{"id":51,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=51"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"metano-europa-segue-na-rota-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/metano-europa-segue-na-rota-nuclear\/","title":{"rendered":"Metano: Europa segue na rota nuclear"},"content":{"rendered":"<p>PARIS, 20\/01\/2005 &ndash; O governo da Fran&ccedil;a planeja investir cerca de US$ 150 milh&otilde;es nos pr&oacute;ximos 30 anos em usinas nucleares, incluindo o Reator Termonuclear Experimental Internacional (Iter), apesar das advert&ecirc;ncias de especialistas sobre problemas tecnol&oacute;gicos e ambientais. O Iter foi concebido nos anos 80 como um projeto de coopera&ccedil;&atilde;o para uso civil da energia nuclear, com participa&ccedil;&atilde;o de China, Cor&eacute;ia do Sul, Estados Unidos, Jap&atilde;o, Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e a hoje extinta Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Depois, a Fran&ccedil;a ofereceu &agrave; Uni&atilde;o Europ&eacute;ia duplicar sua contribui&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica para o reator, cujo custo previsto para os pr&oacute;ximos dez anos &eacute; de US$ 12 bilh&otilde;es, em troca de instal&aacute;-lo em Cadarache, sul do pa&iacute;s.<br \/> <!--more--> <br \/> Nos &uacute;ltimos 18 meses, China, R&uacute;ssia e Uni&atilde;o Europ&eacute;ia aceitaram a proposta, e Paris convenceu o bloco europeu a lan&ccedil;ar o projeto sem participa&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos e do Jap&atilde;o, que tamb&eacute;m queria receber o reator. No contexto da oposi&ccedil;&atilde;o francesa &agrave; invas&atilde;o do Iraque liderada por Washington, a localiza&ccedil;&atilde;o do Iter se converteu completamente em uma quest&atilde;o pol&iacute;tica. No final de novembro, a Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, &oacute;rg&atilde;o executivo da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, anunciou estar disposta a financiar sozinha o Iter e instal&aacute;-lo em Cadarache, dando prazo at&eacute; o final de 2004 para que os participantes n&atilde;o-europeus decidam se permanecer&atilde;o no projeto.<\/p>\n<p> O Iter busca imitar a fus&atilde;o nuclear de dois is&oacute;topos de hidrog&ecirc;nio (o deut&eacute;rio e o tr&iacute;tio) que ocorre nas estrelas, para produzir h&eacute;lio com uma colossal gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade. O primeiro-ministro franc&ecirc;s, Jean-Pierre Rafarin, disse em novembro de 2003 que o projeto proporcionaria &quot;a energia do futuro, uma fonte inextingu&iacute;vel e sem problemas significativos, gra&ccedil;as &agrave; abund&acirc;ncia do hidrog&ecirc;nio contido na &aacute;gua&quot;. A informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, entretanto, o contradiz. O deut&eacute;rio efetivamente existe em abund&acirc;ncia na natureza, mas o tr&iacute;tio, radioativo, &eacute; muito raro e inst&aacute;vel. <\/p>\n<p> Os f&iacute;sicos nucleares franceses Sebastien Balibar, Yves Pomeau e Jacques Treiner escreveram, no dia 25 de outubro de 2004, no jornal Le Monde que um reator termonuclear apresenta tr&ecirc;s problemas t&eacute;cnicos de primeira grandeza: a produ&ccedil;&atilde;o dos elementos a sofrerem fus&atilde;o, sua resist&ecirc;ncia &agrave; fus&atilde;o e o controle da rea&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, argumentaram, o projeto Iter somente se interessa pelo &uacute;ltimo aspecto, &quot;ignorando os outros dois, cuja solu&ccedil;&atilde;o, entretanto, &eacute; essencial&quot;. Para gerar um givawatt de eletricidade, um reator de fus&atilde;o nuclear necessita queimar 56 quilos de tr&iacute;tio, mas o Iter n&atilde;o considera o problema de produzir esse is&oacute;topo nem o do lixo nuclear gerado por essa produ&ccedil;&atilde;o, insistiram os cientistas. <\/p>\n<p> D&uacute;vidas semelhantes s&atilde;o provocadas por outro grande projeto nuclear franc&ecirc;s, de modernizar as 57 centrais nucleares do pa&iacute;s, substituindo-as por reatores de &aacute;gua pressurizada (EPR, sigla em ingl&ecirc;s de Reator Pressurizado Europeu). No final de outubro, a Electricit&eacute; de France (EdF), o monop&oacute;lio estatal da eletricidade, anunciou que em 2007 come&ccedil;ar&aacute; a constru&ccedil;&atilde;o de um primeiro EPR em Flamaville, na costa atl&acirc;ntica no noroeste do pa&iacute;s, que espera colocar em funcionamento em 2012, ao custo de US$ 4 bilh&otilde;es a US$ 5 bilh&otilde;es. <\/p>\n<p> O atual parque nuclear franc&ecirc;s estar&aacute; obsoleto em 2020, e substituir a metade das centrais por EPR antes desse ano custaria cerca de US$ 150 bilh&otilde;es. A Fran&ccedil;a produz 80% de sua energia em centrais nucleares e &eacute; o segundo pa&iacute;s do mundo em depend&ecirc;ncia da energia at&ocirc;mica, depois da Ucr&acirc;nia. <\/p>\n<p> Atualmente, as &uacute;nicas na&ccedil;&otilde;es europ&eacute;ias com planos de construir novas centrais s&atilde;o Fran&ccedil;a, Finl&acirc;ndia e algumas que integraram o bloco socialista. Alemanha, B&eacute;lgica e Su&eacute;cia est&atilde;o entre os pa&iacute;ses da Europa que, por outro lado, iniciaram um desmantelamento progressivo de centrais nucleares, e a Fran&ccedil;a &eacute; um dos poucos ausentes de uma campanha cuja meta &eacute; conseguir at&eacute; 2010 que 21% da energia produzida em cada pa&iacute;s da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia provenha de fontes renov&aacute;veis. Hoje em dia, essa propor&ccedil;&atilde;o na Fran&ccedil;a &eacute; inferior a 15%, e o pa&iacute;s &quot;j&aacute; deveria produzir cerca de sete mil megawatts a partir de energia e&oacute;lica, mas produz apenas 300&quot;, disse ao Terram&eacute;rica H&eacute;l&egrave;ne Gassin, da filial francesa do Greenpeace.<\/p>\n<p> A constru&ccedil;&atilde;o do primeiro EPR &quot;contribuir&aacute; para garantir a independ&ecirc;ncia energ&eacute;tica da Fran&ccedil;a, e servir&aacute; de vitrine para a exporta&ccedil;&atilde;o dessa tecnologia&quot; francesa e alem&atilde;, segundo o presidente da EdF, Pierre Gadonneix. Por&eacute;m, o diretor da associa&ccedil;&atilde;o antinuclear Sortir du Nucl&eacute;aire, Stephane Lhomme, disse ao Terram&eacute;rica que &quot;n&atilde;o h&aacute; praticamente nenhum EPR em funcionamento no mundo e apenas tr&ecirc;s est&atilde;o em constru&ccedil;&atilde;o&quot;, de modo que faltam &quot;garantias objetivas de efici&ecirc;ncia da tecnologia&quot;. Al&eacute;m disso, as centrais do tipo EPR deveriam funcionar por 60 anos ininterruptamente para come&ccedil;arem a gerar lucro, e as autoridades reconhecem que n&atilde;o est&atilde;o concebidas para resistir a ataques terroristas ou terremotos, ressaltou.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARIS, 20\/01\/2005 &ndash; O governo da Fran&ccedil;a planeja investir cerca de US$ 150 milh&otilde;es nos pr&oacute;ximos 30 anos em usinas nucleares, incluindo o Reator Termonuclear Experimental Internacional (Iter), apesar das advert&ecirc;ncias de especialistas sobre problemas tecnol&oacute;gicos e ambientais. O Iter foi concebido nos anos 80 como um projeto de coopera&ccedil;&atilde;o para uso civil da energia nuclear, com participa&ccedil;&atilde;o de China, Cor&eacute;ia do Sul, Estados Unidos, Jap&atilde;o, Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e a hoje extinta Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Depois, a Fran&ccedil;a ofereceu &agrave; Uni&atilde;o Europ&eacute;ia duplicar sua contribui&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica para o reator, cujo custo previsto para os pr&oacute;ximos dez anos &eacute; de US$ 12 bilh&otilde;es, em troca de instal&aacute;-lo em Cadarache, sul do pa&iacute;s.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/metano-europa-segue-na-rota-nuclear\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-51","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}