{"id":506,"date":"2005-04-15T00:00:00","date_gmt":"2005-04-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=506"},"modified":"2005-04-15T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-15T00:00:00","slug":"direitos-humanos-eua-querem-prisioneiros-longe-do-direito-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/direitos-humanos-eua-querem-prisioneiros-longe-do-direito-internacional\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: EUA querem prisioneiros longe do direito internacional"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 15\/04\/2005 &ndash; A c&uacute;pula militar dos Estados Unidos pretende que o governo formalize a pol&iacute;tica de manter &quot;presos fantasmas&quot; no contexto da &quot;guerra contra o terror&quot;, advertiu a organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch. O Estado Maior Conjunto norte-americano, &oacute;rg&atilde;o do Departamento de Defesa que re&uacute;ne os principais chefes militares em atividade, prop&otilde;es oficializar a manuten&ccedil;&atilde;o na pris&atilde;o de &quot;combatentes inimigos&quot; sem as garantias impostas pelas Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra, segundo a HRW. &quot;Negar as salvaguardas das Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra a pessoas detidas na guerra mundial contra o terror n&atilde;o tem sustenta&ccedil;&atilde;o legal&quot;, ressaltou a organiza&ccedil;&atilde;o em carta ao secret&aacute;rio da Defesa, Donald Rumsfeld.<br \/> <!--more--> <br \/> Essa pol&iacute;tica &quot;representa um desvio radical dos crit&eacute;rios que tradicionalmente norteiam as opera&ccedil;&otilde;es militares norte-americanas e submete soldados e civis deste pa&iacute;s presos por for&ccedil;as inimigas a um risco maior de maus-tratos&quot;, diz a carta. Um memorando enviado a Rumsfeld pelo Estado Maior Conjunto, no dia 23 de mar&ccedil;o, hoje em fase de rascunho final, &eacute; conhecido como &quot;Doutrina conjunta para opera&ccedil;&otilde;es com detidos: Publica&ccedil;&atilde;o conjunta 3-63&quot;. Se &quot;o rascunho&quot; for aprovado, formalizar&aacute; o &quot;combatente inimigo&quot; como categoria de prisioneiro que o governo de George W. Bush diz n&atilde;o gozar da prote&ccedil;&atilde;o das Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra&quot;, disse &agrave; IPS John Sifton, advogado da HRW. &quot;N&atilde;o existe nas Conven&ccedil;&otilde;es categorias de prisioneiros sem prote&ccedil;&atilde;o&quot;, explicou.<\/p>\n<p> As Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra s&atilde;o a base do chamado direito internacional humanit&aacute;rio, e se referem &agrave; popula&ccedil;&atilde;o civil afetada por conflitos armados e &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos prisioneiros de guerra. O memorando tamb&eacute;m concede &agrave;s autoridades militares a faculdade de classificar como combatente inimigo qualquer um que constar como tal em uma lista do governo norte-americano. &quot;A lista proposta inclui uma ampla de grupos, desde religiosos sik at&eacute; seguidores da guerrilha peruana Sendero Luminoso, e potencialmente a milh&otilde;es de pessoas chamadas Ahmed ou Mohamed. Isto &eacute; um enorme e radical desvio que minaria o estado de direito&quot;, disse Sifton.<\/p>\n<p> A carta enviada a Rumsfeld, assinada pelo diretor-executivo da HRW, Kenneth Roth, indica que, se o Departamento de Defesa agir de acordo com o memorando, &quot;militares norte-americanos poderiam cometer graves viola&ccedil;&otilde;es das Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra, arriscando-se a serem acuados de crimes de guerra&quot;. A organiza&ccedil;&atilde;o argumentou que a decis&atilde;o do governo, adotada em janeiro de 2002, de &quot;repudiar a aplicabilidade das Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra na guerra mundial contra o terror&quot; &eacute; a origem dos esc&acirc;ndalos por casos de torturas e outros abusos contra presos no Iraque, Afeganist&atilde;o e na base naval norte-americana de Guant&acirc;namo.<\/p>\n<p> As novas regras &quot;enviar&atilde;o ao mundo a mensagem de que as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra n&atilde;o s&atilde;o lei, mas, meras pol&iacute;ticas que podem ser mudadas de acordo com o gosto de um governo em particular&quot;, diz a carta. Isto, por sua vez, poderia ter &quot;um profundo impacto sobre futuros conflitos armados entre pa&iacute;ses e nos soldados e civis afetados por eles, incluindo os norte-americanos&quot;, acrescenta o texto. As novas pol&iacute;ticas incluem uma diretriz que permitiria aos militares manter combatentes inimigos como &quot;presos fantasmas&quot;, sem acesso ao Comit&ecirc; Internacional da Cruz Vermelha, disse a HRW. O documento do Pent&aacute;gono ainda n&atilde;o foi divulgado, e ser&aacute; apresentado a Rumsfeld para sua aprova&ccedil;&atilde;o no dia 16.<\/p>\n<p> O Departamento de Defesa negou-se a comentar sobre o rascunho de memorando e a respeito da carta da HRW. Em junho &uacute;ltimo, a Suprema Corte dos Estados Unidos emitiu duas senten&ccedil;as relacionadas com a deten&ccedil;&atilde;o de &quot;combatentes inimigos&quot; em Guant&acirc;namo. No primeiro caso, determinou que os presos tinham direito ao devido processo e a questionar sua deten&ccedil;&atilde;o perante &quot;um &oacute;rg&atilde;o de decis&atilde;o neutro&quot;. No segundo, confirmou que os tribunais norte-americanos t&ecirc;m jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre esses presos. O Departamento de Defesa criou, ent&atilde;o, tribunais militares especiais para determinar quais dos detidos em Guant&acirc;namo representavam amea&ccedil;as para os Estados Unidos. Estes tribunais s&atilde;o criticados por negarem aos acusados os elementos mais b&aacute;sicos do devido processo, inclu&iacute;da a confidencialidade entre advogado defensor e seu cliente.<\/p>\n<p> O governo quase n&atilde;o fornece informa&ccedil;&atilde;o sobre esses casos, mas a Corte de Distrito em Washington, onde v&aacute;rios dos acusados questionaram sua deten&ccedil;&atilde;o, publicou milhares de p&aacute;ginas de transcri&ccedil;&otilde;es. Esses documentos d&atilde;o identidade e voz aos detidos. O governo mant&eacute;m 550 suspeitos de terrorismo em sua base naval de Cuba. Outros 214 foram libertados desde janeiro de 2002, alguns entregues aos governos de seus respectivos pa&iacute;ses. Uma das transcri&ccedil;&otilde;es, revisadas pela ag&ecirc;ncia Associated Press, conta que um dos acusados de terrorismo, Feroz Ali Abassi, foi expulso da sala de audi&ecirc;ncias por questionar reiteradamente a legalidade de sua pris&atilde;o. &quot;Tenho direito de falar&quot;, insistiu Abassi. &quot;N&atilde;o, n&atilde;o tem&quot;, respondeu o presidente do tribunal. &quot;N&atilde;o me interessa o direito internacional. N&atilde;o quero voltar a ouvir as palavras direito internacional&quot;, disse o presidente enquanto o acusado era retirado da sala. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 15\/04\/2005 &ndash; A c&uacute;pula militar dos Estados Unidos pretende que o governo formalize a pol&iacute;tica de manter &quot;presos fantasmas&quot; no contexto da &quot;guerra contra o terror&quot;, advertiu a organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch. O Estado Maior Conjunto norte-americano, &oacute;rg&atilde;o do Departamento de Defesa que re&uacute;ne os principais chefes militares em atividade, prop&otilde;es oficializar a manuten&ccedil;&atilde;o na pris&atilde;o de &quot;combatentes inimigos&quot; sem as garantias impostas pelas Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra, segundo a HRW. &quot;Negar as salvaguardas das Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra a pessoas detidas na guerra mundial contra o terror n&atilde;o tem sustenta&ccedil;&atilde;o legal&quot;, ressaltou a organiza&ccedil;&atilde;o em carta ao secret&aacute;rio da Defesa, Donald Rumsfeld.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/direitos-humanos-eua-querem-prisioneiros-longe-do-direito-internacional\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-506","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=506"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}