{"id":5197,"date":"2009-06-16T18:08:31","date_gmt":"2009-06-16T18:08:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5197"},"modified":"2009-06-16T18:08:31","modified_gmt":"2009-06-16T18:08:31","slug":"mulheres-quenia-dois-dolares-e-meio-pela-vida-de-uma-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/06\/africa\/mulheres-quenia-dois-dolares-e-meio-pela-vida-de-uma-mae\/","title":{"rendered":"MULHERES-QU\u00caNIA: Dois d\u00f3lares e meio pela vida de uma m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<p>Lisumu, Qu\u00eania, 16\/06\/2009 &ndash; Quanto tinha 14 anos, Zulekha Mumma deu \u00e0 luz ao seu primeiro filho. H\u00e1 dois anos, com 21, o nascimento do s\u00e9timo a matou. <!--more--> Morreu devido a um sangramento excessivo, em sua casa em Nyalenda, uma favela nos arredores da ocidental cidade queniana de Kisumu, a 400 quil\u00f4metros de Nair\u00f3bi. \u201cEra muito tar5de para lev\u00e1-la ao hospital. Quando me dei conta de que sua situa\u00e7\u00e3o era seria, o sangue j\u00e1 flu\u00eda de seu corpo como uma torneira, e deu seu \u00faltimo suspiro\u201d, disse \u00e0 IPS Mama Apondi, uma parteira tradicional que assistia Mumma. Nem um \u00fanico filho de Mumma nasceu em hospital. Isso \u00e9 comum no Qu\u00eania, onde apenas 40% dos partos ocorrem em centros de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O restante das mulheres d\u00e1 \u00e0 luz em casa, com ajuda de parteiras que n\u00e3o est\u00e3o preparadas para tratar de complica\u00e7\u00f5es. Isto contribui para uma elevada propor\u00e7\u00e3o de mortalidade materna. Os n\u00fameros oficiais indicam que morrem 414 m\u00e3es para cada cem mil nascidos vivos. Dois ter\u00e7os desses \u00f3bitos se devem a hemorragia p\u00f3s-parto, septicemia (infec\u00e7\u00e3o bacteriol\u00f3gica), eclampsia (hipertens\u00e3o severa durante a gravidez) ou ruptura do \u00fatero. As parteiras como Apondi n\u00e3o podem diagnosticar nem tratar estes problemas.<\/p>\n<p>O custo de parir em um hospital do governo varia de US$ 20 a US$ 65. Isto incentiva muitas mulheres pobres a procurarem as parteiras tradicionais, que cobram cerca de US$ 13. \u00c0s vezes, tamb\u00e9m aceitam um animal como pagamento, por exemplo, uma cabra. O programa de sa\u00fade reprodutiva conhecido como Enfoque Baseado no Resultado \u00e9 uma tentativa de superar as mortes maternas barateando o custo dos hospitais. Iniciado em junho de 2008, o projeto permite que as mulheres pobres recebam um vale de maternidade segura de aproximadamente US$ 2,05, o que lhes habilita dar \u00e0 luz e ter acesso a cuidados pr\u00e9 e p\u00f3s-natal em cl\u00ednicas credenciadas.<\/p>\n<p>O projeto foi realizado como piloto em cinco \u00e1reas: Kisumu, Iambu, Kitu, al\u00e9m das favelas de Korogocho e Viwandani, em Nair\u00f3bi. Sua primeira fase, que terminou em outubro passado, registrou concorr\u00eancia maci\u00e7a de mulheres gr\u00e1vidas em busca de cuidados especializados. As instala\u00e7\u00f5es credenciadas registraram aumento de 20% na quantidade de mulheres que buscam aten\u00e7\u00e3o profissional durante a gravidez, disse Francis Kundu, oficial de programa na Ag\u00eancia Nacional de Coordena\u00e7\u00e3o para a Popula\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento, que controla a implementa\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>Com o sistema de cup\u00f5es, na Cl\u00ednica Marie Stopes, em Kisumu, um dos centros de sa\u00fade credenciados, a quantidade de partos passou de menos de 50 para 150 ao m\u00eas. Essa cl\u00ednica particular, que \u00e9 parte da organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos dedicada ao planejamento familiar, teve de contratar mais pessoal e construir uma nova sala para fazer frente \u00e0 chegada de pacientes. \u201cVieram mulheres de aldeias mais remotas de Kisumu. Algumas nunca haviam pisado em um hospital\u201d, disse \u00e0 IPS o m\u00e9dico Charles Ochieng. \u201cOs cup\u00f5es dignificaram os pobres. As mulheres v\u00eam \u00e0 cl\u00ednica, algumas inclusive descal\u00e7as, e nos dizem: nunca antes nos sentimos assim. \u00c9 isto que significa vir a um hospital\u201d, contou Ochieng.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a esses vales, em julho do ano passdo Gladyz Owino p\u00f4de dar \u00e0 luz ao seu quarto filho no Hospital Geral Provincial de Nova Nyanza, em Kisumu. \u201cN\u00e3o cabia em mim de alegria por ter acesso a servi\u00e7os de maternidade e p\u00f3s-natal em um hospital t\u00e3o grande, e sendo tratada por pessoal qualificado. Meus partos anteriores foram atendidos por uma parteira tradicional, e um foi t\u00e3o complicado que quase morri\u201d, contou. Um parto natural na Cl\u00ednica Marie Stopes custa US$ 100; uma cesariana US$ 455. Em um hospital estatal esses procedimentos custam US$ 20 e US$ 65, respectivamente.<\/p>\n<p>No Qu\u00eania, 46% da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o pobres. Esta \u00e9 a principal raz\u00e3o pela qual mulheres como Owino antes n\u00e3o iam nem mesmo aos centros governamentais de sa\u00fade mais baratos. Outro motivo para esse baixo comparecimento era a m\u00e1 qualidade do servi\u00e7o. H\u00e1 den\u00fancias de atitudes agressivas com os pacientes por parte dos trabalhadores da sa\u00fade, particularmente nos centros p\u00fablicos. O sistema de cup\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e1 transformando isto, j\u00e1 que se baseia no reembolso: quando mais clientes um centro de sa\u00fade receber, mais dinheiro ter\u00e1.<\/p>\n<p>O pessoal da sa\u00fade p\u00fablica foi motivado a mudar sua atitude para poder gera mais dinheiro e melhorar o servi\u00e7o. No final do m\u00eas, cada centro credenciado apresenta faturas por servi\u00e7os prestados, que s\u00e3o processados e reembolsadas pela firma PriceWaterhouseCoopers, que administra os cup\u00f5es. Isto criou maior competi\u00e7\u00e3o entre os hospitais p\u00fablicos e privados. \u201cIsto exige melhoria nos servi\u00e7os e padr\u00f5es de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade. Se n\u00e3o h\u00e1 qualidade, n\u00e3o h\u00e1 clientes\u201d, disse \u00e0 IPS Kigen Bartilol, subdiretor da Divis\u00e3o de Sa\u00fade Reprodutiva no Departamento de Sa\u00fade Familiar do Minist\u00e9rio de Sa\u00fade P\u00fablica e Saneamento.<\/p>\n<p>\u201cHouve grande \u00eaxito, principalmente com clientes que buscam servi\u00e7os seguros de maternidade. Devido \u00e0 competi\u00e7\u00e3o, os hospitais p\u00fablicos melhoraram seus servi\u00e7os e registraram aumento na quantidade de gr\u00e1vidas que buscam dar \u00e0 luz em hospitais, bem como servi\u00e7os p\u00f3s-natal\u201d, disse Bartilol. A segunda fase do projeto, que expandir\u00e1 o programa de cup\u00f5es para outras partes do pa\u00eds tem in\u00edcio previsto pra julho. Mas, est\u00e3o surgindo preocupa\u00e7\u00f5es sobre como as autoridades quenianas os manter\u00e3o, caso seja retirado o apoio do governo alem\u00e3o, o que mais contribuiu com o financiamento.<\/p>\n<p>O projeto-piloto custou US$ 9,2 milh\u00f5es. Segundo Josephine Kibaru, diretora do Departamento de Sa\u00fade Familiar, atualmente o governo est\u00e1 em fase de estudo para determinar quanto custar\u00e1 a cobertura nacional. \u201cHav\u00edamos pedido US$ 1,3 milh\u00e3o para o programa, e se n\u00e3o recebermos a7 soma total, o que nos derem poder\u00e1 aumentar com o tempo\u201d, disse Kibaru. No \u00faltimo or\u00e7amento do Qu\u00eania, aprovado no dia 11 deste m\u00eas, foram destinados mais fundos \u00e0 sa\u00fade. Mas os funcion\u00e1rios ainda esperam para saber com se gastar\u00e1 esse dinheiro, para garantir o futuro do programa de cup\u00f5es. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisumu, Qu\u00eania, 16\/06\/2009 &ndash; Quanto tinha 14 anos, Zulekha Mumma deu \u00e0 luz ao seu primeiro filho. 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