{"id":5493,"date":"2009-09-02T17:50:34","date_gmt":"2009-09-02T17:50:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5493"},"modified":"2009-09-02T17:50:34","modified_gmt":"2009-09-02T17:50:34","slug":"brasil-quando-a-danca-ensina-a-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/09\/america-latina\/brasil-quando-a-danca-ensina-a-viver\/","title":{"rendered":"BRASIL: Quando a dan\u00e7a ensina a viver"},"content":{"rendered":"<p>Fortaleza (CE), 02\/09\/2009 &ndash; \u201cA vida de minha fam\u00edlia mudou\u201d, desde a maneira de comer e as regras de higiene at\u00e9 a seguran\u00e7a de saber onde est\u00e3o minhas filhas e o fim do alcoolismo paterno, comemora Maria Erilma da Silva, m\u00e3e de tr\u00eas meninas e um adolescente em Fortaleza (CE).  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5493\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Edisca201.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5493\" class=\"size-medium wp-image-5493\" title=\" - Gentileza Mila Petrillo\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Edisca201.jpg\" alt=\" - Gentileza Mila Petrillo\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5493\" class=\"wp-caption-text\"> - Gentileza Mila Petrillo<\/p><\/div>  Essas transforma\u00e7\u00f5es atribui \u00e0 Escola de Dan\u00e7a e Integra\u00e7\u00e3o Social para Crian\u00e7as e Adolescentes (Edisca), que suas filhas come\u00e7aram a frequentar a mais de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Agora, deixaram de lado a colher e utilizam garfo e faca para comer. Tamb\u00e9m adquiriram o habito de escovar os dentes ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es, embora Raque, de 12 anos, ainda n\u00e3o o fa\u00e7a regularmente. Mas, o melhor efeito foi que \u201co pai deixou de beber todos os dias, embora j\u00e1 tenha ca\u00eddo da bicicleta, machucando a testa\u201d, recordou Maria. \u201cQuando sa\u00eda para beber, podia-se esperar cenas de cinema\u201d, disse uma das filhas, Rafaela, de 15 anos. Certa vez, alcoolizado, pensou que era o Super-homem, subiu em uma caixa de \u00e1gua e caiu l\u00e1 de cima quebrando a perna, contou a m\u00e3e, que trabalha como auxiliar de cozinha em uma escola.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, Francisco Gomes Martins, admite que deixou a bebida \u201cpara n\u00e3o prejudicar minhas filhas\u201d quando entraram para a Edisca. \u201cDecidi na hora, assim como deixei de fumar, de repente, sem sofrer com a abstin\u00eancia\u201d, disse, embora continue tomando cerveja de vez em quando, afirmou este homem que \u00e9 fiscal da prefeitura e agora est\u00e1 amea\u00e7ado de demiss\u00e3o. \u201cTenho o maior orgulho por minhas filhas estarem na Edisca, a dan\u00e7a \u00e9 maravilhosa\u201d, disse, embora a sua mulher garanta que, no come\u00e7o, ele era contra as meninas dan\u00e7arem. V\u00ea-las dan\u00e7ando no espet\u00e1culo \u201cUrbes favela\u201d o levou \u00e0s lagrimas. Hoje cobra delas presen\u00e7a ass\u00eddua nas aulas e permite que viajem, mas \u201csomente se for com a Edisca\u201d. No bairro Bom Jardim, onde a fam\u00edlia vive em uma grande casa constru\u00edda com dificuldade, pode-se sentir a influ\u00eancia da Edisca, cuja sede fica do outro lado da cidade, a mais de uma hora de \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Edisca<\/p>\n<p>Com cerca de 200 mil habitantes, Bom Jardim \u00e9 um dos bairros mais pobres e violentos de Fortaleza, no extremo sudoeste do munic\u00edpio. Bem dividido, suas ruas longas e ordenadas exibem a pobreza na falta ou na precariedade da pavimenta\u00e7\u00e3o, na abund\u00e2ncia de casas n\u00e3o terminadas e no caos arquitet\u00f4nico caracter\u00edstico da ocupa\u00e7\u00e3o recente, causada pelo \u00eaxodo rural. \u00c9 a maior fonte de educandos da Edisca, segundo Katiana Pena, que se converteu em professora de dan\u00e7a nessa escola e hoje ensina no Centro Cultural Bom Jardim, um pr\u00e9dio alto e moderno que se destaca no bairro e \u00e9 freq\u00fcentado por cerca de 800 meninas e meninos.<\/p>\n<p>Criada em 1991 e dirigida por Dora Andrade, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Edisca acolhe exclusivamente crian\u00e7as e adolescentes de bairros pobres. S\u00e3o cerca de 400 alunos permanentes, todos os estudantes de escolas publicas prim\u00e1rias e secund\u00e1rias, uma exig\u00eancia para freq\u00fcentar a Edisca. Ao tornar acess\u00edvel o bal\u00e9 \u00e0s pessoas pobres, antes ensinados quase exclusivamente \u00e0s filhas das fam\u00edlias ricas, \u201crompemos um paradigma\u201d disse Andrade. A Edisca se dedica \u00e0 dan\u00e7a contempor\u00e2nea, mas a t\u00e9cnica do bal\u00e9 cl\u00e1ssico \u00e9 b\u00e1sica em sua forma\u00e7\u00e3o, explicou.<\/p>\n<p>O projeto educacional, no qual a forma\u00e7\u00e3o de bailarinas e professores de dan\u00e7a \u00e9 um resultado n\u00e3o deliberado, se expandiu \u00e0 \u00e1rea social, com o servi\u00e7o que presta a 1.500 fam\u00edlias em cuidados m\u00e9dicos e odontol\u00f3gicos, psicologia e nutri\u00e7\u00e3o, de forma individual ou em grupos de conviv\u00eancia. Para a evolu\u00e7\u00e3o da escola de dan\u00e7a, foi necess\u00e1rio realizar incurs\u00f5es em outras disciplinas, como canto, teatro e artes visuais, e em novas fun\u00e7\u00f5es educativas, como refor\u00e7o escolar, ensino de ingl\u00eas e inform\u00e1tica e assist\u00eancia psicopedag\u00f3gica.<\/p>\n<p>Logo tamb\u00e9m se imp\u00f4s a necessidade de oferecer alimenta\u00e7\u00e3o aos alunos, sob orienta\u00e7\u00e3o de nutricionistas, pois muitos eram desnutridos e tinham maus h\u00e1bitos alimentares. A dan\u00e7a \u00e9 uma linguagem corporal que exige excelentes condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e cuidados higi\u00eanicos, como escovar os dentes com frequ\u00eancia, disse a diretora Andrade. Outro custo indispens\u00e1vel que a escola teve de assumir foi subvencionar o transporte, j\u00e1 que se trata de crian\u00e7as que vivem na distante periferia da cidade e n\u00e3o podem pagar a passagem de \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Os alunos permanece, em m\u00e9dia, quatro anos e meio na institui\u00e7\u00e3o. Poucos desistem, por isso a cada ano s\u00e3o admitidos apenas cerca de 50 crian\u00e7as entre 7 e 12 anos, mas procura supera em 10 vezes essa quantidade. Formam-se longas filhas de candidatos, e a escola tem de assumir uma frustrante sele\u00e7\u00e3o sob crit\u00e9rios sociais e de aptid\u00e3o. \u201cAprendi a comer verduras aqui\u201d, admitiu Tatiane Gama, de 26 anos, cuja vida \u00e9 a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do projeto, pois \u00e9 a \u00fanica do grupo inaugural que permanece na Edisca. Come\u00e7ou a aprender dan\u00e7a aos 8 anos, logo integrou o corpo de baile e aos 18 passou a professora.<\/p>\n<p>A elite bailarina<\/p>\n<p>Ao chegar aos 16 ou 17 anos, \u00e9poca de concluir o ensino secund\u00e1rio, os jovens t\u00eam de deixar a Edisca e recebem press\u00f5es familiares para conseguirem emprego, por isso a escola decidiu criar um corpo de baile, formado pelos melhores bailarinos, que ganham uma ajuda mensal de R$ 100,00, explicou a professora.o grupo, te tamanho vari\u00e1vel que giram em torno de 40 jovens, quase profissional e de cont\u00ednua capacita\u00e7\u00e3o, realizou aplaudidos espet\u00e1culos com coreografia de Dor Andrade, em alguns casos associada ao seu irm\u00e3o, Gilano Andrade,.<\/p>\n<p>\u201cJangurussu\u201d, baseado na vida de centenas de fam\u00edlias que sobrevivem buscando alimento e material para vender em um grande lix\u00e3o de Fortaleza, iniciou em 1995 um repert\u00f3rio que inclui outras obras de den\u00fancia social, como \u201cKoi-Guera\u201d, sobre o genoc\u00eddio ind\u00edgena, e \u201cUrbes Favela\u201d, sobre a vida nos bairros marginalizados. A obra \u201cMobilis\u201d, de 2003, \u00e9 mais abstrata, uma investiga\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica sobre o movimento. At\u00e9 o ano passado, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental havia registrado 188.380 espectadores em suas 260 apresenta\u00e7\u00f5es, no Brasil e no exterior.<\/p>\n<p>Os espet\u00e1culos \u201cme permitiram conhecer Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Alemanha, \u00c1ustria e Estados Unidos\u201d, al\u00e9m de muitas cidades brasileiras, uma \u201coportunidade que outras escolas n\u00e3o me dariam\u201d, destacou Tatiane Gama,que d\u00e1 aula na Edisca e em outras institui\u00e7\u00f5es. Desta escola sa\u00edram as professoras de \u201cmaior sucesso\u201d nas academias de bal\u00e9 de Fortaleza, assegurou, citando v\u00e1rios exemplos, como um ex-aluno que criou sua pr\u00f3pria companhia de dan\u00e7a e se revelou um core\u00f3grafo de talento e sucesso. Os donos das academias de dan\u00e7a reconhecem as vantagens de contratar seus ex-companheiros, segundo Gama, por terem disciplina, maior responsabilidade e os conhecimentos que adquiriram por participarem de espet\u00e1culos em grandes teatros do exterior e do Brasil.<\/p>\n<p>Outros resultados<\/p>\n<p>Mas o grande objetivo da Edisca n\u00e3o \u00e9 formar bailarinos, mas oferecer uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, \u201cinterdimensional\u201d, pois combina raz\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o, desejo e transcend\u00eancia atrav\u00e9s da arte, preparando para a vida e gerando oportunidades, definiu Andrade. \u00c9rika Dayane, de 27 anos, aproveitou o teatro e o canto coral nos 11 anos que passou na Edisca. N\u00e3o se concentrou no bal\u00e9 e n\u00e3o fez parte do corpo de baile, mas saiu com uma forma\u00e7\u00e3o mais ampla que lhe \u00e9 \u00fatil como terapeuta comunit\u00e1ria do Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicosocial (CAPS), uma unidade municipal de assist\u00eancia aos que sofrem de transtornos mentais.<\/p>\n<p>\u201cSou ecl\u00e9tica, artista e terapeuta\u201d, disse a funcion\u00e1ria do CAPS Bom Jardim e ativista do Movimento de Sa\u00fade Mental Comunit\u00e1ria do bairro, que busca \u201ccom a arte despertar o desejo de viver e a criatividade adormecida\u201d nas pessoas deprimidas, v\u00edtimas da viol\u00eancia, das drogas e dos efeitos da mis\u00e9ria. \u201cBusco romper o modelo de hospitaliza\u00e7\u00e3o e medica\u00e7\u00e3o com a arte. Muitos pacientes deixaram de necessitar de m\u00e9dicos por praticarem dan\u00e7a e canto\u201d, afirmou. Com seu sal\u00e1rio ajuda a fam\u00edlia e paga seu curso universit\u00e1rio de terapia ocupacional, que ter\u00e1 longa dura\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o pode pagar parte das mat\u00e9rias anuais.<\/p>\n<p>Em Bom Jardim, a presen\u00e7a da Edisca tamb\u00e9m se reflete na lideran\u00e7a de seus alunos nas escolas e atividades culturais do bairro, afirma Ana Maria Marques, ex-l\u00edder estudantil secund\u00e1ria, hoje com 23 anos que luta para sobreviver com seu filho pequeno como instrutora de artesanato org\u00e2nico e trabalhos culturais. S\u00e3o ex-alunos da Edisca a maioria dos jovens que criaram a Casa de Cultura, depois substitu\u00edda por Nosso Espa\u00e7o, que oferece teatro, dan\u00e7a, biblioteca, artesanato e cursos preparat\u00f3rios par \u00e0 universidade a crian\u00e7as e jovens do bairro.<\/p>\n<p>Estimular a escolaridade formal \u00e9 outra miss\u00e3o assumida pela escola de dan\u00e7a. S\u00e3o numerosos seus ex-alunos que j\u00e1 se formaram ou est\u00e3o na universidade, uma raridade exemplar nos bairros onde vivem. Tatiane Gama estuda educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e Daniele Monteiro, de 21 anos e 12 de Edisca, onde agora \u00e9 funcion\u00e1ria administrativa, cursa jornalismo. Ser\u00e3o muitos mais os novos universit\u00e1rios gra\u00e7as ao programa de bolsas oferecidas por alguns dos melhores col\u00e9gios particulares de Fortaleza a alunos selecionados da Edisca. Em 208 eram 49 os beneficiados.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios espet\u00e1culos da escola s\u00e3o um grande processo de aprendizagem. Para fazer \u201cUrbes favela\u201d, por exemplo, todos os estudantes participaram da pesquisa sobre a realidade local desses bairros densamente povoados, sua imagem divulgada pela imprensa e os desejos de seus moradores, al\u00e9m de pain\u00e9is sobre cenografia, desenho, m\u00fasica, v\u00eddeo, maquiagem e outras \u00e1reas da produ\u00e7\u00e3o teatral. Apesar dos efeitos sociais e educacionais do projeto, a Edisca enfrenta dificuldades financeiras, que n\u00e3o s\u00e3o atenuadas pelo fato de possuir desde 1999 uma sede pr\u00f3pria projetada para suas atividades. A escola suspendeu as aulas nas sextas-feiras e promove uma campanha de doa\u00e7\u00f5es individuais, tentando superar a crise.<\/p>\n<p>KATIANA, O MILAGRA DA DAN\u00c7A<\/p>\n<p>\u201cMinha m\u00e3e teve 19 filhos, oito sobreviveram. Em minha casa ningu\u00e9m teve inf\u00e2ncia, meu brinquedo era uma boneca sem cabe\u00e7a nem bra\u00e7os\u201d. A fam\u00edlia mudou-se do campo para o nascente bairro Bom Jardim, onde a m\u00e3e se queixava de que \u201co sofrimento \u00e9 pior aqui\u201d. Katiana Pena Morais \u00e9 a prova viva de que investir na supera\u00e7\u00e3o da pobreza multiplica muitas vezes cada centavo. Com uma bolsa da Edisca de US$ 50 mensais, ela ampliou sua casa, de um s\u00f3 quarto para 10 pessoas e \u201cum banheiro de lata\u201d. Agora tem cinco quartos.<\/p>\n<p>Ajudou a fam\u00edlia desde os 7 anos, fazendo contor\u00e7\u00f5es no circo-escola do bairro, enquanto seus irm\u00e3os recolhiam lixo para reciclagem. Entrou para a Edisca aos 9 anos, vencendo a barreira materna, a fome e a dist\u00e2ncia. Chorava quando faltava \u00e0s aulas porque n\u00e3o podia pagar a passagem de \u00f4nibus, que dura hora e meia. Come\u00e7ou a receber ajuda para o transporte, mas usava o dinheiro para alimenta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois anos de bal\u00e9, atuou no espet\u00e1culo \u201cJangurussu\u201d, sobre os pobres que sobrevivem de um lix\u00e3o. Alguns anos depois chegou ao corpo de baile, ganhando a bolsa milagrosa, e em seguida se converteu em professora de dan\u00e7a assalariada.<\/p>\n<p>Sendo adolescente, a diretora da Edisca, Dora Andrade, a ajudou acolhendo-a em sua casa durante um ano e meio. Agora, aos 26 anos e gr\u00e1vida, Katiana ensina dan\u00e7a a uma centena de meninas e meninos como funcionaria do estatal Centro Cultural Bom Jardim. Conseguiu que muitos deles fossem aprovados na Edisca, que deixou h\u00e1 dois anos, \u201ccom dor\u201d, porque sentia \u201cnecessidade de fazer alguma coisa pelas pessoas sem oportunidades\u201d do bairro onde sempre viveu. Seu trabalho atual \u00e9 compartilhado com Silvana Marques, outra bailarina formada na Edisca. Elas s\u00e3o \u201cduas pedras preciosas\u201d que, com a \u201cinflu\u00eancia da Edisca\u201d, fazem da dan\u00e7a o mais concorrido dos 11 n\u00facleos do Centro, com 200 estudantes, reconhece Diana Pinheiro, administradora da unidade cultural, um imponente edif\u00edcio em um bairro de casas pobres.<\/p>\n<p>CONTRA A DESIGUALDADE ESCOLAR<\/p>\n<p>Jamila de Oliveira Lopez viveu por dentro o desequil\u00edbrio entre o ensino p\u00fablico e o privado, que agrava a desigualdade social no Brasil. Beneficiada por becas concedidas por algumas escolas particulares de Fortaleza a alunos da Edisca, em 2007 entrou para o Col\u00e9gio Farias Brito, um dos mais competitivos e caros. Ali um \u201cabismo entre realidades e comportamentos\u201d foi constatado por esta bailarina de 17 anos que pretende estudar jornalista para estar \u201catualizada\u201d e \u201ctamb\u00e9m se expressar por palavras\u201d.<\/p>\n<p>Algumas mat\u00e9rias dadas no col\u00e9gio nunca viram na escola p\u00fablica. Mas ela, apontada como um exemplo, \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. Sempre esteve entre os melhores alunos, embora tivesse que estudar na cozinha, por dividir o quarto com suas duas irm\u00e3s, e viver em um bairro muito violento. No ano passado ganhou um computador como pr\u00eamio \u00e0 estudante mais aplicada da Edisca.<\/p>\n<p>A Escola Espa\u00e7o Aberto, que iniciou o programa de bolsas em 2003 porque \u201cnasceu com compromisso social\u201d, agora tem 10 bolsistas da Edisca, informou o diretor Murilo Martins. H\u00e1 quatro anos, um grupo de alunos humilhou um deles por sua pobreza e a escola aproveitou o fato para promover um debate sobre a discrimina\u00e7\u00e3o. O professor de qu\u00edmica Helder Filgueiras encontrou chorando uma bolsista do curso secund\u00e1rio que jamais tivera aulas de qu\u00edmica, pois se \u201csentia incapaz de aprender\u201d. Um longo di\u00e1logo lhe devolveu a autoestima e ela superou o obst\u00e1culo, segundo Filgueiras.<\/p>\n<p>No col\u00e9gio cat\u00f3lico Nossa Senhora das Gra\u00e7as, com cerca de dois mil alunos e 15 da Edisca, al\u00e9m da dif\u00edcil adapta\u00e7\u00e3o inicial, os bolsistas \u201cchegavam sem saber nada de ingl\u00eas\u201d, disse Rosa Cavalcanti, orientadora pedag\u00f3gica. Ela e o diretor Martins ressaltaram a for\u00e7a de vontade como fator de destaque que permite superar as defici\u00eancias de conte\u00fado dos cursos. Eles valorizaram a \u201coportunidade \u00fanica\u201d de estudar em uma escola que n\u00e3o poderiam pagar, disse Aparecida Raposa, coordenadora do Col\u00e9gio Admir\u00e1vel Mundo. IPS\/Envolverde<\/p>\n<p>O projeto que deu origem a este trabalho foi ganhador das Bolsas AVINA de Investiga\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica. A Funda\u00e7\u00e3o AVINA e a Casa Daros, parceira na categoria Arte e Sociedade, n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis pelos conceitos,opini\u00f5es e outros aspectos de seu conte\u00fado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fortaleza (CE), 02\/09\/2009 &ndash; \u201cA vida de minha fam\u00edlia mudou\u201d, desde a maneira de comer e as regras de higiene at\u00e9 a seguran\u00e7a de saber onde est\u00e3o minhas filhas e o fim do alcoolismo paterno, comemora Maria Erilma da Silva, m\u00e3e de tr\u00eas meninas e um adolescente em Fortaleza (CE). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/09\/america-latina\/brasil-quando-a-danca-ensina-a-viver\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[19,21],"class_list":["post-5493","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-arte-y-cultura","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5493\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}