{"id":5128,"date":"2009-05-27T11:36:33","date_gmt":"2009-05-27T11:36:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5128"},"modified":"2009-05-27T11:36:33","modified_gmt":"2009-05-27T11:36:33","slug":"agricultura-africa-conhecimento-representa-poder-para-agricultores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/05\/africa\/agricultura-africa-conhecimento-representa-poder-para-agricultores\/","title":{"rendered":"AGRICULTURA-\u00c1FRICA: Conhecimento Representa Poder Para Agricultores"},"content":{"rendered":"<p>NAIROBI, 27\/05\/2009 &ndash; Na sequ\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o ministrada pela Alian\u00e7a por uma Revolu\u00e7\u00e3o Verde em \u00c1frica, uma centena de agricultores na regi\u00e3o central do Qu\u00e9nia, apetrechados com um melhor entendimento dos mercados locais, est\u00e3o a conseguir obter pre\u00e7os mais elevados para as suas bananas. <!--more--> \u201cEstes agricultures costumavam vender bananas olhando s\u00f3 para os cachos. Os comerciantes chegavam e impunham o pre\u00e7o. Antes, vendiam um quilo por tr\u00eas xelins (0.04 c\u00eantimos do d\u00f3lar) mas agora est\u00e3o a vend\u00ea-lo por um montante dez vezes superior\u201d, Anne Mbaabu, directora do Programa de Acesso aos Mercados da Alian\u00e7a por uma Revolu\u00e7\u00e3o Verde em \u00c1frica (AGRA), disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A AGRA, organiza\u00e7\u00e3o que une agricultores, investigadores, comerciantes e governos com o objectivo de aumentar a produtividade e o rendimento, tem estado a trabalhar com o Grupo de Agricultores de Kamahuha, estabelecendo liga\u00e7\u00f5es entre agricultores e compradores atrav\u00e9s do uso directo de tel\u00e9moveis.<\/p>\n<p>\u201cO comprador pode dizer, \u2018Quero bananas que n\u00e3o estejam estragadas, e tamb\u00e9m este grau de desenvolvimento ou esta quantidade\u2019. O agricultor negoceia ent\u00e3o o pre\u00e7o, ao contr\u00e1rio do que acontecia anteriormente, quando apenas calculava o pre\u00e7o\u201d, explicou Mbaabu.<\/p>\n<p>A melhoria do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o sobre os mercados e o desenvolvimento das capacidades dos agricultores africanos para uma melhor compreens\u00e3o das tend\u00eancias e necessidades dos mercados foi o tema principal de uma reuni\u00e3o de especialistas em agricultura que teve lugar de 13 a 15 de Maio em Nairobi. <\/p>\n<p>O tema do encontro foi o papel dos mercados no desenvolvimento do crescimento econ\u00f3mico africano e ainda na melhoria do rendimento dos agricultores mais pobres. Sublinhou-se que, para que os agricultores tenham lucro, n\u00e3o devem s\u00f3 produzir, t\u00eam de ter acesso eficaz aos mercados para poderem vender as suas colheitas a um pre\u00e7o justo. <\/p>\n<p>Pensar em termos locais<\/p>\n<p>Tornou-se claro que os mercados em \u00c1frica est\u00e3o mal organizados e s\u00e3o imprevis\u00edveis. Os agricultores n\u00e3o t\u00eam informa\u00e7\u00e3o sobre os mercados no tocante a pre\u00e7os actualizados das vendas por grosso ou a retalho, informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1ria para negociar bons pre\u00e7os para os seus produtos. <\/p>\n<p>\u201cPrimeiro \u00e9 preciso saber onde \u00e9 que o mercado est\u00e1 localizado. Se n\u00e3o tiverem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, os agricultores n\u00e3o podem ter acesso aos mercados ou participar neles. Por isso, a quest\u00e3o principal \u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o aos agricultores para que estejam conscientes dos mercados, mas tamb\u00e9m para que estejam conscientes das necessidades desses mercados, uma vez que essas necessidades se t\u00eam vindo a alterar\u201d, afirmou Akinwumi Adesina, Vice-Presidente da AGRA com responsabilidade pela Pol\u00edticas e Parcerias.<\/p>\n<p>Especialistas como Ade Freeman, do Instituto Internacional de Investiga\u00e7\u00e3o sobre o Gado (ILRI), sustentam que os mercados nacionais e regionais, e n\u00e3o os mercados mais distantes, oferecem as maiores oportunidades aos agricultores africanos. <\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o da Comunidade da \u00c1frica Oriental, que inclui o Qu\u00e9nia, Uganda, Tanz\u00e2nia, Ruanda e Burundi, ronda os 100 milh\u00f5es de pessoas; mais de 389 milh\u00f5es de pessoas vivem nos pa\u00edses que formam os Mercados Comuns da \u00c1frica Austral e Oriental. <\/p>\n<p>\u201cEm termos do n\u00famero de pessoas envolvidas, estamos a falar de enormes mercados. As pessoas precisam sempre de comprar alimentos. Alguns destes pa\u00edses t\u00eam assistido a um crescimento econ\u00f3mico anual da ordem dos cinco ou seis por cento. Assim, todos os factores que favorecem o aumento da procura de produtos agr\u00edcolas nestes mercados est\u00e3o a caminhar na direc\u00e7\u00e3o certa, oferecendo uma oportunidade que os mercados regionais e nacionais devem aproveitar\u201d, disse Freeman. <\/p>\n<p>V\u00e1rios obst\u00e1culos t\u00eam asfixiado o com\u00e9rcio regional, incluindo as pautas aduaneiras elevadas. \u201cPresentemente, a estrutura das pautas em \u00c1frica \u00e9 muito mais elevada entre pa\u00edses africanos do que entre a Europa e a \u00c1frica. Isto dificulta o com\u00e9rcio entre n\u00f3s pr\u00f3prios\u201d, explicou Adesina. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem havido apelos no sentido de se harmonizarem as normas de regulamenta\u00e7\u00e3o aduaneira (requisitos que todos quantos exportam ou importam bens e servi\u00e7os devem seguir, e que variam de pa\u00eds para pa\u00eds), com vista a facilitar o trabalho das pessoas que transportam produtos cruzando fronteiras. <\/p>\n<p>N\u00e3o chega ter acesso<\/p>\n<p>Mas, para que os agricultores pobres consigam aumentar a sua produtividade e penetrar nestes mercados, precisam de apoio atrav\u00e9s do fornecimento de melhores sementes, ferilizantes, sistemas de irriga\u00e7\u00e3o e tecnologias de gest\u00e3o de pragas. Al\u00e9m disso, as interven\u00e7\u00f5es governamentais que podem garantir esse apoio constituem subs\u00eddios, assunto controverso nas conversa\u00e7\u00f5es internacionais de com\u00e9rcio. <\/p>\n<p>A opini\u00e3o de Mbaabu \u00e9 diferente. \u201cEstes subs\u00eddios, como eles s\u00e3o apelidados, s\u00e3o espec\u00edficos. N\u00e3o s\u00e3o subs\u00eddios generalizados, s\u00e3o dirigidos \u00e0queles que t\u00eam poucas posses; mas, depois de conseguirem esses insumos, os agricultores tornam-se auto-suficientes a n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o de alimentos e pobreza diminui. Sendo assim, n\u00e3o se podem criminalizar os subs\u00eddios, visto que se trata de apoio que \u00e9 canalizado para os nossos agricultores\u201d. <\/p>\n<p>No Qu\u00e9nia, o governo reduziu o pre\u00e7o dos fertilizantes de 79 dol\u00e1res para os actuais 33 dol\u00e1res no \u00faltimo ano. Mesmo assim, \u00e9 um pre\u00e7o demasiado elevado para os agricultores, segundo Peter Njoroge, director da Liga dos Pequenos Produtores de Caf\u00e9.. Njoroge disse \u00e0 IPS que um grande n\u00famero de agricultores estava a abandonar a agricultura devido aos pre\u00e7os elevados dos insumos. Por isso, ele quer que as autoridades reduzam ainda mais os pre\u00e7os dos fertilizantes ou at\u00e9 mesmo que os distribuam gratuitamente aos pequenos agricultores. <\/p>\n<p>O governo do Malaui foi elogiado por n\u00e3o seguir a tend\u00eancia geral ao providenciar sementes de milho h\u00edbrido subsidiado e tamb\u00e9m fertilizantes aos seus agricultores, processo que se iniciou h\u00e1 tr\u00eas anos. Desde ent\u00e3o, passou de um pa\u00eds altamente deficit\u00e1rio em produtos alimentares para se tornar um pa\u00eds exportador de milho. <\/p>\n<p>Os resultados dos agricultores que usam insumos de elevado rendimento s\u00e3o palp\u00e1veis. \u201cO ponto principal \u00e9 o aumento da produtividade em zonas onde os agricultores usam insumos de qualidade\u201d, disse \u00e0 IPS Joseph Mwangangi, director regional dos Programas para Fortalecer o Agroneg\u00f3cio da CNFC Inc \u2013 uma organiza\u00e7\u00e3o dedicada ao aumento e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos rendimentos nas zonas rurais atrav\u00e9s da melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos agricultores nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Mwangangi, cuja organiza\u00e7\u00e3o trabalha com a Bolsa de Produtos Agr\u00edcolas do Malaui, mencionou um recente estudo do Col\u00e9gio de Agricultura Bunda, na Universidade do Malaui, que constatou que 86 por cento dos agricultores estavam a usar insumos de melhor qualidade. Segundo o estudo, essa situa\u00e7\u00e3o levara ao aumento ou \u00e0 melhoria da seguran\u00e7a alimentar dos agregados familiares. <\/p>\n<p>Mesmo com estas conquistas, nem toda a gente \u00e9 a favor de subs\u00eddios para os agricultores mais pobres. Hans Binswanger, consultor privado especializado em agricultura e desenvolvimento rural da \u00c1frica do Sul, advertiu contra os potenciais riscos dos programas de subs\u00eddios. <\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o forem correctamente concebidos e implementados, podem causar pertuba\u00e7\u00f5es nos mercados, resultando em pre\u00e7os elevados que s\u00e3o completamente desnecess\u00e1rios e que podem vir a revelar-se dispendiosos para o governo e para o povo. Tal situa\u00e7\u00e3o pode enfraquecer os benef\u00edcios desejados dos programas de distribui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios e fertilizantes\u201d, declarou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NAIROBI, 27\/05\/2009 &ndash; Na sequ\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o ministrada pela Alian\u00e7a por uma Revolu\u00e7\u00e3o Verde em \u00c1frica, uma centena de agricultores na regi\u00e3o central do Qu\u00e9nia, apetrechados com um melhor entendimento dos mercados locais, est\u00e3o a conseguir obter pre\u00e7os mais elevados para as suas bananas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/05\/africa\/agricultura-africa-conhecimento-representa-poder-para-agricultores\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":472,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-5128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/472"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}