{"id":5164,"date":"2009-06-08T11:16:34","date_gmt":"2009-06-08T11:16:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5164"},"modified":"2009-06-08T11:16:34","modified_gmt":"2009-06-08T11:16:34","slug":"politica-mauritania-justica-e-igualdade-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/06\/africa\/politica-mauritania-justica-e-igualdade-para-todos\/","title":{"rendered":"POL\u00cdTICA-MAURIT\u00c2NIA: &#39;Justi\u00e7a e Igualdade Para Todos&#39;"},"content":{"rendered":"<p>NOUAKCHOTT, 08\/06\/2009 &ndash; Enquanto que a Maurit\u00e2nia se prepara para elei\u00e7\u00f5es presidenciais no dia 6 de Junho, associa\u00e7\u00f5es de mulheres apresentaram uma agenda clara e convincente para as mulheres. O dif\u00edcil ser\u00e1 convencer os pol\u00edticos no pa\u00eds, na maioria homens, a ouvirem as mulheres. <!--more--> Os indicadores que medem a qualidade de vida das mulheres mauritanas mostram que h\u00e1 muito a fazer. Por exemplo, de acordo com a UNICEF, menos de 50 por cento das raparigas matriculadas na escola secund\u00e1ria acabam os seus estudos e duas em cinco raparigas na Maurit\u00e2nia nunca v\u00e3o \u00e0 escola, mesmo a n\u00edvel prim\u00e1rio. <\/p>\n<p>Este organismo das Na\u00e7\u00f5es Unidas tamb\u00e9m aponta que existem \u00edndices muitos elevados de mortalidade materna \u2013 1.200 mulheres e raparigas morrem todos os anos na Maurit\u00e2nia devido a complica\u00e7\u00f5es relacionadas com a gravidez. Al\u00e9m disso, 24.000 mulheres e raparigas sofrem les\u00f5es e incapacidades durante o parto. <\/p>\n<p>Mariam Mint Mustapha, activista dos direitos das mulheres e membro do partido Uni\u00e3o Para a Democracia e Progresso, falou \u00e0 IPS sobre a sua luta em prol da visibilidade das mulheres na pol\u00edtica. <\/p>\n<p>IPS: Durante anos, as mulheres na Maurit\u00e2nia t\u00eam sido meras espectadoras na cena pol\u00edtica, sendo vis\u00edveis apenas quando se v\u00e3o organizar elei\u00e7\u00f5es. Desta vez, o que \u00e9 que deseja na pr\u00e1tica no que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es de desenvolvimento das mulheres? <\/p>\n<p>Mariam Mint Mustapha: Tem raz\u00e3o quando afirma que, na maior parte do tempo, os pol\u00edticos s\u00f3 falam das quest\u00f5es que afectam as mulheres durante as elei\u00e7\u00f5es. Logo que a campanha acaba, fecham as portas \u00e0s mulheres. <\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, desta vez, estamos activas no terreno, dizendo \u00e0s mulheres que devem tomar uma posi\u00e7\u00e3o forte e unida que sirva de plataforma comum para todas n\u00f3s. <\/p>\n<p>Desta vez, queremos que os nossos representantes apresentem leis que promovem oportunidades iguais para que homens e mulheres progridam na sociedade, como o acesso a cr\u00e9dito para a cria\u00e7\u00e3o de pequenos neg\u00f3cios. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m queremos assegurar que um maior n\u00famero de mulheres qualificadas seja nomeado para cargos influentes no governo, de modo a servirem de exemplo a outras mulheres. Lembre-se que este \u00e9 um pa\u00eds de n\u00f3madas, onde at\u00e9 muito recentemente a educa\u00e7\u00e3o das raparigas era considerada uma prioridade muito baixa. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m defendemos que o parlamento aprove leis que eliminem todo o tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas tradicionais perniciosas que afectam os direitos das crian\u00e7as e mulheres. <\/p>\n<p>Por outras palavras, estamos a apelar \u00e0 igualdade e justi\u00e7a para todos. <\/p>\n<p>IPS: A senhora \u00e9 uma pol\u00edtica que trabalha com mulheres nos bairros de lata em redor da capital. Se for eleito um novo presidente, o que \u00e9 que quer que ele fa\u00e7a pelos pobres? <\/p>\n<p>MM: Muito!!! J\u00e1 viu qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o das pessoas que vivem nos beirros de lata. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 servi\u00e7os de sa\u00fade nesses bairros, n\u00e3o h\u00e1 electricidade nem \u00e1gua pot\u00e1vel&#8230; absolutamente nada que nos possa orgulhar de residirmos numa cidade. De facto, estes locais s\u00e3o como guetos. <\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, ao longo dos anos, tem sido dif\u00edcil convencer as pessoas dos bairros de lata a recensearem-se, porque sentem que os sucessivos governos n\u00e3o se interessam por elas. <\/p>\n<p>Agora, em colabora\u00e7\u00e3o com algumas pessoas no governo e com os l\u00edderes das comunidades dos bairros de lata, tenho estado a preparar um documento de trabalho para o desenvolvimento e melhoria da vida em geral nestes bairros. Algumas das ideias incluem o abastecimento de \u00e1gua canalizada, energia solar, centros de sa\u00fade e escolas p\u00fablicas com estruturas permanentes. <\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que quase todas as escolas p\u00fablicas nos bairros de lata s\u00e3o s\u00f3 estruturas tempor\u00e1rias, montadas em tendas. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m apelamos ao governo que providencie financiamento para projectos que gerem rendimentos nos bairros de lata para que, ao fim de algum tempo, estas pessoas consigam prover \u00e0 sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. <\/p>\n<p>IPS: A senhora tamb\u00e9m gostaria que o n\u00famero de mulheres em cargos ministeriais aumentasse do seu actual n\u00famero de quatro, de um total de 26 cargos? <\/p>\n<p>MM: Temos instado que o n\u00famero de mulheres em cargos ministeriais aumente. Por\u00e9m, a nossa exig\u00eancia \u00e9 que essas nomea\u00e7\u00f5es ministeriais tenham em conta n\u00e3o s\u00f3 o aspecto quantitativo mas tamb\u00e9m o aspecto qualitativo. <\/p>\n<p>O que acontece agora \u00e9 que as mulheres ficam com os cargos ministeriais menos relevantes e queremos que esta situa\u00e7\u00e3o mude. N\u00e3o \u00e9 justo que 52 por cento da popula\u00e7\u00e3o continue a estar sub-representada. <\/p>\n<p>Al\u00e9m de mais cargos ministeriais, queremos que as mulheres sejam vis\u00edveis nos cargos elevados que ocupam no governo, para que isso sirva de bom argumento contra os pais conservadores e os conven\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 uma perda de tempo enviarem as filhas para a escola. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existe uma nova tend\u00eancia preocupante na Maurit\u00e2nia: o elevado n\u00edvel de div\u00f3rcios no pa\u00eds&#8230; esse fardo recai sobre as mulheres. <\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 importante que as mulheres recebam a educa\u00e7\u00e3o correcta para poderem tornar-se independentes e manterem-se a si pr\u00f3prias. <\/p>\n<p>IPS: A senhora est\u00e1 \u00e0 espera do dia em que haja uma mulher presidente na Maurit\u00e2nia?<\/p>\n<p>MM: Uma mulher como presidente da Maurit\u00e2nia? Oh n\u00e3o, n\u00e3o agora. Porque isso pode ser visto como estando a pedir muito&#8230; <\/p>\n<p>Lembre-se que estamos a lutar por quest\u00f5es b\u00e1sicas para as mulheres e, mesmo assim, encontramos muita resist\u00eancia. Imagino o que poderia acontecer se exig\u00edssemos a presid\u00eancia?<\/p>\n<p>Sabe que a Maurit\u00e2nia \u00e9 quase 100 por cento mu\u00e7ulmana, e tamb\u00e9m uma sociedade muito conservadora. Por agora, vamos deixar a presid\u00eancia para os homens, mas eles t\u00eam de nos conceder minist\u00e9rios importantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NOUAKCHOTT, 08\/06\/2009 &ndash; Enquanto que a Maurit\u00e2nia se prepara para elei\u00e7\u00f5es presidenciais no dia 6 de Junho, associa\u00e7\u00f5es de mulheres apresentaram uma agenda clara e convincente para as mulheres. 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