{"id":5360,"date":"2009-08-04T07:45:51","date_gmt":"2009-08-04T07:45:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5360"},"modified":"2009-08-04T07:45:51","modified_gmt":"2009-08-04T07:45:51","slug":"saude-africa-onde-encontrar-um-milhao-de-novos-enfermeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/africa\/saude-africa-onde-encontrar-um-milhao-de-novos-enfermeiros\/","title":{"rendered":"SA\u00daDE-\u00c1FRICA: Onde encontrar um milh\u00e3o de novos enfermeiros?"},"content":{"rendered":"<p>CIDADE DO CABO, 04\/08\/2009 &ndash; Se os pa\u00edses em desenvolvimento querem ser bem sucedidos nos seus esfor\u00e7os para melhorar os seus sistemas de sa\u00fade, precisam de os descentralizar com urg\u00eancia e transferir tarefas dos m\u00e9dicos para os enfermeiros e trabalhadores de sa\u00fade comunit\u00e1rios, afirmaram especialistas que participaram na Quinta Confer\u00eancia da Sociedade Internacional da SIDA (IAS) sobre a Patogenia, Tratamento e Preven\u00e7\u00e3o do VIH, que teve lugar na Cidade do Cabo. <!--more--> O professor Alan Whiteside, Director do Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o do VIH\/SIDA e Economia de Sa\u00fade (HEARD) da Universidade de KawZulu Natal, concordou: \u201cProvavelmente, n\u00e3o vamos receber mais dinheiro e, portanto temos de o gastar de forma mais prudente\u201d. <\/p>\n<p>Acredita que \u00e9 \u201cabsolutamente vital\u201d responsabilizar as organiza\u00e7\u00f5es internacionais e os governos nacionais pelos gastos na sa\u00fade a fim de monitorizar as \u00e1reas onde o dinheiro \u00e9 gasto e assegurar uma implementa\u00e7\u00e3o eficaz. Whiteside sublinhou o facto de \u201cser preciso empregar o dinheiro destinado ao VIH para desenvolver sistemas de sa\u00fade\u201d, e n\u00e3o apenas em tratamentos. <\/p>\n<p>\u201cExistem defici\u00eancias s\u00e9rias nos nossos sistemas de sa\u00fade e, se os pontos fracos n\u00e3o forem resolvidos, n\u00e3o podemos proceder a melhorias\u201d, avisou a assessora principal de pol\u00edticas da IAS, Jacqueline Bataringaya. \u201cNo entanto, precisamos de mais um milh\u00e3o de m\u00e9dicos, enfermeiros e parteiras em \u00c1frica\u201d. <\/p>\n<p>Ela sugeriu que, devido ao financiamento limitado decorrente da crise financeira global, os pa\u00edses em desenvolvimento precisam de identificar prioridades nas suas pol\u00edticas para poderem progredir. \u201cPrecisamos de ver o que \u00e9 que podemos fazer com o dinheiro que temos\u201d, disse Bataringaya. <\/p>\n<p>Aumentar o n\u00famero de trabalhadores de sa\u00fade \u00e9 uma quest\u00e3o crucial para melhorar os sistemas de sa\u00fade, declarou Whiteside. A falta de conhecimentos e recursos humanos em \u00c1frica h\u00e1 muitos anos que \u00e9 lamentada, especialmente devido ao facto de o pessoal de sa\u00fade qualificado partir em grande n\u00famero para os pa\u00edses desenvolvidos, onde \u00e9 mais bem pago. Mas pouco se tem feito para melhorar a situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, na \u00c1frica do Sul ainda est\u00e1 tudo na mesma, apesar das estat\u00edsticas\u201d, disse Whiteside. <\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), 37 por cento dos m\u00e9dicos formados na \u00c1frica do Sul est\u00e3o a trabalhar no mundo desenvolvido. Os enfermeiros formados na \u00c1frica do Sul representam quase dez por cento da m\u00e3o-de-obra neste sector na Austr\u00e1lia, Canad\u00e1, Finl\u00e2ndia, Fran\u00e7a, Alemanha, Portugal, Reino Unido e os Estados Unidos. <\/p>\n<p>Whiteside sugeriu a cria\u00e7\u00e3o de um imposto sobre os governos ou companhias dos pa\u00edses desenvolvidos que empreguem trabalhadores de sa\u00fade vindos dos pa\u00edses em desenvolvimento, a fim de equilibrar os conhecimentos perdidos nestes \u00faltimos. <\/p>\n<p>Contrariando a opini\u00e3o expressa por Whiteside, o Director Executivo do Fundo Global de Luta Contra a SIDA, Tuberculose e Mal\u00e1ria, Michel Kazatchkine, defendeu a forma como a ajuda financeira tem sido utilizada, afirmando que t\u00eam sido criados or\u00e7amentos vultuosos para aumentar o n\u00famero de trabalhadores de sa\u00fade, especialmente nos pa\u00edses em desenvolvimento. <\/p>\n<p>\u201cUm quarto de todos os recursos do Fundo Global tem sido usado para apoiar o pessoal do sector de sa\u00fade, por exemplo na forma\u00e7\u00e3o, transfer\u00eancia de tarefas e outras ac\u00e7\u00f5es. Investimos 4 mil milh\u00f5es nos \u00faltimos seis anos\u201d, referiu. <\/p>\n<p>Contudo, Kazatchkine admitiu que o fosso entre os cuidados e os tratamentos normais do VIH prestados nos pa\u00edses desenvolvidos e nos pa\u00edses em desenvolvimento estava a aumentar. \u201cIsso constitui uma grande preocupa\u00e7\u00e3o. Estamos a enfrentar dilemas imposs\u00edveis, com padr\u00f5es de cuidados que n\u00e3o s\u00e3o suficientemente elevados, e sem o espa\u00e7o necess\u00e1rio para admitirmos pacientes\u201d. <\/p>\n<p>Est\u00e1 optimista que ser\u00e3o encontrados mais fundos para combater o VIH. Kazatchkine advoga a busca de novas fontes de financiamento, como o recentemente lan\u00e7ado projecto D\u00edvida2Sa\u00fade, que anula parte da d\u00edvida de um pa\u00eds em desenvolvimento, desde que metade do dinheiro torne a ser investido no sistema de sa\u00fade desse pa\u00eds. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma forma inovadora de alterar a d\u00edvida para fundos que tenham impacto\u201d, afirmou Kazatchkine. Em Maio, a Austr\u00e1lia foi o primeiro pa\u00eds a cancelar uma d\u00edvida comercial da Indon\u00e9sia, ascendendo a 60 milh\u00f5es de dol\u00e1res, como parte deste programa. Em vez de pagar a sua d\u00edvida \u00e0 Austr\u00e1lia, a Indon\u00e9sia vai investir metade deste montante no seu sistema de sa\u00fade, prestando uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 melhoria dos seus programas contra a tuberculose. <\/p>\n<p>Especialistas de sa\u00fade acreditam que uma outra forma de fazer os sistemas de sa\u00fade conseguirem mais com recursos financeiros limitados \u00e9 a transfer\u00eancia de tarefas, o que significa que enfermeiros e trabalhadores de sa\u00fade n\u00e3o especializados t\u00eam de executar tarefas tradicionalmente realizadas por m\u00e9dicos, como aconselhamento, gest\u00e3o de tratamentos e cuidados do VIH. Isto liberta o tempo \u201cdispendioso\u201d dos m\u00e9dicos, que podem ent\u00e3o tratar de problemas m\u00e9dicos mais s\u00e9rios, ao mesmo tempo que assegura que um maior n\u00famero de pacientes seja atendido todos os dias. <\/p>\n<p>\u201cA transfer\u00eancia de tarefas e o envolvimento da comunidade s\u00e3o cruciais para colmatar as lacunas existentes a n\u00edvel de conhecimentos e de pessoal\u201d, explicou Whiteside, apontando para o exemplo do Malawi, onde trabalhadores respons\u00e1veis por cuidados comunit\u00e1rios bem treinados t\u00eam vindo a assumir com \u00eaxito responsabilidades de enfermagem nos domic\u00edlios e postos de sa\u00fade com vista a facilitar a carga de trabalho de enfermeiros e m\u00e9dicos. <\/p>\n<p>\u201cEles s\u00e3o importantes porque chegam directamente \u00e0s casas e comunidades\u201d, acrescentou Wafaa El-Sadr, Director do Centro Internacional para Programas de Cuidados e Tratamentos da SIDA (ICAP). \u201cO desafio aqui \u00e9 como institutionalizar e remunerar estes novos trabalhadores e como transform\u00e1-los numa parte integral do sistema de sa\u00fade\u201d. <\/p>\n<p>Isto foi conseguido no Lesoto, onde o Hospital Scott come\u00e7ou um programa de cuidados anti-retrov\u00edricos e de VIH, iniciado e gerido por enfermeiros, destinado a adultos e crian\u00e7as do distrito. O Hospital Scott, que est\u00e1 localizado nas terras baixas no oeste do Lesoto, tem 14 postos de sa\u00fade associados que prestam servi\u00e7os a mais de 900 aldeias. <\/p>\n<p>Enquanto que antes um m\u00e9dico costumava prestar cuidados em todo o distrito \u2013 o Lesoto tem uma grave falta de trabalhadores de sa\u00fade, com uma m\u00e9dia de cinco m\u00e9dicos e 63 enfermeiros por cada 100.000 pacientes \u2013, agora existem perto de cem enfermeiros e trabalhadores de sa\u00fade n\u00e3o especializados que tratam dos pacientes. <\/p>\n<p>\u201cFoi uma enorme tarefa. Temos um elevado n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es de VIH devido aos 23.2 por cento de seropreval\u00eancia, e recursos humanos muito limitados. Tivemos de ser inovadores e, assim, descentraliz\u00e1mos os cuidados de VIH\u201d, explicou o superintendente m\u00e9dico do Hospital Scott, Dr. Lipontso Makakole. <\/p>\n<p>A equipa do Hospital Scott estabeleceu normas para o tratamento de VIH que s\u00e3o favor\u00e1veis aos enfermeiros e implementou a transfer\u00eancia de tarefas: enquanto os enfermeiros receberam os conhecimentos de gest\u00e3o cl\u00ednica necess\u00e1rios para assumirem as tarefas dos m\u00e9dicos, os conselheiros n\u00e3o especializados receberam forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do aconselhamento, acompanhamento do tratamento e prepara\u00e7\u00e3o do tratamento anti-retroviral, o que proporciona mais tempo livre aos enfermeiros. Foi tamb\u00e9m prestada forma\u00e7\u00e3o a um novo grupo de conselheiros especializados em VIH\/Tuberculose. <\/p>\n<p>\u201cEm resultado, introduzimos mais 37 por cento de pacientes aos medicamentos anti-retrov\u00edricos em 2008\u201d, disse Makakole. \u201c80 por cento dos adultos e 89 por cento das crian\u00e7as continuam a receber cuidados de VIH\u201d. S\u00e3o resultados muito favor\u00e1veis que mostram que os cuidados de VIH geridos por enfermeiros funcionam\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CIDADE DO CABO, 04\/08\/2009 &ndash; Se os pa\u00edses em desenvolvimento querem ser bem sucedidos nos seus esfor\u00e7os para melhorar os seus sistemas de sa\u00fade, precisam de os descentralizar com urg\u00eancia e transferir tarefas dos m\u00e9dicos para os enfermeiros e trabalhadores de sa\u00fade comunit\u00e1rios, afirmaram especialistas que participaram na Quinta Confer\u00eancia da Sociedade Internacional da SIDA (IAS) sobre a Patogenia, Tratamento e Preven\u00e7\u00e3o do VIH, que teve lugar na Cidade do Cabo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/africa\/saude-africa-onde-encontrar-um-milhao-de-novos-enfermeiros\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":117,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,7],"tags":[],"class_list":["post-5360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/117"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5360"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5360\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}