{"id":5104,"date":"2009-05-19T17:46:47","date_gmt":"2009-05-19T17:46:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5104"},"modified":"2009-05-19T17:46:47","modified_gmt":"2009-05-19T17:46:47","slug":"ambiente-colombia-depredadora-extracao-carbonifera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/05\/america-latina\/ambiente-colombia-depredadora-extracao-carbonifera\/","title":{"rendered":"AMBIENTE-COL\u00d4MBIA: Depredadora extra\u00e7\u00e3o carbon\u00edfera"},"content":{"rendered":"<p>Suesca, Col\u00f4mbia, 19\/05\/2009 &ndash; A mobiliza\u00e7\u00e3o de camponeses e moradores da localidade colombiana de Cuay\u00e1 ainda n\u00e3o conseguiu deter a extra\u00e7\u00e3o sem controle de carv\u00e3o na \u00e1rea, com consequ\u00eancias ambientais nefastas no pr\u00e9-p\u00e1ramo e na lagoa de Suesca, a tr\u00eas mil metros acima do n\u00edvel do mar. <!--more--> \u201cH\u00e1 pouco mais de tr\u00eas d\u00e9cadas a Grande Lagoa de Suesca tinha cerca de 14 quil\u00f4metros de di\u00e2metro, mas agora tem apenas tr\u00eas\u201d, disse \u00e0 IPS Vicente Castillo, agricultor local e testemunha durante seus 53 anos de vida da deteriora\u00e7\u00e3o ambiental pela atividade extrativista.<\/p>\n<p>\u201cA minera\u00e7\u00e3o acaba com as nascentes, seca os riachos e ocorre a eros\u00e3o que acaba com a montanha nativa\u201d, explica Castillo, que descreve que muitos dos caminhos rurais de hoje j\u00e1 foram rios e quebradas, que podem ser reconhecidos pela cor e pelo tamanho das pedras. Por isso a comunidade quer deter a explora\u00e7\u00e3o da mina La Esperanza de onde se extrai carv\u00e3o de forma intermitente desde 2002.<\/p>\n<p>A mina fica em um c\u00e2nion natural entre as localidades de Cuay\u00e1 e Hatillo, no munic\u00edpio de Suesca, 75 quil\u00f4metros ao norte de Bogot\u00e1 e com 15 mil habitantes, em sua maioria nativos donos de minif\u00fandios dedicados a hortas, pecu\u00e1ria leiteria e outras atividades agr\u00edcolas de pequeno porte que s\u00e3o afetadas pela extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o. \u201cIsto se comprova olhando o desn\u00edvel do terreno em locais pr\u00f3ximos a minas j\u00e1 fechadas\u201d, disse \u00e0 IPS Germ\u00e1n G\u00f3mez, de 42 anos, natural de Suesca.<\/p>\n<p>\u201cOnde a terra era plana, cultiv\u00e1vel ou animais podiam pastar, hoje h\u00e1 desn\u00edveis, est\u00e1 reassentada e, embora por um tempo as ra\u00edzes das \u00e1rvores ajudem a sustent\u00e1-la, acabam desmoronando. \u00c9 grave porque a recupera\u00e7\u00e3o demora muito tempo, s\u00e9culos\u201d, diz G\u00f3mez, enquanto Castillo compara esta situa\u00e7\u00e3o com \u201ccortar as veias do corpo humano\u201d. Veias de uma regi\u00e3o com \u201ccaracter\u00edsticas naturais como uma falha geol\u00f3gica do tipo inverso, o que significa que \u00e9 muito rica em \u00e1gua subterr\u00e2nea\u201d, disse \u00e0 IPS Gloria Uma\u00f1a, que deixou Bogot\u00e1 e se radicou na regi\u00e3o h\u00e1 sete anos para trabalhar pela conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>Uma\u00f1a pos em marcha h\u00e1 dois anos o projeto Backtoeden, pelo qual se planta mais de mil \u00e1rvores, dedicando-se nos \u00faltimos meses a conhecer os preju\u00edzos causados pela minera\u00e7\u00e3o em uma regi\u00e3o onde \u201cpode demorar 15 dias ou um m\u00eas sem que o aqueduto forne\u00e7a o servi\u00e7o de \u00e1gua pot\u00e1vel\u201d. Por isso \u201c\u00e9 paradoxal a extra\u00e7\u00e3o e o desperd\u00edcio das \u00e1guas extra\u00eddas do subsolo para a minera\u00e7\u00e3o. \u00c9 um crime ambiental dar \u00e0 \u00e1gua o tratamento de lixo que se joga fora, corre, estanca e acaba convertendo-se em lama\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cQuando os t\u00faneis ficam vazios, se deixa de bombear e a \u00e1gua volta a inundar as escava\u00e7\u00f5es e reage quimicamente com os sulfuros de metal usados durante as extra\u00e7\u00f5es produzindo acido sulf\u00farico que contamina mananciais, lagos, rios. \u00c9 o que se conhece como drenagem acida das minas\u201d, disse Uma\u00f1a. Segundo os c\u00e1lculos feitos, das duas bombas em uma \u00fanica boca de mina s\u00e3o extra\u00eddos 72 metros c\u00fabicos de \u00e1gua por dia, al\u00e9m do fato de a mina ficar no leito do riacho Congota. \u201cVivemos um infame desmatamento por desidrata\u00e7\u00e3o\u201d, Lamentou Uma\u00f1a. \u201cN\u00e3o se imagina o que vai acontecer dentro de 10 ou 15 anos\u201d, acrescentou Castillo, que espera que seus netos possam desfruta algo da terra que ele conhece e ama.<\/p>\n<p>Os problemas expostos t\u00eam origem em uma mina com t\u00edtulo, mas sem licen\u00e7a ambiental. Segundo a Procuradoria Ambienta informou aos camponeses, as licen\u00e7as de cumprimento por responsabilidade civil e trabalhista estavam vencidas no momento de recopilar a informa\u00e7\u00e3o. \u201cTemos muito de onde tirar para defender nossos direitos, sempre de forma pac\u00edfica\u201d, acrescentou Castillo. Na mina n\u00e3o h\u00e1 meios de ventila\u00e7\u00e3o, nem sinaliza\u00e7\u00e3o externa interna, e foram feitos t\u00faneis e bocas de mina opor fora da \u00e1rea concedida por contrato. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o se pode caminhar \u00e0 noite como antes, tranq\u00fcilo, porque h\u00e1 o risco de se cair em um desses buracos\u201d, disse G\u00f3mez.<\/p>\n<p>A mina est\u00e1 em nome de quatro pessoas, sendo a cabe\u00e7a vis\u00edvel Jos\u00e9 Joaqu\u00edn Medell\u00edn, que, aparentemente, pertenceu ao ex\u00e9rcito colombiano, o que a IPS n\u00e3o p\u00f4de confirmar. Como representante legal da mina aparece Miryam Brice\u00f1o, a que a IPS tentou encontrar no n\u00famero de telefone registrado nos documentos, mas ali responderam que n\u00e3o a conhecem. Tampouco \u00e9 totalmente certo que sejam Medell\u00edn e as pessoas que aparecem registradas os reais propriet\u00e1rios da minam, porque poderiam estar cumprindo a fun\u00e7\u00e3o de testas-de-ferro.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o pedida pelos moradores de Suesca em agosto do ano passado para tratar da situa\u00e7\u00e3o que ocasiona a mina, Medell\u00edn os acusou de serem guerrilheiros e \u201cgamines\u201d, com se chama na Col\u00f4mbia, de maneira a depreciar, os indigentes e delinq\u00fcentes menores, palavras que soam mais amea\u00e7adoras no contexto da pol\u00edtica de Seguran\u00e7a Democr\u00e1tica do direitista presidente \u00c1lvaro Uribe. De fato, depois dessa reuni\u00e3o, v\u00e1rios participantes se retiraram garantindo, alguns, que tiveram medo, e outros que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 grave.<\/p>\n<p>Mas, os que mant\u00eam seu empenho em favorecer o meio ambiente continuam enviado cartas e solicita\u00e7\u00f5es constantes a entidades governamentais locais, departamentais e nacionais, como a prefeitura de Suesca, a Procuradoria regional para o meio ambiente, o Governo de Cundinamarca, a Corpora\u00e7\u00e3o Aut\u00f4noma Regional (Car) e o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Os l\u00edderes camponeses recorrem a figuras constitucionais como direitos de peti\u00e7\u00e3o para conseguir respostas e conseguir reuni\u00f5es com o prefeito de Suesca, Oscar Barrera, a que a IPS telefonou.<\/p>\n<p>No entanto, Barrera, ap\u00f3s ouvir o motivo do telefonema, perguntou \u201cde que mina est\u00e1 falando\u201d e desligou o telefone, ou, coincidentemente, caiu a liga\u00e7\u00e3o. Em outra tentativa da IPS, o prefeito garantiu que estava em um s\u00f3t\u00e3o que limitava o sinal telef\u00f4nico e, a partir da\u00ed, o celular permaneceu apenas em situa\u00e7\u00e3o de receber mensagens. Por\u00e9m, as fontes ouvidas garantem que Barrera desconhece a import\u00e2ncia do problema e que em suas respostas argumenta, por exemplo, que lutar contra os donos do t\u00edtulo \u00e9 in\u00fatil porque eles t\u00eam muitos e destacados advogados.<\/p>\n<p>Barrera tamb\u00e9m se ampara no fato de a explora\u00e7\u00e3o come\u00e7ar antes de assumir como prefeito em janeiro de 2008 e que a licen\u00e7a foi concedida no come\u00e7o desta d\u00e9cada pelo estatal Instituto Colombiano de Geologia e Minera\u00e7\u00e3o (Ingeominas). Mas, segundo Castillo, essa habilita\u00e7\u00e3o foi feita \u201csem pensar no dano ambiental nem consultar a comunidade que vive na \u00e1rea e que \u00e9 a prejudicada, porque os outros causam os danos e v\u00e3o embora\u201d. O claro exemplo disse \u00e9 \u201ca lagoa de Suesca, onde fizeram perfura\u00e7\u00f5es de at\u00e9 200 metros de profundidade, e por isso est\u00e1 quase acabada\u201d, afirmou este morador.<\/p>\n<p>E como se tudo isso n\u00e3o bastasse, h\u00e1 o barulho, que \u201csofremos durante 24 horas, de segunda a segunda, das maquinas na boca da mina e dos latidos dos c\u00e3es\u201d, contou Uma\u00f1a. Barulho que tamb\u00e9m interrompe as aulas na escola local onde estudam 40 crian\u00e7as, que \u201cnem sempre ouvem a professora\u201d, como disse \u00e0 IPS H\u00e9ctor Javier G\u00f3mez, de 11 anos, aluno da quinta s\u00e9rie que, t\u00edmido, mas interessado, seguiu a dos adultos.<\/p>\n<p>\u00c0 polui\u00e7\u00e3o auditiva se segue a instala\u00e7\u00e3o de uma fileira de postes de energia que quebre o cotidiano dos camponeses e seu descanso noturno, fazendo-os se sentirem em meio a uma avenida da cidade. E o \u00fanico poss\u00edvel benef\u00edcio para a comunidade que a explora\u00e7\u00e3o mineira poderia deixar seria dar trabalho a pessoas da regi\u00e3o. Mas, muitos mineiros chegam desde o departamento de Boyac\u00e1, com tradi\u00e7\u00e3o na extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o. A IPS conversou com um deles, n\u00e3o revelando seu nome diante da possibilidade de uma poss\u00edvel demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Com 26 anos e pa\u00eds de dois filhos e escolaridade b\u00e1sica, garantiu, por um lado, n\u00e3o conhecer os danos ambientais causados pela mina e, por outro, n\u00e3o ter op\u00e7\u00f5es trabalhistas para escolher. Sua renda depende da quantidade de carv\u00e3o extra\u00edda, variando entre o equivalente a US$ 300 e US$ 350 por quinzena, dos quais deve descontar 12% para o pagamento do servi\u00e7o de sa\u00fade e 16% com contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria. Mas, o trabalho n\u00e3o tem v\u00ednculo direto com quem os contrata.<\/p>\n<p>O sal\u00e1rio m\u00ednimo legal mensal fica perto dos US$ 300 atualmente, o que para o caso do mineiro de Boyac\u00e1 daria uma boa op\u00e7\u00e3o comparativa, sempre e quando n\u00e3o sofrer acidentes nem ser v\u00edtima de explos\u00f5es. Toda a situa\u00e7\u00e3o foi exposta de maneira cont\u00ednua aos \u00f3rg\u00e3os de controle e verifica\u00e7\u00e3o, onde se conseguiu respostas, mas n\u00e3o solu\u00e7\u00f5es, at\u00e9 agora. \u201cParece que o Estado perdeu suas capacidades de gerar condutas regulares e o cumprimento da lei, porque os danos est\u00e3o \u00e0 vista de todos, s\u00e3o evidentes\u201d, disse Uma\u00f1a desconsolada, lembrando que ultimamente o barulho aumentou porque come\u00e7aram novas obras de infra-estrutura.<\/p>\n<p>\u201cNos dizem que v\u00e3o estudar a situa\u00e7\u00e3o e, enquanto isso, continua toda esta devasta\u00e7\u00e3o diante de nossos olhos\u201d, afirmou Castillo, garantindo que n\u00e3o vacilar\u00e3o em sua tentativa de fazer valer os direitos que alcan\u00e7am ano apenas os moradores de Suesca, mas toda a regi\u00e3o e o pa\u00eds, \u201cem um momento em que o mundo n\u00e3o para de falar em aquecimento global\u201d, disse o agricultor. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Suesca, Col\u00f4mbia, 19\/05\/2009 &ndash; A mobiliza\u00e7\u00e3o de camponeses e moradores da localidade colombiana de Cuay\u00e1 ainda n\u00e3o conseguiu deter a extra\u00e7\u00e3o sem controle de carv\u00e3o na \u00e1rea, com consequ\u00eancias ambientais nefastas no pr\u00e9-p\u00e1ramo e na lagoa de Suesca, a tr\u00eas mil metros acima do n\u00edvel do mar. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/05\/america-latina\/ambiente-colombia-depredadora-extracao-carbonifera\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-5104","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5104\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}