{"id":5422,"date":"2009-08-19T09:41:34","date_gmt":"2009-08-19T09:41:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5422"},"modified":"2009-08-19T09:41:34","modified_gmt":"2009-08-19T09:41:34","slug":"agua-tanzania-quem-paga-as-despesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/africa\/agua-tanzania-quem-paga-as-despesas\/","title":{"rendered":"\u00c1GUA-TANZ\u00c2NIA: Quem paga as despesas?"},"content":{"rendered":"<p>DAR ES SALAAM, 19\/08\/2009 &ndash; Quando John Rubara* e a fam\u00edlia se mudaram para a sua nova casa em Tabata Kimanga, um bairro da classe m\u00e9dia em r\u00e1pido crescimento, no distrito de Temeke, em Dar es Salaaam, a companhia de \u00e1gua cortou o abastecimento de \u00e1gua porque o dono anterior tinha as contas atrasadas. <!--more--> Rubara n\u00e3o tinha ideia do valor da sua conta mensal de \u00e1gua; portanto, apesar de pagar a conta do dono anterior \u2013 mais de 200 dol\u00e1res \u2013, decidiu usar um canalizador pirata para voltar a ligar ilegalmente a sua casa \u00e0 rede de \u00e1gua existente. Em 2008, a Companhia de \u00c1guas e Esgotos de Dar es Salaam (DAWASCO) lan\u00e7ou uma campanha intitulada terra queimada \u2013 o nome mais apropriado seria campanha das torneiras secas \u2013 para melhorar a cobran\u00e7a de pagamentos e acabar com as liga\u00e7\u00f5es ilegais. Escrit\u00f3rios governamentais, ministros e at\u00e9 mesmo o quartel-general do ex\u00e9rcito tanzaniano encontravam-se entre os alvos influentes da campanha. Rubara decidiu que tinha de voltar a estar ligado \u00e0 rede. At\u00e9 agora, est\u00e1 satisfeito com a conta mensal \u2013 um montante fixo mensal equivalente a 10 dol\u00e1res. \u201cNa verdade, utilizamos a \u00e1gua desde que ela corra. Regamos as flores e a relva, temos tanques que servem para guardar a \u00e1gua para uso futuro e, de vez em quando, vendemos \u00e1gua \u00e0queles que ainda n\u00e3o est\u00e3o ligados \u00e0 rede. O agregado familiar de Rubara ilustra bem os desafios que a Companhia de \u00c1guas e Esgotos de Dar es Salaam enfrenta para gerir a cobran\u00e7a dos pagamentos pelo abastecimento de \u00e1gua na capital comercial da Tanz\u00e2nia: muitos residentes n\u00e3o compreendem as tarifas nem o sistema de factura\u00e7\u00e3o; ricos e pobres demoram a pagar as suas contas; e as liga\u00e7\u00f5es ilegais s\u00e3o um facto normal da vida. Descubra o defeito neste sistema de factura\u00e7\u00e3o&#8230; John Rubara paga agora 13.080 xelins tanzanianos por m\u00eas, cerca de dez dol\u00e1res, independentemente da quantidade de \u00e1gua que a fam\u00edlia consome na sua casa em Dar es Salaam. A Autoridade Reguladora do Consumo de \u00c1gua e Energia (EWURA) anunciou em meados de Julho que este montante vai subir para cerca de 12 dol\u00e1res. A EWURA avalia e determina o consumo m\u00e9dio de \u00e1gua em determinada \u00e1rea antes de apresentar o montante fixo aplicado em cada casa nesse bairro. Por exemplo, no bairro de Tabata, cada agregado paga 10 dol\u00e1res por m\u00eas por um consumo calculado em 32 metros c\u00fabicos, ou 32.000 litros. Outras \u00e1reas t\u00eam estimativas diferentes \u2013 no centro da cidade, o c\u00e1lculo do consumo m\u00e9dio \u00e9 53 metros c\u00fabicos, e cada agregado paga 26 dol\u00e1res por m\u00eas. Aqueles que t\u00eam contadores pagam 637 xelins tanzanianos, cerca de cinquenta c\u00eantimos americanos, pelos primeiros 5.000 litros que usam, e 859 xelins por cada quilolitro acima desse valor. De qualquer forma, \u00e9 uma frac\u00e7\u00e3o do que custa a muitas pessoas que n\u00e3o t\u00eam a sorte de ter acesso a \u00e1gua canalizada. A conta de \u00e1gua de Rubara custa 31 c\u00eantimos americanos por cada litro; normalmente, os vendedores ambulantes vendem um recipiente de 20 litros de \u00e1gua por 300 xelins \u2013 perto de 20 c\u00eantimos. \t<\/p>\n<p>As liga\u00e7\u00f5es de \u00e1gua ilegais \u2013 especialmente as que est\u00e3o ligadas \u00e0 conduta principal que abastece os tanques de \u00e1gua de Ubungo, no Alto Ruvu, uma das mais importantes esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua \u2013 t\u00eam contribuido de forma significativa para a irregular distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em muitas partes da cidade. A funcion\u00e1ria de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da DAWASCO, Mary Jovin Lyimo, afirma que a companhia descobriu que a nova conduta de a\u00e7o proveniente da esta\u00e7\u00e3o de tratamento do Ruvu Superior \u00e9 mais vulner\u00e1vel aos canalizadores improvisados do que a conduta de concreto que parte da esta\u00e7\u00e3o de tratamento de maior dimens\u00e3o no Baixo Ruvu para as \u00e1reas que serve. As liga\u00e7\u00f5es ilegais constituem uma dor de cabe\u00e7a para a companhia, visto que representam preju\u00edzos financeiros significativos. A Autoridade Reguladora do Consumo de \u00c1gua e Energia (EWURA) acredita que 53 por cento da \u00e1gua tratada se perdem devido ao vandalismo e derramamentos antes de chegar aos clientes que pagam. Para ajudar a eliminar este problema, a DAWASCO tem continuado a sua campanha de cortar as liga\u00e7\u00f5es ilegais. Em seis semanas, entre 7 de Junho e 17 de Julho, a companhia descobriu e cortou mais de 597 casas com liga\u00e7\u00f5es ilegais ao longo de uma conduta de cinco quil\u00f3metros na \u00e1rea de Kimara. Kimara \u00e9 muito conhecida pelas suas liga\u00e7\u00f5es ilegais, assim como Kibaha, localizada a 45 quil\u00f3metros fora da cidade, n\u00e3o muito longe da esta\u00e7\u00e3o de tratamento do Alto Ruvu. A DAWASCO diz que, antes de desligar as redes de canaliza\u00e7\u00f5es ilegais, os reservat\u00f3rios de \u00e1gua de Ubungo nunca chegavam a estar 17 por cento cheios. \u201cDesde que a campanha come\u00e7ou, mais do dobro da \u00e1gua tem estado a entrar nos reservat\u00f3rios de Ubungo \u2013 que agora chega a ter 37 por cento de capacidade\u201d. E espera-se que a situa\u00e7\u00e3o melhore, visto que se est\u00e3o a descobrir mais liga\u00e7\u00f5es ilegais. A factura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m constitui um problema \u201cContuto, o vandalismo n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico factor respons\u00e1vel pela cobran\u00e7a deficiente das receitas provenientes do abastecimento de \u00e1gua, mas tamb\u00e9m o sistema de factura\u00e7\u00e3o\u201d, disse Richard Peter, director comercial da DAWASCO. Afirmou que o sistema de factura\u00e7\u00e3o (conhecido como Sistema de \u00c1gua Transparente) que a companhia herdou dos administradores anteriores, \u00c1guas da Cidade, \u00e9 a principal causa de todos os problemas. \u201c\u00c9 um sistema incompleto, que tornou ineficaz o controlo das receitas e abriu caminho \u00e0 fraude generalizada\u201d. Namoro \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o Os servi\u00e7os de abastecimento de \u00e1gua de Dar es Salaam foram privatizados em 2003, a conselho do Banco Mundial e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional. Um cons\u00f3rcio conhecido como \u00c1guas da Cidade assumiu o controlo dos servi\u00e7os de abascceimento de \u00e1gua, mas o contrato foi cancelado dois anos mais tarde. As \u00c1guas da Cidade fizeram pouco progresso para diminuir as faltas de \u00e1gua, melhorar a cobran\u00e7a de pagamentos e reduzir as liga\u00e7\u00f5es ilegais. Para explicar os seus falhan\u00e7os, o cons\u00f3rcio alegou que lhe tinham sido dadas informa\u00e7\u00f5es insuficientes sobre o mau estado do sistema de \u00e1gua da cidade. A disputa entre as \u00c1guas da Cidade e o Governo tanzaniano foi eventualmente resolvido num tribunal de Londres, que alegadamente concedeu ao Governo seis milh\u00f5es de dol\u00e1res em compensa\u00e7\u00e3o. \t<\/p>\n<p>O sistema de factura\u00e7\u00e3o que foi entregue \u00e0 DAWASCO levou os clientes a receberem contas erradas, tendo muitas pessoas tirado partido dessa situa\u00e7\u00e3o para nunca pagarem as contas, enquanto que outras est\u00e3o em conflito permanente com a companhia. <\/p>\n<p>S\u00f3 depois da DAWASCO ter introduzido o programa Engenharia, An\u00e1lise, Concep\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o (EDAMS) \u00e9 que as coisas come\u00e7aram a melhorar. <\/p>\n<p>EDAMS, na g\u00edria profissional usada pela companhia, \u201c\u00e9 um sistema integrado de informa\u00e7\u00f5es sobre os servi\u00e7os, que possui a funcionalidade de abranger os requisitos necess\u00e1rios em \u00e1reas como manuten\u00e7\u00e3o, monitoriza\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o, concep\u00e7\u00e3o e planeamento de redes dos servi\u00e7os de abastecimento de \u00e1gua. <\/p>\n<p>O sistema ajuda a reduzir a quantidade de \u00e1gua que desaparece sem explica\u00e7\u00e3o e produz informa\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 an\u00e1lise do consumo aos engenheiros que operam o sistema e planeiam as mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Peter diz que descrever a funcionalidade do EDAMS como \u201cfactura\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 errado. Um t\u00edtulo mais apropriado seria \u201csistema comercial\u201d. <\/p>\n<p>Funciona da seguinte forma: as \u00e1reas onde n\u00e3o existem contadores s\u00e3o analisadas com base na disponibilidade da \u00e1gua, sendo depois imposto um montante fixo a todos os consumidores, baseado no consumo. <\/p>\n<p>&#8220;Em rela\u00e7\u00e3o aos clientes cujas liga\u00e7\u00f5es t\u00eam contador, o nosso pessoal faz a leitura do consumo entre o dia 1 e o dia 10 de cada m\u00eas. O processo de lan\u00e7amento destas leituras no sistema da DAWASCO \u00e9 feito manualmente, mas o melhor \u00e9 podermos enviar as contas que devem ser pagas no fim do m\u00eas\u201d, disse Peter. <\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o do sistema de factura\u00e7\u00e3o por SMS revolucionou a forma como a companhia cobra os pagamentos. Peter explica com orgulho que o envio de avisos por SMS, referentes a montantes n\u00e3o pagos, \u00e9 uma forma muito mais eficiente de lembrar aos clientes que t\u00eam de pagar as suas contas do que an\u00fancios radiof\u00f3nicos ou apelos p\u00fablicos por meio de altifalantes em carrinhas que visitam os diversos bairros. <\/p>\n<p>Antes da introdu\u00e7\u00e3o do EDAMS, a companhia s\u00f3 recebia 25 por cento dos pagamentos mensais at\u00e9 meados do m\u00eas seguinte. Agora, a DAWASCO recebe 50 por cento ou mais das contas pendentes at\u00e9 ao dia 15 de cada m\u00eas. O sistema de factura\u00e7\u00e3o, que costumava demorar duas semanas, \u00e9 feito agora em tr\u00eas horas e, no prazo de 12 horas ap\u00f3s o primeiro dia do m\u00eas seguinte, os clientes recebem a sua \u00faltima conta nos telem\u00f3veis, continuando a ser-lhes enviadas contas em papel no caso de haver algu\u00e9m que n\u00e3o leia as mensagens. <\/p>\n<p>\u201cEm Junho do ano passado, t\u00edinhamos mais de 8.000 clientes com telem\u00f3veis. Neste preciso momento, existem mais de 37.000. Os nossos clientes acham que isto \u00e9 muito conveniente, para al\u00e9m de ter consolidado o fluxo de caixa da companhia\u201d, disse ainda Peter \u00e0 IPS. <\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, afirmou que, desde que a DAWASCO assumiu o controlo das \u00c1guas da Cidade, a cobran\u00e7a das receitas tem estado a aumentar constantemente, apesar do vandalismo generalizado ainda constituir um rev\u00e9s s\u00e9rio em todo o processo. <\/p>\n<p>*N\u00e3o o seu nome verdadeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAR ES SALAAM, 19\/08\/2009 &ndash; Quando John Rubara* e a fam\u00edlia se mudaram para a sua nova casa em Tabata Kimanga, um bairro da classe m\u00e9dia em r\u00e1pido crescimento, no distrito de Temeke, em Dar es Salaaam, a companhia de \u00e1gua cortou o abastecimento de \u00e1gua porque o dono anterior tinha as contas atrasadas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/africa\/agua-tanzania-quem-paga-as-despesas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":605,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8],"tags":[],"class_list":["post-5422","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/605"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5422\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}