{"id":5369,"date":"2009-08-04T16:27:18","date_gmt":"2009-08-04T16:27:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5369"},"modified":"2009-08-04T16:27:18","modified_gmt":"2009-08-04T16:27:18","slug":"direitos-humanos-europa-aumenta-o-trafico-de-homens-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/direitos-humanos\/direitos-humanos-europa-aumenta-o-trafico-de-homens-na-europa\/","title":{"rendered":"DIREITOS HUMANOS-EUROPA: Aumenta o tr\u00e1fico de homens na Europa"},"content":{"rendered":"<p>Bratislava, Eslov\u00e1quia, 04\/08\/2009 &ndash; O tr\u00e1fico de homens para serem usados como trabalhadores escravos aumenta nos pa\u00edses mais pobres da Europa oriental. <!--more--> Ativistas pedem urg\u00eancia a governos e organiza\u00e7\u00f5es no sentido de se conscientizarem sobre a masculiniza\u00e7\u00e3o destes crimes. Cada vez mais os homens s\u00e3o v\u00edtimas de traficantes. Ao contr\u00e1rio das mulheres que acabam se prostituindo, eles s\u00e3o obrigados a realizar trabalhos for\u00e7ados e se convertem em virtuais escravos de organiza\u00e7\u00f5es criminosas. Estima-se que centenas de milhares de homens sofrem essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses pobres da Europa oriental, com Bielor\u00fassia e Ucr\u00e2nia, alguns deles sofrem o pior do que organiza\u00e7\u00f5es especializadas consideram um \u201cproblema crescente no mundo\u201d. O assunto ganha maior visibilidade, mas \u00e9 preciso mudar a percep\u00e7\u00e3o generalizada a respeito. O tr\u00e1fico tem o prop\u00f3sito de explorar a v\u00edtima, segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur). N\u00e3o necessariamente implica cruzar as fronteiras nacionais. Embora \u00e0s vezes inclua o tr\u00e1fico de migrantes, pois sup\u00f5e a entrada ilegal em determinado pa\u00eds de pessoas estrangeiras para submet\u00ea-las a trabalhos for\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um problema crescente e \u00e9 necess\u00e1rio criar consci\u00eancia sobre o tr\u00e1fico de homens para poder ajudar as v\u00edtimas\u201d, disse \u00e0 IPS Jean-Philippe Chauzy, chefe de imprensa e informa\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM). \u201cA id\u00e9ia generalizada \u00e9 que as v\u00edtimas s\u00e3o mulheres vulner\u00e1veis obrigadas a se prostitu\u00edrem e se trabalhar como escravas sexuais. As pessoas n\u00e3o pensam que \u00e9 um problema muito mais amplo e que tamb\u00e9m afeta uma consider\u00e1vel quantidade de homens\u201d, explicou Chauzy. \u201cAs organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil devem trabalhar para conscientizar sobre o fato\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de pessoas se tornou um neg\u00f3cio internacional multimilion\u00e1rio. Estima-se que milh\u00f5es de pessoas caem em m\u00e3os de redes criminosas todos os anos, e os homens constituem uma propor\u00e7\u00e3o importante, segundo a OIM. Estudo feito por esta organiza\u00e7\u00e3o e divulgado no come\u00e7o deste ano conclui que 2,83% das v\u00edtimas \u00e0s quais prestou assist\u00eancia na Bielor\u00fassia, entre 2004 e 2006, e 17,6% na Ucr\u00e2nia eram homens. Os traficantes de seres humanos primeiro convencem as v\u00edtimas a emigrar em busca de trabalho e, quando chegam ao destino, se servem de uma combina\u00e7\u00e3o de maus-tratos, amea\u00e7as, falta de pagamento e restri\u00e7\u00f5es de deslocamento para evitar que voltem ao seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p>Uma pequena propor\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigada a se converter em escravos sexuais, segundo o Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICR). Mas a maioria realiza trabalhos for\u00e7ados em condi\u00e7\u00f5es atrozes por mais de 14 horas por dia em troca de um sal\u00e1rio \u00ednfimo e, em geral, no setor da constru\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 pior nas na\u00e7\u00f5es mais pobres da Europa oriental. Calcula-se que somente na Bioelor\u00fassia mais de 800 mil pessoas \u201cdesaparecidas\u201d podem estar na R\u00fassia contra sua vontade. Nesse pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 ilegal o patr\u00e3o reter o passaporte de seus empregados nem mant\u00ea-los virtualmente detidos no local de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cA R\u00fassia \u00e9 um dos principais destinos do tr\u00e1fico de homens. Os cidad\u00e3os da Bielor\u00faussia e da Ucr\u00e2nia n\u00e3o necessitam de visto e os controles das autoridades bielorussas para entrar e sair do pa\u00eds s\u00e3o frouxas devido \u00e0 uni\u00e3o aduaneira\u201d, explicou \u00e0 IPS Joe Lowry, representante para Bielor\u00fassia, Mold\u00e1via e Ucr\u00e2nia da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e da Meia-lua Vermelha. \u201cNa R\u00fassia n\u00e3o existe uma lei que impe\u00e7a um patr\u00e3o de manter detido um empregado no seu local de trabalho ou o uso de seguran\u00e7a privada\u201d nas empresas, acrescentou.<\/p>\n<p>A atual crise econ\u00f4mica e financeira afundou mais os pa\u00edses pobres da regi\u00e3o e aumentou a vulnerabilidade das pessoas, que se tornam presa f\u00e1cil de traficantes de seres humanos. Com a crise, \u201ca quantidade de homens v\u00edtimas de tr\u00e1fico aumenta porque s\u00e3o obrigados a emigrar em busca de trabalho para sustentar suas fam\u00edlias, uma situa\u00e7\u00e3o que leva a assumir mais riscos\u201d, disse Lowry. \u201cNo desespero, arriscam-se mais e n\u00e3o examinam a oferta de trabalho, a empresa em quest\u00e3o nem o lugar onde v\u00e3o trabalhar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Alguns homens enganados relataram que foram obrigados a trabalhar 12 horas por dia em condi\u00e7\u00f5es terr\u00edveis, sete dias por semana, e apanhavam quando protestavam. Al\u00e9m disso, eram vigiados por homens armados que \u00e0 noite soltavam c\u00e3es para evitar que fugissem. Na R\u00fassia ocorreu um incidente, documentado pela OIM, no qual o dono de uma empresa com estrangeiros obrigados a realizar trabalhos for\u00e7ados teria colocado fogo no local onde v\u00e1rios homens estavam fechados como forma de castigo coletivo. Alguns morreram, e os sobreviventes foram levados para seus pa\u00edses de origem pelos pr\u00f3prios criminosos.<\/p>\n<p>Como no caso das mulheres, os homens ficam f\u00edsica e psicologicamente perturbados pela terr\u00edvel experi\u00eancia. Mas costuma-se deix\u00e1-los de lado mais do que a elas na hora de encontrar ajuda uma vez que conseguem escapar de seus agressores. O estigma que atormenta as mulheres depois de passar por esse tipo de experi\u00eancia traum\u00e1tica tamb\u00e9m afeta os homens, e, \u00e0s vezes, de maneira pior, segundo v\u00e1rios relatos. \u201cExiste um estigma vinculado a este tipo de situa\u00e7\u00e3o e para os homens que emigraram em busca de trabalho, regressar e reconhecer que foram enganados por traficantes de seres humanos \u00e9 algo com que a psique masculina n\u00e3o sabe lidar bem\u201d, afirmou Lowry.<\/p>\n<p>Muitos deles nem mesmo sabem que podem buscar ajuda. \u201cSe uma pessoa acaba em um pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 o seu, sem passaporte, trabalho e dinheiro, as possibilidades de ser explorada s\u00e3o enormes. A rede de conten\u00e7\u00e3o nesses casos \u00e9 muito mais ampla para as mulheres do que para os homens\u201d, disse Chauzy. \u201cMuitos homens n\u00e3o sabem que h\u00e1 servi\u00e7os de assist\u00eancia para casos de explora\u00e7\u00e3o porque grande parte da ajuda, como as linhas telef\u00f4nicas gratuitas, se concentra nas mulheres\u201d, acrescentou. Com maior conscientiza\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e as organiza\u00e7\u00f5es que trabalho no terreno pode-se refor\u00e7ar a aten\u00e7\u00e3o aos homens que ca\u00edram em redes de tr\u00e1fico de pessoas, ressaltou o representante da OIM. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bratislava, Eslov\u00e1quia, 04\/08\/2009 &ndash; O tr\u00e1fico de homens para serem usados como trabalhadores escravos aumenta nos pa\u00edses mais pobres da Europa oriental. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/direitos-humanos\/direitos-humanos-europa-aumenta-o-trafico-de-homens-na-europa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":175,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[18],"class_list":["post-5369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}