{"id":5340,"date":"2009-07-27T17:34:00","date_gmt":"2009-07-27T17:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5340"},"modified":"2009-07-27T17:34:00","modified_gmt":"2009-07-27T17:34:00","slug":"africa-agricultura-natural-contra-a-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/07\/africa\/africa-agricultura-natural-contra-a-fome\/","title":{"rendered":"\u00c1FRICA: Agricultura natural contra a fome"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, 27\/07\/2009 &ndash; Muitos agricultores convencionais que decidem dedicar-se ao cultivo org\u00e2nico fracassem na tentativa porque abandonam repentinamente o uso de todo pesticida e adubo qu\u00edmico. <!--more--> Isso resulta traum\u00e1tico para o solo, que reage como \u201cum viciado com s\u00edndrome de abstin\u00eancia\u201d. Assim explicou Cornelius Oosthuizen, diretor do Instituto Sul-africano de Biofazendas, porque em seu pa\u00eds s\u00e3o relativamente poucos os \u00eaxitos nos processos de convers\u00e3o para a agricultura org\u00e2nica.<\/p>\n<p>\u201cO fracasso ocorre quando um produtor que usou produtos qu\u00edmicos durante muito tempo adota de uma s\u00f3 vez pr\u00e1ticas 100% org\u00e2nicas. Em uma \u00e1rea de mil hectares n\u00e3o se pode iniciar um monocultivo org\u00e2nico em toda a sua superf\u00edcie. Em primeiro lugar, se deve praticar a agricultura biol\u00f3gica\u201d, explicou Oosthuizen. \u00c9 necess\u00e1rio, acrescentou, preparar o solo, equilibrando os minerais e restabelecendo o ecossistema natural, para o qual \u00e9 necess\u00e1ria uma intensa atividade de insetos e larvas na terra. Al\u00e9m disso, a eros\u00e3o deve ser combatida.<\/p>\n<p>A denominada agricultura biol\u00f3gica recorre a substancias qu\u00edmicas que n\u00e3o prejudicam o solo nem os ecossistemas. A org\u00e2nica, por outro lado, prescinde do uso de todo produto qu\u00edmico. O Instituto Sul-africano de Biofazendas promove as duas pr\u00e1ticas de modo a serem sustent\u00e1veis e darem lucro. Os agricultores devem abordar a modalidade biol\u00f3gica se pretendem incursionar na \u00e1rea org\u00e2nica, que al\u00e9m de lucrativa tamb\u00e9m pode fazer frente \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar end\u00eamica na \u00c1frica. O mercado internacional de produtos org\u00e2nicos fatura US$ 50 bilh\u00f5es ao ano. Este continente est\u00e1 desperdi\u00e7ando seu potencial nessa \u00e1rea, afirmam especialistas.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam Internacional advertiu em junho que os produtores de milho da \u00c1frica subsaariana sofrer\u00e3o perdas de at\u00e9 US$ 2 bilh\u00f5es anuais devido aos vari\u00e1veis padr\u00f5es ambientais mundiais. A regi\u00e3o \u00e9 vulner\u00e1vel \u00e0 escassez h\u00eddrica \u2013 secas inclu\u00eddas \u2013 e aos desastres naturais. Especialistas alertam que os escassos recursos da \u00c1frica devem ser usados com cuidado para garantir a seguran\u00e7a alimentar. Pesquisas feitas por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es especializadas mostram que a agricultura org\u00e2nica pode duplicar ou triplicar a produ\u00e7\u00e3o no mundo em desenvolvimento, segundo Raymond Auerbach, um dos principais promotores desta pr\u00e1tica no continente.<\/p>\n<p>A modalidade org\u00e2nica reduz entre 33% e 56% o uso de energia n\u00e3o solar e aumenta em at\u00e9 40% a efic\u00e1cia no uso da \u00e1gua. Al\u00e9m disso, os alimentos produzidos dessa forma cont\u00eam mais nutrientes. Auerbachdirige e Rainman Land Care Foundation, com sede na \u00c1frica do Sul, organiza\u00e7\u00e3o que ensina aos produtores africanos cultivar de maneira ambientalmente s\u00e3 e otimizar o uso dos escassos recursos h\u00eddricos. Tamb\u00e9m ajuda os agricultores a se organizarem para ter aos mercados importadores.<\/p>\n<p>O Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) informou no ano passado que o rendimento dos cultivos mais do que duplicou em 114 projetos de agricultura org\u00e2nica implementados em 24 pa\u00edses africanos. Entretanto, a ignor\u00e2ncia e a resist\u00eancia dos agricultores em implementar m\u00e9todos org\u00e2nicos, bem como o poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico das empresas que comercializam sementes e fertilizantes, s\u00e3o um obst\u00e1culo ao seu pleno desenvolvimento. Os produtores org\u00e2nicos sul-africanos enfrentam muitos problemas, disse Auerbach \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, h\u00e1 poucas pesquisas locais que lhes sirvam de guia. Segundo, \u00e9 comum o governo n\u00e3o ajudar os agricultores, menos que usem fertilizantes e venenos. E, terceiro, a obten\u00e7\u00e3o de certificados de produto org\u00e2nico \u00e9 um processo \u00e1rduo e caro\u201d, disse Auerbach. \u201cA resist\u00eancia \u00e9 alimentada por dois fatores: os interesses criados e a ignor\u00e2ncia. As empresas ap\u00f3iam m\u00e9todos que aplicam os produtos que elas vendem. Mas, quem se beneficia da agricultura org\u00e2nica? N\u00e3o s\u00e3o as empresas, mas os produtores, seus clientes e o meio ambiente\u201d, ressaltou Auerbach.<\/p>\n<p>\u201cAos que se formam nas universidades sul-africanas \u00e9 dito que os fertilizantes, os venenos e as sementes geneticamente modificadas s\u00e3o cient\u00edficas e progressistas, enquanto os m\u00e9todos antiquados s\u00e3o pouco cient\u00edficos\u201d, acrescentou. Mas o potencial econ\u00f4mico da agricultura org\u00e2nica \u00e9 enorme. Segundo Auerbach, os que a aplicam em Uganda exportam US 22 milh\u00f5es ao ano, ao mesmo tempo em que fornecem alimentos \u00e0s comunidades locais. Oosthuizen acrescentou que os agricultores comerciais, motivados pelos lucros, se importam mais com a quantidade do que com a qualidade. \u201cPrecisam ter lucro e usar\u00e3o sementes e fertilizantes que os ajudem a conseguir isso, embora seu produtos resulte ser pobre em nutrientes\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As sementes transg\u00eanicas, que garantem enormes rendimentos, exigem grande quantidade de pesticidas e herbicidas. As multinacionais que comercializam estes produtos frequentemente t\u00eam v\u00ednculos com funcion\u00e1rios governamentais que lhes asseguram um acesso preferencial ao mercado. Para Oosthuizen, a resposta \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar na \u00c1frica est\u00e1 no retorno da agricultura \u00e0s comunidades. \u201cCada aldeia deveria ter suas pr\u00f3prias fazendas, seu pr\u00f3prio moinho, sua pr\u00f3pria padaria, para alimentar sua popula\u00e7\u00e3o. Somente quando a popula\u00e7\u00e3o local est\u00e1 devidamente alimentada \u00e9 que se deve olhar para mercados mais amplos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 ali onde os governos podem ter um papel importante. As estrat\u00e9gias de mercadotecnia deveriam estar centralizadas e coordenadas. Por exemplo: um governo pode destinar a 20 produtores de pequena escala certa \u00e1rea para que, em conjunto, forne\u00e7am cinco toneladas de milho a um cliente espec\u00edfico\u201d, acrescentou Oosthuizen. Quando se seguir este modelo tamb\u00e9m se estar\u00e1 dando poder \u00e0s mulheres, que constituem a coluna vertebral da economia agr\u00edcola africana. Os benef\u00edcios potenciais para as camponesas s\u00e3o evidentes se os governos seguem o princ\u00edpio da igualdade de g\u00eanero na destina\u00e7\u00e3o de projetos.<\/p>\n<p>Em toda \u00c1frica do Sul, as mulheres de \u00e1reas urbanas e rurais j\u00e1 mant\u00eam a fome sob controle com suas hortas comunit\u00e1rias. N\u00e3o alimentam apenas suas fam\u00edlias, mas vendem o excedente nos mercados locais. Assim, estas mulheres, que costumam estar sozinhas \u00e0 frente de fam\u00edlias grandes, conseguem uma renda. Nas \u00e1reas rurais, as mulheres podem se beneficiar da agricultura org\u00e2nica de duas maneiras, disse Auerbach. \u201cPodem utilizar os insumos que encontram na fazenda, sem necessidade de longas viagens para comprar produtos caros. Al\u00e9m disso, com s\u00e3o elas que alimentam seus filhos, cuidar\u00e3o para que ningu\u00e9m seja exposto a venenos, nem ao produzi-los nem ao consumi-los\u201d, acrescentou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, 27\/07\/2009 &ndash; Muitos agricultores convencionais que decidem dedicar-se ao cultivo org\u00e2nico fracassem na tentativa porque abandonam repentinamente o uso de todo pesticida e adubo qu\u00edmico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/07\/africa\/africa-agricultura-natural-contra-a-fome\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-5340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5340"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5340\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}