{"id":5190,"date":"2009-06-15T17:31:31","date_gmt":"2009-06-15T17:31:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5190"},"modified":"2009-06-15T17:31:31","modified_gmt":"2009-06-15T17:31:31","slug":"energia-europa-pouco-dinheiro-para-grandes-planos-nucleares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/06\/energia\/energia-europa-pouco-dinheiro-para-grandes-planos-nucleares\/","title":{"rendered":"ENERG\u00cdA-EUROPA: Pouco dinheiro para grandes planos nucleares"},"content":{"rendered":"<p>Budapeste, 15\/06\/2009 &ndash; A Europa ocidental promove a energia nuclear como \u00fanica maneira de enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e reduzir a depend\u00eancia do g\u00e1s russo, mas n\u00e3o pode cobrir os custos que a virada representa. <!--more--> Este ano, em meio \u00e0 \u00faltima disputa entre Ucr\u00e2nia e R\u00fassia pelo g\u00e1s, funcion\u00e1rios de v\u00e1rios pa\u00edses da Europa central e oriental enfatizaram a necessidade de se passar \u00e0 energia nuclear. Ao contr\u00e1rio de muitos pa\u00edses no Ocidente, a opini\u00e3o p\u00fablica na Europa central e oriental est\u00e1 esmagadoramente a favor da energia at\u00f4mica. As pesquisas mostram apoio de 88% na Eslov\u00e1quia e 70% na Hungria.<\/p>\n<p>O p\u00fablico \u201cv\u00ea isto como uma maneira de exportar eletricidade, e acredita que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 ter grandes centrais. Mas, \u00e9 preciso investir muito dinheiro que, com sorte, talvez seja recuperado em 30 anos\u201d, disse \u00e0 IPS Olexi Pasyuk, especialista em energia radicado em Kiev e que trabalha para a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Bankwatch. Os pa\u00edses da Europa central e oriental enfrentar\u00e3o uma dura competi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que todos apostam nas exporta\u00e7\u00f5es de eletricidade, que exigir\u00e3o ou pre\u00e7os menores ou um enorme apoio estatal. Mas os problemas n\u00e3o acabam a\u00ed. \u201cA ind\u00fastria nuclear mundial sofre falta de pessoal qualificado e instala\u00e7\u00f5es para construir todo o equipamento necess\u00e1rio. No m\u00e1ximo, pode construir quatro reatores por ano\u201d, destacou Pasyuk.<\/p>\n<p>Bulg\u00e1ria, Eslov\u00e1quia, Hungria, Litu\u00e2nia, Pol\u00f4nia, Rep\u00fablica Checa e Ucr\u00e2nia planejam desenvolver mais suas capacidades nucleares. \u201cNa Europa temos varias unidades em constru\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o bons exemplos de como estes projetos s\u00e3o caros e complicados\u201d, disse Pasyuk. Um deles \u00e9 o de Olkiluoto, no ocidente da Finl\u00e2ndia. Este projeto j\u00e1 sofre atrasos que podem se estender por tr\u00eas anos, um excedente or\u00e7ament\u00e1rio de 1,5 bilh\u00f5es de euros (US$ 2,8 bilh\u00f5es) e a incapacidade da companhia francesa Areva de cumprir os requisitos finlandeses em mat\u00e9ria t\u00e9cnica e de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Caso semelhante ocorre na Europa oriental, onde a Bulg\u00e1ria est\u00e1 determinada a completar a constru\u00e7\u00e3o da usina nuclear de Belene. O custo do reator seria de tr\u00eas bilh\u00f5es de euros (mais de US$ 4,159 bilh\u00f5es), mas, dobrou de valor, e os bancos comerciais est\u00e3o se negando a se envolver. A Ucr\u00e2nia desenvolve uma estrat\u00e9gia nacional que exige criar 22 novos reatores nucleares, mas os projetos n\u00e3o est\u00e3o progredindo, e a muito necess\u00e1ria coopera\u00e7\u00e3o russa n\u00e3o est\u00e1 chegando. Na Hungria, v\u00e1rios pol\u00edticos e representantes da ind\u00fastria querem novos blocos que dupliquem a capacidade de usina nuclear da cidade de Paks, que garante 37,2% da produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, muitos come\u00e7am a se perguntar de onde sair\u00e1 o dinheiro, pois cada unidade tem custo estimado de cinco bilh\u00f5es de euros (US$ 7 bilh\u00f5es). Os procedimentos o dinheiro, pois cada unidade tem custo estimado de cinco bilh\u00f5es de euros (US$ 7 bilh\u00f5es). Os procedimentos para obter autoriza\u00e7\u00f5es podem demorar at\u00e9 seis anos, e s\u00e3o necess\u00e1rios outros seis para construir uma unidade e formar a m\u00e3o-de-obra necess\u00e1ria. Eslov\u00e1quia e Rep\u00fablica Checa parecem mais determinadas. Os v\u00ednculos hist\u00f3ricos entre seus setores energ\u00e9ticos est\u00e3o entre os mais estreitos da Europa, e seus governos tradicionalmente est\u00e3o pr\u00f3ximos do lobby nuclear. \u201cEm quase todas as partes h\u00e1 empresas de energia dedicadas apenas \u00e0 \u00e1rea nuclear, para as quais fica dif\u00edcil deixar de funcionar, e tentam persuadir todo o mundo de que s\u00e3o o futuro, reclamando apoio do Estado\u201d, explicou Pasyuk.<\/p>\n<p>No dia 29 de maio, a empresa energ\u00e9tica checa CEZ e a eslovaca Javys (Sociedade Estatal para o \u00c1tomo e as Radia\u00e7\u00f5es) acordaram construir uma nova central nuclear em Jalosvsk\u00e9 Bohunice, na Eslov\u00e1quia ocidental. Prev\u00ea-se que entre em opera\u00e7\u00e3o em 2020. Ali funcionava antes outra usina at\u00f4mica, cujos dois reatores, de constru\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica, datavam da d\u00e9cada de 70 e foram retirados de servi\u00e7o em 2006 e 2008, devido a compromissos assumidos pela Eslov\u00e1quia para poder integrar-se, em 2004, \u00e0 Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. Destacando reiteradamente sua condi\u00e7\u00e3o de deficit\u00e1ria em mat\u00e9ria de energia, a Eslov\u00e1quia tamb\u00e9m obteve a aprova\u00e7\u00e3o da UE para construir outra usina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de seus enormes custos, a energia at\u00f4mica tampouco oferece uma solu\u00e7\u00e3o para quem deseja evitar a depend\u00eancia, porque a R\u00fassia sempre lhes oferece produzir tecnologia e combust\u00edveis mais baratos, e os pa\u00edses da regi\u00e3o dependem de Moscou para tratar do lixo radiativo. A Ucr\u00e2nia, um dos pa\u00edses que mais subsidia seu setor energ\u00e9tico, tentou ceder um quinto do mercado do combust\u00edvel \u00e0 empresa Westinghouse pelo per\u00edodo de cinco anos. Mas, logo concluiu que o combust\u00edvel produzido por essa firma, financiada pelo governo norte-americano, custa quase o dobro do russo e \u00e9 menos adequado para reatores nucleares constru\u00eddos majoritariamente com tecnologia russa ou sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Em lugar de gastar milhares de milh\u00f5es em novas usinas, v\u00e1rios governos da Europa oriental consideram estender a vida \u00fatil das centrais existentes. Porem, esta op\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apresenta dificuldades. \u201cA experi\u00eancia com a extens\u00e3o da vida \u00fatil \u00e9 limitada no mundo. Todos os reatores s\u00e3o diferentes e especiais, o que significa que estes programas t\u00eam de ser projetados para cada reator, e \u00e9 necess\u00e1ria um estudo consider\u00e1vel e centenas de milh\u00f5es de euros para cada reator\u201d, disse Pasyuk. \u201cAl\u00e9m do mais, isto n\u00e3o resolve a quest\u00e3o de que, se n\u00e3o for agora, dentro de 15 anos ser\u00e1 preciso fechar os reatores e ainda se precisar\u00e1 de dinheiro para tir\u00e1-los de servi\u00e7o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Muitos analistas insistem que os governos deveriam investir em incentivos \u00e0 efici\u00eancia energ\u00e9tica, mais do que criar uma capacidade produtiva adicional. \u201cNeste momento o g\u00e1s \u00e9 um combust\u00edvel bastante conveniente e competitivo, em termos de solu\u00e7\u00f5es imediatas, e \u00e9 mais amig\u00e1vel com o meio ambiente do que o petr\u00f3leo e o carv\u00e3o\u201d, disse Pasyuk \u00e0 IPS. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Budapeste, 15\/06\/2009 &ndash; A Europa ocidental promove a energia nuclear como \u00fanica maneira de enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e reduzir a depend\u00eancia do g\u00e1s russo, mas n\u00e3o pode cobrir os custos que a virada representa. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/06\/energia\/energia-europa-pouco-dinheiro-para-grandes-planos-nucleares\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":218,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[18],"class_list":["post-5190","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5190","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/218"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5190"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5190\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}