{"id":5485,"date":"2009-09-01T16:37:30","date_gmt":"2009-09-01T16:37:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5485"},"modified":"2009-09-01T16:37:30","modified_gmt":"2009-09-01T16:37:30","slug":"brasil-energia-artistica-como-antidoto-para-a-exclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/09\/america-latina\/brasil-energia-artistica-como-antidoto-para-a-exclusao\/","title":{"rendered":"BRASIL: Energia art\u00edstica como ant\u00eddoto para a exclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Salvador (Bahia), 01\/09\/2009 &ndash; Por \u00e0 prova a arte em situa\u00e7\u00f5es limite foi um aspecto involunt\u00e1rio Projeto Ax\u00e9, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental que prop\u00f4s criar condi\u00e7\u00f5es para que crian\u00e7as que vivem na rua ou em situa\u00e7\u00e3o de risco social para superem a exclus\u00e3o educacional, familiar e comunit\u00e1ria.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5485\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Projetoaxe_61.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5485\" class=\"size-medium wp-image-5485\" title=\" - Gentileza Mila Petrillo\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Projetoaxe_61.jpg\" alt=\" - Gentileza Mila Petrillo\" width=\"200\" height=\"141\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5485\" class=\"wp-caption-text\"> - Gentileza Mila Petrillo<\/p><\/div>  A est\u00e9tica e a \u00e9tica dos direitos humanos guiam a a\u00e7\u00e3o desta organiza\u00e7\u00e3o que a um arsenal art\u00edstico de m\u00fasica, dan\u00e7a, capoeira, teatro, circo, moda e artes visuais para a pr\u00e1tica de sua &#8220;Pedagogia do Desejo&#8221;, o princ\u00edpio reitor \u00e9 a capacidade de sonhar uma nova vida.<\/p>\n<p>Fundado em 1990 pelo italiano Cesare La Rocca, em Salvador, capital do estado da Bahia, o Projeto Ax\u00e9 acolheu cerca de 19.000 crian\u00e7as e adolescentes, e com seus m\u00e9todos conseguiu que quase todos voltassem ou permanecessem na escola formal, 80% com uma frequ\u00eancia regular e restante de forma intermitente. H\u00e1 j\u00e1 muitos graduados ou estudantes universit\u00e1rios, um n\u00edvel praticamente inacess\u00edvel aos negros e os extremamente pobres deste Pa\u00eds, que s\u00e3o quase ia totalidade dos benefici\u00e1rios do Projeto Ax\u00e9.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o oferecida pelo Projeto tamb\u00e9m se mostrou efetiva na \u00e1rea profissionalizante. Pelo menos 15 de seus ex-alunos de dan\u00e7a trabalham no estrangeiro, principalmente na Europa, e muitos outros dan\u00e7arinos, m\u00fasicos, atores de teatro e de circo e artistas visuais est\u00e3o espalhadas por todo o Brasil, aos quais se somam profissionais da moda e do design gr\u00e1fico. O Projeto Ax\u00e9 entende que &#8220;a arte \u00e9 fundamental\u201d, n\u00e3o s\u00f3 para aqueles que podem ser artistas, mas para que outros descubram seu potencial, negado pelo fracasso escolar, e possam desenvolver a sua criatividade. Mas \u00e9 tamb\u00e9m crucial para continuar o ensino tradicional para superar a exclus\u00e3o social, Marle Macedo, coordenadora de Arte-Educa\u00e7\u00e3o do Projeto.<\/p>\n<p>Assim, al\u00e9m de oferecer cursos e pr\u00e1ticas, o projeto visa a convencer os alunos a prosseguirem seus estudos formais para terminar pelo menos o ensino m\u00e9dio. &#8220;\u00c9 essencial para a inser\u00e7\u00e3o profissional\u201d, embora seja um ensino que molda as pessoas para manter o status quo, reconheceu Macedo. &#8220;Repeti muitas s\u00e9ries, mas eu terminei o ensino m\u00e9dio, porque \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o para ser um educador do Ax\u00e9&#8221;, disse Anderson G\u00f3is, 25 anos, relembrando sua inf\u00e2ncia dificuldades nas ruas. &#8220;Foi um grito de ajuda, porque foi algo que me atormenta&#8221;, disse. Ele n\u00e3o gostava da vida na rua e voltou para casa, mas manteve-se agressivo.<\/p>\n<p>Anderson se juntou ao Projeto Ax\u00e9 aos 9 anos, convencido por uma educadora, mas l\u00e1 tamb\u00e9m se envolveu em brigas de gangues. Por isso foi exclu\u00eddo do grupo que viajou \u00e0 It\u00e1lia para fazer apresenta\u00e7\u00f5es de m\u00fasica e capoeira, disciplina que combina dan\u00e7a e luta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa li\u00e7\u00e3o, &#8220;decidi mudar, entrei para a banda Ax\u00e9, vi que era capaz e pude participar de excurs\u00f5es para S\u00e3o Paulo, tr\u00eas vezes para a It\u00e1lia e Nova York&#8221;, disse Anderson, que concluiu a duras penas o ensino m\u00e9dio para se tornar educador de rua do Projeto e fazer parte dos 32% de seus funcion\u00e1rios que s\u00e3o, como ele, ex-alunos.<\/p>\n<p>Desejo de hist\u00f3ria <\/p>\n<p>Seus companheiros Ricardo Mendes e Sandro Cardoso, 22 e 26 anos, respectivamente, tiveram um passado semelhante. O primeiro, agora professor de m\u00fasica, juntou-se ao Ax\u00e9 cedo, aos 6 anos, ainda perplexo, &#8220;\u00e0 procura de resposta&#8221; para a discrimina\u00e7\u00e3o que sofria pelas ruas. Agora ele quer estudar direito, \u201ccomo uma profiss\u00e3o\u201d, ou hist\u00f3ria, para aprender as &#8220;melhores respostas&#8221;, especialmente depois da viagem para Nova York, que lhe permitiu ver melhor o \u201cracismo disfar\u00e7ado\u201d do Brasil. &#8220;L\u00e1 \u00e9 mais aparente, mas o preto est\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es\u201d, disse. A hist\u00f3ria tamb\u00e9m interessa a Anderson e \u00e9 uma carreira superior que exerce uma atra\u00e7\u00e3o justificada sobre os negros na Bahia, o Estado brasileiro de acentuada maioria de afrodescendentes.<\/p>\n<p>Esta caracter\u00edstica \u00e9 tamb\u00e9m a torna a percuss\u00e3o a atividade mais atraente para crian\u00e7as e adolescentes, de acordo com Jos\u00e9 Carlos Freire, musicoterapeuta e supervisor das artes na unidade do Pelourinho, bairro hist\u00f3rico de Salvador. O ritmo est\u00e1 impregnado em todos desde o \u00fatero, mas na Bahia \u00e9 b\u00e1sico na cultura, at\u00e9 mesmo pela forte presen\u00e7a do candombl\u00e9, religi\u00e3o de origem africana, na qual o atabaque \u00e9 tocado com sutilezas t\u00e3o refinadas que induzem transe, disse Freire. Ax\u00e9 integra o melhor da cultura negra local, oferecendo a pr\u00e1tica de percuss\u00e3o para todos os alunos e tamb\u00e9m enfatiza a dan\u00e7a e a capoeira, disse Macedo. A pr\u00f3pria palavra &#8220;ax\u00e9&#8221; \u00e9 de origem africana e significa &#8220;energia que flui entre os seres,&#8221; for\u00e7a &#8220;da natureza&#8221; ou &#8220;realiza\u00e7\u00e3o&#8221;, de acordo com diferentes interpreta\u00e7\u00f5es. Em todo caso, expressa um princ\u00edpio de vida positivo. Al\u00e9m do mais, o projeto, foi adotado para identificar um g\u00eanero musical surgido na Bahia, o grande sucesso comercial nos anos 90.<\/p>\n<p>Namoro pedag\u00f3gico em cheque<\/p>\n<p>Apesar de seus atrativos, Sandro Cardoso resistiu a entrar no Projeto Ax\u00e9 at\u00e9 os 11 anos de idade. Ele nunca conheceu seu pai. Trabalhava carregando compras em um mercado de rua para ajudar a m\u00e3e, uma lavadeira, que criava tr\u00eas filhos sozinha. Sandro foi recebido no projeto tornou-se intenso o medo de &#8220;desaparecer como muitos amigos&#8221; na Kombi que as autoridades utilizavam para recolher as crian\u00e7as de rua, a fim de &#8220;esconder a pobreza&#8221;.<\/p>\n<p>Anderson, Richard e Sandra, os tr\u00eas educadores do Ax\u00e9, t\u00eam a experi\u00eancia &#8220;do outro lado&#8221; de exercer o que eles chamam de &#8220;namoro pedag\u00f3gico&#8221;, destinado a atrair as crian\u00e7as de rua, aqueles que vivem permanentemente nela, assumindo a sua cultura e modo de vida &#8220;livre&#8221;, e s\u00e3o mais resistentes \u00e0 mudan\u00e7a. O projeto atende essa popula\u00e7\u00e3o infantil que, segundo Macedo, \u00e9 limitado a algumas centenas e nunca passou dos 800 nas pesquisas realizadas, mas tamb\u00e9m alcan\u00e7a preventivamente menores em &#8220;situa\u00e7\u00e3o de risco&#8221;, como os que permanecem algumas horas nas ruas, em busca de dinheiro para ajudar suas fam\u00edlias.  Dos atendidos pelo Projeto, alguns voltaram \u00e0s drogas, cometeram crimes graves ou ca\u00edram na mis\u00e9ria. H\u00e1 tamb\u00e9m presos e assassinados, mas a metodologia desenvolvida permitiu reintegrar uma imensa maioria \u00e0 escola, \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 comunidade, assegurou Macedo.<\/p>\n<p>Mas, um problema novo surgiu em Salvador nos \u00faltimos anos, \u201ccolocando em xeque nosso trabalho\u201d. Trata-se do crack, um derivado da coca\u00edna em forma de pedra que \u00e9 aquecido e inalado, com o qual se chocaram todas as t\u00e9cnicas dos educadores do Ax\u00e9, admitiu Freire. O crack \u201cdesarticula tudo\u201d, ao gerar uma r\u00e1pida e \u201ctotal depend\u00eancia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Uma reflex\u00e3o interna do Projeto Ax\u00e9 concluiu que os viciados em crack \u201cdevem ser internados compulsivamente para seu tratamento\u201d, ressaltou Freire. Isto contraria posi\u00e7\u00f5es anteriores do Ax\u00e9, mas se trata de um \u201cproblema de sa\u00fade p\u00fablica, n\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Macedo. S\u00e3o poucos ainda as crian\u00e7as e adolescentes degradados por essa droga em Salvador, mas \u201ccontagiam e aumentam a viol\u00eancia nas ruas\u201d, explicou. \u201cO crack tem solu\u00e7\u00e3o\u201d, diz o educador de rua Ricardo Mendes, que, como seus colegas, conta historias terr\u00edveis de viciados mortos em seus bairros, roubando e matando por dinheiro para comprar as pedras. Alguns inclusive \u201cpediram ajuda ao Ax\u00e9\u201d, que freq\u00fcentaram durante algum tempo, afirmou.<\/p>\n<p>Crise financeira<\/p>\n<p>Outra barreira \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Projeto Ax\u00e9 s\u00e3o os problemas de financiamento que o obrigaram a suspender desde junho suas atividades \u00e0s ter\u00e7as-feiras e quintas-feiras e promover uma campanha de capta\u00e7\u00e3o de recursos entre empresas e contribuintes individuais. Luciana Xavier, que se converteu em educadora de ModAx\u00e9, atividade na qual de 25 a 30 pessoas aprendem desenho e produzem roupas e complementos, queixa-se de que est\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios meses sem receber seu sal\u00e1rio. Aos 24 anos, \u00e9 apontada como exemplo de \u00eaxito da arte-educa\u00e7\u00e3o: formou-se em desenho, se prepara para um mestrado e cria sofisticados produtos, como uma cole\u00e7\u00e3o de j\u00f3ias a partir de uma pesquisa que a levou a \u201cdescobrir as hero\u00ednas negras\u201d da hist\u00f3ria brasileira do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>No Ax\u00e9 desde os 12 anos, \u00e9 a mais nova de uma fam\u00edlia de 14 filhos, cujo pai morreu quando Luciana nasceu. Ela vendeu jornal, limpou p\u00e1ra-brisa de carros e mendigou nas ruas de Salvador, antes de entrar para o Projeto, onde fez cursos de costura, artesanato, canto e artes visuais. Apenas 30% das participantes do Ax\u00e9 s\u00e3o meninas, propor\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 presen\u00e7a feminina no mundo das ruas. A dan\u00e7a, a moda e o canto s\u00e3o suas atividades preferidas.<\/p>\n<p>O transporte constitui um elevado custo para a organiza\u00e7\u00e3o, que atende uma m\u00e9dia de 1.500 crian\u00e7as e adolescentes por ano, procedentes das mais variadas partes da \u00e1rea metropolitana, disse En\u00e1 Benevides, coordenadora geral do Ax\u00e9. Al\u00e9m da passagem, s\u00e3o oferecidas tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias a cada um. A doa\u00e7\u00e3o de produtos eletrodom\u00e9sticos com pequenos defeitos para serem vendidos, feito por uma empresa, resolver\u00e1 a d\u00edvida salarial, e busca-se superar a atual crise com uma ampla campanha para multiplicar contribuintes, segundo a dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de seus reconhecidos \u00eaxitos, os m\u00e9todos e as id\u00e9ias do Ax\u00e9 ainda n\u00e3o se converteram em uma pol\u00edtica p\u00fablica, como \u00e9 seu objetivo. A organiza\u00e7\u00e3o tampouco conseguiu promover uma reforma do ensino estatal de Salvador, como pretendia a partir da gest\u00e3o de uma escola municipal entre 1999 e 2004. Mas o projeto desenvolveu uma proposta pedag\u00f3gica que exerce uma influ\u00eancia difusa e fortalece muitas iniciativas sociais, educativas e art\u00edsticas. Sua sistematiza\u00e7\u00e3o anal\u00edtica foi publicada na forma de livro em 1990, comemorando o d\u00e9cimo aniversario da organiza\u00e7\u00e3o. Uma conclus\u00e3o importante foi que a arte \u00e9 educa\u00e7\u00e3o em si mesma, sem necessidade de ser instrumentada pela escola para ter efeitos positivos. Al\u00e9m disso, permite \u201caprender com prazer\u201d, uma dimens\u00e3o que n\u00e3o existe no ensino oficial.<\/p>\n<p>UMA FAM\u00cdLIA AX\u00c9<\/p>\n<p>\u201cO Projeto Ax\u00e9 fio m\u00e3e e pai para meus filhos\u201d, sintetiza Creuza Maria de Jesus ao detalhar como criou os seis que teve com dois maridos que \u201cfaziam os filhos e partiam\u201d. Todos passaram longos anos no projeto, onde permanece a mais jovem, de 12 anos. Os dois mais velhos, g\u00eameos de 28 anos, dan\u00e7am e d\u00e3o aula de dan\u00e7a popular e capoeira na Europa, com contratos de 10 anos com uma empresa. Com suas economias j\u00e1 compraram quatro casas em Salvador, uma delas para a me\u00e3, em um bairro mal urbanizado, mas menos violento do que onde viveu 25 anos e no qual viu muitos cad\u00e1veres.<\/p>\n<p>O terceiro bailarino da fam\u00edlia, Diego da Cunha, de 20 anos, estuda na Escola do Teatro Bolshoi em Joiville (SC). Revelou seu talento e \u201cvoca\u00e7\u00e3o maior\u201d no Ax\u00e9, onde foi descoberto pela exigente academia de bal\u00e9 russo. Outro filho se encaminhou para a inform\u00e1tica. A \u00fanica mulher teve sua oportunidade no ModAx\u00e9,onde participou de desfiles de moda com seu \u201ccorpo bonito\u201d, mas, desistiu.<\/p>\n<p>A comida que seus filhos recebiam na organiza\u00e7\u00e3o \u201caliviou muito\u201d os gastos da m\u00e3e que s\u00f3 tinha que aliment\u00e1-los nos finais de semana. Sua renda, obtida lavando roupa e \u201ccuidando dos filhos dos outros\u201d, dava para pouco mais do que \u201co g\u00e1s, a roupa e rem\u00e9dios\u201d. Mas, o mais importante foi \u201cn\u00e3o deix\u00e1-los soltos na rua\u201d, segundo esta mulher de 53 anos, que por medo das drogas e da delinq\u00fc\u00eancia \u00e0s vezes deixava os filhos \u201ctrancados em casa\u201d. Mas eles tamb\u00e9m ajudaram, apesar de crian\u00e7as, vendendo sandu\u00edches, fazendo entregas e limpeza.<\/p>\n<p>\u201cEu nunca tive adolesc\u00eancia, meus filhos sim\u201d, concluiu Creuza, uma dessas camponesas negras levadas \u00e0 cidade para cumprir o \u201ctrabalho escravo\u201d de bab\u00e1 e cozinheira de uma fam\u00edlia rica dos 7 aos 15 anos, \u201csem ganhar nada\u201d nem poder estudar, contou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sofreu preconceito. \u201cSenti vergonha por meus filhos bailarinos\u201d, quando a vizinhan\u00e7a os via como homossexuais. \u201cDepois relaxei, j\u00e1 que era o melhor para eles\u201d, que n\u00e3o davam import\u00e2ncia e conquistaram o respeito do bairro quando regressaram com profissionais de sucesso em suas f\u00e9rias.<\/p>\n<p>PAI TRAFICANTE, FILHO EDUCADOR<\/p>\n<p>Depois que assassinaram meu pai, um traficante, minha m\u00e3e vendeu tudo e foi viver na rua comigo, aos 4 anos de idade. Gostava da rua, tinha divers\u00e3o, dinheiro e liberdade para fazer o que quisesse. \u201cLimpava carros, pedia dinheiro\u201d. Edvaldo Lima vagou por muitos bairros de Salvador, foi detido algumas vezes, chegou a se sentir perseguido pela pol\u00edcia e recha\u00e7ado pelas pessoas, mas resistiu ao \u201cdesejo do Ax\u00e9\u201d at\u00e9 os 12 anos. Depois foram 14 em v\u00e1rias atividades da organiza\u00e7\u00e3o, especialmente no coro e na banda de percuss\u00e3o, que o levaram \u00e0 It\u00e1lia, Estados Unidos, \u00c1frica e capitais brasileiras. Mas, somente decidiu que \u201cn\u00e3o queria mais saber da rua\u201d aos 20 anos.<\/p>\n<p>Seus estudos foram intermitentes, apesar da press\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o. Concluiu o secund\u00e1rio aos 25. um ano depois, em 2008, passou de educando a educador do Projeto, atendendo \u201ccrian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de risco\u201d e aproveitando sua longa experi\u00eancia. \u201cTudo de bom em minha vida aprendi no Ax\u00e9, minha segunda fam\u00edlia, e agora procuro retribuir\u201d, afirmou. Edvaldo quer estudar artes c\u00eanicas na universidade e \u201cprovar que n\u00e3o sou igual ao meu pai\u201d.<\/p>\n<p>Muitos, inclusive sua m\u00e3e, previam uma vida criminosa para o menino, porque era muito agressivo, \u201ca \u00fanica forma de obter respeito sendo da rua\u201d, explicou. Por isso quis aprender capoeira, \u201cpara brigar melhor\u201d. Eu \u201ctinha mais medo do que admira\u00e7\u00e3o pelo meu pai\u201d, disse, mas sente sua aus\u00eancia at\u00e9 hoje. \u201cChjoro quando meu filho me diz te amo. Meu pai nunca me disse isso, e nunca pude lhe dar um beijo\u201d, confessou. IPS\/Envolverde<\/p>\n<p>* O projeto que deu origem a este trabalho foi ganhador das Bolsas AVINA de Investiga\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica. A Funda\u00e7\u00e3o AVINA e a Casa Daros, parceira na categoria Arte e Sociedade, n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis pelos conceitos,opini\u00f5es e outros aspectos de seu conte\u00fado.<\/p>\n<p> (Envolverde\/IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvador (Bahia), 01\/09\/2009 &ndash; Por \u00e0 prova a arte em situa\u00e7\u00f5es limite foi um aspecto involunt\u00e1rio Projeto Ax\u00e9, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental que prop\u00f4s criar condi\u00e7\u00f5es para que crian\u00e7as que vivem na rua ou em situa\u00e7\u00e3o de risco social para superem a exclus\u00e3o educacional, familiar e comunit\u00e1ria. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/09\/america-latina\/brasil-energia-artistica-como-antidoto-para-a-exclusao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[19,21],"class_list":["post-5485","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-arte-y-cultura","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5485"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5485\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}