{"id":5296,"date":"2009-07-14T17:55:26","date_gmt":"2009-07-14T17:55:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5296"},"modified":"2009-07-14T17:55:26","modified_gmt":"2009-07-14T17:55:26","slug":"mulheres-peru-educar-se-nas-areas-rurais-e-uma-proeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/07\/america-latina\/mulheres-peru-educar-se-nas-areas-rurais-e-uma-proeza\/","title":{"rendered":"MULHERES-PER\u00da: Educar-se nas \u00e1reas rurais \u00e9 uma proeza"},"content":{"rendered":"<p>Wawas, Peru, 14\/07\/2009 &ndash; Maria Bel\u00e9n Sabio, uma ind\u00edgena awaj\u00fan de 30 anos, conseguiu terminar seus estudos superiores de professora com seus cinco filhos nas costas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5296\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/niniasescolarizadas_Amazonia_MilagrosSalazarIPS1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5296\" class=\"size-medium wp-image-5296\" title=\" - Milagros Salazar\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/niniasescolarizadas_Amazonia_MilagrosSalazarIPS1.jpg\" alt=\" - Milagros Salazar\/IPS\" width=\"200\" height=\"134\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5296\" class=\"wp-caption-text\"> - Milagros Salazar\/IPS<\/p><\/div>  \u201cA vida no campo n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, foi dif\u00edcil prosseguir\u201d, afirmou \u00e0 IPS no nordeste da Amaz\u00f4nia peruana.<\/p>\n<p>Nem todas as mulheres nativas podem seguir seus passos, a maioria fica no meio do caminho e s\u00f3 chega at\u00e9 o prim\u00e1rio, afirmam estudos e especialistas.<\/p>\n<p>O tr\u00e2nsito das mulheres pelas escolas \u00e9 uma hist\u00f3ria incompleta. A oferta educacional cresceu e os n\u00fameros oficiais mostram que a cobertura educativa em geral supera os 90%, mas as meninas, adolescentes e jovens das zonas rurais s\u00e3o o elo mais fraco da cadeia educacional.<\/p>\n<p>\u201cMeus filhos tamb\u00e9m estudam porque somente assim poder\u00e3o ter maiores oportunidades para eles e a comunidade. Mas o governo n\u00e3o facilita para que a carga seja menosprezada para n\u00f3s que vivemos longe das cidades\u201d, insistiu Sabio, que vivem na comunidade de Wawas, na prov\u00edncia de Bagua, dentro da regi\u00e3o nordeste da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Os inusitados protestos ind\u00edgenas que em junho tiveram como epicentro esta regi\u00e3o, chamaram a aten\u00e7\u00e3o para o cen\u00e1rio de exclus\u00e3o em que vivem os povos ind\u00edgenas e que desafia os esfor\u00e7os coletivos para reduzir iniq\u00fcidades e construir cidadania, alert\u00e1ramos especialistas.<\/p>\n<p>Os maiores problemas de escolaridade nas regi\u00f5es rurais, onde vivem majoritariamente os povos origin\u00e1rios, apresentam-se na fase inicial entre os 3 e os 5 anos, e nos cursos secund\u00e1rios entre 12 e 17 anos.<\/p>\n<p>Na fase inicial, 56,5% das meninas da \u00e1rea rural ficam fora do sistema educacional contra 58,1% dos meninos, segundo a Pesquisa Nacional de Fam\u00edlias de 2002. Entre os 12 e os 17 anos, 25,6% das adolescentes das zonas rurais abandonam a escola, enquanto o abandono entre os homens \u00e9 de 18,3%.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a fica mais evidente ao contrastar os n\u00fameros rurais e urbanos. Setenta e dois por cento dos estudantes urbanos concluem seus estudos secund\u00e1rios, enquanto apenas 36% dos rurais o fazem, segundo os n\u00fameros mais atualizados do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No total, 426 mil meninas de \u00e1reas rurais engrossam o milh\u00e3o e meio da popula\u00e7\u00e3o da faixa et\u00e1ria entre 2 e 17 anos que, em n\u00edvel nacional, n\u00e3o est\u00e3o matriculados nem freq\u00fcentem um centro ou um programa educacional, diz o estudo \u201cAs desigualdades de g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o de zonas rurais\u201d, da pesquisadora Carmen Montero.<\/p>\n<p>M\u00faltiplas causas do abandono<\/p>\n<p>\u201cAs m\u00e3es n\u00e3o mandam suas filhas \u00e0 escola quando ficam maiores, porque preferem que as ajudem a cuidar dos irm\u00e3os menores ou nos afazeres dom\u00e9sticos\u201d, disse \u00e0 IPS o professor Fidel Datsa, de uma escola em Wawas.<\/p>\n<p>A respons\u00e1vel pela educa\u00e7\u00e3o da n\u00e3o-governamental Ag\u00eancia de Coopera\u00e7\u00e3o IBIS, da Dinamarca, Elena Burga, explicou \u00e0 IPS que existem raz\u00f5es geogr\u00e1ficas, sociais, culturais e econ\u00f4micas relacionadas \u00e0 exclus\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas do sistema educacional.<\/p>\n<p>A pobreza se concentra nas zonas rurais, na Amaz\u00f4nia e nos Andes, onde precisamente vivem as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas que em muitos casos devem priorizar atividades de sobreviv\u00eancia sobre enviar os filhos \u00e0 escola.<\/p>\n<p>Na maioria das comunidades existem escolas prim\u00e1rias, mas para cursar estudos secund\u00e1rios as meninas normalmente devem ir para \u00e1reas distantes, o que assusta os pais.<\/p>\n<p>\u201cMuitos pensam que se enviarem suas filhas para longe de seus povoados elas poder\u00e3o se perder ou enfrentar o ataque de outras pessoas colocando-as em perigo\u201d, afirmou Burga.<\/p>\n<p>Para o professor Datsa, \u201cas mulheres t\u00eam pouco interesse no estudo\u201d porque costumam se casar cedo e acabam se dedicando ao marido e aos filhos.<\/p>\n<p>Na prov\u00edncia de Bagua, 17,4% das mulheres n\u00e3o sabem ler nem escrever, quantidade que sobe para 18,9% se contabilizarmos as que t\u00eam entre 25 e 29 anos em todas as zonas rurais peruanas. Seu analfabetismo impede que ajudem seus filhos a aprender a ler e escrever, diz Montero em seu estudo sobre g\u00eanero e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>M\u00e3es lutam por inclus\u00e3o<\/p>\n<p>A precoce inicia\u00e7\u00e3o sexual das ind\u00edgenas influi em sua deser\u00e7\u00e3o escolar, mas as pr\u00f3prias mulheres afirmam que esta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mudando, principalmente nas comunidades menos remotas.<\/p>\n<p>\u201cQueremos que nossas filhas estudem; como m\u00e3es, fazemos todo o esfor\u00e7o para que sejam melhores do que n\u00f3s. Mas, isso n\u00e3o ocorre sempre com as mulheres que vivem nas comunidades que est\u00e3o mais afastadas. Elas est\u00e3o mais dominadas pelos homens\u201d, disse \u00e0 IPS Julia Esamat, de 53 anos e da comunidade de Nazareth, a tr\u00eas horas de carro da cidade de Bagua.<\/p>\n<p>Esamat colhe em seu terreno banana e mandioca e com a venda de seus produtos conseguiu educar seus filhos, que agora estudam na cidade de Chiclayo, na vizinha prov\u00edncia de Lambayeque.<\/p>\n<p>\u201cAqui todas as mulheres trabalham e aprendem a ganhar seu lugar pouco a pouco. As coisas v\u00e3o mudando, embora ainda haja muito machismo a se vencer\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>A pesquisadora do Instituto de Estudos Peruanos, Patricia Ames, explicou \u00e0 IPS que as mulheres nas comunidades ind\u00edgenas cumprem o papel fundamental de transmitir pr\u00e1ticas culturais como a cer\u00e2mica ou cozinhar. \u201cIr \u00e0 escola pode representar para elas deixar espa\u00e7os de aprendizagem em seus povoados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um conflito leg\u00edtimo nas mulheres ind\u00edgenas que deve ser considerado pelo sistema educacional porque para elas essas atividades tradicionais fazem parte do processo de se converter em adultos do ponto de vista da comunidade\u201d, acrescentou Ames.<\/p>\n<p>A pouca qualidade da educa\u00e7\u00e3o proporcionada soma-se \u00e0 dificuldade em seu acesso. Nas zonas rurais, 8% dos estudantes repetem no ensino prim\u00e1rio e nos espa\u00e7os urbanos esse n\u00famero cai para 4,6%, segundo dados oficiais mais recentes, de 2007.<\/p>\n<p>O Peru conta com uma lei de promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o das meninas e adolescentes rurais, com \u00eanfase na dimens\u00e3o de g\u00eanero e um Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o para Todos, que fazem parte de compromissos internacionais.<\/p>\n<p>Mas, persistem problemas na hora de executar essas diretrizes.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o eficaz para a educa\u00e7\u00e3o intercultural bil\u00edngue nem professores com forma\u00e7\u00e3o suficiente capaz de enfrentar o desafio de educar nessas \u00e1reas vulner\u00e1veis. As escolas bil\u00edngues representam pouco mais de 10% das escolas no Peru.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds conta com 28,7 milh\u00f5es de habitantes, sendo um ter\u00e7o de ind\u00edgenas, e destes 48% s\u00e3o mulheres. Os povos ind\u00edgenas amaz\u00f4nicos s\u00e3o 56 e soma em torno de 10% da popula\u00e7\u00e3o assentada nessa regi\u00e3o, que, por sua vez, representa, 13,4% do total nacional.<\/p>\n<p>Nas escolas bilingues, apenas 10% t\u00eam um professor por s\u00e9rie, enquanto 57% contam com um para cada duas ou mais series e 39% com um \u00fanico professor ou professora para todos os cursos.<\/p>\n<p>Para a especialista em povos origin\u00e1rios Karem Escudero, o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 qualidade de ensino nas \u00e1reas rurais repercutir\u00e1 de maneira direta nas lideran\u00e7as que as mulheres possam assumir dentro do movimento ind\u00edgena.<\/p>\n<p>\u201cAs que sabem ler, escrever e se expressar bem s\u00e3o vistas como poss\u00edveis quadros dirigentes. Ser l\u00edder implica ter certas compet\u00eancias e habilidades sociais que a educa\u00e7\u00e3o formal e n\u00e3o formal desenvolveram\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Por isso, o exerc\u00edcio de um direito fundamental como a educa\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 \u00e0s ind\u00edgenas contar com uma cidadania ativa e defender outros direitos de maneira organizada para o bem de sua fam\u00edlia e sua comunidade, resumiu a especialista. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wawas, Peru, 14\/07\/2009 &ndash; Maria Bel\u00e9n Sabio, uma ind\u00edgena awaj\u00fan de 30 anos, conseguiu terminar seus estudos superiores de professora com seus cinco filhos nas costas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/07\/america-latina\/mulheres-peru-educar-se-nas-areas-rurais-e-uma-proeza\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":141,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[20,21,24],"class_list":["post-5296","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-educacion","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/141"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5296"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5296\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}