{"id":5362,"date":"2009-08-04T14:00:16","date_gmt":"2009-08-04T14:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5362"},"modified":"2009-08-04T14:00:16","modified_gmt":"2009-08-04T14:00:16","slug":"grandes-nomes-arte-apocalipse-e-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/mundo\/grandes-nomes-arte-apocalipse-e-futuro\/","title":{"rendered":"GRANDES NOMES: Arte, Apocalipse e futuro"},"content":{"rendered":"<p>HAVANA, 04\/08\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Desde as origens da literatura e da ci\u00eancia, as cat\u00e1strofes que fariam desaparecer a civiliza\u00e7\u00e3o e o mundo s\u00e3o uma obsess\u00e3o humana, afirma Leonardo Padura neste artigo exclusivo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5362\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/433_Padura9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5362\" class=\"size-medium wp-image-5362\" title=\" - Fabricio Vanden Broeck\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/433_Padura9.jpg\" alt=\" - Fabricio Vanden Broeck\" width=\"200\" height=\"170\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5362\" class=\"wp-caption-text\"> - Fabricio Vanden Broeck<\/p><\/div>  Quando, em 1982, Ridley Scott filmou seu futurista Blade Runner e mostrou uma Los Angeles devastada pela chuva \u00e1cida, fechada em si mesma e obscurecida por nuvens de gases, aquele futuro (exatamente novembro de 2019) parecia t\u00e3o distante e po\u00e9tico que poucos se atreveriam a consider\u00e1-lo poss\u00edvel. Agora, a dez anos dessa data da fantasia, o mundo se deteriora tanto que as imagens de Blade Runner nos assombram menos e nos causam mais sobressaltos, pois sabemos o quanto estamos perto de vivermos em um planeta semelhante ao criado pelo filme.<\/p>\n<p>Durante anos, os cultores da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica insistiram em apresentar o futuro como um est\u00e1gio catastr\u00f3fico ao qual o homem chegava por interven\u00e7\u00f5es externas (os aliens ou os meteroritos), mas tamb\u00e9m, muitas vezes, por um evento nuclear ou pela degrada\u00e7\u00e3o paulatina do ambiente, \u00e0 qual os seres humanos se entregavam sem limites e pouca consci\u00eancia. Desde as origens da literatura e da ci\u00eancia, as cat\u00e1strofes que fariam desaparecer a civiliza\u00e7\u00e3o e inclusive o mundo s\u00e3o uma das obsess\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>O livro mais famoso da cultura ocidental, a B\u00edblia, termina precisamente com uma revela\u00e7\u00e3o, o Apocalipse, escrita por S\u00e3o Jo\u00e3o, na qual o vision\u00e1rio prev\u00ea uma arrasadora batalha, originada por for\u00e7as celestiais e destinada a fazer desaparecer uma humanidade pervertida e condenada, para dar lugar a uma nova. Outra cultura antiga, os maias mesoamericanos, apoiados em suas observa\u00e7\u00f5es astrol\u00f3gicas, profetizaram tamb\u00e9m um fim dos tempos, mas n\u00e3o como castigo divino (embora alguns futur\u00f3logos incluam esse fator), mas como resultado de uma devastadora conjun\u00e7\u00e3o c\u00f3smica que mataria o Sol. H\u00e1 uma data, ao virar a esquina, que marca a ocorr\u00eancia deste evento: 22 de dezembro de 2012.<\/p>\n<p>Mas a arte contempor\u00e2nea insiste desesperadamente no peso das atitudes e decis\u00f5es humanas como detonantes das cat\u00e1strofes que nos afetam. Porque se para os antigos profetas e ap\u00f3stolos os comportamentos \u00e9ticos tiveram maior peso espec\u00edfico na busca de raz\u00f5es para um castigo, os humanos de hoje (sem descartar essa evid\u00eancia indiscut\u00edvel, pois no fundo se trata de um problema \u00e9tico), tamb\u00e9m t\u00eam a ci\u00eancia como fonte capaz de sustentar a certeza: o mundo se encaminha para uma cat\u00e1strofe e o homem moderno \u2013 que nos \u00faltimos 200 anos contaminou, desertificou, envenenou o planeta e separou os \u00e1tomos para converter sua energia em armas ofensivas \u2013 \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel pelo que se avizinha.<\/p>\n<p>Uma vez li que Conf\u00facio advertira que o homem \u00e9 mais est\u00fapido quando conhece a solu\u00e7\u00e3o de seus problemas e n\u00e3o a coloca em pr\u00e1tica. Hoje, a estupidez humana parece ter tocado limites que jamais poderia imaginar o filosofo chin\u00eas em seus long\u00ednquos tempos. Dezessete anos transcorridos desde que, na C\u00fapula da Terra do Rio de Janeiro, se ergueram vozes de alarme: ou mud\u00e1vamos ou morr\u00edamos. Doze transcorreram desde que o vacilante Protocolo de Kyoto sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica foi apresentado \u00e0 comunidade internacional sem que os mais ricos e poderosos tenham empreendido as a\u00e7\u00f5es quase draconianas que a natureza exige.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 conhecido, as solu\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m, mas de que tamanho s\u00e3o a estupidez e a indol\u00eancia?<\/p>\n<p>Certo \u00e9 que no plano dos governos e das institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, inclusive \u00e0 altura dos cidad\u00e3os comuns, estes anos criaram uma consci\u00eancia dos riscos que corre a Terra e sua esp\u00e9cie dominante. Al\u00e9m disso, evid\u00eancias dos efeitos que j\u00e1 est\u00e3o sendo produzidos pelo aquecimento global \u2013 furac\u00f5es mais fortes, degelos amea\u00e7adores, extin\u00e7\u00e3o de centenas de esp\u00e9cies animais e vegetais e muta\u00e7\u00f5es de muitas outras, doen\u00e7as emergentes ou potenciadas, ilhas que v\u00e3o sendo devoradas pelo mar \u2013 s\u00e3o comentados a cada dia e sofridos como parte de nossa realidade degradada.<\/p>\n<p>Contudo, se faz o suficiente para deter a deteriora\u00e7\u00e3o do meio ambiente? A busca de riquezas \u00e9 um \u00edm\u00e3 mais poderoso do que as advert\u00eancias do desastre do qual nos aproximamos, com ou sem profecias b\u00edblicas ou maias? Qual \u00e9 o limite dessa estupidez humana que n\u00e3o permite deter agora mesmo sua autodestrui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A confer\u00eancia mundial sobre aquecimento global, que em dezembro deste ano acontecer\u00e1 em Copenhague, tem a dram\u00e1tica marca do ponto de n\u00e3o retorno. Das a\u00e7\u00f5es concretas que a partir dali forem aplicadas pelos governos, tanto de pa\u00edses ricos quanto subdesenvolvidos \u2013 nos quais a fome e a pobreza crescem em propor\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica, tamb\u00e9m pela deteriora\u00e7\u00e3o do meio ambiente \u2013, dependem que as profecias antigas e o olhar art\u00edstico futurista n\u00e3o se cumpram do modo como foram anunciados.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o mudarmos, Blade Runner pode acabar sendo projetado na tela gigante que o c\u00e9u de nosso planeta condenado oferecer\u00e1 \u00e0s suas imagens apocal\u00edpticas.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 escritor e jornalista cubano. Suas novelas foram traduzidas para uma dezena de idiomas e sua obra mais recente, La Neblina del Ayer\u201d, ganhou o Pr\u00eamio Hammett de melhor novela policial em espanhol de 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HAVANA, 04\/08\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Desde as origens da literatura e da ci\u00eancia, as cat\u00e1strofes que fariam desaparecer a civiliza\u00e7\u00e3o e o mundo s\u00e3o uma obsess\u00e3o humana, afirma Leonardo Padura neste artigo exclusivo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/mundo\/grandes-nomes-arte-apocalipse-e-futuro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1001,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[],"class_list":["post-5362","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1001"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5362\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}