{"id":5357,"date":"2009-08-03T17:16:19","date_gmt":"2009-08-03T17:16:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5357"},"modified":"2009-08-03T17:16:19","modified_gmt":"2009-08-03T17:16:19","slug":"pesca-controles-podem-salvar-reservas-mundiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/mundo\/pesca-controles-podem-salvar-reservas-mundiais\/","title":{"rendered":"PESCA: Controles podem salvar reservas mundiais"},"content":{"rendered":"<p>Berlim, 03\/08\/2009 &ndash; A corrida mundial pela captura do \u00faltimo peixe dos oceanos se deteve em poucas regi\u00f5es, onde as reservas se recuperaram, diz um estudo divulgado sexta-feira na revista norte-americana Science. <!--more--> Por\u00e9m, como 80% da pesca mundial j\u00e1 s\u00e3o super-explorados, tornam-se urgente medidas para reduzir a press\u00e3o sobre estes recursos e melhorar seu manejo com o objetivo de chegar a 2050 com uma popula\u00e7\u00e3o de peixes que permita sua comercializa\u00e7\u00e3o. \u201cAinda vemos em todas as regi\u00f5es uma problem\u00e1tica tend\u00eancia ao crescente colapso nas reservas\u201d pesqueiras, disse o especialista Boris Worm, da Universidade Dalhousie, do Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Mas, na metade dos 10 bancos de peixes estudados em detalhe por Worm, e 20 cientistas e ecologistas, o ritmo de explora\u00e7\u00e3o diminui e algumas popula\u00e7\u00f5es se refazem. \u201cIsto significa que o manejo nessas \u00e1reas est\u00e1 .preparando o cen\u00e1rio para uma recupera\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e econ\u00f4mica. \u00c9 apenas um come\u00e7o, mas me d\u00e1 esperan\u00e7as de termos capacidade para controlar a pesca em excesso\u201d, disse Worm \u00e0 IPS. Em 2006, Worm, e seus colegas agitaram o mundo ao afirmaram que a captura excessiva converteria em improdutiva toda pesca comercial do mundo antes de 2050, e que os oceanos jamais poderiam se recuperar. Suas advert\u00eancias se baseavam em uma pesquisa que durou quatro anos.<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o verdadeiramente atemorizante tirada do estudo de 2006 foi que quando em uma regi\u00e3o se extinguem muitas esp\u00e9cies ou restam muito poucas, o pr\u00f3prio ecossistema se desestabiliza. Isto faz com que sejam perdias mais esp\u00e9cies, at\u00e9 que reste pouco mais do que medusas. De fato, j\u00e1 h\u00e1 partes dos oceanos onde as exist\u00eancias pesqueiras n\u00e3o se recuperaram nem mesmo depois de proibi\u00e7\u00f5es das capturas implementadas durante uma d\u00e9cada. H\u00e1 tr\u00eas anos Worm era pessimista quanto \u00e0s probabilidades de reduzir ou reverter esta corrida autodestrutiva na qual estavam embarcadas frotas da China, Cor\u00e9ia do Sul, Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, dos Estados Unidos e do Jap\u00e3o pela captura do \u00faltimo peixe.<\/p>\n<p>Ray Hilbron, especialista em pesca da Universidade de Washington, desafiou esse ponto de vista, oferecendo evid\u00eancias de que v\u00e1rias reservas est\u00e3o se recuperando em partes dos Estados Unidos, da Isl\u00e2ndia e Nova Zel\u00e2ndia. Estes ecossistemas est\u00e3o melhorando, disse na semana passada em entrevista coletiva. Hilborn \u00e9 um dos autores principais da pesquisa publicada pela Science, intitulada \u201cRebuilding Global Fisheries\u201d (Reconstruindo as reservas pesqueiras mundiais). \u201cMas, ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer: de todas as reservas pesqueiras que examinamos, 63% est\u00e3o abaixo do objetivo e precisam ser reconstru\u00eddas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O estudo atual centra-se somente na quarta parte das exist\u00eancias mundiais de peixes, porque n\u00e3o h\u00e1 dados dispon\u00edveis suficientes em outras partes para realizar a an\u00e1lise adequada e em profundidade. De todo modo, Worm, disse que o estudo apresentado constitui \u201cum salto enorme, em termos de alcance, profundidade e representa\u00e7\u00e3o das diferentes disciplinas\u201d, e, ainda, que suas conclus\u00f5es d\u00e3o esperan\u00e7as de que o mundo est\u00e1 mais perto de por fim \u00e0 pesca excessiva. O estudo deixa bastante claro que se a press\u00e3o sobre a pesca diminuir significativamente \u2013 metade ou mais \u2013 as exist\u00eancias se recuperar\u00e3o, embora n\u00e3o totalmente, disse Michael Fogerty, do Servi\u00e7o Nacional de Pesca Marinha da Dire\u00e7\u00e3o nacional do Oceano e da Atmosfera (NOOAA), dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em 1994, uma suspens\u00e3o da pesca em \u00e1guas da Nova Inglaterra, imposta por ordem judicial, conseguiu uma importante recupera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de badejo e corvina pintada. Mas com as de bacalhau, peixe-carta e outras esp\u00e9cies isso n\u00e3o ocorreu, disse Fogerty aos jornalistas. Reduzir as press\u00f5es sobre os ecossistemas atrav\u00e9s da proibi\u00e7\u00e3o de algumas capturas, a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas, limita\u00e7\u00e3o da pesca e mudan\u00e7a de equipamento tamb\u00e9m implica custos econ\u00f4micos de curto prazo para conseguir, no longo prazo, que haja mais peixes. \u201cO manejo das reservas pesqueiras \u00e9 um assunto pol\u00edtico, n\u00e3o cient\u00edfico\u201d, disse Fogerty.<\/p>\n<p>Embora a maior parte dos bancos de peixes que apresentaram melhoras seja manejada por umas poucas na\u00e7\u00f5es ricas, h\u00e1 algumas exce\u00e7\u00f5es not\u00e1veis. No Qu\u00eania, por exemplo, cientistas, administradores e comunidades locais uniram esfor\u00e7os para fechar algumas \u00e1reas-chave \u00e0 pesca e restringir certos tipos de equipamentos. Isso gerou um aumento no tamanho e na quantidade de peixes dispon\u00edveis, e um consequente aumento da renda dos pescadores. \u201cEstes \u00eaxitos s\u00e3o locais, mas est\u00e3o inspirando outros a fazerem o mesmo\u201d, disse Tim McClanahan, da Sociedade de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza do Qu\u00eania.<\/p>\n<p>Entretanto, os esfor\u00e7os de manejo na \u00c1frica e no Pacifico est\u00e3o amea\u00e7ados por frotas pesqueiras de longo alcance, da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, China, do Jap\u00e3o e de outras partes, que esgotaram suas pr\u00f3prias exist\u00eancias e passaram a explorar as daquela \u00e1rea. \u201cAlgumas reservas j\u00e1 entraram em colapso em \u00e1guas da \u00c1frica e n\u00e3o podem ser recuperadas\u201d, explicou McClanahan. Grandes empresas estrangeiras de mariscos oferecem contratos lucrativos a governos africanos necessitados de dinheiro, sem darem import\u00e2ncia \u00e0 sustentabilidade das exist\u00eancias locais. Os pa\u00edses onde essas empresas t\u00eam sede devem ser responsabilizados pelas a\u00e7\u00f5es de suas ind\u00fastrias em ultramar, e ajudar na\u00e7\u00f5es africanas e outras a manejar adequadamente suas reservas, acrescentou o especialista. \u201cNeste momento, a previs\u00e3o para as exist\u00eancias pesqueiras n\u00e3o \u00e9 boa\u201d, disse aos jornalistas.<\/p>\n<p>Em geral, o panorama mundial ainda parece nefasto, afirmou Worm. Entretanto, \u201cde algum modo tenho mais esperan\u00e7as do que tinha em 2006, porque est\u00e1 claro que h\u00e1 ferramentas de manejo de pescas para solucionar o problema\u201d, acrescentou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim, 03\/08\/2009 &ndash; A corrida mundial pela captura do \u00faltimo peixe dos oceanos se deteve em poucas regi\u00f5es, onde as reservas se recuperaram, diz um estudo divulgado sexta-feira na revista norte-americana Science. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/mundo\/pesca-controles-podem-salvar-reservas-mundiais\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,4],"tags":[21],"class_list":["post-5357","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5357"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5357\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}