{"id":5134,"date":"2009-05-29T17:36:26","date_gmt":"2009-05-29T17:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5134"},"modified":"2009-05-29T17:36:26","modified_gmt":"2009-05-29T17:36:26","slug":"ambiente-angola-inundacoes-deixam-futuro-sombrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/05\/ultimas-noticias\/ambiente-angola-inundacoes-deixam-futuro-sombrio\/","title":{"rendered":"AMBIENTE-ANGOLA: Inunda\u00e7\u00f5es deixam futuro sombrio"},"content":{"rendered":"<p>Luanda, 29\/05\/2009 &ndash; As inunda\u00e7\u00f5es no sul de Angola come\u00e7am a retroceder conforme termina a temporada das chuvas. <!--more--> A emerg\u00eancia parece ter passado, mas o futuro mostra-se sombrio. Por causa dos danos causados pela \u00e1gua, muitas fam\u00edlias n\u00e3o podem regressar \u00e0s suas aldeias e dezenas de milhares foram reunidas em acampamentos para refugiados, onde existe um alto risco de doen\u00e7as devido ao limitado saneamento. Tamb\u00e9m \u00e9 prov\u00e1vel um aumento nos problemas respirat\u00f3rios, particularmente entre crian\u00e7as, conforme este pa\u00eds da \u00c1frica austral aproxima-se do inverno.<\/p>\n<p>Mais de 220 mil fam\u00edlias foram afetadas pelas fortes chuvas e inunda\u00e7\u00f5es que destru\u00edram casas, alagaram ruas, arruinaram 228 mil hectares de cultivos e mataram milhares de cabras, vacas e gado em geral. As prov\u00edncias de Cunene, Kuando Jubango, na fronteira sul com a Nam\u00edbia, e Moxico, no leste, perto de Z\u00e2mbia, foram as mais afetadas. Para essas regi\u00f5es foram envidadas equipes da Cruz Vermelha Brit\u00e2nica e do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para avaliar a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e a amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a alimentar. Os desafios s\u00e3o grandes: comunidades que vivem em estruturas familiares tradicionais em \u00e1reas isoladas, a centenas de quil\u00f4metros dos povoados e dependendo principalmente da agricultura de subsist\u00eancia, agora precisam urgentemente de comida.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o de Cunene, a inseguran\u00e7a alimentar \u00e9 maior. A regi\u00e3o tamb\u00e9m tem a mais alta preval\u00eancia de HIV (v\u00edrus da defici\u00eancia imunol\u00f3gica humana, causador da Aids), de 10%, contra 2,1% em n\u00edvel nacional. Isto se deve \u00e0 sua proximidade com a fronteira com a Nam\u00edbia, onde a doen\u00e7a est\u00e1 mais propagada. \u201cMaio e junho s\u00e3o tradicionalmente os meses de colheita, mas este ano haver\u00e1 pouco para colher porque as inunda\u00e7\u00f5es prejudicaram 60% das terras agr\u00edcolas\u201d, disse \u00e0 IPS a representante em Angola da Federa\u00e7\u00e3o Internacional da Cruz Vermelha (IFRC), Karen Hvid. \u201cInclusive as planta\u00e7\u00f5es em terrenos mais altos, que escaparam das inunda\u00e7\u00f5es, sofreram falta de luz solar e foram prejudicados pelo vento e pelas chuvas\u201d, acrescentou. \u201cEste \u00e9 o quarto ano consecutivo de colheitas comprometidas, e o segundo de inunda\u00e7\u00f5es depois de outros dois de secas\u201d, afirmou. Al\u00e9m disso, Hvid alertou que \u201cas fam\u00edlias nessas \u00e1reas esgotaram suas reservas\u201d.<\/p>\n<p>Segundo dom Fernando Kevano, bispo de Ondjiva, a situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria \u00e9 extremamente dif\u00edcil e muitas fam\u00edlias tentam cruzar a fronteira sul com a Nam\u00edbia em busca de comida. \u201cMuitas s\u00e3o obrigadas a viver em barracas de campanha, e o movimento dentro da prov\u00edncia continua restrito\u201d, acrescentou. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio muito trabalho na prov\u00edncia para ajudar estas pessoas e melhorar a situa\u00e7\u00e3o\u201d, disse. Durante o pior das chuvas, helic\u00f3pteros e barcos militares angolanos tiveram de ser enviados para resgatar milhares de pessoas ilhadas. Em todo o pa\u00eds, mais de 70 perderam a vida, a maioria afogada, mas algumas foram v\u00edtimas de edif\u00edcios que desabaram, outras morreram eletrocutadas e algumas crian\u00e7as atacadas por crocodilos.<\/p>\n<p>As tarefas de resgate foram lideradas pelo governo em coordena\u00e7\u00e3o com a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es, o Servi\u00e7o de Aux\u00edlio Cat\u00f3lico, a ag\u00eancia norte-americana Usaid, o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) e a Cruz Vermelha Angolana, entre outras organiza\u00e7\u00f5es. Foram feitos pedidos internacionais e locais de recursos, e o Fundo Central de Respostas \u00e0s Emerg\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas providenciou US$ 2,3 milh\u00f5es para a recupera\u00e7\u00e3o. Este dinheiro foi investido em abrigos, equipamentos m\u00e9dicos e outros produtos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura doou mil toneladas de milho, e o Unicef enviou uma embarca\u00e7\u00e3o com 84 toneladas de uma pasta de amendoim com alto conte\u00fado de prote\u00ednas e energ\u00e9tico criada para tratar crian\u00e7as desnutridas. Nas pr\u00f3ximas semanas, equipes do PMA e da Cruz Vermelha far\u00e3o estudos nas \u00e1reas mais afetadas para avaliar os danos e a situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar. \u201c\u00c9 preciso tomar decis\u00f5es mais inteligentes quando se trata de aux\u00edlio, olhando o contexto que as fam\u00edlias enfrentam e trabalhar com elas para identificar as vias para cobrir suas necessidades vitais de uma forma que as ajude em sua futura recupera\u00e7\u00e3o\u201d, disse Pete Garratt, administrador de assist\u00eancia em desastres da Cruz Vermelha Brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m queremos ajudar as fam\u00edlias a atenderem suas necessidades sociais e culturais. \u00c0s vezes, ap\u00f3s um desastre, as pessoas n\u00e3o s\u00e3o capazes de adotar mecanismos para enfrentar a situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Garrat. \u201cPor exemplo, uma fam\u00edlia pode vender uma vaca que \u00e9 sua principal fonte de renda para pagar um funeral. Trabalharemos com as fam\u00edlias para que possam evitar o dano de suas perspectivas no longo prazo\u201d, acrescentou. A governamental Comiss\u00e3o para a Prote\u00e7\u00e3o Civil tamb\u00e9m trabalha com o Escrit\u00f3rio de Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios da ONU para ajudar a criar um plano estrat\u00e9gico nacional de conting\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cO governo est\u00e1 muito comprometido com isto, e coordena todos os minist\u00e9rios relacionados\u201d, disse Hvid. \u201cUm aspecto extremamente importante \u00e9 fortalecer o conhecimento das pessoas sobre a escolha do terreno mais seguro para construir suas casas\u201d, acrescentou. \u201cSe constroem perto dos rios, ser\u00e3o vulner\u00e1veis na pr\u00f3xima vez que houver inunda\u00e7\u00f5es\u201d, disse. As fortes chuvas come\u00e7aram a cair sobre Angola em fevereiro, e em tr\u00eas semanas choveu tanto quanto em toda a temporada habitual que vai de dezembro a abril. A \u00e1gua ficou acumulada nos vales do sul, o que causou inunda\u00e7\u00f5es na bacia de Cuvelai e sobre o dique que protegia a capital provincial de Ondjiva, lar de aproximadamente 60 mil pessoas. A estrutura n\u00e3o resistiu \u00e0 press\u00e3o e se rompeu.<\/p>\n<p>Como parte de seu plano para apoiar as fam\u00edlias afetadas e impedir novas inunda\u00e7\u00f5es no pr\u00f3ximo ano, o governo anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea especial para atender a bacia de Cuvelai. A id\u00e9ia \u00e9 ajudar os refugiados no curto prazo, e tamb\u00e9m trazer t\u00e9cnicos para estudar os rios e as fontes de \u00e1gua na prov\u00edncia. O impacto que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica teve nas chuvas nesta parte da \u00c1frica ainda n\u00e3o foi plenamente estudado, mas o alcance e a severidade das inunda\u00e7\u00f5es em Angola e nas fronteiras da Nam\u00edbia e de Z\u00e2mbia alertaram as autoridades.<\/p>\n<p>Os rios Ch,obe, Zambezi e Okavango atingiram n\u00edveis n\u00e3o registrados desde 1963, segundo o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento. na Nam\u00edbia, mais de cem pessoas morreram, 55 mil abandonaram suas casas e mais de 350 mil perderam suas formas de sustento. Estas v\u00edtimas e as do norte de Angola, seja qual for a causa das inunda\u00e7\u00f5es, ter\u00e3o uma longa espera pela pr\u00f3xima colheita. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luanda, 29\/05\/2009 &ndash; As inunda\u00e7\u00f5es no sul de Angola come\u00e7am a retroceder conforme termina a temporada das chuvas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/05\/ultimas-noticias\/ambiente-angola-inundacoes-deixam-futuro-sombrio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":123,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-5134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/123"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5134\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}