{"id":521,"date":"2005-04-21T00:00:00","date_gmt":"2005-04-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=521"},"modified":"2005-04-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-21T00:00:00","slug":"direitos-humanos-brasil-retira-da-onu-projeto-sobre-lsbicas-e-gays","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/direitos-humanos-brasil-retira-da-onu-projeto-sobre-lsbicas-e-gays\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Brasil retira da ONU projeto sobre l&eacute;sbicas e gays"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 21\/04\/2005 &ndash; Pelo terceiro ano consecutivo, a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o realizou um debate sobre os abusos cometidos no mundo contra pessoas em virtude de sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual. A delega&ccedil;&atilde;o brasileira, que em 2003 e 2004 promoveu um projeto de resolu&ccedil;&atilde;o sobre este assunto, este ano retirou o texto, que contava com o patroc&iacute;nio de mais de 20 pa&iacute;ses, em sua maioria europeus. O Brasil explicou &agrave; comunidade de l&eacute;sbicas e gays recebeu press&otilde;es de pa&iacute;ses isl&acirc;micos, com os quais se prepara para participar de uma hist&oacute;rica c&uacute;pula &Aacute;rabe-Sul-Americana, que acontecer&aacute; em Bras&iacute;lia nos dias 10 e 11 de maio, com participa&ccedil;&otilde;es previstas de 22 chefes de Estado &aacute;rabes e 12 latino-americanos.<br \/> <!--more--> <br \/> As autoridades brasileiras entenderam que n&atilde;o era oportuno esfriar suas rela&ccedil;&otilde;es com esses pa&iacute;ses &agrave;s v&eacute;speras de uma reuni&atilde;o internacional de tal import&acirc;ncia, disse &agrave; IPS a ativista canadense Kim Vance, diretora da ARC Internacional, uma organiza&ccedil;&atilde;o canadense sem fins lucrativos defensora dos direitos de l&eacute;sbicas, gays, bissexuais e transexuais (LBGT). Outra raz&atilde;o, segundo os brasileiros, foi o fato de o projeto ter criado divis&otilde;es e disputas na Comiss&atilde;o, afirmou Vance, cujo grupo faz parte da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de L&eacute;sbicas e Gays (ILGA).<\/p>\n<p> Entretanto, um funcion&aacute;rio da miss&atilde;o diplom&aacute;tica brasileira junto &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas em Genebra negou &agrave; IPS que a c&uacute;pula &Aacute;rabe-Sul-americana tenha determinado a retirada da proposta sobre orienta&ccedil;&atilde;o sexual. Esse tema continua sendo importante para o Brasil, mas, n&atilde;o sabemos quando voltares a insistir nele, disse o diplomata, que pediu reserva sobre seu nome. O Brasil n&atilde;o encontrou o apoio esperado nem a colabora&ccedil;&atilde;o de mais pa&iacute;ses entre os 53 membros da Comiss&atilde;o, e n&atilde;o acredita que o panorama atual seja favor&aacute;vel para esse projeto, explicou.<\/p>\n<p> A Anistia Internacional afirmou que o projeto brasileiro encontrou r&iacute;gida oposi&ccedil;&atilde;o por parte da Organiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Isl&acirc;mica, integrada por 57 Estados, que prop&ocirc;s 55 emendas ao texto original e, tamb&eacute;m, embora menos dr&aacute;stica, por parte do Vaticano. Na sess&atilde;o da Comiss&atilde;o do ano passado, o Brasil decidiu solicitar o adiamento do debate por considerar que os integrantes desse organismo n&atilde;o haviam sido &quot;capazes de chegar ao consenso necess&aacute;rio&quot;, segundo afirmou em uma declara&ccedil;&atilde;o. A comunidade LBGT se mobilizou em apoio &agrave; iniciativa original de 2003, a primeira sobre esse assunto na hist&oacute;ria da Comiss&atilde;o, e procurou &quot;trabalhar junto com o Brasil e introduzir algumas mudan&ccedil;as&quot; no texto do projeto para seu exame na sess&atilde;o desse organismo este ano, explicou Vance.<\/p>\n<p> &quot;Ainda temos muita esperan&ccedil;a de que a Comiss&atilde;o aprove uma resolu&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Os ativistas da comunidade LBGT trabalham com v&aacute;rios Estados e procuram obter seu apoio&quot;, acrescentou. Por exemplo, al&eacute;m do apoio do Brasil conseguiram os da Argentina e de outros pa&iacute;ses latino-americanos dispostos ao mesmo patroc&iacute;nio, entre eles o Uruguai. Al&eacute;m dos pa&iacute;ses europeus e do Canad&aacute;, confiamos no apoio da &Aacute;frica do Sul, pa&iacute;s que consagra em sua Constitui&ccedil;&atilde;o a prote&ccedil;&atilde;o da orienta&ccedil;&atilde;o sexual que cada pessoa escolhe, afirmou a ativista.<\/p>\n<p> A proposta original apresentada pelo Brasil n&atilde;o estabelecia a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova categoria de direitos humanos, mas se limitava a expressar preocupa&ccedil;&atilde;o pelos abusos em preju&iacute;zo de pessoas por causa de sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual. Tamb&eacute;m declarava que motivos relacionados &agrave; inclina&ccedil;&atilde;o sexual de cada um n&atilde;o deve ser obst&aacute;culo no acesso dessas pessoas aos direitos humanos. Um membro da Comunidade Homossexual Argentina, (CHA), Pedro Paradiso Sottile, denunciou na semana passada perante a Comiss&atilde;o &quot;a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos que sofremos devido &agrave; nossa orienta&ccedil;&atilde;o sexual e identidade de g&ecirc;nero&quot;. Ser gay, l&eacute;sbica, bissexual, transexual ou intersexual em muitos pa&iacute;ses significa sofrer discrimina&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o, ressaltou.<\/p>\n<p> A Anistia Internacional disse ter documentado abusos que incluem torturas e maus-tratos motivados pela orienta&ccedil;&atilde;o sexual real ou percebida dos detidos, o que parece resultado de &quot;uma homofobia agressiva da justi&ccedil;a&quot;. A den&uacute;ncia se estende a casos de intimida&ccedil;&atilde;o, pris&atilde;o, viol&ecirc;ncia e morte de defensores dos direitos humanos de l&eacute;sbicas, gays, bissexuais ou transexuais. &quot;Alguns pa&iacute;ses se sentem amea&ccedil;ados por esses progressos de outras regi&otilde;es e restringem os direitos. Assim, &eacute; necess&aacute;rio que &quot;todos nossos grupos no mundo se mantenham em comunica&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Os adiamentos do debate na Comiss&atilde;o chamam a aten&ccedil;&atilde;o para a situa&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es da comunidade LBGT, que n&atilde;o t&ecirc;m lugar dentro do sistema das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, recordou Vance. A ILGA perdeu o status de membro que o Conselho Econ&ocirc;mico e Social da ONU outorgava a certas organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais e &quot;&eacute; imposs&iacute;vel recuper&aacute;-lo&quot;, afirmou. A oposi&ccedil;&atilde;o a esse status se baseou nos mesmos argumentos que alguns Estados utilizam agora na Comiss&atilde;o de Direitos humanos, ressaltou Vance. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 21\/04\/2005 &ndash; Pelo terceiro ano consecutivo, a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o realizou um debate sobre os abusos cometidos no mundo contra pessoas em virtude de sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual. A delega&ccedil;&atilde;o brasileira, que em 2003 e 2004 promoveu um projeto de resolu&ccedil;&atilde;o sobre este assunto, este ano retirou o texto, que contava com o patroc&iacute;nio de mais de 20 pa&iacute;ses, em sua maioria europeus. O Brasil explicou &agrave; comunidade de l&eacute;sbicas e gays recebeu press&otilde;es de pa&iacute;ses isl&acirc;micos, com os quais se prepara para participar de uma hist&oacute;rica c&uacute;pula &Aacute;rabe-Sul-Americana, que acontecer&aacute; em Bras&iacute;lia nos dias 10 e 11 de maio, com participa&ccedil;&otilde;es previstas de 22 chefes de Estado &aacute;rabes e 12 latino-americanos.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/direitos-humanos-brasil-retira-da-onu-projeto-sobre-lsbicas-e-gays\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-521","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=521"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/521\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}