{"id":5176,"date":"2009-06-10T14:06:10","date_gmt":"2009-06-10T14:06:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5176"},"modified":"2009-06-10T14:06:10","modified_gmt":"2009-06-10T14:06:10","slug":"energia-a-africa-precisa-brilhar-com-luz-propria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/06\/africa\/energia-a-africa-precisa-brilhar-com-luz-propria\/","title":{"rendered":"ENERG\u00cdA: A \u00c1frica precisa brilhar com luz pr\u00f3pria"},"content":{"rendered":"<p>Paris, 10\/06\/2009 &ndash; Ao olhar uma fotografia tirada por sat\u00e9lite da Terra, parece que na \u00c1frica h\u00e1 um grande apag\u00e3o, sobretudo quando comparada com a luminosidade da Europa ou dos Estados Unidos. <!--more--> Mas, n\u00e3o se trata de um apag\u00e3o. Cerca de 77% da popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica subsaariana n\u00e3o eletricidade, segundo especialistas na mat\u00e9ria que se reuniram em Paris no \u00faltimo dia 4 para discutir os problemas energ\u00e9ticos do continente africano. \u201cUm cidad\u00e3o norte-americano gasta, em m\u00e9dia, 350 vezes mais eletricidade do que um et\u00edope\u201d, disse Claude Madil, ex-diretor-executivo da Ag\u00eancia Internacional de Energia, em cuja sede da capital francesa aconteceu a confer\u00eancia \u201cAcesso a todo tipo de energia na \u00c1frica: quais s\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es\u201d. Esse n\u00famero \u201cd\u00e1 uma id\u00e9ia de quanto a brecha \u00e9 profunda. Quando se olha a quantidade de quilowatts que cada pa\u00eds usa, o problema \u00e9 evidente\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Na confer\u00eancia foram destacados os obst\u00e1culos que a falta de energia imp\u00f5e ao desenvolvimento. tamb\u00e9m foi uma inst\u00e2ncia de encontro entre organiza\u00e7\u00f5es e pessoas que tentam aliviar o problema. Uma delas \u00e9 a Rede Africana de Energias Renov\u00e1veis (Aogreen), dedicada a difundir oportunidades de emprego entre jovens africanos no setor energ\u00e9tico e promover o desenvolvimento de fontes sustent\u00e1veis. A Aogreen colabora com a Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento de Energia na \u00c1frica (Adea), outra organiza\u00e7\u00e3o com sede em Paris, que trabalha com empresas, governos e especialistas na busca de solu\u00e7\u00f5es para os problemas energ\u00e9ticos do cotinente. A confer\u00eancia, organizada pelas duas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O norte e o sul do continente est\u00e3o bastante eletrificados. Mas a regi\u00e3o subsaariana n\u00e3o e pode piorar a situa\u00e7\u00e3o se pela crise financeira internacional as empresas decidirem reduzir seus investimentos nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, temem organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e autoridades de alguns governos. \u201c\u00c9 preciso o comprometimento de fundos para melhorar a situa\u00e7\u00e3o, especialmente nas \u00e1reas rurais\u201d, disse \u00e0 IPS Cedric D\u2019Almeida, presidente da Aogreen. Quase 530 milh\u00f5es de africanos n\u00e3o t\u00eam eletricidade, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e em 20 anos poder\u00e3o ser 600 milh\u00f5es. A situa\u00e7\u00e3o se agrava nas zonas rurais, onde o problema afeta 95% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas comunidades rurais, a falta de eletricidade tem s\u00e9rias consequ\u00eancias. O uso de madeira e outro tipo de biomassa para cozinhar consome tempo, causa desmatamento e contamina\u00e7\u00e3o e gera problemas respirat\u00f3rios nas popula\u00e7\u00f5es mais pobres. As mulheres costumam ficar com a pior parte, pois s\u00e3o elas que recolhem a lenha e ficam inclinadas sobre os fumegantes fog\u00f5es. O problema energ\u00e9tico se agrava em algumas cidades, segundo informes apresentados na confer\u00eancia. A falta de manuten\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es causa freq\u00fcente e cada vez mais prolongados apag\u00f5es, que afetam a produ\u00e7\u00e3o e a renda nacional.<\/p>\n<p>Parte da solu\u00e7\u00e3o pode ser aproveitar o \u201cenorme potencial\u201d do continente em fontes renov\u00e1veis de energia, disseram v\u00e1rios especialistas, como a hidrel\u00e9trica, solar, e\u00f3lica e geot\u00e9rmica, obtida do calor do interior da Terra.<\/p>\n<p>Cerca de 15% da eletricidade do Qu\u00eania s\u00e3o produzidos por energia geot\u00e9rmica. Outros pa\u00edses poderiam fazer o mesmo, afirmam cientistas. A energia solar e os biocombust\u00edveis s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para o meio rural africano, especialmente se obtidos de forma sustent\u00e1vel, disse Chirst\u00e8le Adedjoumon, especialista em log\u00edstica e presidente da Associa\u00e7\u00e3o para o Despertar e o Desenvolvimento de Benin, com sede em Paris.<\/p>\n<p>Muitas na\u00e7\u00f5es africanas t\u00eam, em m\u00e9dia, mais de 300 dias de sol por ano, o que torna vi\u00e1vel a energia solar, disse Adedjoumon. Mas a tecnologia exige grandes investimentos e \u00e9 a\u00ed que devem intervir as ag\u00eancias internacionais, os pa\u00edses industrializados e as multinacionais. Adedjoumon e sua organiza\u00e7\u00e3o realizam um projeto na aldeia de Hon, no Benin, dentro do qual se fornece aos seus moradores seis horas di\u00e1rias de eletricidade com pain\u00e9is solares. Foi uma mudan\u00e7a total para a aldeia, acrescentou. Por fim, podem ter uma televis\u00e3o e utilizar telefone celular. J\u00e1 n\u00e3o precisam andar 20 quil\u00f4metros para carregar as batrias. A organiza\u00e7\u00e3o capacitou as mulheres para que cuidassem dos aparelhos e \u201cn\u00e3o tivessem que deixar os filhos para buscar trabalho em outro lugar\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O custo do projeto, patrocinado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pelo Barefoot Coillege da \u00cdndia, \u00e9 de pouco menos de US$ 172 mil por 20 anos, incluindo sal\u00e1rios, repara\u00e7\u00f5es e renova\u00e7\u00e3o de baterias. Barefoot College \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o criada em 1972 para resolver diferentes problemas do meio rural. \u201c\u00c9 absolutamente necess\u00e1rio compartilhar a mesma posi\u00e7\u00e3o, para que todos se sintam inclu\u00eddos\u201d, insistiu Adedjoumon.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio capacitar as mulheres para que possam instalar e manter o sistema. O abandono dos pain\u00e9is solares \u00e9 um problema em muitas regi\u00f5es. Uma manuten\u00e7\u00e3o adequada o torna sustent\u00e1vel e \u00e9 uma fonte de emprego para os pr\u00f3prios africanos. Mas, s\u00e3o projetos que exigem financiamento\u201d, afirmou Adedjoumon, a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia coopera atrav\u00e9s da Associa\u00e7\u00e3o de Energia \u00c1frica-UE para elevar eletricidade \u00e0 regi\u00e3o subsaariana, disse Jean Lamy, chefe do escrit\u00f3rio de energia e clima do Minist\u00e9rio de Assuntos Europeus e Estrangeiros.<\/p>\n<p>Uma importante quantidade de energia empregada na Europa procede do petr\u00f3leo refinado em pa\u00edses africanos. Alguns de seus governos t\u00eam acordos para destinar a ajuda ao desenvolvimento de fontes alternativas. Mas, ainda resta chegar-se a um acordo sobre as prioridades, disse Lamy. \u201cSemenergia n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento nem se pode lutar de forma efetiva contra a pobreza. Seja um problema de eletrifica\u00e7\u00e3o rural, infra-estrutura ou falta de energia nos centros povoados, o desenvolvimento social e econ\u00f4mico fica prejudicado\u201d, ressaltou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, 10\/06\/2009 &ndash; Ao olhar uma fotografia tirada por sat\u00e9lite da Terra, parece que na \u00c1frica h\u00e1 um grande apag\u00e3o, sobretudo quando comparada com a luminosidade da Europa ou dos Estados Unidos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/06\/africa\/energia-a-africa-precisa-brilhar-com-luz-propria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":220,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5,10],"tags":[21],"class_list":["post-5176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/220"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}