque para manter o equil\u00edbrio entre a oferta e a demanda que aumenta a cada ano \u00e9 preciso investir cerca de US$ 500 bilh\u00f5es anuais\u201d, disse Tissot. \u201c\u00c9 como essas esteiras de academia, que exigir ir cada vez mais r\u00e1pido para estar no mesmo lugar\u201d, disse o canadense. Tissot tamb\u00e9m considerou que essa \u00e9 a raz\u00e3o para c\u00e1lculos d\u00edspares sobre qual deveria ser o pre\u00e7o de equil\u00edbrio para o petr\u00f3leo. Recordou que a Ar\u00e1bia Saudita o situa entre U$ 60 e US$ 70, e Venezuela e Ir\u00e3 o querem a US$ 80, \u201cmas, com a atual recess\u00e3o, n\u00e3o creio que seja poss\u00edvel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Bancos de investimento calculam que o barril de petr\u00f3leo ficar\u00e1, em m\u00e9dia, entre US$ 50 e US$ 60 nos pr\u00f3ximos dois anos, e no longo prazo poder\u00e1 voltar aos US$ 100 ou US$ 110. Dessa forma, \u201cos Estados Unidos apostam em ampliar o mercado para energia limpa, enquanto trabalha junto como Brasil em etanol e junto a todos em petr\u00f3leo de dif\u00edcil extra\u00e7\u00e3o, como nas profundidades do Atl\u00e2ntico brasileiro, na Faixa do Orenoco ou nas areias betuminosas de Athabaska (Canad\u00e1). \u201cCada pa\u00eds \u00e9 diferente. A Col\u00f4mbia, por exemplo, tem uma produ\u00e7\u00e3o declinante desde que atingiu um m\u00e1ximo de 821 mil barris di\u00e1rios em 1999, mas realiza um esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o para passar novamente dos 500 mil barris di\u00e1rios\u201d, disse Martin.<\/p>\n<p>Outro caso \u00e9 o de Trinidade e Tobago, primeiro fornecedor estrangeiro de g\u00e1s natural aos Estados Unidos, com reservas de 31 trilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos e um programa de incentivos fiscais para investimentos de explora\u00e7\u00e3o que podem duplicar as reservas dispon\u00edveis, lembrou o especialista norte-americano. Com um horizonte de 10 anos para reduzir a depend\u00eancia de combust\u00edveis fosseis importados, a administra\u00e7\u00e3o Obama estabeleceu medidas como a produ\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de carros h\u00edbridos (gasolina e outro combust\u00edvel) a partir de 2011 e ve\u00edculos que consumam no m\u00e1ximo 6,7 litros de gasolina a cada cem quil\u00f4metros, em lugar do atual teto de 8,7 litros.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o da V C\u00fapula das Am\u00e9ricas diz que os Estados Americanos \u201cse esfor\u00e7ar\u00e3o para promover investimentos e inova\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento e a diversifica\u00e7\u00e3o de fontes de energia e de tecnologias eficientes e ambientalmente amig\u00e1veis, incluindo tecnologias mais limpas para a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis fosseis\u201d. Jos\u00e9 Ign\u00e1cio Moreno, ministro de Energia da Venezuela em 1983 e 1984 e reitor da Universidade Metropolitana, que recebeu Martin e Tissot, prop\u00f4s que \u201cse leve em conta a eco-economia, os valores da ecologia na economia, que sup\u00f5em mudan\u00e7as nos modelos de consumo e se insista na busca de fontes limpas de energia\u201d. O \u201cdilema n\u00e3o \u00e9 quanto custa a mudan\u00e7a, mas que pre\u00e7o pagaremos se n\u00e3o o fizermos\u201d, acrescentou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 27\/04\/2009 &ndash; Os Estados Unidos trabalhar\u00e3o em mat\u00e9ria energ\u00e9tica com os demais pa\u00edses da Am\u00e9rica sob um enfoque de \u201cgeometria vari\u00e1vel\u201d, buscando colaborar com alguns em determinados temas e n\u00e3o com todos em tudo, afirmou Jeremy Martin, diretor do Programa de Energia da Universidade da Calif\u00f3rnia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/america-latina\/energia-eua-propoem-geometria-variavel-para-a-america\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,11],"tags":[14],"class_list":["post-5017","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5017"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5017\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}