{"id":5222,"date":"2009-06-23T14:04:40","date_gmt":"2009-06-23T14:04:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5222"},"modified":"2009-06-23T14:04:40","modified_gmt":"2009-06-23T14:04:40","slug":"reportagem-guerra-comercial-por-materias-primas-raras-na-incubadeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/06\/economia\/reportagem-guerra-comercial-por-materias-primas-raras-na-incubadeira\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Guerra comercial por mat\u00e9rias-primas raras na incubadeira"},"content":{"rendered":"<p>M\u00c9XICO, 23\/06\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A China antecipou-se aos Estados Unidos e tomou conta da produ\u00e7\u00e3o de metais raros usados em tecnologias verdes que o mundo precisa para reduzir a polui\u00e7\u00e3o que causa a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5222\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/427_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5222\" class=\"size-medium wp-image-5222\" title=\"\u00d4nibus h\u00edbridos na Exposi\u00e7\u00e3o Internacional 2005 de Aichi, Jap\u00e3o. - Dom\u00ednio p\u00fablico\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/427_2.jpg\" alt=\"\u00d4nibus h\u00edbridos na Exposi\u00e7\u00e3o Internacional 2005 de Aichi, Jap\u00e3o. - Dom\u00ednio p\u00fablico\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5222\" class=\"wp-caption-text\">\u00d4nibus h\u00edbridos na Exposi\u00e7\u00e3o Internacional 2005 de Aichi, Jap\u00e3o. - Dom\u00ednio p\u00fablico<\/p><\/div>  Utilizado em motores de carros el\u00e9tricos e turbinas e\u00f3licas, o neod\u00edmio, um mineral escasso no planeta, \u00e9 objeto da disputa pelas tecnologias verdes entre pa\u00edses ricos e emergentes, enquanto os pobres parecem condenados a serem meras testemunhas. O neod\u00edmio est\u00e1 no grupo das \u201cterras raras\u201d na tabela peri\u00f3dica de Qu\u00edmica. Sua produ\u00e7\u00e3o e seu uso mostram que as tecnologias verdes s\u00e3o terreno de uma silenciosa competi\u00e7\u00e3o pelas mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luis Giordano, professor associado da Faculdade de Engenharia da Universidade de Talca, no Chile, reconheceu ao Terram\u00e9rica a disputa entre Estados Unidos, China e Jap\u00e3o pelo neod\u00edmio, o sam\u00e1rio e o praseod\u00edmio, por supercondutores de cer\u00e2mica e por uma alternativa a esses materiais, ainda em experimenta\u00e7\u00e3o. Esses elementos pertencem ao grupo de 15 metais raros, cujas propriedades \u00fanicas, como a grande capacidade magn\u00e9tica e resist\u00eancia \u00e0s altas temperaturas, os tornam indispens\u00e1veis para uma variedade de novas tecnologias que o mundo necessita com urg\u00eancia para frear problemas globais como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os magnetos fabricados com neod\u00edmio ajudam na gera\u00e7\u00e3o de energia em ve\u00edculos el\u00e9tricos e na rota\u00e7\u00e3o de turbinas dos geradores e\u00f3licos. China e Estados Unidos s\u00e3o os maiores produtores mundiais de neod\u00edmio, mas a na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica \u00e9, tamb\u00e9m, grande fabricante de tecnologias verdes. No come\u00e7o dos anos 90, materiais raros que a China produzia a baixo pre\u00e7o, como o neod\u00edmio, ficaram abundantes no mercado de minera\u00e7\u00e3o e seus pre\u00e7os ca\u00edram de US$ 11,7 mil a tonelada, em 1992, para US$ 7,43 mil, em 1996, de quase US$ 12 pra US$ 7,4 o quilo. Por influ\u00eancia chinesa, o mercado passou de um tamanho de 40 mil toneladas anuais para um de 125 mil toneladas em pouco tempo.<\/p>\n<p>Em 2006, quase toda a produ\u00e7\u00e3o mundial destes minerais (137 mil toneladas) teve origem na China. Nos \u00faltimos anos, esse pa\u00eds teve como efeito a alta do pre\u00e7o internacional do neod\u00edmio, at\u00e9 US$ 60 o quilo, em 2007. Prev\u00ea-se que at\u00e9 2014 a demanda mundial supere as 200 mil toneladas anuais, todas provenientes da China. \u201cPoder\u00e1 haver em breve uma disputa comercial entre Estados Unidos e China pelo controle da produ\u00e7\u00e3o de neod\u00edmio\u201d, disse a este jornalista o consultor independente Jack Lifton, especializado em Abastecimento de Metais N\u00e3o-Ferrosos Estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>Em uma apresenta\u00e7\u00e3o a legisladores dos Estados Unidos, no dia 29 de janeiro, Mark Smith, diretor da empresa Molycorp Minerals, reconheceu que a \u201creduzida capacidade manufatureira norte-americana criou uma brecha\u201d e que este pa\u00eds \u201cpossui o conhecimento, mas perdeu a infraestrutura necess\u00e1ria\u201d. A Molycorp \u00e9 dona da mina Mountain Passa, no Estado da Calif\u00f3rnia, a mais rica em neod\u00edmio fora de territ\u00f3rio chin\u00eas e que poderia fornecer mais material. A hist\u00f3ria do desenvolvimento empresarial em torno deste metal demonstra como a China imp\u00f4s suas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 1982, a norte-americana General Motors (GM), Sumitomo Special Metals e a Academia Chinesa de Ci\u00eancias inventaram um magneto de neod\u00edmio, boro e a\u00e7o. Em 1986, come\u00e7aram a comercializ\u00e1-lo pela nova divis\u00e3o da GM, a Magnequench. Em setembro de 1995, as empresas chinesas Corpora\u00e7\u00e3o Nacional de Metais N\u00e3o-Ferrosos, San Juan e Sextant MQI Holdings compraram a Magnequench. Em 1997, surgiu a Neo Material Technologies, fruto da fus\u00e3o da canadense AMR com a Magnequench. A nova companhia tem sede no Canad\u00e1 e centros produtivos na China e na Tail\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Em maio, duas empresas chinesas investiram em duas mineradoras australianas, Lynas e Arafura \u2013 adquirindo metade mais uma das a\u00e7\u00f5es da primeira e 25% da segunda \u2013 que est\u00e3o para iniciar as opera\u00e7\u00f5es de extra\u00e7\u00e3o e, no primeiro caso, de refino de grandes volumes de metais raros. Lifton acredita que \u201ca China n\u00e3o permitir\u00e1 aos pa\u00edses ocidentais comprar neod\u00edmio para entrega futura fora de seu territ\u00f3rio nem para uso interno em seu territ\u00f3rio se for destinado \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de produtos para exporta\u00e7\u00e3o\u201d. <\/p>\n<p>Isso significa que Pequim poderia endurecer sua estrat\u00e9gia de aquisi\u00e7\u00e3o de empresas fora de suas fronteiras e que as pot\u00eancias industrializadas e os pa\u00edses em desenvolvimento teriam de buscar outros fornecedores de tecnologias verdes. \u201cSem reconstruir suas capacidades, os Estados Unidos se converter\u00e3o, no melhor dos casos, em fonte de mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o chinesa e n\u00e3o em fabricante de produtos de tecnologia limpa avan\u00e7ada\u201d, prev\u00ea Smith.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, n\u00e3o h\u00e1 alternativas vi\u00e1veis para os metais raros. A substitui\u00e7\u00e3o do neod\u00edmio \u00e9 poss\u00edvel nas turbinas e\u00f3licas. Esse material reduz o peso do magneto, que ser\u00e1 menos r\u00e1pido com outras mat\u00e9rias-primas. Turbinas mais pesadas exigem bases mais fortes, o que implica mais concreto na torre e maiores custos. Os \u00edm\u00e3s de neod\u00edmio possuem uma pot\u00eancia magn\u00e9tica nove vezes superior \u00e0 de um metal convencional. Os mais parecidos, embora mais caros, s\u00e3o os elaborados com sam\u00e1rio e cobalto ou com sam\u00e1rio, praseod\u00edmio, cobalto e ferro, disse Giordano. Nesse campo, \u201cse a pesquisa b\u00e1sica e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico n\u00e3o forem premiados e incentivados, inclusive com reservas naturais, se estar\u00e1 condenado a ser importador\u201d, acrescentou. <\/p>\n<p>Para Lifton, \u201cos pa\u00edses ricos n\u00e3o o s\u00e3o apenas pelos recursos naturais, mas precisamente por terem investido em pesquisa e desenvolvimento. \u00c9 muito improv\u00e1vel que haja mais avan\u00e7os econ\u00f4micos tanto em magnetos como em baterias, devido aos limites da oferta de neod\u00edmio e de l\u00edtio. De fato, poder\u00edamos ter de, em breve, voltar ao uso de a\u00e7o e alum\u00ednio se a demanda por aparelhos com essas tecnologias continuar crescendo\u201d.<\/p>\n<p>Desde 1987, existem pesquisas com semicondutores e ultracondutores (materiais que conduzem a eletricidade) elaborados com pol\u00edmeros, mas nenhum produzido de forma maci\u00e7a. Caracterizam-se por sua alta capacidade de transmitir energia, durabilidade e resist\u00eancia a altas temperaturas. \u201cA menos que a produ\u00e7\u00e3o de tecnologias verdes seja apoiada fora da China por uma maior e nova explora\u00e7\u00e3o mineradora na Am\u00e9rica do Norte, \u00c1frica e Austr\u00e1lia, o \u00fanico lugar para fabric\u00e1-las ser\u00e1 a China. Porque se esse pa\u00eds optar por n\u00e3o exportar metais raros, n\u00e3o haver\u00e1 outro lugar poss\u00edvel para produzir as tecnologias verdes\u201d, prev\u00ea Lifton.<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00c9XICO, 23\/06\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A China antecipou-se aos Estados Unidos e tomou conta da produ\u00e7\u00e3o de metais raros usados em tecnologias verdes que o mundo precisa para reduzir a polui\u00e7\u00e3o que causa a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/06\/economia\/reportagem-guerra-comercial-por-materias-primas-raras-na-incubadeira\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,5],"tags":[14,21],"class_list":["post-5222","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-economia","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5222\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}