{"id":512,"date":"2005-04-18T00:00:00","date_gmt":"2005-04-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=512"},"modified":"2005-04-18T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-18T00:00:00","slug":"ambiente-nuvens-negras-ainda-pairam-sobre-chernobyl","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/ambiente-nuvens-negras-ainda-pairam-sobre-chernobyl\/","title":{"rendered":"Ambiente: Nuvens negras ainda pairam sobre Chernobyl"},"content":{"rendered":"<p>Chernobyl,  Ucr&acirc;nia, 18\/04\/2005 &ndash; Passaram-se 20 anos desde o acidente na central nuclear ucraniana de Chernobyl, o pior da hist&oacute;ria, mas as feridas n&atilde;o cicatrizam. O desastre continua presente com sua incessante carga de mortes e enfermidades. Entretanto, um punhado de antigos moradores de Chernobyl se mostram decididos a voltar para suas casas e viver o mais normalmente poss&iacute;vel nessas &aacute;reas contaminadas. No dia 26 de abril de 1986, aconteceu uma explos&atilde;o no quarto reator da Usina Nuclear Chernobyl, no norte da Ucr&acirc;nia, seguida de um inc&ecirc;ndio que liberou grandes quantidades de p&oacute; radioativo. As autoridades primeiros cuidaram de controlar o fogo, mas deixaram de lado os moradores pr&oacute;ximos da usina, que durante quatro dias careceram de toda informa&ccedil;&atilde;o sobre a cat&aacute;strofe.<br \/> <!--more--> <br \/> Depois que o governo da hoje dissolvida Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica &#8211; da qual a Ucr&acirc;nia fazia parte &#8211; admitiu o desastre, foram evacuados 150 mil habitantes das cidades e povoados pr&oacute;ximos. A popula&ccedil;&atilde;o de Pripiat, principal cidade da regi&atilde;o, teve a impress&atilde;o de que logo voltaram para suas casas. Estavam errados. Hoje, o entorno urbano que outrora abrigava 47 mil pessoas &eacute; um povoado fantasma, edif&iacute;cios e ruas vazias invadias pela vegeta&ccedil;&atilde;o que avan&ccedil;a incessante. As casas, bibliotecas, escolas e recintos esportivos e de recrea&ccedil;&atilde;o nessa cidade erguida nos anos 70, considerada modelo de urbaniza&ccedil;&atilde;o socialista, desde ent&atilde;o n&atilde;o recebem mais visitas que n&atilde;o as de saqueadores, cientistas e turistas aventureiros.<\/p>\n<p> Entrar na escola local faz correr um suor frio pelas costas do visitante: escrit&oacute;rios desordenados, pianos apodrecidos, livros abertos e m&aacute;scaras antigas espalhadas pelo ch&atilde;o. H&aacute; quase 20 anos que ningu&eacute;m toca nada no local. A maioria dos moradores de Pripiat estava de uma ou outra maneira envolvida com a usina nuclear. Sua maior infelicidade foi estar apenas a um quil&ocirc;metro de dist&acirc;ncia. Pripiat nunca ver&aacute; vida humana permanente no futuro. Mas, mais distante da central, ainda dentro da &aacute;rea de restri&ccedil;&atilde;o estabelecida pelo governo em um raio de 30 quil&ocirc;metros a partir da antiga usina, alguns aposentados ocupam suas antigas casas para economizar com moradia. S&atilde;o ocupa&ccedil;&otilde;es ilegais, mas o Estado vira o rosto. N&atilde;o s&atilde;o, certamente, povoados florescentes. A idade m&eacute;dia de seus habitantes &eacute; de 68 anos. A maioria vive sozinha em dif&iacute;ceis condi&ccedil;&otilde;es materiais, cercados de casas vazias e gente estranha. Em geral, s&atilde;o indiferentes quanto o risco da radia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> &quot;Alguns especialistas consideram que permitir o traslado em massa de pessoas foi um erro&quot;, disse &agrave; IPS Evhen Golovakha, subdiretor do Instituto de Sociologia da Academia de Ci&ecirc;ncias da Ucr&acirc;nia. &quot;Aqueles que vivem em seus lugares de origem se sentem melhor do que aqueles que n&atilde;o&quot;, explicou. O diretor do Centro de Conhecimento Social, Yuri Privalov, concorda que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil mudar-se desses lugares, devido &agrave;s complica&ccedil;&otilde;es da &quot;adapta&ccedil;&atilde;o a uma comunidade com cultura e at&eacute; idioma diferentes&quot;. Mas, o fator econ&ocirc;mico &eacute; determinante, disse Privalov &aacute; IPS. &quot;Eles perderam tudo, o governo n&atilde;o p&ocirc;de encontrar trabalho para eles e, ent&atilde;o, se viram sem condi&ccedil;&otilde;es de cobrir todos seus gastos&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Priapat e seus arredores se assemelham a um cen&aacute;rio p&oacute;s-apocal&iacute;ptico, mas, a antiga usina nuclear est&aacute; em efervescente atividade. Cientistas, engenheiros e oper&aacute;rios andam pelas instala&ccedil;&otilde;es usando simples uniformes, ao que parece indiferentes &agrave; amea&ccedil;a radioativa. Uma de suas preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute; o poss&iacute;vel fechamento definitivo da central, que amea&ccedil;a seus sal&aacute;rios superiores &agrave; m&eacute;dia ucraniana. O governo fechou o &uacute;ltimo reator em funcionamento em 2000, obrigado pela intensa press&atilde;o internacional. A atividade na usina se limita hoje a manter o &quot;sarc&oacute;fago&quot; de concreto que cobre as ru&iacute;nas da explos&atilde;o. A radia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; t&atilde;o intensa hoje, mas a precariedade da estrutura levou o governo a aprovar a constru&ccedil;&atilde;o de um novo confinamento, mais seguro, em torno do velho bloco de concreto.<\/p>\n<p> O projeto j&aacute; come&ccedil;ou, mas o custo total &eacute; de US$ 1,091 milh&atilde;o, disse &aacute; IPS Igor Vasilevich, do Minist&eacute;rio de Combust&iacute;vel e Energia. &quot;As doa&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses industrializados est&atilde;o longe de serem suficientes&quot;, acrescentou. A maioria das gest&otilde;es do governo se referem ao aumento da seguran&ccedil;a nuclear. Mas, Chernobyl tem, tamb&eacute;m, uma dimens&atilde;o social. A Ucr&acirc;nia teve de suportar dois traumas devido &agrave; cat&aacute;strofe. Um, o que ocorreu imediatamente ap&oacute;s a explos&atilde;o, o segundo, quando os meios de comunica&ccedil;&atilde;o informaram sobre suas conseq&uuml;&ecirc;ncias. Calcula-se que cerca de seis milh&otilde;es de pessoas foram afetadas, de uma maneira ou de outra.<\/p>\n<p> Alguns especialistas garantem que nunca ser&aacute; poss&iacute;vel estabelecer um c&aacute;lculo nem mesmo pr&oacute;ximo da quantidade de mortes causadas pelo desastre. As estimativas indicam que, como conseq&uuml;&ecirc;ncia imediata da explos&atilde;o, morreram entre 40 e alguns milhares de pessoas. Os problemas de sa&uacute;de persistem. O mais dram&aacute;tico &eacute; o dos chamados &quot;meninos de Chernobyl&quot;, que crescerem em &aacute;reas contaminadas e hoje sofrem de c&acirc;ncer de tire&oacute;ide. Muitas mais pessoas tiveram de lidar com problemas psicol&oacute;gicos. O n&atilde;o-governamental Centro de Iniciativas Democr&aacute;ticas indicou que, 10 anos depois do desastre, 60% dos afetados &quot;associavam o alimento com o medo, e sofriam de ins&ocirc;nia, irritabilidade e sensa&ccedil;&atilde;o de desamparo&quot;, enquanto 30% &quot;perderam o interesse pela vida&quot;.<\/p>\n<p> Para essas v&iacute;timas, o desastre significou &quot;a ru&iacute;na de sua vis&atilde;o do mundo, seus estilos de vida e de seus planos&quot;, diz o informe. A maioria dos que conseguiram um novo lar derrotaram, com o tempo, esse sentimento, mas, outros foram deixados de lado. Yuri Privalov admite que as v&iacute;timas necessitam de mais assist&ecirc;ncia, mas, tamb&eacute;m, que n&atilde;o se pode fazer muito. &quot;&Eacute; dif&iacute;cil dizer o que se alcan&ccedil;aria, pois n&atilde;o h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es similares para fazer a compara&ccedil;&atilde;o. H&aacute; muitas demandas ao Estado, muita gente enferma, uma usina desativada e a contamina&ccedil;&atilde;o. O pa&iacute;s &eacute; pobre e os problemas persistir&atilde;o&quot;, lamentou. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chernobyl,  Ucr&acirc;nia, 18\/04\/2005 &ndash; Passaram-se 20 anos desde o acidente na central nuclear ucraniana de Chernobyl, o pior da hist&oacute;ria, mas as feridas n&atilde;o cicatrizam. O desastre continua presente com sua incessante carga de mortes e enfermidades. Entretanto, um punhado de antigos moradores de Chernobyl se mostram decididos a voltar para suas casas e viver o mais normalmente poss&iacute;vel nessas &aacute;reas contaminadas. No dia 26 de abril de 1986, aconteceu uma explos&atilde;o no quarto reator da Usina Nuclear Chernobyl, no norte da Ucr&acirc;nia, seguida de um inc&ecirc;ndio que liberou grandes quantidades de p&oacute; radioativo. As autoridades primeiros cuidaram de controlar o fogo, mas deixaram de lado os moradores pr&oacute;ximos da usina, que durante quatro dias careceram de toda informa&ccedil;&atilde;o sobre a cat&aacute;strofe.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/ambiente-nuvens-negras-ainda-pairam-sobre-chernobyl\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-512","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}