{"id":5460,"date":"2009-08-27T15:47:49","date_gmt":"2009-08-27T15:47:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5460"},"modified":"2009-08-27T15:47:49","modified_gmt":"2009-08-27T15:47:49","slug":"saude-zimbabue-sem-esperanca-no-hospital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/africa\/saude-zimbabue-sem-esperanca-no-hospital\/","title":{"rendered":"SA\u00daDE-ZIMB\u00c1BUE: Sem esperan\u00e7a no hospital"},"content":{"rendered":"<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 27\/08\/2009 &ndash; Antes, os habitantes do Zimb\u00e1bue levavam seus parentes doentes a clinicas rurais onde havia rem\u00e9dios dispon\u00edveis e planos de pagamento acess\u00edveis. <!--more--> Mas agora os levam a esses locais apenas para morrerem. Milh\u00f5es de zimbabuenses j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam acesso a uma aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de sa\u00fade. Os centros que fornecem esses servi\u00e7os est\u00e3o em decl\u00ednio h\u00e1 v\u00e1rios anos, e a greve que realizam os m\u00e9dicos h\u00e1 tr\u00eas semanas somente piorou a terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo dia 21, o governo anunciou a demiss\u00e3o de todos os profissionais em greve, argumentando n\u00e3o ter como atender suas demandas salariais, por sal\u00e1rios de at\u00e9 US$ 2 mil. A situa\u00e7\u00e3o obrigou muitas fam\u00edlias a tomarem decis\u00f5es de vida ou morte em rela\u00e7\u00e3o aos seus entes queridos.<\/p>\n<p>Na cidade de Bulawayo os pacientes desesperados v\u00e3o ao hospital somente para serem atendidos por praticantes de enfermagem. Os aparelhos que antes salvavam vidas deixaram de funcionar e as unidades de cuidados intensivos est\u00e3o vazias. A situa\u00e7\u00e3o p\u00f4s em destaque o crescente desespero de milh\u00f5es que com o passar dos anos se resignaram a sucumbir a doen\u00e7as cur\u00e1veis. \u201cNingu\u00e9m mais vai ao hospital, e algumas fam\u00edlias que n\u00e3o podem receber uma aten\u00e7\u00e3o adequada enviam seus familiares doentes para morrerem nas \u00e1reas rurais\u201d, disse Tabeth Gumpo, que trabalha com um grupo de 20 mulheres que atuam como cuidadoras no lar.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos anos, enquanto o pa\u00eds come\u00e7ava a afundar na crise econ\u00f4mica, as pessoas levavam seus familiares \u00e0s clinicas rurais, porque estas n\u00e3o exigiam um pagamento inicial e davam rem\u00e9dios que n\u00e3o estavam dispon\u00edveis nas clinicas e nos hospitais urbanos. Mas, tudo isso mudou. Para os lares rurais, o problema passou a ser mais de como reduzir os gastos com tratamento medico e tamb\u00e9m com reduzir despesas com os funerais.<\/p>\n<p>Nas zonas rurais do Zimb\u00e1bue, as fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam de comprar elementos como caix\u00f5es e t\u00famulos para sepultamentos, como nas cidades, disse Simoso Macheke, uma enfermeira que est\u00e1 entre os muitos profissionais que se integraram \u00e0 greve dos m\u00e9dicos. \u201cOs moradores de \u00e1reas urbanas sabem que os funerais se tornaram um assunto caro, por isso t\u00e3o logo veem que um parente est\u00e1 muito doente e n\u00e3o podem pagar pelos servi\u00e7os de sa\u00fade, simplesmente os levam para suas casas rurais\u201d, disse Macheke \u00e0 IPS. \u201cNaturalmente esta n\u00e3o \u00e9 maneira de tratar um ser humano, mas estes s\u00e3o os tempos que vivemos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Algumas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais que operam nas zonas rurais da prov\u00edncia de Matabeleland do Sul disseram que embora as fam\u00edlias cuidem de seus membros doentes, se veem limitadas em seus esfor\u00e7os por falta de profissionais capacitados que os assistam. Isto se complicou pelo fato de as clinicas estarem muito longe das aldeias onde vivem estes pacientes. \u201cA situa\u00e7\u00e3o piorou, j\u00e1 que tamb\u00e9m n\u00e3o temos rem\u00e9dios. E a lista de pessoas que buscam antiretrovirais (para casos de HIV\/aids) continua aumentando\u201d, disse \u00e0 IPS Gillian Sibanda, diretora do Departamento de Sa\u00fade da Igreja Cat\u00f3lica em Bulawayo. \u201cH\u00e1 muito pouco para estas fam\u00edlias fazerem al\u00e9m de ver seus membros morrerem\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A greve dos m\u00e9dicos, \u00e0 qual logo uniram-se os enfermeiros, acontece apesar dos compromissos assumidos pelo governo de coaliz\u00e3o durante sua forma\u00e7\u00e3o. Um dos desafios imediatos era garantir a reconstru\u00e7\u00e3o do setor da sa\u00fade, v\u00edtima de anos de mau financiamento. Ag\u00eancias com o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) se comprometem a financiar parte dos sal\u00e1rios p\u00fablicos para que seja fornecidos servi\u00e7os essenciais como os da sa\u00fade, mas ainda t\u00eam de intervir para evitar uma crise humanit\u00e1ria. Os maiores hospitais do pa\u00eds est\u00e3o notoriamente carentes de m\u00e9dicos. Com a falta de fundos dos doadores, \u00e9 prov\u00e1vel que a reconstru\u00e7\u00e3o do setor da sa\u00fade demore muito mais tempo, cobrando muitas vidas.<\/p>\n<p>\u201cMeu irm\u00e3o teve diagnosticado tuberculose, e tem de ir regularmente ao hospital para receber tratamento. Mas hoje ningu\u00e9m nem olhou para ele, porque n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dicos. Estes enfermeiros jovens n\u00e3o t\u00eam id\u00e9ia do que est\u00e3o fazendo\u201d, disse \u00e0 IPS Johanes Lubimbito. Este homem fez essas afirma\u00e7\u00f5es enquanto levava para casa seu irm\u00e3o, de 30 anos e visivelmente debilitado, em um carrinho de m\u00e3o. Ambos procediam do Hospital de Mpilo, onde seu irm\u00e3o n\u00e3o recebeu tratamento algum. O de Mpilo \u00e9 um dos maiores hospitais do pa\u00eds e est\u00e1 sendo muito prejudicado pela greve dos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>\u201cQueremos que o governo pague sal\u00e1rios superiores a US$ 1 mil, e US$ 500 em complementos. Os atuais US$ 170 que paga s\u00e3o inadequados e n\u00e3o incluem complementos por plant\u00f5es, nem para transporte e moradia\u201d, disse Brighton Chzhanje, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de M\u00e9dicos de Hospitais do Zimb\u00e1bue. Cerca de 300 dos profissionais que integram essa entidade aderiam \u00e0 greve. O estatal Conselho de Servi\u00e7os de Sa\u00fade diz n\u00e3o ter dinheiro para atender a demanda e na sexta-feira o governo anunciou a demiss\u00e3o de todos que participavam da greve.<\/p>\n<p>Estes p\u00e9ssimos sal\u00e1rios \u201cobrigaram muitos profissionais a abandonar o pa\u00eds\u201d, disse Owen hadzisa, m\u00e9dico de 31 anos radicado na \u00c1frica do Sul, que h\u00e1 pouco regressou de f\u00e9rias ao Zimb\u00e1bue. As pessoas que proporcionam cuidados nos lares se converteram na vanguarda da atual crise, na falta de profissionais capacitados. Segundo Gumpo, que trabalha no distrito de Tshabalala, um dos mais densamente povoados de Bulawayo, de 30 pacientes que havia ali no come\u00e7o do ano agora restam apenas 19. Os demais morreram. \u201cPodemos fazer muito pouco, e dentro de nosso grupo no lar alguns se queixam cada vez mais que n\u00e3o conseguem apoio de profissionais da sa\u00fade que deveriam orient\u00e1-los\u201d, disse Gumpo \u00e0 IPS. A greve acontece em meio a advert\u00eancias de organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias com M\u00e9dicos sem Fronteiras, que se preparam para outro poss\u00edvel foco de c\u00f3lera, com a iminente esta\u00e7\u00e3o chuvosa no pa\u00eds. Em agosto do ano passado, essa doen\u00e7a deixou mais de quatro mil mortos, em um momento em que a maioria dos profissionais da sa\u00fade havia deixado o Zimb\u00e1bue em busca de trabalho melhor remunerado. IPS\/ Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 27\/08\/2009 &ndash; Antes, os habitantes do Zimb\u00e1bue levavam seus parentes doentes a clinicas rurais onde havia rem\u00e9dios dispon\u00edveis e planos de pagamento acess\u00edveis. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/08\/africa\/saude-zimbabue-sem-esperanca-no-hospital\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":92,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,7],"tags":[21],"class_list":["post-5460","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-saude","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/92"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5460\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}