{"id":5118,"date":"2009-05-22T17:28:05","date_gmt":"2009-05-22T17:28:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5118"},"modified":"2009-05-22T17:28:05","modified_gmt":"2009-05-22T17:28:05","slug":"filipinas-criacao-de-peixes-proteinas-para-os-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/05\/economia\/filipinas-criacao-de-peixes-proteinas-para-os-pobres\/","title":{"rendered":"FILIPINAS: Cria\u00e7\u00e3o de peixes, prote\u00ednas para os pobres"},"content":{"rendered":"<p>Manila, 22\/05\/2009 &ndash; Como a maioria dos habitantes das terras altas das Filipinas, os ind\u00edgenas Higaonon, do povoado de Sumilao, vivem na indig\u00eancia. Um projeto de \u201cmaricultura\u201d promete melhorar suas vidas. <!--more--> Em Sumilao n\u00e3o h\u00e1 trabalho. A tribo vive \u00e0s duras penas com a agricultura de subsist\u00eancia, principalmente cultivando ra\u00edzes. Apesar de ser uma comunidade agr\u00edcola, sua dieta carece de equil\u00edbrio, pois devem prescindir de grande quantidade de alimentos. Praticamente n\u00e3o t\u00eam acesso a pescado e carne, exceto por animais sacrificados por raz\u00f5es religiosas, que n\u00e3o s\u00e3o adequados ao consumo humano. Sup\u00f5e-se que devem ser eliminados, mas comerciantes inescrupulosos os vendem barato.<\/p>\n<p>Milh\u00f5es dos filipinos que vivem nas terras altas, muitos deles ind\u00edgenas, sofrem desnutri\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o abandonados pelo Estado. Sofrem a falta de desenvolvimento de suas comunidades. Carecem de acesso a alimentos seguros e baratos. Nutricionistas e especialistas em educa\u00e7\u00e3o afirmam que seu desenvolvimento mental \u00e9 afetado devido \u00e0 falta de prote\u00ednas. Entre as crian\u00e7as, o coeficiente de intelig\u00eancia \u00e9 menor do que no resto da popula\u00e7\u00e3o. A assist\u00eancia escolar \u00e9 baixa e t\u00eam dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o. S\u00e3o propensos a repetir de ano e abandonar a escola, disse o Departamento de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNas Filipinas o pescado \u00e9 abundante e constitui a fonte mais barata de prote\u00ednas, gra\u00e7as aos avan\u00e7os em aquicultura, especialmente na cria\u00e7\u00e3o de til\u00e1pia (genero Oreochromis)\u201d, disse o ambientalista Aquilino Alvarez, especialista na mat\u00e9ria. Mas o pescado raramente chega \u00e0 mesa das fam\u00edlias das terras altas, pois seus moradores est\u00e3o longe domar. \u201cDe fato, v\u00e1rios membros da tribo afirmam n\u00e3o conhecer o mar\u201d, disse Marie Ann Baula, prefeita de Sumilao, na prov\u00edncia de Bukidnon, na ilha de Mindanao. \u201cA dist\u00e2ncia aumenta em 50% o pre\u00e7o do pescado nas terras altas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em uma estrat\u00e9gia inovadora, o Escrit\u00f3rio de Recursos Pesqueiros e Aqu\u00e1ticos (BFAR) apresentou um projeto que abordar\u00e1 as necessidades prot\u00e9icas dos habitantes das terras altas, ao mesmo tempo que combater\u00e1 a pobreza por meio da cria\u00e7\u00e3o de peixes. O projeto, chamado Pescado para os Habitantes das Terras Altas, ou Fish FUD, agora \u00e9 submetido a teste-piloto na comunidade dos higaonons, uma das tribos mais populosas de Mindanao. Entre 300 e 400 fam\u00edlias se beneficiar\u00e3o inicialmente desse programa-piloto. \u201cFishFUD \u00e9 um bom projeto para os pobres\u201d, disse o diretor do BFAR, Malcolm Sarmiento. \u201cMelhorar\u00e1 o acesso aos alimentos e tamb\u00e9m lhes proporcionar\u00e1 uma renda. \u00c9 o primeiro grande investimento para uma comunidade ind\u00edgena no pa\u00eds, e os aproximar\u00e1 das maravilhas da moderna tecnologia de aquicultura\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Alvarez, \u201ctamb\u00e9m \u00e9 a maneira que o governo tem de abordar tr\u00eas problemas graves nesses assentamentos: insufici\u00eancia alimentar, inadequadas oportunidades de sustento e falta de incentivos econ\u00f4micos para administrar sustentavelmente os recursos florestais\u201d.<\/p>\n<p>Estrat\u00e9gia dual<\/p>\n<p>O projeto tem duas pontas: uma nas terras baixas e outra nas terras altas, o que aumenta suas chances de sucesso. No primeiro caso, o BFAR deu aos HIgaonons, atrav\u00e9s do Conselho Tribal de Sumilao, uma jaula pesqueira flutuante de 10 metros de lado, que pode render at\u00e9 sete toneladas de s\u00e1balo (Chanos chanos) a cada tr\u00eas meses. A jaula fica em uma parte de maricultura \u2013 cria\u00e7\u00e3o de peixes em oceano aberto \u2013 de 200 hectares, a cerca de 40 quil\u00f4metros de Sumilao. O BFAR tamb\u00e9m doou 15 mil peixes jovens, entregues pessoalmente pela presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, no dia 20 de mar\u00e7o em Balingasag. A Corpora\u00e7\u00e3o San Miguel, maior firma de alimentos e bebidas do sudeste da \u00c1sia, forneceu o alimento para os peixes.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Iniciativas Mar\u00edtimas e Terrestres da \u00c1sia Oriental e dois grupos que promovem empresas sociais, Sopa do Dia e Emrpesa Social Lumad Mindanao, se ofereceram voluntariamente para ajudar os benefici\u00e1rios da tribo a manejar de maneira rent\u00e1vel o projeto. O outro componente \u00e9 um tanque comunit\u00e1rio que ser\u00e1 instalado nas terras altas abastecido com til\u00e1pias ou bagres. Como parte da estrat\u00e9gia se ensinar\u00e1 aos participantes a processar o pescado seco ou defumado, pois com esse valor agregado obter\u00e3o melhores pre\u00e7os. A Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN) tamb\u00e9m est\u00e1 entusiasmada com a iniciativa. O Instituto Samdhana, vinculado a esta institui\u00e7\u00e3o, financia o treinamento, informou Alvarez. Mas, no momento, somente est\u00e1 operacional o componente de maricultura do projeto.<\/p>\n<p>Resposta \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/p>\n<p>A BFAR tamb\u00e9m promove a maricultura para incentivar os pescadores a criar, mais do que apenas pescar, atividade que est\u00e1 esgotando as reservas marinhas. O parque de maricultura basicamente se parece com um parque industrial, salvo pelo fato de ali se criar peixes no mar. Atualmente, nas Filipinas h\u00e1 34 parques mar\u00edcolas. O maior \u00e9 o da cidade de Panabo, com 500 hectares. Sarmiento considera que a maricultura \u00e9 uma boa estrat\u00e9gia de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Tamb\u00e9m destacou que \u00e9 amig\u00e1vel com o meio ambiente, pois permite a cria\u00e7\u00e3o de peixes sem te de cortar um s\u00f3 mangue.<\/p>\n<p>Para os investidores, \u00e9 muito mais barata do que os tanques, j\u00e1 que uma jaula de a\u00e7o de 10 metros de lado usada para o mar custar\u00e1 entre US$ 3.167 e US$ 4.233, comparada com US$ 21.116 por hectare de tanque. As jaulas de bambu s\u00e3o ainda mais baratas: custam apenas US$ 1.900 cada uma. E o melhor \u00e9 que uma jaula de 10 metros de lado pode render de sete a oito toneladas a cada tr\u00eas meses, em compara\u00e7\u00e3o com as apenas 2,5 toneladas que podem ser obtidas em um tanque de um hectare a cada quatro meses. Com a maricultura, em menos de um ano se pode recuperar facilmente os investimentos nos animais.<\/p>\n<p>Frequentemente, a dire\u00e7\u00e3o do projeto opta pelo s\u00e1balo por raz\u00f5es de disponibilidade. Mas, os mais apreciados s\u00e3o os lapu-lapus ou meros (Epinephelus marginatus) e robalos (Dicentrarchus labrax). O produto final \u00e9 vendido, principalmente, em cidades pr\u00f3ximas, como Cagayan de Oro, Davao e Cebu. Sarmiento n\u00e3o deu import\u00e2ncia aos temores de que a maricultura possa causar problemas ambientais. Disse que, com controle cont\u00ednuo, a pr\u00e1tica \u00e9 realmente sustent\u00e1vel. Os higaonons, por sua vez, dizem que \u00e9 uma experi\u00eancia enriquecedora. Antes da chegada dos conquistadores espanh\u00f3is, esta comunidade vivia ao longo da costa. Mas os colonizadores os obrigaram a lentamente se deslocarem para \u00e1reas mais distantes. Por isso buscaram seguran\u00e7a nas terras altas. O processo levou \u00e0 sua completa marginaliza\u00e7\u00e3o. Alvarez acredita que, para os higaonons, \u201ceste projeto \u00e9 como voltar \u00e0s suas ra\u00edzes e corrigir a injusti\u00e7a que sofreram durante s\u00e9culos\u201d. IPS\/Envolverde<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manila, 22\/05\/2009 &ndash; Como a maioria dos habitantes das terras altas das Filipinas, os ind\u00edgenas Higaonon, do povoado de Sumilao, vivem na indig\u00eancia. 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