{"id":5020,"date":"2009-04-28T13:56:15","date_gmt":"2009-04-28T13:56:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5020"},"modified":"2009-04-28T13:56:15","modified_gmt":"2009-04-28T13:56:15","slug":"dialogues-por-um-mecanismo-de-desenvolvimento-realmente-limpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/ultimas-noticias\/dialogues-por-um-mecanismo-de-desenvolvimento-realmente-limpo\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: Por um mecanismo de desenvolvimento realmente limpo"},"content":{"rendered":"<p>BERLIM, 28\/04\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  O regime clim\u00e1tico que surgir em 2012 dever\u00e1 contar com um Mecanismo de Desenvolvimento Limpo completamente reformado, afirma nesta entrevista o especialista alem\u00e3o Lambert Schneider.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5020\" style=\"width: 158px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/419_Lambert_Schneider_Oeko_Inst.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5020\" class=\"size-medium wp-image-5020\" title=\"Lambert Schneider, especialista do Instituto de Ecologia Aplicada da Alemanha - Oeko-Institut\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/419_Lambert_Schneider_Oeko_Inst.jpg\" alt=\"Lambert Schneider, especialista do Instituto de Ecologia Aplicada da Alemanha - Oeko-Institut\" width=\"148\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5020\" class=\"wp-caption-text\">Lambert Schneider, especialista do Instituto de Ecologia Aplicada da Alemanha - Oeko-Institut<\/p><\/div>  O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Protocolo de Kyoto, sobre emiss\u00f5es de gases estufa, \u201cdeveria ir al\u00e9m da pura compensa\u00e7\u00e3o e produzir um beneficio atmosf\u00e9rico claro\u201d, afirma Lambert Schneider, especialista do Instituto de Ecologia Aplicada da Alemanha. O MDL permite aos pa\u00edses industrializados investir em projetos em na\u00e7\u00f5es pobres para reduzir emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, como alternativa mais barata a uma redu\u00e7\u00e3o real e certificada dos gases que lan\u00e7am em seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Quem reduz di\u00f3xido de carbono em um pa\u00eds pobre \u201cvende\u201d cr\u00e9ditos de carbono a quem paga por esse projeto em um pa\u00eds rico, que pode emitir carbono na mesma propor\u00e7\u00e3o. Mas tais projetos devem ser adicionais, ou seja, sua redu\u00e7\u00e3o l\u00edquida de gases estufa tem de ser maior do que as redu\u00e7\u00f5es que ocorreriam sem essa iniciativa, a qual seria poss\u00edvel apenas no contexto dos benef\u00edcios do MDL. Essa \u201cadicionalidade\u201d \u00e9 um desafio, afirma Schneider. Sem ela \u201co efeito global seria um aumento das emiss\u00f5es de gases poluentes\u201d.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, \u201c\u00e9 muito subjetivo\u201d julgar se um projeto \u00e9 adicional, e, portanto, v\u00e1rios dos aprovados s\u00e3o muito duvidosos, acrescentou Schneider, autor de uma avalia\u00e7\u00e3o critica do MDL e membro do painel metodol\u00f3gico da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a avalia\u00e7\u00e3o desse mecanismo.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: O senhor acredita que houve avan\u00e7o substancial para a Confer\u00eancia da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica de Copenhague, destinada a selar um novo pacto para frear esse problema ambiental? LAMBERT SCHNEIDER: As negocia\u00e7\u00f5es progridem. As partes agora discutem propostas mais concretas para se chegar a um acordo em Copenhague, em dezembro. Ainda h\u00e1 muitos pontos de vista diferentes sobre assuntos fundamentais, e o tempo est\u00e1 acabando.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: A redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es que os pa\u00edses industrializados oferecem est\u00e3o longe das recomenda\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. E as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento precisam de apoio financeiro para lan\u00e7ar pol\u00edticas efetivas de redu\u00e7\u00e3o. Com a recess\u00e3o econ\u00f4mica mundial, o combate \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica poderia parecer um obst\u00e1culo \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da crise? LS: A crise econ\u00f4mica tamb\u00e9m poderia ser uma oportunidade para abordar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Os programas pol\u00edticos para reconstruir a economia poderiam centrar-se em medidas que reduzissem as emiss\u00f5es de gases, como promover energias renov\u00e1veis, melhorar a efici\u00eancia energ\u00e9tica, instalar sistemas de transporte baixos em carbono.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Um pacto que suceda o Protocolo de Kyoto a partir de 2012 enfrenta v\u00e1rios problemas. Um deles \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o dos principais emissores de gases estufa, Estados Unidos e os pa\u00edses emergentes, como China e \u00cdndia. H\u00e1 algum plano para que se integrem a ele? LS: O novo governo dos Estados Unidos est\u00e1 adotando uma posi\u00e7\u00e3o construtiva embora ainda n\u00e3o esteja clara sua posi\u00e7\u00e3o sobre muitos temas. Para que os Estados Unidos participem \u00e9 importante chegar a um acordo justo para compartilhar a carga entre as economias mais avan\u00e7adas. China e \u00cdndia querem que as na\u00e7\u00f5es industrializadas assumam objetivos ambiciosos e os apoiem na limita\u00e7\u00e3o de suas emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: A redu\u00e7\u00e3o de gases estufa prevista no Protocolo de Kyoto at\u00e9 agora n\u00e3o foi cumprida. Ao contr\u00e1rio, as emiss\u00f5es continuam crescendo. Por que? LS: Alguns pa\u00edses est\u00e3o no caminho de cumprir seus compromissos de Kyoto, enquanto outros devem intensificar seus esfor\u00e7os. Uma defici\u00eancia do Protocolo de Kyoto \u00e9 que a maioria dos pa\u00edses da Europa oriental recebeu autoriza\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de volumes muito maiores do que os que geravam. Ent\u00e3o, esses direitos excedentes acabaram vendidos a na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o cumprem suas obriga\u00e7\u00f5es de limitar as emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Em sua pesquisa, o senhor concluiu que o MDL foi um \u00eaxito comercial de resultados ambientais insatisfat\u00f3rios. LS: H\u00e1 v\u00e1rios problemas. O desafio mais importante \u00e9 a quest\u00e3o da adicionalidade. Um projeto deve demonstrar que s\u00f3 pode ser implementado pelo incentivo da venda de cr\u00e9ditos de carbono do MDL. Do contr\u00e1rio, as redu\u00e7\u00f5es de contamina\u00e7\u00e3o aconteceriam igualmente, mas os cr\u00e9ditos permitiriam ao pa\u00eds industrializado elevar suas emiss\u00f5es. O efeito global seria um aumento de gases estufa. Na pr\u00e1tica, \u00e9 muito subjetivo julgar se um projeto \u00e9 adicional, e, portanto, s\u00e3o aprovados v\u00e1rios cuja adicionalidade \u00e9 muito duvidosa. Outro problema \u00e9 o desempenho dos verificadores independentes. O Conselho Executivo do MDL \u2013 a institui\u00e7\u00e3o da ONU que regula o mecanismo \u2013 identificou s\u00e9rias falhas. O maior verificador teve seu credenciamento suspenso temporariamente, e muitos projetos aprovados por esses verificadores n\u00e3o superaram a avalia\u00e7\u00e3o do Conselho Executivo. Uma terceira limita\u00e7\u00e3o \u00e9 que os benef\u00edcios do desenvolvimento sustent\u00e1vel associados a muitos projetos de MDL s\u00e3o relativamente baixos.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: O MDL parece, ent\u00e3o, uma ferramenta perversa. Sob a premissa de que ajudaria a reduzir a emiss\u00e3o de gases estufa, deu lugar a neg\u00f3cios milion\u00e1rios, mas do ponto de vista ambiental este \u00e9 um jogo de soma zero. LS: N\u00e3o h\u00e1 nada de mau em fazer dinheiro reduzindo emiss\u00f5es, ao contr\u00e1rio. O mercado de carbono diz aos que tomam decis\u00f5es: reduzir a contamina\u00e7\u00e3o desta forma economiza custos. Mas \u00e9 claro que a compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ferramenta limitada. Para cada tonelada de g\u00e1s que \u00e9 eliminada em um pa\u00eds em desenvolvimento pode ser emitida uma tonelada a mais em uma na\u00e7\u00e3o industrializada. Neste aspecto, o MDL \u00e9 um jogo de soma zero para a atmosfera.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Pode-se reformar o MDL ou \u00e9 preciso elimin\u00e1-lo? LS: \u00c9 necess\u00e1rio reform\u00e1-lo. Antes de tudo, deveria ir al\u00e9m da simples compensa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, por duas toneladas de redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es em um pa\u00eds em desenvolvimento, uma na\u00e7\u00e3o industrializada poderia ter permiss\u00e3o para aumentar suas emiss\u00f5es em apenas uma tonelada. Assim haveria um claro beneficio atmosf\u00e9rico. Em segundo lugar, precisamos de regras mais objetivas para avaliar quais projetos devem ser aprovados. Deve-se assegurar que n\u00e3o sejam aprovados projetos que de todo modo seriam feitos sem o MDL, e que sejam priorizadas iniciativas com claros benef\u00edcios de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Em terceiro lugar, necessitamos de incentivos mais fortes para que os verificadores avaliem minuciosamente os projetos. Isto se consegue se a ONU pagar seus sal\u00e1rios e n\u00e3o as entidades que recebem os cr\u00e9ditos de carbono. No longo prazo, o MDL deveria ser substitu\u00eddo por esquemas de com\u00e9rcio de emiss\u00f5es que funcionem nos pa\u00edses em desenvolvimento mais avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BERLIM, 28\/04\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  O regime clim\u00e1tico que surgir em 2012 dever\u00e1 contar com um Mecanismo de Desenvolvimento Limpo completamente reformado, afirma nesta entrevista o especialista alem\u00e3o Lambert Schneider. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/ultimas-noticias\/dialogues-por-um-mecanismo-de-desenvolvimento-realmente-limpo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-5020","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5020"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5020\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}