{"id":5343,"date":"2009-07-28T14:14:46","date_gmt":"2009-07-28T14:14:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5343"},"modified":"2009-07-28T14:14:46","modified_gmt":"2009-07-28T14:14:46","slug":"dialogues-a-revolucao-da-slow-food","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/07\/mundo\/dialogues-a-revolucao-da-slow-food\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: A revolu\u00e7\u00e3o da slow food"},"content":{"rendered":"<p>BELLAGIO, It\u00e1lia, 28\/07\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- \u201cNo dia em que decidirmos comer alimentos frescos, cultivados perto de n\u00f3s, e menos carne, teremos uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Paolo di Croce, secret\u00e1rio-geral do Slow Food Intrernational.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5343\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/432_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5343\" class=\"size-medium wp-image-5343\" title=\"Paolo di Croce - Miren Guti\u00e9rrez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/432_2.jpg\" alt=\"Paolo di Croce - Miren Guti\u00e9rrez\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5343\" class=\"wp-caption-text\">Paolo di Croce - Miren Guti\u00e9rrez\/IPS<\/p><\/div>  A ideia de slow food (comida lenta) est\u00e1 na contram\u00e3o daquela que postula a comida r\u00e1pida, ou fast food. Hoje, al\u00e9m do mais, \u00e9 o nome de um movimento com mais de cem mil pessoas em 132 pa\u00edses. Mas, o que significa na pr\u00e1tica? A pergunta foi feita em uma entrevista exclusiva com o secret\u00e1rio-geral do movimento Slow Food International, o italiano Paolo di Croce, promotor de uma alimenta\u00e7\u00e3o \u201cboa, limpa e justa\u201d.<\/p>\n<p>IPS\/IFEJ: O movimento Slow Food se apresenta como defensor da biodiversidade, mas o que tem a ver a boa cozinha, a tradi\u00e7\u00e3o e a cultura culin\u00e1ria com os arrecifes de coral e as florestas tropicais?<\/p>\n<p>PAOLO DI CROCE: Um tema fundamental para uma boa alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o do diverso. A globaliza\u00e7\u00e3o, o desaparecimento de esp\u00e9cies e a padroniza\u00e7\u00e3o dos mercados tendem a reduzir a diversidade. Todas as ma\u00e7\u00e3s que comemos pertencem a apenas quatro das centenas de variedades que existem. Preservar a variedade dos alimentos \u00e9 fundamental para o meio ambiente, a hist\u00f3ria e a cultura. O Slow Food tem muitos programas para lutar contra a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies. Por exemplo, h\u00e1 um na selva amaz\u00f4nica para proteger a Bertholetia excelsa, uma noz que cresce em \u00e1rvores de 40 metros de altura em comunidades ind\u00edgenas. Procuramos criar mercados para essa noz, e assim preservar sua exist\u00eancia. Al\u00e9m disso, a perda de biodiversidade afeta a todos pessoalmente. Se continuarmos comendo atum no ritmo atual, em poucos anos n\u00e3o haver\u00e1 mais atum. A alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 essencialmente unida \u00e0 diversidade agr\u00edcola. Os lobos e os ursos polares n\u00e3o s\u00e3o nossa prioridade, mas temos s\u00f3cios preocupados com eles, pois o fim \u00faltimo \u00e9 preservar nossa identidade cultural e nosso ambiente, incluindo a vida silvestre. De fato, temos programas sobre m\u00fasica e vestimentas tradicionais, l\u00ednguas ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>IPS\/IFEJ: Na c\u00fapula do Grupo dos Oito (G8) pa\u00edses mais poderosos (Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, It\u00e1lia, Jap\u00e3o e R\u00fassia), realizada este m\u00eas em L\u2019\u00c1quila, na It\u00e1lia, falou-se em \u201cmobilizar US$ 20 bilh\u00f5es em tr\u00eas anos\u201d para combater a crise alimentar. Foi dito que esse dinheiro para a crise poderia ser usado para promover a agricultura, ao contr\u00e1rio da ajuda tradicional. Como viu esse an\u00fancio?<\/p>\n<p>DI CROCE: Em L\u2019\u00c1quila debateu-se sobre biodiversidade e comprometeram mais dinheiro para a agricultura. \u00c9 positivo. N\u00e3o apenas os pa\u00edses do G-8, mas todos se d\u00e3o conta do enorme risco de nada fazer para resolver a crise alimentar. Por\u00e9m, \u00e9 preciso ver se esse investimento \u00e9 bom, limpo e justo. Temos a oportunidade de influir no uso desse dinheiro. O sistema vigente fracassou. Basta ver a quantidade de pessoas passando fome, a crise financeira, a crise da sa\u00fade nos pa\u00edses ricos, como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares. A ind\u00fastria aliment\u00edcia criada por este sistema tem de mudar. Todos t\u00eam direito a alimentos bons, limpos e justos. Tamb\u00e9m \u00e9 errado responder \u00e0 crise alimentar com \u201cdinheiro para a crise\u201d. Porque este problema \u00e9 resultado de d\u00e9cadas. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) e outras organiza\u00e7\u00f5es indicam que cada vez mais gente tem fome e desnutri\u00e7\u00e3o. Temos de mudar para um modelo respons\u00e1vel, n\u00e3o tapar os buracos com dinheiro para a crise.<\/p>\n<p>IPS\/IFEJ: Na c\u00fapula, a Oxfam Internacional apresentou o informe \u201cEvid\u00eancia que d\u00f3i: A mudan\u00e7a clim\u00e1tica, as pessoas e a pobreza\u201d, que mostra como os inst\u00e1veis ciclos das esta\u00e7\u00f5es complicam o planejamento de semeaduras e colheitas. Assim, milh\u00f5es de pessoas sofrer\u00e3o escassez de alimentos e dever\u00e3o abandonar cultivos tradicionais, o que possivelmente derive em migra\u00e7\u00f5es maci\u00e7as. O que pensa a respeito?<\/p>\n<p>DI CROCE: A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tem enorme impacto na agricultura e nas pessoas. Popula\u00e7\u00f5es inteiras ter\u00e3o de abandonar seus territ\u00f3rios. Com o aumento das temperaturas na Su\u00e9cia e Noruega, comunidades do povo sami se deslocam seguindo as renas, que s\u00e3o seu sustento. As renas est\u00e3o abandonando seu h\u00e1bitat rumo ao norte, e os samis fazem o mesmo. Os cultivos tradicionais podem ser uma ferramenta. No M\u00e9xico temos um projeto para promover o amaranto (Amaranthus spp.), cujo cultivo foi abandonado quando chegaram os conquistadores espanh\u00f3is. Seu valor nutricional \u00e9 importante e pode crescer em \u00e1reas secas. Estamos tentando replant\u00e1-lo como alternativa ao milho, que depende muito da \u00e1gua.<\/p>\n<p>IPS\/IFEJ: O Slow Food afirma que podemos ser coprodutores, n\u00e3o apenas consumidores, nos informando sobre como s\u00e3o elaborados os alimentos e apoiando os que o fazem. Mas, produzir e consumir comida boa, limpa e justa \u00e9 muito mais caro. Algu\u00e9m j\u00e1 disse que com US$ 0,99 pode-se comprar um hamb\u00farguer com queijo, mas n\u00e3o d\u00e1 para comprar br\u00f3colis. Seu movimento \u00e9 qualificado de elitista&#8230;<\/p>\n<p>DI CROCE: \u00c9 preciso analisar dois temas. Um \u00e9 a porcentagem de nossa renda que dedicamos a nos alimentar. Uma pesquisa nos Estados Unidos mostra que na d\u00e9cada de 70 as fam\u00edlias gastavam cerca de 6% de sua renda em cuidados com a sa\u00fade e aproximadamente 7% com comida. Ao fazer a mesma pesquisa h\u00e1 pouco tempo, descobriu-se que agora as fam\u00edlias gastam 15% e 10%, respectivamente. O gasto com alimentos n\u00e3o aumentou muito, mas o da sa\u00fade cresceu mais que o dobro. Provavelmente haja uma correla\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso considerar todos os excessos de custos originados em uma dieta deficiente, o dinheiro gasto com nutricionistas e m\u00e9dicos. Penso que 10% da renda das fam\u00edlias n\u00e3o \u00e9 suficiente, se comparado com gastos com telefone celular. O outro \u00e9 o pre\u00e7o real do alimento. H\u00e1 muitos custos externos associados \u00e0 comida r\u00e1pida. Al\u00e9m do cuidado com a sa\u00fade, existe o custo ambiental da ind\u00fastria aliment\u00edcia, que pagamos com impostos para reparar os danos que ela causa ou para financiar subs\u00eddios, e que a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 pagando. Os alimentos baratos s\u00e3o poss\u00edveis pelos subs\u00eddios, sempre e quando a sociedade pagar a conta ambiental. Em 2008, um dos produtos com vendas em crescimento na It\u00e1lia foi a salada pr\u00e9-lavada. Em compara\u00e7\u00e3o com a que voc\u00ea elabora comprando as verduras no mercado de seu bairro, a pr\u00e9-lavada \u00e9 oito vezes mais cara. E \u00e9 menos sustent\u00e1vel, porque vem em uma embalagem pl\u00e1stica. Uma por\u00e7\u00e3o de cem gramas de batata frita \u201cchip\u201d custa nove vezes mais do que comprar a batata crua e frit\u00e1-la em azeite de oliva extravirgem. E ningu\u00e9m pode dizer que as batatas fritas s\u00e3o elitistas. Por fim, est\u00e1 o desperd\u00edcio. Na It\u00e1lia, jogamos fora cerca de 22 quilos de comida por segundo. Se somarmos o que gastamos sem nos darmos conta, os custos de sa\u00fade e meio ambiente e o que desperdi\u00e7amos, o custo \u00e9 insustent\u00e1vel. Por outro lado, voc\u00ea pode ter comida boa, limpa e justa sem pagar muito.<\/p>\n<p>IPS\/IFEJ: Convenhamos que n\u00e3o \u00e9 exatamente uma mensagem de massa. N\u00e3o se sente frustrado?<\/p>\n<p>DI CROCE: Nos \u00faltimos cinco anos vi muitas mudan\u00e7as. Onde quer que v\u00e1, h\u00e1 mais interesse. E n\u00e3o me refiro ao Banco Mundial, mas \u00e0s pessoas comuns, essas que mudam o mundo, os \u201ccoprodutores\u201d. O dia em que decidirmos comer alimentos frescos cultivados perto da gente, e menos carne, haver\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o com essas simples decis\u00f5es cotidianas. Contudo, tem de se tornar maci\u00e7a. \u00c9 fundamental trabalhar com outras organiza\u00e7\u00f5es, qualquer uma que acredite ser poss\u00edvel comer de outra maneira. E um dia poderemos mudar o sistema.<\/p>\n<p>* Miren Guti\u00e9rres \u00e9 editora-chefe da IPS. Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (http:\/\/ww<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BELLAGIO, It\u00e1lia, 28\/07\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- \u201cNo dia em que decidirmos comer alimentos frescos, cultivados perto de n\u00f3s, e menos carne, teremos uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Paolo di Croce, secret\u00e1rio-geral do Slow Food Intrernational. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/07\/mundo\/dialogues-a-revolucao-da-slow-food\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":287,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[],"class_list":["post-5343","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/287"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5343"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5343\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}