{"id":5099,"date":"2009-05-19T13:55:21","date_gmt":"2009-05-19T13:55:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5099"},"modified":"2009-05-19T13:55:21","modified_gmt":"2009-05-19T13:55:21","slug":"reportagem-peixe-invasor-e-com-ma-fama-mas-produtivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/05\/america-latina\/reportagem-peixe-invasor-e-com-ma-fama-mas-produtivo\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Peixe invasor e com m\u00e1 fama, mas produtivo"},"content":{"rendered":"<p>HAVANA, 19\/05\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-O bagre africano encarna em Cuba todos os desafios das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, que, ap\u00f3s serem introduzidas em um habitat, se convertem em invasoras.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5099\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/422_clarias_comiendo_estanque_P.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5099\" class=\"size-medium wp-image-5099\" title=\"Bagres africanos alimentam-se em um tanque de cria\u00e7\u00e3o, em Cuba. - Patricia Grogg\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/422_clarias_comiendo_estanque_P.jpg\" alt=\"Bagres africanos alimentam-se em um tanque de cria\u00e7\u00e3o, em Cuba. - Patricia Grogg\/IPS\" width=\"200\" height=\"127\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5099\" class=\"wp-caption-text\">Bagres africanos alimentam-se em um tanque de cria\u00e7\u00e3o, em Cuba. - Patricia Grogg\/IPS<\/p><\/div>  Conhecido por devorar tudo que cruza seu caminho, e at\u00e9 por morder as pessoas, o bagre africano (Clarias gariepinus) levanta pol\u00eamica em Cuba, enquanto, transformado em fil\u00e9, \u00e9 degustado nas mesas familiares. A esp\u00e9cie, tamb\u00e9m conhecida como peixe-gato, foi introduzida em Cuba em 1999 para ser criada em tanques de \u00e1gua doce. Mas as fortes chuvas que ca\u00edram em 2001 e 2002 &#8211; devido aos ciclones Michelle, Isidoro e Lili &#8211; provocaram sua dispers\u00e3o por todo o pa\u00eds. Desde ent\u00e3o, mil hist\u00f3rias alimentam sua m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os argumentos contra o bagre africano v\u00e3o desde ser \u201cmuito feio\u201d at\u00e9 aos de que \u201ccome qualquer coisa\u201d e assusta, porque pode andar como r\u00e9ptil em terra firme, valendo-se de suas r\u00edgidas barbatanas e ondulando seu corpo. A pior e mais s\u00e9ria acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que acaba com outras esp\u00e9cies, pondo em risco o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. Algo desse tipo teria ocorrido na lagoa da fazenda El Retiro, em C\u00e1rdenas, a cerca de 150 quil\u00f4metros de Havana, onde n\u00e3o h\u00e1 outros peixes, nem patos ou gansos, desde a chegada do bagre africano. Trabalhadores do lugar culpam a esp\u00e9cie invasora de comerem as crias dessas aves.<\/p>\n<p>\u201cMas o fil\u00e9 destes peixes \u00e9 bom. Temos que pensar em como cri\u00e1-los em abund\u00e2ncia nestes espelhos d\u2019\u00e1gua da fazenda. Assim contribuir\u00edamos para maior disponibilidade de alimentos\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Raimundo Garc\u00eda, diretor do Centro Crist\u00e3o de Reflex\u00e3o e Di\u00e1logo, respons\u00e1vel pelo projeto El Retiro. A introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas figura entre as principais causas da perda de diversidade biol\u00f3gica em Cuba, al\u00e9m da \u201cd\u00e9bil integra\u00e7\u00e3o entre as estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel da biodiversidade e das atividades de desenvolvimento econ\u00f4mico\u201d.<\/p>\n<p>Para os ecologistas, o problema n\u00e3o \u00e9 tanto o fato de o bagre africano ser invasor, mas sim de os mecanismos de regula\u00e7\u00e3o e controle nem sempre serem infal\u00edveis, e de o desastre ambiental ser muito dif\u00edcil de reverter. <\/p>\n<p>As Na\u00e7\u00f5es Unidas decidiram dedicar esse 22 de maio, Dia Internacional da Diversidade Biol\u00f3gica, \u00e0 quest\u00e3o das esp\u00e9cies invasoras, uma amea\u00e7a maior \u00e0 biodiversidade e ao \u201cbem-estar ecol\u00f3gico e econ\u00f4mico da sociedade e do planeta\u201d. Desde o s\u00e9culo XVII, estas esp\u00e9cies &#8211; animais, vegetais, v\u00edrus, bact\u00e9rias e outros organismos patog\u00eanicos &#8211; \u201ccontribuem com quase 40% da extin\u00e7\u00e3o de animais com causa conhecida\u201d, afirma o Conv\u00eanio sobre a Diversidade Biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Em Cuba, a estrat\u00e9gia oficial para proteger a biodiversidade inclui a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o, reabilita\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas e habitat degradados, avalia\u00e7\u00e3o de impacto ambiental, planos de manejo e controle de esp\u00e9cies invasoras vegetais e animais. Em defesa do bagre africano, t\u00e9cnicos do setor pesqueiro alegam que qualquer esp\u00e9cie, diante de um jejum prolongado por falta de alimento, pode surpreender comendo organismos que n\u00e3o fazem parte de sua dieta habitual. \u201cO bagre africano \u00e9 resistente, sobrevive em condi\u00e7\u00f5es adversas\u201d, disse a esta jornalista Julio Baisre, assessor ministerial.<\/p>\n<p>\u201cEstudos sobre o conte\u00fado estomacal desta esp\u00e9cie, as caracter\u00edsticas e posi\u00e7\u00e3o de sua boca, sua denti\u00e7\u00e3o reduzida e o fato de apenas valer-se do tato e do olfato para localizar as presas indicam que se alimenta, em geral, de organismos do fundo das \u00e1guas\u201d, afirmou Baisre. O assessor considera \u201cexageradas e de segunda m\u00e3o\u201d as opini\u00f5es contra o bagre africano, pois tampouco h\u00e1 \u201cevid\u00eancias cientificamente fundamentadas\u201d de que alguma das esp\u00e9cies cubanas de \u00e1gua doce tenha se extinguido por causa de outra invasora. <\/p>\n<p>Segundo ele, \u201cprovavelmente outros impactos ambientais relacionados com o uso e manejo da \u00e1gua e a destrui\u00e7\u00e3o de habitat\u201d tenham influenciado mais negativamente sobre essas esp\u00e9cies do que a presen\u00e7a do bagre africano ou de til\u00e1pias (g\u00eanero Oreochromis). Contudo, faltam \u201cestudos rigorosos\u201d sobre os impactos ambientais de muitas esp\u00e9cies trazidas de fora, reconheceu Baisre. \u201cQuando me perguntam sobre o peixe-gato respondo com outra pergunta: Voc\u00ea conhece alguma esp\u00e9cie que sirva de alimento humano e se converta em uma praga?\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Outros defensores da introdu\u00e7\u00e3o do bagre africano na aquicultura argumentam que mais de 65% das esp\u00e9cies de \u00e1gua doce criadas no continente americano n\u00e3o s\u00e3o naturais dessa regi\u00e3o, como ocorreu h\u00e1 s\u00e9culos com a cana-de-a\u00e7\u00facar ou o caf\u00e9. \u201cAs introdu\u00e7\u00f5es de peixes acontecem a partir de janelas comparativas com esp\u00e9cies aut\u00f3ctones, como maior crescimento, tecnologia de produ\u00e7\u00e3o eficiente e econ\u00f4mica, alto valor no mercado externo ou propriedades nutricionais\u201d, assegurou Orestes Gonz\u00e1lez, subdiretor da revista Mar e Pesca.<\/p>\n<p>O peixe-gato \u00e9 conhecido e aceito na mesa cubana e figura com certa frequ\u00eancia na rede comercial de produtos do mar em moeda nacional. Cuba tenta desenvolver a aquicultura de maneira intensiva. Dionis Cruz, vendedor de uma peixaria da capital, onde um quilo de fil\u00e9 de bagre africano custa o equivalente a US$ 1,5, assegura que \u00e9 muito procurado. \u201cVende muito r\u00e1pido. Recebo 200 quilos que acabam em dois dias\u201d, afirmou. Especialistas concordam que a cria\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de \u00e1gua doce \u00e9 uma \u201cnecessidade mundial\u201d, pois a pesca mar\u00edtima chegou ao seu limite h\u00e1 anos. O cultivo de bagre africano n\u00e3o \u00e9 uma descoberta cubana, sendo explorado em mais de 30 pa\u00edses, afirmam.<\/p>\n<p>Em 2008, a aquicultura cubana produziu mais de 30 mil toneladas de pescado, entre tinca (Tinca tinca), til\u00e1pia, bagre africano e outras esp\u00e9cies, boa parte em tanques explorados ao m\u00e1ximo, onde os peixes alimentam-se de pl\u00e2ncton natural. Nos \u00faltimos anos, foi incentivada a cria\u00e7\u00e3o intensiva de til\u00e1pias em jaulas flutuantes e de peixe-gato em tanques de terra ou cimento. Segundo Baisre, esta aquicultura \u00e9 sustent\u00e1vel e faz parte da estrat\u00e9gia nacional de seguran\u00e7a alimentar. O m\u00e9todo intensivo permite que, por meio da alimenta\u00e7\u00e3o, seja controlado o n\u00famero de exemplares que podem ser mantidos em um determinado lugar.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a um projeto financiado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), a aquicultura cubana conta com ra\u00e7\u00e3o crioula, o que barateia os custos. O alimento elaborado no Centro de Prepara\u00e7\u00e3o de Aquicultura Mampost\u00f3n, em San Jos\u00e9 de Las Lajas, a cerca de 30 quil\u00f4metros da capital, se baseia nos pr\u00f3prios subprodutos do bagre africano, aos quais s\u00e3o adicionadas farinhas de soja, de trigo ou farelo. \u201cA id\u00e9ia \u00e9 substituir a importa\u00e7\u00e3o de farinha de pescado\u201d, disse Mirtha Vinjoy, subdiretora do Centro.<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HAVANA, 19\/05\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-O bagre africano encarna em Cuba todos os desafios das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, que, ap\u00f3s serem introduzidas em um habitat, se convertem em invasoras. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/05\/america-latina\/reportagem-peixe-invasor-e-com-ma-fama-mas-produtivo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":171,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[21],"class_list":["post-5099","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5099","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/171"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5099"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5099\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}