{"id":542,"date":"2005-04-28T00:00:00","date_gmt":"2005-04-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=542"},"modified":"2005-04-28T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-28T00:00:00","slug":"mundo-minoria-rabe-alvo-de-dupla-hostilidade-em-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/mundo-minoria-rabe-alvo-de-dupla-hostilidade-em-israel\/","title":{"rendered":"Mundo: Minoria &aacute;rabe &eacute; alvo de dupla hostilidade em Israel"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 28\/04\/2005 &ndash; Uma s&eacute;rie de pesquisas e fatos sociais confirmaram que tanto a atitude popular quanto a oficial s&atilde;o hostis em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; minoria &aacute;rabe de Israel. A viol&ecirc;ncia entre israelenses e palestinos cedeu depois de quatro anos de intifada (insurrei&ccedil;&atilde;o palestina contra a ocupa&ccedil;&atilde;o israelense), mas as rela&ccedil;&otilde;es entre cidad&atilde;os judeus e &aacute;rabes s&atilde;o sempre tensas dentro deste pa&iacute;s. De diferentes pesquisas surgiu que mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o judia n&atilde;o deseja que &aacute;rabes vivam em seus bairros e muitos gostariam que o governo incentivasse os cidad&atilde;os &aacute;rabes a abandonar o pa&iacute;s. Tamb&eacute;m foi detectado um foco de racismo nos campos de futebol.<br \/> <!--more--> <br \/> O clube Beitar Jerusal&eacute;m foi multado este m&ecirc;s porque seus torcedores gritaram &quot;morte aos &aacute;rabes&quot;, entre outras coisas, durante um jogo contra o clube Bnei Sajnin, predominantemente &aacute;rabe. Isto ocorreu depois que o capit&atilde;o da equipe, Abbas Suan, ter marcado o gol de empate contra a Irlanda em uma partida classificat&oacute;ria para a Copa do Mundo. &quot;Abbas Suan n&atilde;o nos representa&quot;, disse um torcedor do Beitar. Investigadores &aacute;rabes e judeus coincidem quanto &agrave; exist&ecirc;ncia de uma forte antipatia entre as duas comunidades, mas, apontam diferentes causas. Um estudioso das rela&ccedil;&otilde;es &aacute;rabe-israelenses citou a natureza judia do Estado israelense e seu perfil inerente, enquanto um cientista pol&iacute;tico judeu atribuiu a atual polariza&ccedil;&atilde;o das duas comunidades aos &uacute;ltimos quatro anos e meio de viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> O pesquisador &aacute;rabe Assad Ghanem, da Universidade de Haifa, publicou este m&ecirc;s uma pesquisa encomendada pelo centro de pesquisas Madar, com sede em Ramal&aacute;, sede do governo palestino. O resultado indicou que 42% dos judeus israelenses querem que o governo incentive os cidad&atilde;os &aacute;rabes a abandonar o pa&iacute;s; 40% n&atilde;o concordam. &quot;Estou farto&quot;, disse Ghanem &agrave; IPS. &quot;Deixarei de fazer este tipo de estudos, que sempre mostram as mesmas coisas&quot;, afirmou. Uma outra pesquisa, da qual surgiu que mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o judia n&atilde;o deseja viver no mesmo bairro onde moram &aacute;rabes, foi apresentada ao parlamento em mar&ccedil;o, no Dia Internacional para a Elimina&ccedil;&atilde;o da Discrimina&ccedil;&atilde;o Racial. Os resultados se referem aos cidad&atilde;os &aacute;rabes de Israel, n&atilde;o aos palestinos dos territ&oacute;rios ocupados.<\/p>\n<p> A minoria &aacute;rabe de Israel est&aacute; constitu&iacute;da por aqueles que n&atilde;o fugiram nem foram expulsos durante a guerra de 1948-1949, quando foi criado o Estado judeu, e seus descendentes. Atualmente, constituem 1,2 milh&atilde;o dos 6,8 milh&otilde;es de habitantes de Israel. Os cidad&atilde;os &aacute;rabes t&ecirc;m o direito de votar e est&atilde;o representados no parlamento, tanto por partidos &aacute;rabes quanto nos grandes partidos israelenses. Poucos servem no ex&eacute;rcito, e sua rela&ccedil;&atilde;o com o governo &eacute;, no melhor dos casos, amb&iacute;gua. Em geral, os &aacute;rabes se sentem cidad&atilde;os de segunda classe, t&ecirc;m fortes v&iacute;nculos com os palestinos fora do pa&iacute;s e s&atilde;o considerado por muitos israelenses como quinta-coluna.<\/p>\n<p> Ghanem est&aacute; preocupado tanto pelo preconceito da popula&ccedil;&atilde;o em geral quanto pela atitude do governo. &quot;Essas atitudes se influenciam mutuamente. O governo e a burocracia costumam responder a press&otilde;es e temores populares, mas, por sua vez, a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; influenciada pelas atitudes dos pol&iacute;ticos, que enfatizam certos aspectos demogr&aacute;ficos&quot;, ressaltou. O Escrit&oacute;rio Central de Estat&iacute;sticas publica regularmente proje&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas, e a rela&ccedil;&atilde;o de judeus e &aacute;rabes costuma estar nas manchetes. Segundo a &uacute;ltima proje&ccedil;&atilde;o, essa rela&ccedil;&atilde;o aumentar&aacute; de 80\/20 para 70\/30 at&eacute; 2025. O primeiro-ministro, Ariel Sharon, admitiu que as considera&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas tiveram um papel importante no estabelecimento do per&iacute;metro do pol&ecirc;mico muro de separa&ccedil;&atilde;o sobre a fronteira da Cisjord&acirc;nia.<\/p>\n<p> A finalidade foi deixar a maior quantidade poss&iacute;vel de palestinos do lado palestino do muro, e incluir a maior quantidade poss&iacute;vel de judeus do lado israelense. A demografia tamb&eacute;m foi considerada por Sharon e seus seguidores como fundamento da retirada unilateral dos assentamentos judeus de territ&oacute;rios palestinos, j&aacute; que a popula&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio situado entre o rio Jord&atilde;o e o mar Mediterr&acirc;neo logo ter&aacute; uma maioria &aacute;rabe palestina. A quest&atilde;o demogr&aacute;fica tamb&eacute;m se refletiu na lei de naturaliza&ccedil;&atilde;o que em 2004 proibiu os residentes da Cisjord&acirc;nia que se casarem com cidad&atilde;os israelenses de residir em Israel. A Comiss&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Direitos Humanos considerou racista essa lei. <\/p>\n<p> A aprova&ccedil;&atilde;o dessa lei exemplifica a atitude do governo, que segundo Ghanem e grupos &aacute;rabe-israelenses de direitos humanos oscila entre a discrimina&ccedil;&atilde;o ativa e a neglig&ecirc;ncia. Um estudo realizado pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de sobre a incid&ecirc;ncia do c&acirc;ncer no pa&iacute;s excluiu as localidades &aacute;rabes, informou o jornal Haaretz. Yithak Reiter, cientista pol&iacute;tico da Universidade Hebr&eacute;ia em Jerusal&eacute;m especializada na minoria &aacute;rabe, concordou que as localidades e povoados &aacute;rabes recebem menos fundos do que os de maioria judia para obras de infra-estrutura, educa&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;os de sa&uacute;de.<\/p>\n<p> Isto se deve ao fato de os &aacute;rabes estarem tradicionalmente sub-representados nos organismos que desembolsam os fundos, explicou o especialista. De acordo com Reiter, essa situa&ccedil;&atilde;o melhorou porque a comunidade &aacute;rabe decidiu trabalhar mais dentro do sistema. Ele citou v&aacute;rios exemplos de participa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos &aacute;rabe-israelenses nos sistema pol&iacute;tico, entre eles a designa&ccedil;&atilde;o de um &aacute;rabe-israelense como novo diretor-geral do Minist&eacute;rio do Interior. Ghanem comemorou essa medida governamental, mas, disse que &quot;para mudar as coisas realmente, o governo deve modificar sua atitude geral e se transformar em um governo para todos os cidad&atilde;os&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 28\/04\/2005 &ndash; Uma s&eacute;rie de pesquisas e fatos sociais confirmaram que tanto a atitude popular quanto a oficial s&atilde;o hostis em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; minoria &aacute;rabe de Israel. A viol&ecirc;ncia entre israelenses e palestinos cedeu depois de quatro anos de intifada (insurrei&ccedil;&atilde;o palestina contra a ocupa&ccedil;&atilde;o israelense), mas as rela&ccedil;&otilde;es entre cidad&atilde;os judeus e &aacute;rabes s&atilde;o sempre tensas dentro deste pa&iacute;s. De diferentes pesquisas surgiu que mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o judia n&atilde;o deseja que &aacute;rabes vivam em seus bairros e muitos gostariam que o governo incentivasse os cidad&atilde;os &aacute;rabes a abandonar o pa&iacute;s. 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