{"id":5028,"date":"2009-04-28T16:44:34","date_gmt":"2009-04-28T16:44:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5028"},"modified":"2009-04-28T16:44:34","modified_gmt":"2009-04-28T16:44:34","slug":"energia-brasil-caminho-leva-a-dois-destinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/america-latina\/energia-brasil-caminho-leva-a-dois-destinos\/","title":{"rendered":"ENERG\u00cdA-BRASIL: Caminho leva a dois destinos"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 28\/04\/2009 &ndash; O governo brasileiro defende uma nova matriz energ\u00e9tica baseada em fontes renov\u00e1veis, sem deixar de apostar na expans\u00e3o futura de seus tradicionais recursos fosseis, como g\u00e1s e petr\u00f3leo <!--more--> Esse novo equil\u00edbrio de fontes energ\u00e9ticas foi exposto pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na reuni\u00e3o ministerial do Grupo dos Oito pa\u00edses mais poderosos do mundo, realizada entre 22 e 24 deste m\u00eas em Siracusa (It\u00e1lia), da qual o Brasil participou como convidado.<\/p>\n<p>Esse prop\u00f3sito se enquadra no esp\u00edrito da C\u00fapula das Am\u00e9ricas, realizada tamb\u00e9m este m\u00eas em Trinidad e Tobago, onde foi avaliada a possibilidade de, at\u00e9 2015, o continente gerar metade de sua energia em fontes renov\u00e1veis, com menor emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa, considerados respons\u00e1veis pelo aquecimento global. Setenta e cinco por cento da matriz energ\u00e9tica brasileira se baseia em eletricidade, um padr\u00e3o que o governo quer refor\u00e7ar com mais centrais, mas que n\u00e3o causem maior desmatamento em \u00e1reas como a selva amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Para isso, segundo Minc, ser\u00e1 dada prioridade a iniciativas em bacias hidrogr\u00e1ficas que representem menor inunda\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de floresta, a partir do uso da \u201ctecnologia de bulbo\u201d, que \u2013 explicou \u2013 se baseia em turbinas submersas no leito do rio que captam o fluxo de \u00e1gua e geram mais energia em \u00e1reas menores. Nesta dire\u00e7\u00e3o, o governo espera produzir nos pr\u00f3ximos dois anos 50 milh\u00f5es de megawatts de usinas hidrel\u00e9tricas. O minist\u00e9rio destaca outras medidas, como a rec\u00e9m-adotada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente que obriga novos projetos de centrais termoel\u00e9tricas a carv\u00e3o e \u00f3leo combust\u00edvel a reduzir as emiss\u00f5es de gases estufa plantando \u00e1rvores, por exemplo. \u201cAssim estamos encarecendo as termoel\u00e9tricas e, ao mesmo tempo, implementamos pol\u00edticas para baratear energias renov\u00e1veis como a e\u00f3lica\u201d, destaca o minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Mas o governo do Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva investir\u00e1 mais fortemente em outras alternativas renov\u00e1veis, como biodiesel a partir de oleaginosas como palma, girassol, r\u00edcino e amendoim, mas em especial na expans\u00e3o do agrocombust\u00edvel mais consumido neste pa\u00eds, o etanol, extra\u00eddo da cana-de-a\u00e7\u00facar. Diante das obje\u00e7\u00f5es a este tipo de energia, que poderia contribuir para um desmatamento maior em \u00e1reas cruciais como a Amaz\u00f4nia, o governo diz que vai estimular a recupera\u00e7\u00e3o e o aproveitamento de \u00e1reas degradadas para plantar a cana. Segundo a Uni\u00e3o da Ind\u00fastria da Cana-de-A\u00e7\u00facar (Unica), 46% da matriz energ\u00e9tica brasileira j\u00e1 s\u00e3o renov\u00e1veis e 16% correspondem ao etano, ou \u00e1lcool combust\u00edvel.<\/p>\n<p>No Brasil, 90% dos novos ve\u00edculos \u2013 que s\u00e3o 25% da frota nacional \u2013 t\u00eam motores Flex, que usam gasolina ou \u00e1lcool. Isso, segundo o presidente da Unica, Marcos Sawaya Jank, reduziu as emiss\u00f5es brasileiras de di\u00f3xido de carbono, principal g\u00e1s estufa, em 50 milh\u00f5es de toneladas desde 2003, equivalente \u00e0 planta\u00e7\u00e3o de 150 milh\u00f5es de \u00e1rvores nesse per\u00edodo, comparou. A promo\u00e7\u00e3o que a Unica faz desperta cr\u00edticas, com as que falam do dilema entre plantar energia e alimentos: utilizar gr\u00e3os comest\u00edveis para a gera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica pode causar uma crise de carestia alimentar.<\/p>\n<p>Outras fontes tamb\u00e9m questionam a suposta a\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica dos biocombust\u00edveis para o meio ambiente. O Conselho Internacional ara a Ci\u00eancia (ICSU) diz que a produ\u00e7\u00e3o de agrocombust\u00edveis pode aumentar, a n\u00e3o diminuir, o aquecimento global, como se argumenta. Segundo o ICSU, o \u00f3xido nitroso que se desprende de zonas cultivadas com plantas como a cana-de-a\u00e7\u00facar, no Brasil, e milho, nos Estados Unidos, se contrap\u00f5e aos benef\u00edcios da redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono resultante da combust\u00e3o de \u00e1lcool em lugar da gasolina.<\/p>\n<p>Para o especialista em energia Jean Paul Prattes, \u201ca quest\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o direta\u201d dos biocombust\u00edveis com os alimentos \u00e9 \u201creal\u201d e \u201cn\u00e3o h\u00e1 como esconder\u201d. Mas, Prattes, secret\u00e1rio de Energia do Rio Grande do Norte, disse \u00e0 IPS que essa competi\u00e7\u00e3o dependera das terras livres e cultiv\u00e1veis de cada pa\u00eds. Nesse aspecto, o Rio Grande do Norte, e o Brasil em geral, t\u00eam \u00e1reas extensas e inclusive degradadas onde \u00e9 poss\u00edvel produzir biocombust\u00edvel sem desmatar, afirmou. Brasil e Estados Unidos respondem por 70% da produ\u00e7\u00e3o mundial de etanol.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica energ\u00e9tica tra\u00e7ada pelo governo brasileiro tem como meta produzir 23,3 bilh\u00f5es de litros por ano e exportar cinco bilh\u00f5es. Quanto ao biodiesel, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 chegar a 2010 com uma oferta anual de 3,3 milh\u00f5es de litros. At\u00e9 a Petrobras, com capitais p\u00fablicos e privados, uniu-se aos esfor\u00e7os para produzir, expandir e promover a pesquisa cient\u00edfica de biocombust\u00edveis. Com tr\u00eas novas usinas de biodiesel, a empresa pretende produzir 640 milh\u00f5es de litros por ano at\u00e9 2013. Incluindo tamb\u00e9m o etanol, a Petrobras anunciou que gastaria US$ 2,8 bilh\u00f5es at\u00e9 esse ano.<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, o importante em termos de exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar as vendas para se converter em um dos principais negociadores mundiais de etanol. A experi\u00eancia de 40 anos do Brasil com \u00e1lcool combust\u00edvel indica que n\u00e3o houve problemas de seguran\u00e7a alimentar, pelo contr\u00e1rio, aumentou a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, disse Gabrielli \u00e0 IPS. Al\u00e9m disso, aumentou \u201ca capacidade de produ\u00e7\u00e3o de maneira adequada da terra para o etanol\u201d e at\u00e9 as \u201ccondi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d do pessoal que atual na \u00e1rea da cana-de-a\u00e7\u00facar, afirmou. \u201cAcreditamos ser poss\u00edvel aumentar a produ\u00e7\u00e3o em \u00e1reas degradadas, nas que n\u00e3o s\u00e3o dedicadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimento, para aumentar os biocombust\u00edveis\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo o governo, a \u00e1rea nacional destinada \u00e0 cana-de-a\u00e7\u00facar supera apenas o 1% das terras aptas para a agricultura. A principal aposta da Petrobras \u00e9 desenvolver tecnologias para produzir em escala industrial os biocombust\u00edveis de segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o. Os de segunda poderiam ser obtidos da celulose de qualquer vegetal, aproveitando toda a planta e n\u00e3o somente seus gr\u00e3os e, dessa forma, reduzindo o consumo de \u00e1gua, por exemplo, segundo Prattes. Os de terceira gera\u00e7\u00e3o podem ser extra\u00eddos inclusive de ambientes extremos, como desertos, lugares gelados ou do mar, cultivando organismos como algas, acrescentou.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9, precisamente, \u201ctentar minimizar esse debate sobre a competi\u00e7\u00e3o direta entre plantar e energia e plantar alimentos\u201d, disse Prattes. \u201cSe o Brasil puder plantar biocombust\u00edveis nas condi\u00e7\u00f5es atuais \u2013 sem comprometer supostamente as terras para alimentos \u2013 e ainda avan\u00e7ar para biocombust\u00edveis de segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o, teremos um futuro promissor\u201d, afirmou. Mas, nem o governo e nem a Petrobras est\u00e3o dispostos a deixar de explorar e inclusive ampliar sua atual produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e de g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>A Petrobras produz atualmente 1,9 milh\u00f5es de barris por dia. Mas com a descoberta de novos po\u00e7os mar\u00edtimos a milhares de metros de profundidade e sob uma camada de sal, espera aumentar essa produ\u00e7\u00e3o para 3,10 milh\u00f5es de barris\/dia at\u00e9 2020. Al\u00e9m disso, a companhia est\u00e1 construindo cinco refinarias de petr\u00f3leo para aumentar sua capacidade de refino at\u00e9 3,2 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios at\u00e9 2020. \u201cO que queremos eu aumentar nossa capacidade de refino de modo a termos uma posi\u00e7\u00e3o de grande produtor de produtos refinados. Nossa op\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas transformar a Petrobras em um grande exportador de petr\u00f3leo, mas tamb\u00e9m de derivados\u201d, disse Gabrielli.<\/p>\n<p>Esse modelo, segundo Prattes, ser\u00e1 \u201ctotalmente distinto do apresentado pelos exportadores tradicionais de petr\u00f3leo, como os pa\u00edses \u00e1rabes ou a Venezuela. Ser\u00e1 um modelo voltado ao consumo interno, para atender nossas necessidades energ\u00e9ticas, e o restante para exporta\u00e7\u00e3o. E ainda assim ir\u00e1 gerar riqueza para o Pa\u00eds\u201d, afirmou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 28\/04\/2009 &ndash; O governo brasileiro defende uma nova matriz energ\u00e9tica baseada em fontes renov\u00e1veis, sem deixar de apostar na expans\u00e3o futura de seus tradicionais recursos fosseis, como g\u00e1s e petr\u00f3leo <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/04\/america-latina\/energia-brasil-caminho-leva-a-dois-destinos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[],"class_list":["post-5028","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5028","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5028\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}